Escritas

Lista de Poemas

Caminhares em desejo manifesto

dos caminhos que trago
escondido dos passos
ressoam todos os rumos
em que me desabraço

a vontade de ir
deflagra nas estradas
uma grave consequência
de todas as passadas
arrumar nos pés o desejo

e embrenhar-se de si e de outros
nos ombros das caminhadas
👁️ 1

Dos assombros da luz em filigrana

a sombra
assombra
e assoma
a soma
das formas
que sonha
como invólucro
e som
da sanha
de tornar desenho
o que conta
a sombra é um enredo
em que a luz discursa
os comícios de si
das coisas que usa
👁️ 57

da incondição compulsória

de cócoras
o homem concebe
diante do prato
toda sua verve

a palavra
misturada na fome
esconde a mágoa
em que se some

o homem nem admite
que ainda é homem
sobram diferenças
naquilo que consome
👁️ 66

Poema a Lane Pordeus em natal pensar

talvez o tempo
nem aquilate o recado
de tê-la deslumbrante
em todos os seus atos

eis que, mulher e pássaro,
voa todos os meus ares
como gesto permissivo
de todos seus olhares

remido, pelo tempo em afetos,
construo ondas de amor no peito
e deixo-me estar em privilégio.
👁️ 125

Tecelagens em resgate resumido

a crise,
quando consumida,
sempre é uma resposta
dos trâmites da vida

guarda em seus flancos,
meio escondidas,
todas as vias e veias
em que se diz cumprida

a crise é só um recado
dos modos de tecer a vida
👁️ 17

Das andanças de mim

saio de mim
adredemente
tudo que me deixa
é um passado insistente
que pincela de futuro
o peito do presente
e no deixar-me em trânsito
pelos becos dos momentos
abarco a realidade
como um sentimento
um jeito abraçado
de navegar o tempo
👁️ 2

Relâmpagos comícios

relâmpago,
o comício aguça
nos ombros da rua
o cheiro da luta

o verbo
em cachoeiras
discursa o tempo
como bandeira

no meio do trânsito
das rédeas do novo
os homens bebem palavras
com jeito de povo
👁️ 3

Novamente a bailarina em passos recorrentes

a bailarina
é passeata displicente
tudo de seus passos
tem um quê de transparente
até assim quando voa
pelos olhos da gente

a bailarina é militante
de tudo que se sente
👁️ 20

Manhã em larga distopia

no raso da manhã,
ainda assim escondido,
o sol tenta tanger
uns pedaços do infinito

acorda no passarinho
um tempo de harmonia
no discursar seus bemóis
nos ombros largos do dia

e nas calçadas,
embrulhados na fome,
o vento tange a tristeza
pelos olhos dos homens
👁️ 25

Poema em latência mundana

o poema
habita os futuros
tenha de pouco e tanto
ou que sonhe de tudo
nada do que lhe entorna
dá-se como ausente do mundo
o verbo é sempre norma
de transitar o discurso
montado nos ombros da vida
tangendo todos os cursos
como se fosse vontade
de comandar o seu uso
👁️ 4

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !