Colonização de Marte
Colonização de Marte...
Há que considerar os tempos mudando
Remígios do condor rasgam os céus
O homem. Noutro planeta está criando
Um novo mundo, como se fora Deus
Mas, inconsideradamente, é um menino
Imprudente, precipitado, num lugar perdido
Não há percurso sem caminho. Destino
Não acende estrelas com a mão, ungido.
Só a Ele, cabe o puro gesto, caminho
Na força do céu, na montanha e mar
Para qualquer lado é taça de vinho
Que a mágoa da vida nos faz tomar
Grito liberto, cheiro de rosmaninho
Distância e saudade do verbo amar !
Porangaba, 25/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Distantes da realidade
Distantes da realidade
Sonhos, sonhados em vão
Os sonhos que já sonhei
Foram minha perdição
Já que nunca os alcancei
Dizem que a vida é um sonho
Por isso nunca acordei.
Se é um sonho, é medonho
Tormentos mil, eu passei
Foram sonhos, foram sonhos
Os que sempre alimentei
Em vez de serem risonhos
De tristeza, os que passei
Foram dias de amargura
Que nos sonhos não divisei,
Dias de mágoa e agrura
Sem transigir suportei
Sonhos, sonhados em vão
Distantes da realidade
Machucaram o coração
Ao final, deixam saudade
Se por vontade de Deus
Que este destino traçou
Choraram os olhos meus
A minha lágrima secou
Hoje, tudo isso acabou
Até os sonhos findaram
Tal a lágrima que secou
Só, esperanças restaram
Porangaba, 30/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Abissal abismo
Abissal abismo
Começo a pensar neste universo de incertezas
Se devo temer, ainda o abissal abismo
Pois de ver crescer imunidades insanas
Onde campeiam a corrupção e ardilezas
Num surto vertiginoso de amoralismo
Onde políticos do mensalão não tomam canas
Começo a pensar sinceramente que na realidade
O crime neste país compensa realmente
E que essa tal de moralidade em que cresci
É fruto tacanho de ulterior coletividade
Época que a honestidade era certamente
O crivo de honra, e dignidade; que virou xixi !
São Paulo, 01/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Revanche
Revanche
A vingança assinala o atraso moral
No qual a humanidade, ainda se debate
É taça cheia de veneno a transbordar
Por caminhos escusos a dissimular
No homem que a nutre, o embate
Na covardia, pior que animal
É um indicador de retrocesso espiritual
Onde as ciladas odiosas são perpetradas
Em emboscadas, quase nunca às claras
Num golpe *pletórico, sua arma dispara
Atingindo-o mortalmente, a alma brada
Mancha de sangue a harmonia universal.
* que ferve;estuoso
Porangaba, 10/04/2013
Armando A. C. Garcia
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Correnteza em desalinho
Correnteza em desalinho
Oh! Saudade ! Oh! Ansiedade
Na correnteza em desalinho.
Na pipa; provando o vinho
Oh! Lembrança da mocidade
Minha terra de ar puro e sol
Lembrei-me de ti, como mãe,
A terra onde gera, o é também
Terra, onde trina o rouxinol
O alecrim e rosmaninho
Nascem e crescem sozinhos
Oh! que saudades do caminho
Que levava às minhas vinhas
Quando subia nas muralhas
Sentia-me qual dono do mundo
E num sentimento profundo
Das ameias via a batalha
Batalha de sonhos perdidos
Neste mundo, pura ilusão
Meus sonhos foram preteridos
Deles, restou a dor da paixão
Quando batem as saudades
Não há defensivo possível
Há desejos, há densidades
A avolumar o inconcebível
Lembrei de ti, segunda mãe
Terra querida e venerada
Onde nasci, cresci também
Hoje, pela distância separada
Destino, ou vontade de Deus
De ti, fui pra sempre afastado
Espero que um dia lá dos céus
Eu possa estar mais a teu lado!
