Escritas

Lista de Poemas

Dos limites dados

o limite da vida
há de ser consumido
não apenas na morte
como fato indivíduo
genérica
como afã da matéria
o infinito transita
em todas suas teias
esforço coletivo
de um viver infindo
o limite dá-se a meias
como ilusão de ritmo
👁️ 1

Medidas

a vida solta no tempo
é um grande conchavo
entre as léguas de si
e todos os seus palmos
joga-la nos sentidos
é quase um aviso
que a matéria dá a si
nos ombros do infinito
👁️ 28

Possessivas lavras

dos possessivos
tenha-se a lógica
de doer em todos
em instância própria
vigem apenas
até o limite
em que o mundo admita
que esteja em riste
apontando a estrada
que a matéria insiste
em deixar-se de todos
nas posses do infinito
👁️ 4

Universo em larga ida

o universo
meio contrito
passeia em nós
os ares do infinito
dá-lo como findo
nos palmos da vida
contradiz as léguas
em que habita
um dia haveremos de tê-lo
quase compreendido
nessa mania da matéria
de brincar de infinito
👁️ 4

Da saudade letrada

no meio da saudade
recorrente enredo
nas costas da vida
vivo o que escrevo
a palavra
é apenas o leito
caminho exato
dos passos do meu peito
os destinos do tempo
são andorinhas furtivas
que voam a saudade
nos arredores da vida
👁️ 3

Ode ao samba

o samba
cerzido na alma
derrama a vida
nos bemóis que fala
transeunte urgente
desce aos pés
como luta urgente
que o tempo faz
tangendo a dor
o riso que projeta
invade como povo
as faces da terra
👁️ 2

da vigência dos atos

que os ventos
solfejando a vida
tragam pelo tempo
os braços que consiga
os que nasçam da luta
os que medrem justiça
derramados assim pelos fatos
abraçados nessa lida
de remoer a matéria
em todos os seus vincos
👁️ 19

Das construções humanas

rachaduras da alma
tecidas filigranas
alheias vontades
indivíduas tramas
lapso gestual
da corrente chama
flagra a combustão
dos enredos humanos
os cimentos da alma
construção coletiva
nunca vicejam sós
nos muros da vida
👁️ 4

Dos desejos e dos atos

não basta à vida
navegar pensamentos
alinhavar alegrias
na tristeza do tempo
marcha dialética
insurgente matéria
a mente apenas borda
os futuros que navega
os braços devem afagar
os fatos em que medra
👁️ 7

Andanças temporais da saudade

o carro de boi
soletra o campo
na valsa agrária
que o passado monta
o tempo
montado na saudade
constrói a vida
nos braços da tarde
o futuro apenas rumina
os ontens que invade
como fora hora da matéria
resgatando a liberdade
👁️ 2

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !