Lista de Poemas
Andares alheios
na multidão
estou composto:
um tanto de mim
o todo do outro
dou-me ao passo
do andar alheio
nos ombros da estrada
em que me atrevo
nada como trafegar
sem as curvas do medo
estou composto:
um tanto de mim
o todo do outro
dou-me ao passo
do andar alheio
nos ombros da estrada
em que me atrevo
nada como trafegar
sem as curvas do medo
👁️ 3
pareceres em inverso rumo
a aparência
é lapso
vestimenta ingênua
do fato
dá-se aos olhos,
assim lúdica,
como privada feição
do que é público
arrastá-la à lógica
da contradição
é permiti-la sim
mesmo que não
é lapso
vestimenta ingênua
do fato
dá-se aos olhos,
assim lúdica,
como privada feição
do que é público
arrastá-la à lógica
da contradição
é permiti-la sim
mesmo que não
👁️ 4
Notícias em vazão vivente
no jornal da vida
sempre publico
os atos do futuro
em que me digo
trazê-los revoltos
na vontade
é só um trejeito
de alguma liberdade
as larguras do sentir
são manchetes vastas
dos futuros que alinho
no frontispício da alma
sempre publico
os atos do futuro
em que me digo
trazê-los revoltos
na vontade
é só um trejeito
de alguma liberdade
as larguras do sentir
são manchetes vastas
dos futuros que alinho
no frontispício da alma
👁️ 3
Vivente natureza em humanos gestos
de oito bilhões
ditos viventes
restem como multidão
tão impunemente
assim como razão
por que se sente
um jeito exato de povo
preso em correntes
na vital contradição
de cada consequência
oito bilhões é só um tempo
de arranjar o pensamento
e trafegar a vontade
no colo intenso do vento
oito bilhões
é só um dizer da natureza
dando fala de si
no colo de si mesma
ditos viventes
restem como multidão
tão impunemente
assim como razão
por que se sente
um jeito exato de povo
preso em correntes
na vital contradição
de cada consequência
oito bilhões é só um tempo
de arranjar o pensamento
e trafegar a vontade
no colo intenso do vento
oito bilhões
é só um dizer da natureza
dando fala de si
no colo de si mesma
👁️ 3
Da coletiva noção do verbo
a poesia, súbita,
flutua o verbo
nas cachoeiras lúdicas
dos rios do cérebro
volátil, sólida e mágica,
deixa-se exata
em todas as ilações
em que é plástica
senti-la ação coletiva
é derramar-se nas palavras
e conduzi-las pelo tempo
sem o ego em que se lavra
flutua o verbo
nas cachoeiras lúdicas
dos rios do cérebro
volátil, sólida e mágica,
deixa-se exata
em todas as ilações
em que é plástica
senti-la ação coletiva
é derramar-se nas palavras
e conduzi-las pelo tempo
sem o ego em que se lavra
👁️ 11
Ancestrais de mim em minudências
debulho meus ancestrais
em cada gesto
como um contínuo viver
de tantos séculos
e humanizo-me
a cada conclusão
de que sou partícula
da imensidão
o tempo reside em mim
em cada légua do meu chão
em cada gesto
como um contínuo viver
de tantos séculos
e humanizo-me
a cada conclusão
de que sou partícula
da imensidão
o tempo reside em mim
em cada légua do meu chão
👁️ 36
Legislação em espécies e tramas
a lei,
deitada em letras,
entorna nos homens
uma ordem alheia
tudo que proclama,
em decibéis armados,
é uma clara continência
a todos os seus brados
a legalidade humana,
como uma lei avulsa,
promulga-se nos homens
como artigo da luta
deitada em letras,
entorna nos homens
uma ordem alheia
tudo que proclama,
em decibéis armados,
é uma clara continência
a todos os seus brados
a legalidade humana,
como uma lei avulsa,
promulga-se nos homens
como artigo da luta
👁️ 61
Ritmada menção à vida
a cadência da vida
é descompasso
entre o tanto de mim
e as vezes que me falto
cantá-la em vagas
construindo o rumo
é como dar-se ao tempo
nos braços do mundo
a vida é só um contrato
com as cláusulas de tudo
é descompasso
entre o tanto de mim
e as vezes que me falto
cantá-la em vagas
construindo o rumo
é como dar-se ao tempo
nos braços do mundo
a vida é só um contrato
com as cláusulas de tudo
👁️ 73
Verbos em esvoaçante trama
no peito dos homens
dorme a cláusula:
todos os verbos
tramitam na alma
no grito dos homens
viajam avulsos
todos os futuros
que voam no discurso
pássaras serão as palavras
voadas no exato curso
de quem veste o tempo
sem a dívida do seu custo
dorme a cláusula:
todos os verbos
tramitam na alma
no grito dos homens
viajam avulsos
todos os futuros
que voam no discurso
pássaras serão as palavras
voadas no exato curso
de quem veste o tempo
sem a dívida do seu custo
👁️ 45
Do Galo em concerto
o Galo da Madrugada
enche a rua de tanto
que o povo engole a vida
com o frevo na garganta
e os bemóis traduzidos
escritos, nos pés, na dança,
escrevem o peito do povo
nas partituras da esperança
o mundo caminha a pauta
das claves que o homem planta
enche a rua de tanto
que o povo engole a vida
com o frevo na garganta
e os bemóis traduzidos
escritos, nos pés, na dança,
escrevem o peito do povo
nas partituras da esperança
o mundo caminha a pauta
das claves que o homem planta
👁️ 27
Comentários (10)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.