Lista de Poemas
O despertar do poeta.
Ó poesia que me consola!
Tu és meu precioso remédio.
Para a doença, que como febre estiola.
A doença sem cura, a doença do meu tédio.
Ó poesia que me transforma!
Tu és minha máscara, minha solução.
A solução para o meu dilema.
Ver as coisas como elas são.
Ó poesia que me desperta!
Tu és mentira em que acredito.
De mim mesmo me liberta.
Me faz fingir o que não sinto.
Ó poesia que me diverte!
Tu revives a minha inteligência.
Pois sou chato, preguiçoso e inerte.
Mas contra os versos, luto com persistência.
Ó poesia, encruzilhada em que passo.
E indeciso a esperar me ponho.
Numa estrada há a poesia que faço
E na outra a poesia que sonho.
👁️ 236
Faz tempo que não escrevo
Passam os dias quentes e chuvosos.
Passam as noites agrestes.
Passam estes períodos tediosos.
Apenas para mudar minhas vestes.
Passam os dias da semana.
Passam os ventos a bater no prédio.
Passa tudo, mas da mente não emana.
Nada que que me livre do meu tédio.
Quanto mais fácil, menos me interesso.
Quanto mais difícil, tenho preguiça.
Quanto menos faço, mais eu peço.
Pela bestialidade que me atiça.
E ao fugir dos desejos carnais.
Sento a mesa e me curvo.
Minha memória, me salva uma vez mais.
Lembro-me de algo, e me faço ativo.
E indago a encarar meu acervo.
- É. Faz tempo que não escrevo.
👁️ 243
Ruins estes versos, piores são estes tempos.
Há uma realidade terrível que a mim e a todos cerca.
Há um medo indescritível e uma sensação cujo nome.
Tem seu antônimo repetido voraz e incansavelmente.
Mas não há esse que, ao tentar obtê-la, não a perca.
Pois, não há esse que não perca para própria fome.
Não há esse que a boca não toca se lhe dói o dente.
Todos! Todos nestes tempos estão submissos a esta.
Esta sensação tão corriqueira, mas que hoje tortura.
A todo dia, a toda hora, ao falar, ao comer, ao beber.
Tornou-se parte integrante da pessoa que me resta.
Sempre rezo, sempre espero e isto sempre perdura.
A tempos nada adianta, me enche de ira este saber.
Esta insegurança. Não! Esta ansiedade. Não!
Este medo. Não! Esta vontade. Não! Esta saudade.
Não sei o que éao mesmo tempo sei, são todas.
Não sei o que são estas pragas, mas elas hão.
De deixar-me averso a minha mais humana vontade.
A de viver, ou sobreviver, a estas calhas de rodas.
São tempos onde o dia é mais escuro que a noite.
São tempos onde eu não sei dizer o que vivo.
São tempos onde o que se viu não se vê mais.
São tempos em que a solidão serve de açoite.
São tempos onde de muitas felicidades me privo.
A morte anda contigo não importa onde tu vais.
São dias onde a matemática torna-se uma inimiga.
Todos os números, fórmulas, teorias e teoremas.
Não são capazes de quantificar absolutamente nada.
Pois, não há número, fórmula ou teorema que consiga.
Dizer o que nem os mais tristes de todos os poemas.
Conseguiram, não há palavras como a lágrima salgada.
A informação é, ao mesmo tempo, heroína e vilã.
A solitude é, ao mesmo tempo, dolorosa e necessária.
A insegurança é, ao mesmo tempo, chaga e vida.
E minha mente é, ao mesmo tempo, louca e sã.
Por isso escrevo esta que é de formalidades, precária.
Esta lira que de toda minha repudia é preenchida.
O que dirá o homem se manda-o fazer uma escolha.
Entre a integridade e a fome? O que dirá este fraco ser?
O que fará aquele que se percebe numa vã encruzilhada?
Aquele que não importa para onde, em desespero, olha.
Vê algo que lhe cega e o outro canto não pode ver?
A escuridão é o que lhe aguarda, só ela e mais nada?
Tu, que vives num tempo muito à frente do meu.
Se por algum fruto do acaso ou de curiosidade.
Ou se estes meus versos foram deveras lembrados.
Se a estes versos a tua preciosa atenção se deu.
Agradeça pelo que vive, agradeça de verdade.
Ou podes chorar, se forem ainda menos abastados.
Há um medo indescritível e uma sensação cujo nome.
Tem seu antônimo repetido voraz e incansavelmente.
Mas não há esse que, ao tentar obtê-la, não a perca.
Pois, não há esse que não perca para própria fome.
Não há esse que a boca não toca se lhe dói o dente.
Todos! Todos nestes tempos estão submissos a esta.
Esta sensação tão corriqueira, mas que hoje tortura.
A todo dia, a toda hora, ao falar, ao comer, ao beber.
Tornou-se parte integrante da pessoa que me resta.
Sempre rezo, sempre espero e isto sempre perdura.
A tempos nada adianta, me enche de ira este saber.
Esta insegurança. Não! Esta ansiedade. Não!
Este medo. Não! Esta vontade. Não! Esta saudade.
Não sei o que éao mesmo tempo sei, são todas.
