Escritas

Lista de Poemas

Becos do futuro

 

a terra

arranja o futuro

nos saltos que dá

nas costas do mundo

lapso incauto

do humano curso

que a matéria tenta

nos ombros de tudo

a vida caminha em si

os becos do futuro

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Reminiscência VIII

 

a cachoeira

chorava a terra

desenhando lágrimas

pelas pedras

o menino

chorando o riso

debruçava em si

o infinito

o rio

em pura displicência

abraçava o menino

no colo da corrente

👁️ 3

poema em humana vaga

 

o tempo

posto na paisagem

dá-se à vida

como madrugada

o homem

posto humano

arquiva o tempo

no seu sono

a matéria e o homem

postos em cena

dão-se ao poeta

no vão do poema

👁️ 15

Dos rumos em trânsito

no raso de mim

exato precipício

resvalo do tempo

exíguo infinito

tudo que me tange

é deixar-me coletivo

alinhavado no mundo

nas lutas que consigo

as que trago no peito

as que nas ruas milito

👁️ 1

Do poema no poeta

 

o poema é atalho

rastro do poeta

nas costas do mundo

mania de palavrear-se

nos verbos de tudo

assim como eco

dos solavancos da vida

o poema reza a matéria

como ciranda lírica

dançando o sentimento

das valsas que consiga

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Das vias do infinito

 

na terra

minúscula nave

como divisar

os infinitos em que cabe?

na terra

transcurso da matéria

como não sentir

os futuros que encerra?

no universo

matéria em seu rito

como não vislumbrar

o destempo do infinito?

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Futuro em memória

lembrar do futuro
grave exercício
consciência posta
no rastro do infinito
balança a lembrança
da vontade presumida
viés do concreto
etérea comitiva
dos desvãos da matéria
nos alinhavos da vida
o futuro é só um abraço
dos horizontes que precisa
👁️ 3

Pseudo soneto da verdade

assim que esteja composta
no escaninho do tempo
a verdade esteja posta
nas brechas do pensamento
solta assim em si mesma
à procura de escafandro
a matéria sinta-se presa
ao que a tem de humano
e forje os imensos recados
trançados todos os dias
no labirinto dos passos
na balbúrdia das medidas
que a matéria se encomenda
na trajetória infante da vida
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Reminiscência VI

nas pedras
o mar de Olinda
jogava os sonhos
as ondas do menino
como se fosse marinheiro
das largas forças da vida
o mergulho arquitetado
era precoce investida
dos futuros da luta
adredemente consentida
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Reminiscência VII

 

o rio

em sua andança

tangia a paisagem

e a infância

o menino

já dado à velhice

acorrentava o tempo

na correnteza

sonhando o futuro

envelhecendo as certezas

o rio, inocente,

molhava o sonho

como presente

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !