Lista de Poemas
Da menina e do mar em rasa cena
ensaia-se infinito e ilude
nessa indumentária de oceano
tido como um largo açude
eis que o sertāo pontua
em sua pauta líquida
a impossibilidade marinha
de ter-se em águas infinitas
os açudes de sua infância
a menina apenas quantifica
Palavras em diversos fóruns
palavras são fuzis
pássaros engaiolados
habitantes difusas
das vontades
soltas, em termos,
no trânsito da fala
ressoam esvoaçantes
ou engatilhadas
viventes do verso, insolentes,
dão-se ao tudo e ao nada
como gatilhos recorrentes
das continências da alma
Infantes caminhos
jazia desprezado
no ventre do caderno
como um fardo
o menino
dado às palavras
embutia nos números
suas faltas
nada do que era crivo
atestava sua alma
Jornada
como transeunte
que armazena no riso
os futuros que pude
dou-me ao presente
como navegante
que consome no riso
todos os meus antes
dou-me ao futuro
como intrometido
que teima a alegria
com as nuances do infinito
Do curso da refrega
a luta sempre entorna
o coração dos homens
no peito da revolta
ângulo intacto
dos olhos do futuro
alinhava-se como imensa
nas curvas do seu curso
ao homem basta apenas
afundar em si nesse mergulho
Das inatas inquirições da vida
com a fluência inata
de todos os rios
que trazia na alma
e por vive-la líquida
no vão do pensamento
derramava suas ondas
pelo sentimento
o rio era só o sonho
em que eu criava o tempo
Claudicante ensejo dos caminhos
minha bengala pontua
os voleios da velhice
pelas faces da rua
em sua rigidez,
intrépida e pacata,
pode dar-se ao luxo
de tornar-se arma
minha bengala nem percebe
os conflitos de quem lhe guarda
bancos do tempo em ritmia
não se gasta
sua propriedade
é discurso monetário
só em voos distópicos
dá-se como lavra
o tempo é sempre corrente
nunca diz-se avaro
quando entornado em todos
sem qualquer gargalo
poupar o tempo no peito
é só um jeito de contá-lo
das construções temporais
chove a cântaros
nos roçados gerais
da esperança
essa espera afetiva
de abraçar o tempo
remói alegrias
nas tristezas do sempre
plantar futuros na história
é um espreguiçar-se do presente
Poema de circunstância XII
envolto da cidade,
o homem tarda
em mostrar-se tarde
o corpo, em ondas,
pinça os ares árticos
e desaba na fome
com a morte nos braços
a cidade nem percebe
partirem seus pedaços
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.