A Túnica de Nesso
A túnica de Nesso
Pedi ao *Nume para vestir
A túnica do sacrifício
Sem dela puder desistir
Quer por renúncia ou vício
Ele deu-me a túnica de **Nesso
Relutei contra o oráculo
Vesti a túnica pelo avesso
Livrei-me de ir pro buraco
O talismã do oráculo
Para minha vestimenta
Foi na verdade o pináculo
De natureza sangrenta
É que o sangue envenenado
Que dita túnica continha
Teria sim, arruinado
Minha pobre figurinha
Dejanira o deu de presente
Sem intenção de maldade
El, do mal está ausente
Inocente de verdade !
*divindade
** paixão que punge a alma
Porangaba, 22/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Esboço duma reflexão
Esboço duma reflexão
I
Há quem não ache bem que o satisfaça
E percorra infeliz o mundo afora
Encontra o ludíbrio e a desgraça
E por cada lugar que passa, chora.
Foi vendo um agricultor venturoso;
Que perguntou a razão dessa alegria
Voltando-se, respondeu todo orgulhoso
Planto, semeio e crio, todo o dia
Ao contrário de você, que nada faz
Nem vê florescer a natureza
Por isso, ignora dela a sua paz
Se exaspera nos meandros da tristeza
Ao invés de como eu, contemplar os céus
Olhar a imensidão deste mundo de Deus !
II
Foi refletindo nas rudes palavras
Do venturoso matuto camponês,
Que, o finório filosofar deu abas
A elucidar a cega ambição de vez
E de um sujeito rude, ignorante
Recebeu ensinamentos de valor
Despertando sua alma dissonante
Volveu o olhar ao grande Criador
A ingrata e dura vida que levava
Passou a ser gratidão e brandura
Vendo a felicidade e a formosura
Nos lugares que anteriormente
O enfadavam de tédio e fastio
Passando a viver feliz e contente !
Porangaba, 07/04/2013
Armando A. C. Garcia
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Homenagem ao dia do Índio (replay)
Homenagem ao dia do Índio (replay)
Sua identidade perdida,
Suas terras circunscritas
Sem encanto, sua vida
Ao tempo dos Jesuítas.
Sendo o índio guerreiro
Domesticado qual gato
Como um galo no poleiro
É sombra do seu retrato
Numa extensão de elite
Montavam as suas ocas
Quando a caça no limite
Mudavam todas as tocas
Felizes, aqueles nativos,
Cuja terra era só sua
Homens brancos, atrevidos
Na verdade, nua e crua
Tomaram conta das terras
Afastando-os para longe.
Dizimados nessas guerras
Os índios aceitam o monge
Aos poucos catequizados
Da cultura, separados
E, assim, foram dizimados
Cada vez mais empurrados
De seus cantos e encantos
Perdendo a caça e a pesca
A floresta tem seus mantos
Com fontes de água fresca
Dia após dia empurrados
Cada vez para mais longe
Mesmo já catequizados
Passam a duvidar do monge
Esse choque cultural
Prejudicou todas as tribos
Desde a vinda do Cabral
Fizeram do índio um chibo
Os poucos que ainda restam
Perderam a organização
Da raça não manifestam
O senso duma nação
Do jeito que Deus criou
Na santa mãe natureza
Dela o homem te desviou
Devolva-te à singeleza
Nesta homenagem singela
Meu preito e admiração
À nação mais pura e bela
Vítima da espoliação !
São Paulo, 19/04/2012
Armando A. C. Garcia
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Vestido de amor
Vestido de amor...
Vestido de amor, não pude-me calar.
Nos retalhos da vida guardei o medo
Tu, que eras a rainha de meu segredo
Havia chegado a hora de revelar
Puídas pelo tempo mossas diferenças
Desgastadas pelo tempo de sedução
Tu, que sempre me olhavas sem emoção
Agora posso dizer,-te, não me esqueças
Porque à noite quero balouçar teus sonhos
As agras, torná-las hei de felicidade
Dar-te-ei ternos desejos, para ti bisonhos
Intensos e cobiçosos pra qualquer mulher
Sentir-se amada, com jactanciosidade.
