Escritas

Biografia

Estudei na FLUL (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) e adorei :) Venho partilhar os meus sonetos em decassílabo heróico. Espero que gostem :) "Je ne veux autre recompense Que dormir satisfaict de moi." D'AUBIGNÉ, Théodore Agrippa "Les Tragiques", 1616 "(...) obedecendo às ordens do Alto, muitos agentes invisíveis dedilham sutilmente os cordéis conscienciais que ativam (...) inspirações. BORGES, Wagner D. "Falando de Espiritualidade", Editora Pensamento-Cultrix Ltda., 2002 Êxodo 4:12 S. 116:12

Lista de Poemas

Total de poemas: 73 Página 2 de 8

(S)Em voluta

(S)Em voluta

"In this short Life that only lasts an hour
How much - how little - is within our power."
DICKINSON, Emily "In this short Life that only lasts an hour", 1873


Firmum in vita nihil - pantalassa
Ora d'alacridade em cromia ou trisso
Ora de um tenebrismo em rocio e disso
Se entece a belona ínsita em az cassa.

Num priamel, Tykhe (1) exorna uma matassa
Quando inere a eikasia ínscia de si. Omisso,
O condão deperece. Gesta o esquisso
De Eliseu (2) o libertista que compassa.

Pertransira a multívia roca (3), excepto
Se em auso teleológico a persona (4).
Causa cognoscitur ab effectu.

Lacera o Estige um círio que timona
E efunde a reificar o que, conspecto (5),
Guarece a quididade sob a nona (6).



(1) mitologia grega

(2) II Reis

(3) mitologia grega (moiras)

(4) PLATÃO - O mito de Er. In "A República", década de 370 a.C.

(5) TRISMEGISTO, Hermes "Corpus Hermeticum", entre 100 e 300 d.C.

(6) BEETHOVEN, Ludwig van - Sinfonia nº 9 em ré menor, op. 125, Coral, 1824


02/07/2022
 

👁️ 15

Ave Nocturna

Ave Nocturna

Toe alar a evagação, explua a henose (1) ao ascenso...
Subleve-se na peia diurna que dista
Do eixo do eudemonismo, a ave niilista
Entrebate-se em ilinx, Manfredo (2) intenso.

É ulana, é Trafalgar (3), p'lo sol apenso,
Que esplende em anagogia numa ametista.
Antepõe a angélia em verve petrarquista
Ao que de dial lha obnumbra. Carpe incenso.

Transverbera, na absconsa hora, histerese,
Desnua-se de sofismas, assim ase em
Levez, revoe ecuménica, ondeie, ensede

A "escarpada falésia"(4). Donde advém
Que, ao ablaquear-se do loro e do error, esse
Ser, ideado em Kaled (5), chanta em ninguém.


(1) Plotino

(2) BYRON, Lord George "Manfred: A Dramatic Poem", 1817

(3) Batalha de Trafalgar

(4) CALVINO, Ítalo "Se Numa Noite de Inverno Um Viajante", 1979, tradução de José Colaço Barreiros, editorial Teorema, Lda.

(5) BYRON, Lord George "Lara, A Tale", 1814


11/02/2021
 

👁️ 13

Morte em Vida

Morte em Vida

"Há momentos em que cada um grita: — Eu não vivi! eu não vivi! eu não vivi! Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?"
BRANDÃO, Raul "Húmus", 1ª edição, Matosinhos, Tipografia Peres, Abril de 2008
 

Lucubra em litania e sem refrigério,
Num Chronos bergsoniano que o Orco endora,
Como efluxo da geena, inça cada hora,
Aflui ao algar da "Paisagem" (1), ao cinéreo.

E de mortalha umbrátil, viso céreo,
De estase, em funeral (2), livor que acora,
Num amplexo a Melpómene, vê embora
Raiar um brandão apodíctico ou um psaltério:

Na antinomia de um dó (3) que uste Descartes (4),
Se em Dieppe (5), da Anfitrite, o estorno é zero.
Dimana de Eos o "Adagio" (6), aúne, e dessarte

O páramo talvez avoque um mero
Remir "a Ave da Vida" (7), o agror e "Carpe
diem quam minimum credula postero". (8)

 

(1) REMBRANDT - Paisagem, 1640. óleo sobre tela, 51 x 72 cm

(2) DICKINSON, Emily "I felt a Funeral, in my Brain", 1861

(3) MAHLER, Gustav - Sinfonia n.º 5 em dó sustenido menor, 1902

(4) DESCARTES, René "As Paixões da Alma", 1649

(5) DELACROIX, Eugène - The Sea from the Heights of Dieppe, 1852. óleo sobre madeira, 35 x 51 cm – Museu do Louvre, Paris

(6) RACHMANINOV, Sergei - Symphony No. 2 Op. 27 III. Adagio: Adagio (LSO), 1907

(7) BLAVATSKY, Helena "A Voz do Silêncio", 1998, edição 494, tradução de Fernando Pessoa, Assírio & Alvim

(8) HORATIUS, Flaccus Quintus "Odes", 23 a.C.e 13 a.C.


03/08/2021

👁️ 31

"Miseriarum"

"Miseriarum"

"Há quanto tempo foi o fim
Ou se cheguei a começar"
RITUAL TEJO. "Nascer Outra Vez". Histórias De Amor E Mar. Farol. 1996. CD
RITUAL TEJO. "Nascer Outra Vez". Oitentaenove.01. 2012. CD
 
 
Mutam "Ruins of the Parthenon" (1). Feldspato
Bui. Gutta cavat lapidem. Vereda
De arcane em thanatopsis (2). Retroceda
Tyche (3) e preia p'lo teorema intimorato
 
De um lucilante Gödel em substrato.
Incompletude erácea. Qual reseda (4)
Em molinismo ou um xauter imo (5). Leda,
Trissa por uma nuvem de Oort, um lato
 
"Ganbaru" redivivo (6) que denoda
E adliga-se a uma maiêutica antes muda,
A sageza multívaga onde toda
 
A gematria que, rórida, transmuda
O Aequo animo - auroral até que ecloda (7).
Ad nostra consuetudinem: Neruda (8).
 
 
(1) GIFFORD, Sanford Robinson - Ruins of the Parthenon, 1880. óleo sobre tela; 69.53 × 132.72 cm - Corcoran collection, National Gallery of Art, USA
 
(2) CAMÕES, Luís de "Posto me tem Fortuna em tal estado", 1668
 
(3) RITUAL TEJO. "Só o Fogo". Histórias De Amor E Mar. Farol. 1996. CD
 
(4) Mateus 11:28
 
(5) PORTUGAL, D. Leonor de Almeida (Marquesa de Alorna), "À Fortuna"
 
(6) PALMA, Jorge. "A Gente Vai Continuar". Acto Contínuo. 1982
 
(7) RITUAL TEJO. "Canto Moço". Por Zeca Afonso. Oitentaenove.01. 2012. CD
 
(8) NERUDA, Pablo "É Proibido"
 
 
 
Agradecimentos:
 
 - aos que "(...) do Alto, (...) invisíveis dedilham sutilmente os cordéis conscienciais que ativam (...) inspirações."
BORGES, Wagner D. "Falando de Espiritualidade", Editora Pensamento-Cultrix Ltda., 2002
 
 - ao Paulo Costa, dos Ritual Tejo (e é já a 8/3 que eles actuam ao vivo!):
> por me despertar o interesse pelo universo Zeca Afonso
> por partilhar comigo esta canção-bússola de Jorge Palma


26/01/2024

👁️ 18

Por Themis

Por Themis

"Je respecte mon Dieu, mais j’aime l’univers."
VOLTAIRE "Poème sur le Désastre de Lisbonne", 1756

No "dilema de Eutífron" (1), Naos (2) motriz,
Tollitur quaestio: um quírie jaz na pira (3)
Em melania. Lucífero, disfira
O Apolo imo supérstite. Que um lis

Não factora a ucronia generatriz
Porquanto lhe utra-existe, prava, a espira,
Se adredemente. Prístina, desfira
Cognoscitiva. E lácera na altriz (4).

Se paroxismal, mane. O que lacreia
Hades e serpe em caixa de Pandora (5)
Ablega a comunhão (6), a Graça eritreia.

Semper et ubique unum jus - se a escora,
Vibhuti ou refrigério, a cananeia (7),
Aedo de sinergismo, reboa afora (8).

(1) PLATÃO "Eutífron", 399 a.C.

(2) da constelação de Puppis

(3) "Au ciel estoit bannie, en pleurant, la Justice"
D'AUBIGNÉ, Théodore Agrippa "Les Tragiques", 1616

(4) "Todo o conhecimento apartado da justiça e das outras virtudes é manifestamente logro e não sabedoria."
PLATÃO "Menexeno", 375 a.C.

(5) SARAMAGO, José - Não me peçam razões.... In "Os poemas possíveis", 1981

(6) Coríntios 2:3-9

(7) Mateus 15:21-28

(8) AR DE ROCK. "Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades". Por José Mário Branco, Fausto Bordalo Dias, Sérgio Godinho. Mudam-se os Tempos. Vidisco. 2011. CD


22/04/2023
 

👁️ 18

Sem Norte

Sem Norte

"O destino marcou-nos com o sinal dessa procura e em todos os recantos de existirmos ele se manifesta."
FERREIRA, Vergílio “Arte Tempo”, edições rolim

Marmórea a Mnemosyne, eu nua em espuma
Impoluta, fremente ranjo os dentes,
Mordo arrepsia acerada qu'entrementes
Implexa, me atordoa. Imerjo enquanto uma

Bússola me evanesce e mais nenhuma
Efígie reverbera tão fielmente
Senão uma rosa branca, e de repente
Dissolvo-me - sou cinza que avoluma.

Sem Monte Horeb ou Porto, neptuniana
Bissexta brisa, véu d'alteridade
No espelho em estertor que me profana.

Túrbida a Cifis rasga-me dentro e há-de
Abjugar na memória uma atra liana.
Sou Medusa sem Norte, nome ou idade.


21/12/2019

👁️ 25

Vítrea

Vítrea

"E disse-lhe: Na verdade, na verdade vos digo que daqui em diante vereis o céu aberto..."
João 1:51

Convele o Armagedão. Ad satiem. Se tudo
Onticamente diro, a lama (1) hachure,
Na antifonia, o hipograma de Saussure:
Sem Zeus, a inermidade (2), ao liço rudo.

Tessitura em pernície e sobretudo
A alomorfia que ilide como ipso jure.
D' Utnapistim ou Noé (3), do que future
Um adarve abinício. E, subagudo,

Cinera esconso a dêixis como um cnute.
Se latamente ecfrástica a Idumeia,
No que lancina, acendre. Ainda que nute,

Rutila (4) como tmese que permeia
E uta novilunar. Raie o altazimute:
Lux. Servatis servandis (5) ou enkrateia (6).



