Escritas

Lista de Poemas

Oníricas vicissitudes

esqueço-me nos sonhos
como tentativa
de construir andaimes
pela vida

o fazer onírico
talvez sirva
para medir as léguas
que eu consiga

o sonho é só um trampolim
das necessidades da lida
👁️ 71

Medições em verbos de dizer mundano

ao poema
cabem os milímetros
e todos os infinitos
que pressinta

dá-los a verbo
é unicamente sintoma
de que a palavra, sem medidas,
às vezes, sonha

o poema é um arbítrio lato
de liberdades e de clausuras
desde que trafegue, intenso,
a indizível lógica das ruas
👁️ 37

Minha mãe em utópicas rimas

minha mãe dói em mim
como um lírico abismo
tudo que já não é
permanece infinito

senti-la assim
como uma memória infinda
é poder cria-la
em todas as rimas

minha mãe é uma utopia
debruçada em todas as esquinas
👁️ 32

Das imanências do verbo

o poema
nem imagina
deitar-se apenas nas palavras
que declina

antes
há de sabê-las postas
nas entrelinhas do juízo
em que se acosta

não é de dizer-se só enfático
nas nuances do seu corpo
mas nos bilhetes que emite
no verborrágico alvoroço
👁️ 43

do riso como semente larga

o riso não é um disfarce,
tudo que lhe trama nasce
como se fora um vendaval
nas curvas da face

é uma alegria semeada
nos ângulos do rosto
nos leirões montados
nos roçados do corpo

sorrir é tanger o mundo
nas estradas de tudo.
👁️ 96

Fugitivas demarches da palavra

o poema
é fuga planejada
deixa-se da vida
para embarcar na palavra

porto semântico,
adernado no tempo,
o poema navega alvoroçado
os vincos do pensamento

e cai nas letras,
enquadrado,
habeas corpus verbal
do poeta e seus enfados
👁️ 73

Da construção vivente

a vida não está posta
como se fora um guia
em que o autor esquece
os passos de sua via

antes, convergente,
dada ao coletivo,
dá-se como instrumento
de construir-se consigo

a vida é um diagrama exato
das teimosias do infinito
👁️ 55

Da infância fluvial em saltos

nas curvas do rio,
como um bailado,
as águas traziam mansa
a natureza nos braços

da ponte, aos saltos,
os meninos incontidos
lançavam-se foguetes
no colo morno do rio

a vida era uma armadilha
montada no desafio
da felicidade que havia
escondida pelo rio
👁️ 65

do amor em construção

o amor, fundante,
dá-se como recorrente
quando a fábrica de si
habita larga os viventes

funda âncoras esvoaçantes
com ganas de astronauta
e inventa todos os cosmos
no colo imenso da alma

confundi-lo com a vida
é vivê-lo na intensa trama
de quem constrói a si
no peito de quem se ama
👁️ 59

Infantes caminhos

o crivo de Eratóstenes
jazia desprezado
no ventre do caderno
como um fardo

o menino
dado às palavras
embutia nos números
suas faltas

nada do que era crivo
atestava sua alma
👁️ 20

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !