Escritas

Lista de Poemas

Da humana gestão do tempo


haverá um tempo
de soletrar humanos
como pingentes lúdicos
de colares cósmicos
construindo o velejar
de ventos largos e lógicos
todas as manhãs
acordarão os fatos
na percepção humana
de que o tempo é um abraço
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Horizonte em dupla face

o horizonte
não é só um rumo
dos olhares que sondam
as vias do futuro
paisagem solta
nas curvas da vida
da-se aos sonhos
quando consentida
o horizonte, em suma,
é estrada, esconderijo
dos passos concretos
ou dos subjetivos
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Das fugas variadas da vida

os mortos
residem no tempo
na material função
de íons renitentes
habitam o espaço
com a insistência
de que se veste a matéria
em sua vasta consistência
e nadam na saudade
como naus consentidas
pulsando a realidade
nos escaninhos da vida
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Pretérita viagem

a estrada
abraçada à chuva
escondia seu curso
em incógnitas curvas
o barro
amolgando a vida
deslizava viventes
conduções e comitivas
o menino
sorrindo a vontade
dava-se aos atoleiros
como tempestade
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Sonho em urgente despejo

o sonho
nem se media
pelos restos de sono
em que vigia
atravessado
nas paredes da mente
embaralhava os fatos
em onírica corrente
o homem, dado a si
impunemente
tentava derramar
o inconsciente
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das numerais provas da infância,

o número
contava-se
nas rugas expostas
pela face
o menino,
como tática,
tentava iludir
a matemática
redondamente soterrado
com ares de estátua
sonhava desvincular-se
das raízes quadradas
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Da concisão da vida

guardo o tempo
no arquivo da face
como um navegante
de todos os meus mares
as ondas do pensamento
as rugas da saudade
tudo que me leva
é um corpo distraído
com a certeza da vida
e a imensidão dos sentidos
nesse rápido pestanejar
que nos concede o infinito
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Clandestina passagem

na praça
deixava-se a tarde
no curso manifesto
da clandestinidade
os olhos
em vigilância grave
como telescópios
singravam a paisagem
no peito do militante
o tempo disparava
construindo um gosto do povo
arquivado na alma
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das nebulosas lições celestes

nas tardes reticentes
as nuvens lançam marcas
discursando desenhos
em suas páginas
o céu
em negro quadro, viaja
e dá-se ao curso
das alunas miragens
o menino
em privado ócio
inventa a lição
no livro dos olhos
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enredos patrióticos

a bandeira
é só um motivo
de enfiar a pátria
nos sentidos
trêmula e colorida
dá-se ao teatro
de parecer um país de todos
em grave ato
prenhe de medido alvoroço
a bandeira é só um engano
nos mastros do povo
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !