Lista de Poemas
EU NÃO TE AMO!
Se amar é desejar o tempo inteiro
A presença real do ser amado.
Se é sentir no afago derradeiro
O seio para sempre magoado.
Se é dar suspiros tristes ao luar
Pela flor morta a estremecer num ramo.
Se é uma outra alma escravizar
Então, sinceramente, eu não te amo!
Porque o que sinto é muito mais que isso.
Não é manter teu coração submisso
E nem gravar em mim esta ferida.
Se é desejar felicidade plena,
Mesmo que a minha seja tão pequena,
Outra pessoa nunca amei na vida.
A presença real do ser amado.
Se é sentir no afago derradeiro
O seio para sempre magoado.
Se é dar suspiros tristes ao luar
Pela flor morta a estremecer num ramo.
Se é uma outra alma escravizar
Então, sinceramente, eu não te amo!
Porque o que sinto é muito mais que isso.
Não é manter teu coração submisso
E nem gravar em mim esta ferida.
Se é desejar felicidade plena,
Mesmo que a minha seja tão pequena,
Outra pessoa nunca amei na vida.
👁️ 499
EU NUNCA DISSE QUE TE AMO
Eu nunca disse que te amo
Mas muita força as prende aqui
Domá-las como um bicho
Prendê-las antes que desaguem
No intervalo de um beijo
Rumo ao mar amargo do remorso.
Eu nunca disse, mas talvez não saiba
O preço que se paga pelo apego
Substantivamente as mãos procuram
No escuro, a doce fantasia
Do afago proibido
Este é o caminho sem volta
E nunca a mesma chuva
Lava o solo queimado de sol
E nunca o mesmo nunca
Pousa no ouvido sempre virgem.
Eu nunca disse, mas talvez não saiba
O nome desse pulso febril que me enfraquece
Sinto apenas no ardor desta manhã
Uma tristeza e uma dor crepuscular
Como quem segue viagem logo cedo
Com saudade e sem pressa de chegar.
Mas muita força as prende aqui
Domá-las como um bicho
Prendê-las antes que desaguem
No intervalo de um beijo
Rumo ao mar amargo do remorso.
Eu nunca disse, mas talvez não saiba
O preço que se paga pelo apego
Substantivamente as mãos procuram
No escuro, a doce fantasia
Do afago proibido
Este é o caminho sem volta
E nunca a mesma chuva
Lava o solo queimado de sol
E nunca o mesmo nunca
Pousa no ouvido sempre virgem.
Eu nunca disse, mas talvez não saiba
O nome desse pulso febril que me enfraquece
Sinto apenas no ardor desta manhã
Uma tristeza e uma dor crepuscular
Como quem segue viagem logo cedo
Com saudade e sem pressa de chegar.
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BALADA PÓS-ROMÂNTICA
Para Rafaela Duccini
Onde há tempos estava
Expulsando a sujeira
E o vazio da casa
Só vivia escondida
Nesses cantos da vida
E sofrendo calada
E chorando sozinha
A menina era bela
E estes olhos sabiam
Mas não olhavam pra ela
Como deveriam
E ela andava na noite
E cantava e sorria
Sua rara alegria
Qual se fosse madura
Como tudo era breve
Mais que a brisa mais leve
Seu amor tão escasso
Era breve também.
Não sei como eu sabia
Que da força do dia
Vinha um raio mais claro
Me fazendo ir além
Da distância tão grande,
Das florestas, dos montes
E de mil horizontes
Que zombavam de mim.
Ela era tão linda
E estes olhos sabiam
Que era assas perigoso
Encara-la nos olhos.
Como a chuva que chega
Numa tarde de sol,
Como um barco que avista
De repente um farol,
Assim foi que ela veio
Onde há tempos estava,
Libertando minha alma
De tristezas escrava.
Mas uma coisa ficou
Nos seus olhos sombrios:
Seu coração é um porto alegre
Onde só cabem dois navios.
Mas ela era tão linda
E meu coração sabia
Quem sem ela por perto
Eu não mais viveria.
Mesmo estando tão triste
Como um rio sem leito
A lembrança no peito
Concedeu-me o perdão.
Ela foi se aninhando
Onde nada restava,
Anulando a tristeza
E o vazio da alma.
Ela é um receio
Que me torna mais forte.
Ela é minha vida
E também minha morte.
Ela é minhas asas
Quando pairo no ar...
Ela é, ela foi,
Ela sempre será.
Mas uma coisa ficou
Em mim sem ela saber:
Seu abraço é a terra
Onde eu hei de morrer...
👁️ 454
SEGREDOS
Quantos versos já tive que impedir
A caneta, imprudente, de escrever?
Nesses versos eu quase me traí
Revelando o que tinha que esquecer.
Quantas vezes, num esforço desumano,
Meus lábios eu mantive contraídos
Pra que esses versos, mesmo por engano,
Sussurrados não fossem aos teus ouvidos.
Vontade de dizer-te, em verso e rima,
Todo carinho que a minha alma anima,
Toda a saudade que lhe faz penar.
Quero teu corpo, teus abraços, beijos...
Mas no meu peito guardo esses desejos
Que nem em versos ouso confessar.
A caneta, imprudente, de escrever?
Nesses versos eu quase me traí
Revelando o que tinha que esquecer.
Quantas vezes, num esforço desumano,
Meus lábios eu mantive contraídos
Pra que esses versos, mesmo por engano,
Sussurrados não fossem aos teus ouvidos.
Vontade de dizer-te, em verso e rima,
Todo carinho que a minha alma anima,
Toda a saudade que lhe faz penar.
Quero teu corpo, teus abraços, beijos...
Mas no meu peito guardo esses desejos
Que nem em versos ouso confessar.
👁️ 340
SONETO
Tem palavras que são tão carinhosas
Que quase as sinto me tocando a face
Com dedos tímidos e adolescentes
Percorrendo, medrosas, minha tez.
Tem palavras que o vento não carrega
Mas mesmo impressas tem o mesmo efeito
De um lânguido sussurro ao pé do ouvido
Ou de um olhar sincero e imaculado
Tem palavras tão ternas quanto o afago
Da mão, que sequiosa de desejos,
Tem que conter-se em escrever poemas.
Quando pousares teu olhar nas minhas
Quero que as leia como fosse um abraço
Quero que as sinta como fosse um beijo.
Que quase as sinto me tocando a face
Com dedos tímidos e adolescentes
Percorrendo, medrosas, minha tez.
Tem palavras que o vento não carrega
Mas mesmo impressas tem o mesmo efeito
De um lânguido sussurro ao pé do ouvido
Ou de um olhar sincero e imaculado
Tem palavras tão ternas quanto o afago
Da mão, que sequiosa de desejos,
Tem que conter-se em escrever poemas.
Quando pousares teu olhar nas minhas
Quero que as leia como fosse um abraço
Quero que as sinta como fosse um beijo.
👁️ 473
DUELO
Aqui nós estamos
Armados somente
Com a espada do olhar
Em nosso diálogo
Envolto em silêncio
Travamos duelo
Clarões de relâmpagos
Na escuridão
Quem perde, quem ganha,
Jamais saberemos
Olhares são armas
Que ferem por dentro
E fica o soldado
Sorriso no rosto
Sentindo sua alma
Esquartejada
Armados somente
Com a espada do olhar
Em nosso diálogo
Envolto em silêncio
Travamos duelo
Clarões de relâmpagos
Na escuridão
Quem perde, quem ganha,
Jamais saberemos
Olhares são armas
Que ferem por dentro
E fica o soldado
Sorriso no rosto
Sentindo sua alma
Esquartejada
👁️ 476
O POETA-ESCULTOR
A pedra é nobre
mas a mente é pobre...
Cinzel na mão vazia,
martelo de chumbo.
Triste de ti, Pigmalião.
Olha pra dentro
buscando inspiração...
Eureca!
A tua Galatéia
tem cara de escrementos!
mas a mente é pobre...
Cinzel na mão vazia,
martelo de chumbo.
Triste de ti, Pigmalião.
Olha pra dentro
buscando inspiração...
Eureca!
A tua Galatéia
tem cara de escrementos!
👁️ 365
NECROFILIA
Leitores vasculham cemitérios,
Livros são lápides eloqüentes,
levam resíduos de poeta nos dentes.
Leitores vasculham bibliotecas,
comem defuntos com os olhos,
vomitam versos de outrora.