(1) RODRIGUES, Amália. "Barro Divino". Álvaro Duarte Simões. Vou Dar de Beber à Dor. 1969

(2) PESSANHA, Camilo - Viloncelo. In "Clepsidra", 1920

(3) CASTRO, Eugénio - O Dilúvio. In "Saudades do Céu", 1869

(4) DEBUSSY, Claude - Sonata para Violoncelo e Piano. In "Six Sonatas for various instruments", 1915

(5) "Wo aber Gefahr ist, wächst das Rettende auch."
Friedrich Hölrderlin

(6) CUNHA, Fernando; COSTA, Paulo. "É Preciso". A linha do tempo. Uguru. 2022. CD


23/03/2023

👁️ 23

Epokhé

Epokhé

"There, far remote, I shall lie unknown"
MACPHERSON, James "The Poems Of Ossian, The Son Of Fingal", 1762

Cris, Abyssus abyssum invocat.
Soleva ao hiperurânio. Maranata (*) -
- desitiva ou seráfica - refracta
Num balsedo. Em diaptose, o entretom mate -

- loesse flamispirante dum xamate.
Mas libra-se, epacmástico. Em sonata (1),
Pleroma d'asseidade que, mediata,
Grateia por um secesso (2) que dilate

O espaço-tempo. Hemera radie e adscreva,
Com sistro e com Serápis, desde a sama
Delida em epiclese ou da resteva (3)

A eluir... Ab re esse. Ou Fântaso amalgama (4).
Assim Gaia tauxie, adâmica (5), primeva,
A "aposta de Pascal" num cosmorama (6).



(*) https://dicionario.priberam.org/maranata

(1) RACHMANINOV, Sergei - Sonata para piano nº 1 em ré menor, Op. 28 (1908) | Guillaume Sigier

(2) HUGO, Victor - Vivants. In "Océan Vers", 1854

(3) PESSOA, Fernando - Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância. In "Poesias de Álvaro de Campos", 1944

(4) "When here and now cease to matter."
ELIOT, T.S. “Four Quartets", 1943

(5) HERBERT, George - Prayer (I). In "The temple Sacred poems (...)", 1633

(6) "There is much more before me. I have hills far steeper to climb, valleys much darker to pass through. And I have to get it all out of myself. Neither religion, morality, nor reason can help me at all."
WILDE, Oscar "De Profundis", 1905


17/12/2022
 

👁️ 23

Da Fisicalidade

Da Fisicalidade

Resseca uma clepsidra que se hastilha,
Sequaz da Galatea (1) marmorizada,
Hebeta-se em atimia, evola-se e nada
Lhe lidima uma Becky (2) por cartilha.

Entretanto o capcioso fluir dedilha...
Em distopia, o condir, em adversão afiada
À flama de um efésio (3), onde arde a mónada.
Em aporia, o devir lanha qual cilha.

Verberada, a centelha auroresce ainda
Numa "navalha de Ockham" que não ensarta
O adiáforo. É somente um áster que blinda

O exostro de Prosérpina ou do eleata (4).
Conquanto sem as Dioneias-lua de Melinda (5),
Locupletada n'êxedra de Marta (6).

 
(1) OVÍDIO, "Metamorfoses", 8 d. C.

(2) THACKERAY, William Makepeace "Vanity Fair", 1848

(3) Heráclito de Éfeso

(4) Zenão de Eleia

(5) VIEIRA, Alice "Flor de Mel", Lisboa, Editora Caminho, 1986

(6) VIEIRA, Alice "Os Olhos de Ana Marta", Lisboa, Editora Caminho, 1990


25/12/2020
 

👁️ 32

Em Chamas

Em Chamas

Na noosfera de Caíssa em "Scacchia Ludus",
Adeja um equilibrista na neblina.
Mistral, abscinde ameias em agoge hialina
Ensambla Galahad, sulco denudo.

Proceloso, abalroa fátuos entrudos.
E, róscida, colima-o a guilhotina...
Ipso facto do alvor que ele insemina
Num "Mabinogion" fósmeo, vão. Contudo

Ao estrondear como Thor urgisse atrás
Aos que intentam ilaqueá-lo em crase soez,
Coruscado, extar-se-á, se rarefaz,

É Fénix que prorrompe sob o jaez.
Na pena de Troyes*: xeque ao rei, o último ás
de omni re scibili (et quibusdam aliis).

* Chrétien de Troyes


16/11/2020

👁️ 12