Lista de Poemas
Famélica intrusão
a fome corta a alma
como um precipício
tudo que lhe tange
é um desejo infinito
dói nas ruas
como uma ferida urbana
construída nas fissuras
de sistemas e de tramas
a fome é o solstício
da inexatidão humana
como um precipício
tudo que lhe tange
é um desejo infinito
dói nas ruas
como uma ferida urbana
construída nas fissuras
de sistemas e de tramas
a fome é o solstício
da inexatidão humana
👁️ 103
Diagramação da vida
os prefácios,
nas páginas da vida,
requerem verbos
e uma certa malícia.
dos escritos vitais,
traçados em egos,
pululam as pressas
a que se entregam
os introitos da vida
anulam a essência do mêdo
como se o viver dispusesse
de todo seu enredo
nas páginas da vida,
requerem verbos
e uma certa malícia.
dos escritos vitais,
traçados em egos,
pululam as pressas
a que se entregam
os introitos da vida
anulam a essência do mêdo
como se o viver dispusesse
de todo seu enredo
👁️ 55
Da Praça Vermelha em memória
na Praça Vermelha
bordava-se um tempo
espalhado nos passos
e nos pensamentos
Lenin, um tanto arredio,
dormia na história
perscrutando as emoções
criadas pela memória
a Praça Vermelha compulsava
todos os sonhos à sua volta
bordava-se um tempo
espalhado nos passos
e nos pensamentos
Lenin, um tanto arredio,
dormia na história
perscrutando as emoções
criadas pela memória
a Praça Vermelha compulsava
todos os sonhos à sua volta
👁️ 74
De Mãe Senhora e Verger em obrigação
na cabeça de Verger,
Mãe Senhora, em cantos,
solfejou os orixás
e fotografou o espanto
Verger, ensimesmado,
tangia as emoçōes
como um descrente repleto
de suas graves pulsações
Mãe Senhora atiçava o tempo
debruçado em suas mãos
Mãe Senhora, em cantos,
solfejou os orixás
e fotografou o espanto
Verger, ensimesmado,
tangia as emoçōes
como um descrente repleto
de suas graves pulsações
Mãe Senhora atiçava o tempo
debruçado em suas mãos
👁️ 3
Do retórico medo da alma
meus medos,
assim rompidos,
deixam-me humano
corrente e vivido
te-los guardados
nos desvãos da fala
esconde os comícios
que se tem na alma
tanger o medo nas ruas
é um dever da palavra
assim rompidos,
deixam-me humano
corrente e vivido
te-los guardados
nos desvãos da fala
esconde os comícios
que se tem na alma
tanger o medo nas ruas
é um dever da palavra
👁️ 28
das mortes em que vivi em tanto
das vezes que morri
quando nem lembro
a vida tomou as rédeas
desse esquecimento
e dei-me à dialética
nas carnes e nos ventos
como montado na vida
debruçado no tempo
hoje, morro e vivo
todos os momentos
quando nem lembro
a vida tomou as rédeas
desse esquecimento
e dei-me à dialética
nas carnes e nos ventos
como montado na vida
debruçado no tempo
hoje, morro e vivo
todos os momentos
👁️ 50
Das africanas invençōes da vida
negra, aérea e plástica
a capoeira desenha
todas as Áfricas vividas
em que se contenha
desenhando seu corpo,
o capoeira, pássaro nato,
borda o desejo no tempo
nos ombros do espaço
a África inventa-se no mundo
como uma rosa perdulária
a capoeira desenha
todas as Áfricas vividas
em que se contenha
desenhando seu corpo,
o capoeira, pássaro nato,
borda o desejo no tempo
nos ombros do espaço
a África inventa-se no mundo
como uma rosa perdulária
👁️ 57
Formais enredos da razão
laico,
deus cogita
em trazer-se fático
pela vida
enérgico,
dá-se à equação
de ter-se quântico
na razão
deus tramita o mêdo
com a culpa à mão
deus cogita
em trazer-se fático
pela vida
enérgico,
dá-se à equação
de ter-se quântico
na razão
deus tramita o mêdo
com a culpa à mão
👁️ 80
Indígena tração dos fatos
indígenamente farto
dou-me ao desacato
de retesar na mente
todos os meus arcos
e sei das flechas
que alinho nas palavras
e as debruço no tempo
como um grito d'alma
meus cocares apontam a história
como um afã de inventa-la
dou-me ao desacato
de retesar na mente
todos os meus arcos
e sei das flechas
que alinho nas palavras
e as debruço no tempo
como um grito d'alma
meus cocares apontam a história
como um afã de inventa-la
👁️ 91
Resenha corrente
a vida
sangra as horas
como uma descarga
na história
o tempo
sentido a desoras
argamassa o processo
de vida da memória
o fascismo apodrece
em todas as portas
sangra as horas
como uma descarga
na história
o tempo
sentido a desoras
argamassa o processo
de vida da memória
o fascismo apodrece
em todas as portas
👁️ 36
Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.