Lista de Poemas
Kurkino em rompante memorial
nas costas de Kurkino
a neve aquecia
todos os sonhos
que a vida permitia
no meio da noite
tangendo o mundo
o homem olhava o céu
com a certeza de tudo
Kurkino ainda nem nevava
os descaminhos do futuro
a neve aquecia
todos os sonhos
que a vida permitia
no meio da noite
tangendo o mundo
o homem olhava o céu
com a certeza de tudo
Kurkino ainda nem nevava
os descaminhos do futuro
👁️ 42
Das pugnas do eu lírico
o poema, ressabiado,
em todos seus indícios,
determina a Fidel
não chegar a seus limites
o eu lírico, onipotente,
como obstáculo,
põe nas entrelinhas
todo seu sobressalto
Fidel, desavisado,
constrói poemas
com o povo em seus braços
em todos seus indícios,
determina a Fidel
não chegar a seus limites
o eu lírico, onipotente,
como obstáculo,
põe nas entrelinhas
todo seu sobressalto
Fidel, desavisado,
constrói poemas
com o povo em seus braços
👁️ 66
Poema em trânsito versejante
no papel,
debruçado em sua lavra
o poema entorna, lúdico,
todas as falas
os verbos que alinha
nos rasantes e na calma
sobrevoam os desejos
aflorados nas palavras
as que venham do verso
as que estejam na alma
debruçado em sua lavra
o poema entorna, lúdico,
todas as falas
os verbos que alinha
nos rasantes e na calma
sobrevoam os desejos
aflorados nas palavras
as que venham do verso
as que estejam na alma
👁️ 110
Das vazōes intrínsecas do homem
nas costas do tempo,
como uma ameaça,
a vida dói nos homens
pelas suas praças
de seus desejos
embrulhados em desculpas
ressoam magras razōes
e um certo quê de culpa
tudo que lhes atiçam
é o tempero da luta
como uma ameaça,
a vida dói nos homens
pelas suas praças
de seus desejos
embrulhados em desculpas
ressoam magras razōes
e um certo quê de culpa
tudo que lhes atiçam
é o tempero da luta
👁️ 40
Gestação informe de modos
e como fora trazido
às pulsaçōes do fato
deu-se o homem a crescer
em todo seu estado
ao dar-se às pernas
para conduzi-lo
libertou as mãos
e todos seus artifícios
e desse engenhar-se, como costume,
nasceu essa avença com o infinito
às pulsaçōes do fato
deu-se o homem a crescer
em todo seu estado
ao dar-se às pernas
para conduzi-lo
libertou as mãos
e todos seus artifícios
e desse engenhar-se, como costume,
nasceu essa avença com o infinito
👁️ 53
Da genérica condição humana
minha marca
é ser genérico
nos sentimentos
em que me meço
dou-me à mim
quando todos
como um astronauta
em coletivo vôo
os voos da vida
são o meu esforço
em lançar-me no espaço
como um alvoroço
é ser genérico
nos sentimentos
em que me meço
dou-me à mim
quando todos
como um astronauta
em coletivo vôo
os voos da vida
são o meu esforço
em lançar-me no espaço
como um alvoroço
👁️ 77
Tribais ensejos do particular
indígena
dá-se à tribo
como um ser plural
e indiviso
da multidão
que guarda em si
esculpe-se indivíduo
tecendo o porvir
indígena larga-se no mundo
como um pedaço de tudo
dá-se à tribo
como um ser plural
e indiviso
da multidão
que guarda em si
esculpe-se indivíduo
tecendo o porvir
indígena larga-se no mundo
como um pedaço de tudo
👁️ 5
Poema de Circunstância VIII
no semáforo vermelho
como uma manchete
a menina estampa na face
a fome que lhe resta
debruçada na tristeza
que publica pelos pulsos
deixa-se estar inteira
nos pedaços de seu susto
e a vida ainda assim viceja
em pedaços do futuro
como uma manchete
a menina estampa na face
a fome que lhe resta
debruçada na tristeza
que publica pelos pulsos
deixa-se estar inteira
nos pedaços de seu susto
e a vida ainda assim viceja
em pedaços do futuro
👁️ 54
Poema de circunstância IX
dos olhos, nublados,
escorriam chuvas
como um temporal urgente
de algumas culpas
a fome tremia em ondas
e das mãos, magras lanças,
os ares enchiam a manhã
de navios da desesperança
o homem, esfaqueado pela vida,
discursava pedidos numa triste dança
escorriam chuvas
como um temporal urgente
de algumas culpas
a fome tremia em ondas
e das mãos, magras lanças,
os ares enchiam a manhã
de navios da desesperança
o homem, esfaqueado pela vida,
discursava pedidos numa triste dança
👁️ 58
Lua de esturjão
a lua de esturjão
tramita indolente
como se fora um desejo
nos olhos da gente
boiando clara no espaço
fugindo dos seus ritos
parece dar-se aos olhos
como um enfeite do infinito
a lua de esturjão
é um caviar dos sentidos
tramita indolente
como se fora um desejo
nos olhos da gente
boiando clara no espaço
fugindo dos seus ritos
parece dar-se aos olhos
como um enfeite do infinito
a lua de esturjão
é um caviar dos sentidos
👁️ 78
Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.