Lista de Poemas
Becos do futuro
a terra
arranja o futuro
nos saltos que dá
nas costas do mundo
lapso incauto
do humano curso
que a matéria tenta
nos ombros de tudo
a vida caminha em si
os becos do futuro
Reminiscência VIII
a cachoeira
chorava a terra
desenhando lágrimas
pelas pedras
o menino
chorando o riso
debruçava em si
o infinito
o rio
em pura displicência
abraçava o menino
no colo da corrente
poema em humana vaga
o tempo
posto na paisagem
dá-se à vida
como madrugada
o homem
posto humano
arquiva o tempo
no seu sono
a matéria e o homem
postos em cena
dão-se ao poeta
no vão do poema
Dos rumos em trânsito
no raso de mim
exato precipício
resvalo do tempo
exíguo infinito
tudo que me tange
é deixar-me coletivo
alinhavado no mundo
nas lutas que consigo
as que trago no peito
as que nas ruas milito
Do poema no poeta
o poema é atalho
rastro do poeta
nas costas do mundo
mania de palavrear-se
nos verbos de tudo
assim como eco
dos solavancos da vida
o poema reza a matéria
como ciranda lírica
dançando o sentimento
das valsas que consiga
Das vias do infinito
na terra
minúscula nave
como divisar
os infinitos em que cabe?
na terra
transcurso da matéria
como não sentir
os futuros que encerra?
no universo
matéria em seu rito
como não vislumbrar
o destempo do infinito?
Futuro em memória
grave exercício
consciência posta
no rastro do infinito
balança a lembrança
da vontade presumida
viés do concreto
etérea comitiva
dos desvãos da matéria
nos alinhavos da vida
o futuro é só um abraço
dos horizontes que precisa
Pseudo soneto da verdade
no escaninho do tempo
a verdade esteja posta
nas brechas do pensamento
solta assim em si mesma
à procura de escafandro
a matéria sinta-se presa
ao que a tem de humano
e forje os imensos recados
trançados todos os dias
no labirinto dos passos
na balbúrdia das medidas
que a matéria se encomenda
na trajetória infante da vida
Reminiscência VI
o mar de Olinda
jogava os sonhos
as ondas do menino
como se fosse marinheiro
das largas forças da vida
o mergulho arquitetado
era precoce investida
dos futuros da luta
adredemente consentida
Reminiscência VII
o rio
em sua andança
tangia a paisagem
e a infância
o menino
já dado à velhice
acorrentava o tempo
na correnteza
sonhando o futuro
envelhecendo as certezas
o rio, inocente,
molhava o sonho
como presente
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.