Lista de Poemas
Da humana gestão do tempo
haverá um tempo
de soletrar humanos
como pingentes lúdicos
de colares cósmicos
construindo o velejar
de ventos largos e lógicos
todas as manhãs
acordarão os fatos
na percepção humana
de que o tempo é um abraço
👁️ 1
Horizonte em dupla face
o horizonte
não é só um rumo
dos olhares que sondam
as vias do futuro
paisagem solta
nas curvas da vida
da-se aos sonhos
quando consentida
o horizonte, em suma,
é estrada, esconderijo
dos passos concretos
ou dos subjetivos
não é só um rumo
dos olhares que sondam
as vias do futuro
paisagem solta
nas curvas da vida
da-se aos sonhos
quando consentida
o horizonte, em suma,
é estrada, esconderijo
dos passos concretos
ou dos subjetivos
👁️ 1
Das fugas variadas da vida
os mortos
residem no tempo
na material função
de íons renitentes
habitam o espaço
com a insistência
de que se veste a matéria
em sua vasta consistência
e nadam na saudade
como naus consentidas
pulsando a realidade
nos escaninhos da vida
residem no tempo
na material função
de íons renitentes
habitam o espaço
com a insistência
de que se veste a matéria
em sua vasta consistência
e nadam na saudade
como naus consentidas
pulsando a realidade
nos escaninhos da vida
👁️ 1
Pretérita viagem
a estrada
abraçada à chuva
escondia seu curso
em incógnitas curvas
o barro
amolgando a vida
deslizava viventes
conduções e comitivas
o menino
sorrindo a vontade
dava-se aos atoleiros
como tempestade
abraçada à chuva
escondia seu curso
em incógnitas curvas
o barro
amolgando a vida
deslizava viventes
conduções e comitivas
o menino
sorrindo a vontade
dava-se aos atoleiros
como tempestade
👁️ 1
Sonho em urgente despejo
o sonho
nem se media
pelos restos de sono
em que vigia
atravessado
nas paredes da mente
embaralhava os fatos
em onírica corrente
o homem, dado a si
impunemente
tentava derramar
o inconsciente
nem se media
pelos restos de sono
em que vigia
atravessado
nas paredes da mente
embaralhava os fatos
em onírica corrente
o homem, dado a si
impunemente
tentava derramar
o inconsciente
👁️ 2
das numerais provas da infância,
o número
contava-se
nas rugas expostas
pela face
o menino,
como tática,
tentava iludir
a matemática
redondamente soterrado
com ares de estátua
sonhava desvincular-se
das raízes quadradas
contava-se
nas rugas expostas
pela face
o menino,
como tática,
tentava iludir
a matemática
redondamente soterrado
com ares de estátua
sonhava desvincular-se
das raízes quadradas
👁️ 2
Da concisão da vida
guardo o tempo
no arquivo da face
como um navegante
de todos os meus mares
as ondas do pensamento
as rugas da saudade
tudo que me leva
é um corpo distraído
com a certeza da vida
e a imensidão dos sentidos
nesse rápido pestanejar
que nos concede o infinito
no arquivo da face
como um navegante
de todos os meus mares
as ondas do pensamento
as rugas da saudade
tudo que me leva
é um corpo distraído
com a certeza da vida
e a imensidão dos sentidos
nesse rápido pestanejar
que nos concede o infinito
👁️ 1
Clandestina passagem
na praça
deixava-se a tarde
no curso manifesto
da clandestinidade
os olhos
em vigilância grave
como telescópios
singravam a paisagem
no peito do militante
o tempo disparava
construindo um gosto do povo
arquivado na alma
deixava-se a tarde
no curso manifesto
da clandestinidade
os olhos
em vigilância grave
como telescópios
singravam a paisagem
no peito do militante
o tempo disparava
construindo um gosto do povo
arquivado na alma
👁️ 1
das nebulosas lições celestes
nas tardes reticentes
as nuvens lançam marcas
discursando desenhos
em suas páginas
o céu
em negro quadro, viaja
e dá-se ao curso
das alunas miragens
o menino
em privado ócio
inventa a lição
no livro dos olhos
as nuvens lançam marcas
discursando desenhos
em suas páginas
o céu
em negro quadro, viaja
e dá-se ao curso
das alunas miragens
o menino
em privado ócio
inventa a lição
no livro dos olhos
👁️ 3
enredos patrióticos
a bandeira
é só um motivo
de enfiar a pátria
nos sentidos
trêmula e colorida
dá-se ao teatro
de parecer um país de todos
em grave ato
prenhe de medido alvoroço
a bandeira é só um engano
nos mastros do povo
é só um motivo
de enfiar a pátria
nos sentidos
trêmula e colorida
dá-se ao teatro
de parecer um país de todos
em grave ato
prenhe de medido alvoroço
a bandeira é só um engano
nos mastros do povo
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.