Eu, serei para ti o amor que vez crescer !
Porangaba, 22/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Expressão de delírios
Expressão de delírios
Quando aspiro o perfume inebriante
Que teus delicados seios exalam
Fico alegre, efusivo, irradiante
Pelos delírios que de ti propalam
Albergam um deleite incompreensível
Quando meu quarto envolto na penumbra
Do ato inconseqüente, indescritível
Almejas o vigor que te deslumbra
Deixo-te sorver na fonte do prazer
Nesse mundo que é todo fantasia
Até você saciar-se de beber
E ao atingir a satisfação plena
Do gosto que o líquido inebria
Gravarás na mente aquela cena !
Porangaba, 24-05-2013
Armando A. C. Garcia
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Tropel de ternura
Tropel de ternura
Tropel de ternura cheio de carência
Sigo perdido na madrugada fria
Caminhando por entre cardos e silvas
Persigo meu fado na sombra sombria
E por tudo que hei sofrido, as madressilvas
Decidiram ornar minha imprevidência
Alcatifaram risonhas, novos rumos
Minha asa, minha casa, meu amigo
A nuvem negra, a maré brava se afastou
Meu sonho arrependido, foi um castigo
Que pra bem longe de ti me apartou
O tropel de carência... é folha de resumos !
Porangaba, 27/05/2013
Armando A. C. Garcia
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O que restou
...O que restou!
Ser-te-á na alma um novo horizonte
Substância do ontem e do amanhã
Alheia, enfraquecida, outrora sã
Foi o que sobrou da tua linda fronte
É o resto da carcaça envelhecida
Tão velha, como o nada que sobrou
É o tempo a conspirar; eis que ganhou
Na batalha que tecemos pela vida !
E no segredo de seu manto nos envolve
E com dardo oculto aniquila nossas veias
É o *Hades a interpor-se no caminho
Esvaziando sem nuances nossos dias
Nas formas e no contraste em desalinho
E... sem ele o coração nada resolve !
*na mitologia grega, é o deus do mundo inferior e dos mortos
São Paulo, 19/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Vileza
Vileza
Seu coração trespassado
Pela dor que lhe causou
Saber que tinha a seu lado
Quem sua honra injuriou
Ninguém possa por paixão,
Condoer-se da fraqueza
É culpada e sem razão
Cometeu toda vileza
Tão grande foi a crueza
Que seu coração sangrou
Na mais profunda tristeza
- Para a morte se lançou !
A rodopiar no infinito
Sua alma condenou
E num suspiro *contrito
Aos pés de Jesus, orou.
O amor leva à loucura
E leva a vida pra morte
Numa reflexão escura
Desvia o rumo do norte
A vergonha encerra dor
Gela sangue e coração
E o sofrimento é maior
Diante da desilusão !
*pesaroso, - não confundir com constrito
Porangaba, 30/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Que sina
Que sina,
Que sina, que triste sina
Deus criou para os dois
Ela, sua concubina
Ele, o baião de dois
Ele, perdeu todas esperanças
Com elas, sua ilusão
Como já não são crianças
Melhor a separação
Tanta ventura sonhada
Virou pranto e desgosto
Que sina desventurada,
Marca de dor, em seu rosto
Amar, viver e ser feliz
Abandonar o vazio
Seria meta, diretriz
Bem longe do desvario
Todo amor tem o seu preço
Como o tem a sua dor
Sua sina, de insucesso
Vontades do Criador
Mudar-lhe a sorte impossível
Deambulam pensamentos
Ambos choram. É incrível...
-Suportar esses momentos.
Porangaba, 28/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Trova em chamas !
Trova em chamas !
Pouco entendo dessa chama
Chama, que se chama amor
É perdição de quem ama
Do desprezado, é dor
Porangaba, 27/04/2013
Armando A. C. Garcia
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