Poetas amam a vida, bebem a vida.
Tem olhos voltados para frente,
abrem caminho no escuro.
Poetas amam a vida, bebem a vida.
Comem defuntos
ocasionalmente.
👁️ 605
NÃO FAÇO VERSO EM VÃO
Não faço verso em vão.
O poema é um pássaro preso numa folha em branco.
Eu fendo a folha, o verso se liberta
E beije a luz.
É preciso escutá-lo e saber se quer sair.
A vida é dura, o amor é pouco e a alegria
Raramente tem me visitado.
Isso é deveras desesperador,
Mas não é motivo para versejar.
Existem os bares, os livros, o abraço dos amigos,
O beijo dos amores fugidios.
Existe a noite e existe a chuva
Onde consigo esconder meus prantos.
Fazer versos pra que?
Os poemas não nascem quando quero.
Ele fica aqui dentro em silêncio
Germinado quando estou a cismar.
A dor que sinto a cada instante
É a dor de suas asas crescendo.
Eu escuto... ele chora.
Bate com as asas de ferro
Nas paredes do meu peito.
Ele cresce. Traço, um risco, uma letra... ele explode.
Ele se livra e me liberta.
O poema é um pássaro preso numa folha em branco.
Eu fendo a folha, o verso se liberta
E beije a luz.
É preciso escutá-lo e saber se quer sair.
A vida é dura, o amor é pouco e a alegria
Raramente tem me visitado.
Isso é deveras desesperador,
Mas não é motivo para versejar.
Existem os bares, os livros, o abraço dos amigos,
O beijo dos amores fugidios.
Existe a noite e existe a chuva
Onde consigo esconder meus prantos.
Fazer versos pra que?
Os poemas não nascem quando quero.
Ele fica aqui dentro em silêncio
Germinado quando estou a cismar.
A dor que sinto a cada instante
É a dor de suas asas crescendo.
Eu escuto... ele chora.
Bate com as asas de ferro
Nas paredes do meu peito.
Ele cresce. Traço, um risco, uma letra... ele explode.
Ele se livra e me liberta.
👁️ 393
DON JUAN
Permita apresentar-me, bela senhorita.
Eu venho de outros tempos, de terras inauditas.
Sou filho da chama mais quente que existe.
A noite é minha irmã, sublime, mas tão triste.
Trago na boca o gosto dos mares onde vivo,
As vagas escalando, deles sou cativo
Como um fantasma vagando pelos portos,
Mas trago em mim uma porção de dias mortos.
Quando o pulso febril no corpo arde
E o Sol desfaz-se em sangue no final da tarde,
Espalhando no mundo a solidão e o frio,
Amaldiçoo a minha sina e o mar bravio.
Nessas horas cruéis o que minh’alma quer
É apenas tua forma linda de mulher.
Quando a angústia crescer minh’alma sente
Meu coração deseja a tua boca ardente.
Tal como o beija-flor do néctar suculento
Da tua beleza vivo e dela me alimento
E como fosse o fôlego da vida humana
Eu sorvo a luz que o teu olhar emana.
Direi-te, então, o nome de quem fala-te com ardor.
Me chamam Don Juan: teu servo e teu Senhor.
Eu venho de outros tempos, de terras inauditas.
Sou filho da chama mais quente que existe.
A noite é minha irmã, sublime, mas tão triste.
Trago na boca o gosto dos mares onde vivo,
As vagas escalando, deles sou cativo
Como um fantasma vagando pelos portos,
Mas trago em mim uma porção de dias mortos.
Quando o pulso febril no corpo arde
E o Sol desfaz-se em sangue no final da tarde,
Espalhando no mundo a solidão e o frio,
Amaldiçoo a minha sina e o mar bravio.
Nessas horas cruéis o que minh’alma quer
É apenas tua forma linda de mulher.
Quando a angústia crescer minh’alma sente
Meu coração deseja a tua boca ardente.
Tal como o beija-flor do néctar suculento
Da tua beleza vivo e dela me alimento
E como fosse o fôlego da vida humana
Eu sorvo a luz que o teu olhar emana.
Direi-te, então, o nome de quem fala-te com ardor.
Me chamam Don Juan: teu servo e teu Senhor.
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