Lista de Poemas
voos vivos
o tempo não voa
a vida é que esquece
de voar nas horas,
como astronave lúdica,
os ares da memória
as vagas do passado
as ondas do futuro
e a intensa sensação
de que a vida é curso
de desligar do peito
os relógios do uso
Reminiscência XV
a madrugada
era um tempo avaro
roubava do menino
o sonho em que estava
a vida espreguiçava
o menino espalhando
uns pedaços de sonho
debaixo da cama
a madrugada
sorria um sol encabulado
o menino abraçava o dia
com o sonho estrangulado
Materialismo inato
quando nasci
ainda inacabado
dei-me à matéria
como artefato
grávida razão
dessa latência
de construir aos poucos
a consciência
hoje, acabado,
dou-me à certeza
de compor a matéria
como natureza
Reminiscência XII
o Titicaca
mar subentendido
subiu a montanha
brincando com o infinito
andar em suas costas
era aventura exata
ares de marinheiro
com jeito de astronauta
nessa viagem
no discurso das águas
o Titicaca era Bolívar
assuntando os camaradas
Inventos íntimos
invento o tempo
as lonjuras do ser
habitam o pensamento
mania da matéria
de ver-se por dentro
nos tratos intimistas
do sentimento
a matéria é um infinito
com ares de pequeno
bailarinas fases
a bailarina
em sua trama
ainda pássaro
dá-se humana
a bailarina
inunda o palco
com todas as ondas
de seus saltos
a bailarina
como astronauta
pisa as estrelas
quando salta
Do ser em curso
o infinito
meu labirinto
é estar convicto
do que sinto
espaço que traço
no tempo que admito
deixá-lo inteiro curso
dos atos da vontade
é fazê-lo coletivo
em cada liberdade
o infinito é só o palco
daquilo que nos caiba
Reminiscência X
a pipa
era um sonho amarrado
navegando a vida
como astronave
o menino
pilotando o tempo
jogava destinos
pelo pensamento
o céu
displicente
beijava a pipa
com a boca do vento
dos enredos da vida
a ilusão
é trejeito
que a matéria dá a si
nos seus enredos
nesse comboiar a vida
como um segredo
o sonho
é desejo construído
que a matéria inventa
quando está consigo
nesse comboiar a vida
como peça do infinito
Reminiscência IX
na Praça Vermelha
o tempo pintava
todos os rubros
no vão da alma
Lenin,
dormindo a história
jogava Moscou e teses
na chão da memória
o comunista
sobraçando a vontade
sonhava o povo
criando a liberdade
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.