Armando A. C. Garcia

Armando A. C. Garcia

n. 1937 BR BR

n. 1937-11-12, São Paulo

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A cupidez !

A cupidez !



Só se emprega o pensamento na ambição

A cupidez tomou conta deste mundo

O homem não pensa mais no amor profundo

Que do imo da alma chega ao coração


Na cega ambição, só valoriza o cifrão

Já não teme mais a eterna Divindade

Descansando, no berço da insanidade

Está a um passo da mental alienação


Dependurado na simultaneidade

De sempre levar vantagem a qualquer custo

Sem esforço, sem fadiga, salário injusto

Persuade no esquecimento a veleidade


Injustos, injustos seus procedimentos

Não tivesse por berço a materialidade.

Sem a prodigiosa luz da imaterialidade

Cai na ausência de puros sentimentos


Nessa ambição desmedida da riqueza

Perde o homem o sentimento e a razão

Vivendo encantado na escada da ilusão

Não percebe estar a um passo da avareza


Porangaba, 14/06/2014 (data da criação)

Armando A. C. Garcia


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Poemas

1086

VISÃO DO FUTURO (soneto)

VISÃO DO FUTURO 

Avancei minha janela do tempo, 
Projetei minha visão no futuro ! 
Visualizei não um mero passatempo... 
Mas sim um porvir ainda muito duro ! 

Não foi bom ter ultrapassado a janela 
O preço que se paga pela inobservância 
Às regras imutáveis de nossa estrela 
É um pesadelo na alma, que causa ânsia. 

Significou minha grande decepção 
Ter cruzado as fronteiras invisíveis 
Quisera eu, não tê-las ultrapassado. 

Teria afastado este fantasma do meu lado. 
É no que dá, querer metas impossíveis... 
Carregar medo e uma grande frustração. 

São Paulo, 19/05/2005(data da criação)
Armando A. C. Garcia

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188

O tempo corrói o amor

O tempo corrói o amor


O tempo corrói o amor
Desunindo a afeição
Peito vazio onde a dor
Suplanta a ablação.

Lembranças viram saudade
Vagando espaço sem fim
Aonde a terna amizade
Transforma-se em Arlequim

O tempo põe fim ao anseio
Trancando com as aldravas
O sentimento alheio,
Silenciando as palavras.

O tempo deixa nos rastros
Silenciosas pegadas
Tal nau que sustenta os mastros
Pelas águas agitadas

E nessas águas profundas
Vagando silenciosa
Por vezes a nau se afunda
Como a paixão mentirosa !

São Paulo, 14/11/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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272

Amor cigano ! (soneto duplo)

Amor cigano ! (soneto duplo)


Momentâneo relâmpago de ventura
Entre teus braços, leda formosura
Juraste-me amor eterno, criatura !
- Foi só, naquele momento de ternura

Nesse encanto jucundo. Sem cautela,
Deixei enlear meu coração, oh! Bela
Sem perceber que caía na esparrela
De peito descoberto, em ti, donzela !

Por furtivo carinho, tão profundo
Rendi-me enfim a esse amor, fecundo
Que parecia o maior amor do mundo

Em face de teus mimos, ledo engano,
Passei a vida errante, qual cigano
Tentando esquecer, dia a dia, ano a ano !

II

Na vida, é paixão que o amor fomenta
Propensões da natureza; a tormenta
Punição cruel, que o instinto invade
Com a punição atroz da ansiedade

Monstro impassível de sôfrego interesse
Monstro sedento de férreo jugo, esse,
Que o ciúme ostenta de antigos ódios,
Com vícios, desses horrendos episódios

Vícios que o inferno abre e aferrolha
Nas vivas paixões em que se fomenta
Sem piedade ou clemência de quem olha .

Ao grande tribunal, prestará um dia
Justas contas, de oito a oitenta
Isento de ajustes e acrobacia !

Porangaba, 31/07/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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282

Infortúnio (soneto)

Infortúnio  (soneto)

 

 

Pedaços de lembranças, o que restou                 

Da vida inteira cheia de infortúnio

E este, que ainda não acabou

Como elemento hipotético umbiúnio

 

Tropeços, nebulosos pensamentos

A constranger a lágrima dos vencidos

Alegoria , ficção, metáfora dos ventos

De mais de mil projetos retraídos

 

Acumulados em fascículos ou volumes

A transbordar na esperança do amanhã,

No silêncio recôndito dos queixumes

 

Com saudade interior, dentro do peito

Na  expectativa de uma vida louçã

Que até agora, inda não teve jeito !

 

Porangaba, 09/07/2016 (data da criação)

Armando A. C. Garcia

                                                            

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312

Os Indigentes ! (soneto)

Os Indigentes  ! (soneto)

 
Por habitação o albergue das calçadas
Mal se distinguem dum monte de entulho
Iguais caveiras, nas ruas estiradas;
No frio inverno que ronda o mês de julho.