Quando digo que tu me intentas
A pensar em ti, tanto e quanto
Porque será que não me isentas
Desta saudade que eu pranto ?
Porangaba, 26/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Ninguém ama contrafeita
Ninguém ama contrafeita
Ninguém ama contrafeita
No amor a porta é estrita
Sempre a impor ao padecente
A dor que é decorrente
Da recusa, ao que ama
Pois não logra ver a trama
Que envolve o não querer
Do amor que viu nascer
Em seu peito acalentou
E a recusa o afastou
Dizendo que não interessa
Pois já o tirou da cabeça
Quando já não sente mais
O fascínio dos mortais
A atração chegou ao fim
Gelado, qual manequim !
São Paulo, 08/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Ainda que assim não fosse (soneto)
Ainda que assim não fosse
Ainda que quisesse que assim não fosse
A força do destino me conduz.
O sabor da amargura não é doce
Assim, tenho que carregar minha cruz
Vê com brandura, minha posição
Nas aspérrimas estradas da vida
Por clemência, afasta esse mau fado
Que deixa minha alma constrangida
À luta, antepõe tua mansidão
Com teu manto cobre meu infortúnio
Deixo minhas dúvidas em tua mão
Os arrogantes queixumes, cedo ao fado
Rebatendo o curso deste desvario
Nos tácitos favores do desventurado !
Porangaba, 23/04/2013
Armando A. C. Garcia
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Por teu amor lutei (soneto)
Por teu amor... lutei
De tanto que eu quis amar-te, me separei
E a vida inteira, por teu amor... lutei
Transcorreu a existência e não te achei
No lugar, que para ti eu reservei
Na pauta dos desenganos, quantos tive
Quantas amarguras tenho sofrido
Falta uma estrela nos céus que cative
O olhar que de alto lugar tenho contido
Tem no ar o pensamento a vagar
Como vaga o meu sonho por encanto
Sem asas que sustenham este tormento
O tempo muda a vontade de esperar
Não esperança que ainda acalanto
Mesmo vivendo atrelado ao desalento
Porangaba, 25/04/2013
Armando A. C. Garcia
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Tão longe de você
Tão longe de você.
Eu, tão longe de você.
E tu, tão perto de mim
Difícil na minha fé
Reconhecer-te, assim !
Foi pela Tua vontade
Vontade, deliberação
Que encontrei a verdade
Expressa em meu coração
Na pretensa veleidade
Sempre fugindo de Ti,
No frescor da mocidade,
Caminhos outros, percorri...
Hoje, sei que creio em Ti,
Ergui a fronte pro alto
Por graça, não me perdi
Como bomba de cobalto
Senhor! Dá-me o bom senso
Para que eu possa ser digno
De Te falar o que penso
Em meu estrito desígnio
Abrindo meu coração
Que fundas mágoas marcaram
Onde engano e decepção
Minha alma atormentaram
O mundo dá muitas voltas
As ondas do mar, também,
...E foi nessas viravoltas
Que encontrei Jesus. Amém !
Não foi pregado na cruz
Nem foi ao pé do altar
Seu espírito me conduz
À pátria mais salutar.
Porangaba, 08/04/2013
Armando A. C. Garcia
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O teólogo
O teólogo
O teólogo, nas relações com o mundo
Esqueceu dos ensinamentos de Jesus
Enveredou por caminho jucundo
Posto que, não era dele aquela cruz
Dos textos sagrados, não fez bom uso
Seus atributos ultrajaram os céus
Achou demasiado prolixo e difuso
O contexto da palavra de Deus
Assim, em louco intento, como ímpio
Começou a descrer da divindade
E a explorar o nome da cristandade
Em almas ingênuas em busca do olimpo.
Mapeou os céus, o vendeu em lotes
E assim, foi enchendo os negros potes !
Porangaba, 06/04/2013
Armando A. C. Garcia
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