Homens sem lei, cidadãos sem patrono
Que têm por teto o céu, por base a terra,
Do governo, têm apenas o abandono,
Por ser uma parcela que não berra  !

No silêncio mais profundo, como um sono,
Vivem na mísera condição de excluídos
São a própria síntese dos sem lei, sem dono

Nosso governo, emerge com eles no mesmo sono
No palácio da sorte, são confundidos
Como sendo eles, filhos de outro trono !

Porangaba, 25/06/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

                                                            
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278

Idealidade (soneto)

Idealidade (soneto)

Sou igual fantasma na solidão
Carregando os destroços na carcaça
Ao alheamento de toda multidão
Que não vê, nem sente esta desgraça.

Na *manumissão desta trajetória,
Vejo verter do amor na humanidade;
O ócio, cortando a carne na vitória
A mentira, o sentido da verdade !

Sofro co’a frialdade do amor
Que hoje mora nos pobres corações
Que não sentem mais o salutar calor

Neste mundo repleto de ilusões
Incapaz de girar em volta seu fulcro
E levar o homem a novas emoções !

*libertar; resgatar:

São Paulo, 06/07/2016 (data da criação)
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294

A fada que quis ser gente ! (Infantil)

Esta estória é de uma fada

Que se quis passar por gente

De ser fada, estava cansada

Ser alguém, era atraente

Vestiu então roupas de moça,

Seus louros cabelos penteou

Só achou emprego na roça

No fim do dia... se queixou

Quando eu era uma fada

Só via encanto e beleza

De poderes era dotada

Dava ordens à natureza

Agora que virei gente,

Só trabalho, criatura

Foi ilusão aparente

Esta minha aventura

Quando fada, só contente

Com alegria constante,

Eu quero, é novamente

Ser fada, de ora avante !

São Paulo, 07/07/2016 (data da criação)

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380

Sem saber o que escrever (soneto)

Sem saber o que escrever (soneto)
 
 
Longe das musas, sem saber o que escrever       
Sinto-me, tal como um peixe fora d’água
Penso e não sei, o que devo, ou não dizer
Só não piso na lama, se ponho o pé na tábua
 
Entre várias idéias e inclinações
Não sei se busco a de ideal firmeza
Na mudança, que muda as opiniões
Defeito comum em minha natureza
 
No invariável movimento, não descansa           
A inconstância prima deste vil desejo
Não há no mundo maior insegurança
 
De que sem ter o que dizer, querer escrever
Por isso, ante vós penitencio este bocejo
Estejam certos, não tinha nada pra dizer !
 
 
Porangaba, 25/06/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
                                                             
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303

A raposa e o galinheiro (infantil)

A raposa e o galinheiro (infantil)

Naquele bucólico lugar

Morava uma ladina raposa

E mal despontava o luar

Ia pegar a *penosa

O dono do galinheiro

Sofria duros ataques

Nem seu cachorro **alveiro

Evitava tantos saques

Assim, via dizimado

Dia a dia o galinheiro

Até que seu empregado

Resolveu por um paradeiro

Engendrou cobrir-se de plumas,

Pra ficar igual galinha

À noite esperou a chegada

Dessa tal de libertina,

Adentrar ao galinheiro

E fingindo-se galinha

Esperou, lá no poleiro

A pegadora de galinha

Quando ela ali entrou

Deu-lhe tremenda paulada

Que ganindo se queixou,

Ficou de perna quebrada

Desse dia em diante

Nunca mais ali voltou,

Dando paz ao sitiante

Que seu empregado ajudou !

*galinha

**de cor branca

São Paulo, 11/06/2016 (data da criação)

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390

O estupro coletivo

O estupro coletivo

A façanha cruel, que irrita a todos

É o preço da justiça praticada

Nem mesmo os temidos visigodos

Cometeriam tamanha *esborneada

Vergonha ! vergonha mundial

Brutalidade, selvajaria impar

Humilhação ao sentimento nacional

Que no instinto humano há de selar !

Acorda ! Legislador brasileiro

É hora de modificar a Lei Penal

Se existisse punição verdadeira

Certamente, afastaríamos esse mal.

Se não houver o braço forte da Lei

Pesando sobre as cabeças humanas

A sucessão de crimes medonhos pela grei

Ninguém obstará do mal essas chamas

Que continuarão a vilipendiar

Matar, roubar e também estuprar

Porque a lei é estelionatária

Vez que, a cem anos chega a condenar

Quando sabe a pena máxima de trinta anos

Dos quais, nem a metade chega a cumprir;

Porquê tantos enganos e desenganos?

Que punem, na verdade sem punir

Desta façanha cruel, minha gente

Não espere grande punição, vez que não há

No rigor da fraca lei quem a intente

Será punição, que a todos contradirá !

*orgia

São Paulo 28/05/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Comentários (1)

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Muito belo... harmonioso - e viva a natureza....