Não sei o que são estas pragas, mas elas hão.
De deixar-me averso a minha mais humana vontade.
A de viver, ou sobreviver, a estas calhas de rodas.
São tempos onde o dia é mais escuro que a noite.
São tempos onde eu não sei dizer o que vivo.
São tempos onde o que se viu não se vê mais.
São tempos em que a solidão serve de açoite.
São tempos onde de muitas felicidades me privo.
A morte anda contigo não importa onde tu vais.
São dias onde a matemática torna-se uma inimiga.
Todos os números, fórmulas, teorias e teoremas.
Não são capazes de quantificar absolutamente nada.
Pois, não há número, fórmula ou teorema que consiga.
Dizer o que nem os mais tristes de todos os poemas.
Conseguiram, não há palavras como a lágrima salgada.
A informação é, ao mesmo tempo, heroína e vilã.
A solitude é, ao mesmo tempo, dolorosa e necessária.
A insegurança é, ao mesmo tempo, chaga e vida.
E minha mente é, ao mesmo tempo, louca e sã.
Por isso escrevo esta que é de formalidades, precária.
Esta lira que de toda minha repudia é preenchida.
O que dirá o homem se manda-o fazer uma escolha.
Entre a integridade e a fome? O que dirá este fraco ser?
O que fará aquele que se percebe numa vã encruzilhada?
Aquele que não importa para onde, em desespero, olha.
Vê algo que lhe cega e o outro canto não pode ver?
A escuridão é o que lhe aguarda, só ela e mais nada?
Tu, que vives num tempo muito à frente do meu.
Se por algum fruto do acaso ou de curiosidade.
Ou se estes meus versos foram deveras lembrados.
Se a estes versos a tua preciosa atenção se deu.
Agradeça pelo que vive, agradeça de verdade.
Ou podes chorar, se forem ainda menos abastados.
👁️ 183
A flor .
Não há coisa mais arrogante que esta.
Hipnotiza-me a sua beleza no jardim.
E quando só a morte me resta.
De certo que estará sobre mim.
Como faz a flor, a vida também faz.
Hipnotiza a todos com sua beleza.
Profundamente doce, seu odor trás.
Cores e pétalas a dor e a tristeza.
Mas é ela que te rega, como uma flor.
As flores aproveitam melhor a água.
Mas nós não aproveitamos a dor.
A água da vida, é a lágrima da mágoa.
Mas a vida não é cruel nem clemente.
Triste é apenas a tua chaga.
A vida é sábia, pensa como a gente.
"A melhor flor, resiste a praga."
A vida não busca as flores belas.
Por isto suas águas amargam.
Não busca cores nas pétalas.
Busca as fortes, que não estragam.
Mas como a flor, chegada a tua hora.
A vida ri triunfante sobre tua cova.
Pois vivo é o abutre que o devora.
E o verme que te usa de desova.
Hipnotiza-me a sua beleza no jardim.
E quando só a morte me resta.
De certo que estará sobre mim.
Como faz a flor, a vida também faz.
Hipnotiza a todos com sua beleza.
Profundamente doce, seu odor trás.
Cores e pétalas a dor e a tristeza.
Mas é ela que te rega, como uma flor.
As flores aproveitam melhor a água.
Mas nós não aproveitamos a dor.
A água da vida, é a lágrima da mágoa.
Mas a vida não é cruel nem clemente.
Triste é apenas a tua chaga.
A vida é sábia, pensa como a gente.
"A melhor flor, resiste a praga."
A vida não busca as flores belas.
Por isto suas águas amargam.
Não busca cores nas pétalas.
Busca as fortes, que não estragam.
Mas como a flor, chegada a tua hora.
A vida ri triunfante sobre tua cova.
Pois vivo é o abutre que o devora.
E o verme que te usa de desova.
👁️ 189
Escrevo sobre algo que não sei.
Não sei se meu intelecto,já escassso.
Voltou a esvair-se continuamente.
Ou se meu espírito nada mais sente.
Há algo que me atiça,e este poema faço.
Algo que não sei,mas isso não importa.
Se minha mente não puder me conceber
Alguma poesia,escrevo sobre não saber.
Triste desta poesia que me conforta!
Estes versos que anseiam por sentido.
Esta poesia,a quem tenho ofendido.
Martelam fervorosamente a minha cabeça.
Quando escrevo,me falta desejo.
Mas quando eu quero,nunca vejo.
Uma única poesia que me obedeça!
Voltou a esvair-se continuamente.
Ou se meu espírito nada mais sente.
Há algo que me atiça,e este poema faço.
Algo que não sei,mas isso não importa.
Se minha mente não puder me conceber
Alguma poesia,escrevo sobre não saber.
Triste desta poesia que me conforta!
Estes versos que anseiam por sentido.
Esta poesia,a quem tenho ofendido.
Martelam fervorosamente a minha cabeça.
Quando escrevo,me falta desejo.
Mas quando eu quero,nunca vejo.
Uma única poesia que me obedeça!
👁️ 172
Lágrimas de uma dona inexistente.
Esta que passa por mim sem olhar.
A que olho discreto e distante a pensar.
Que dor é esta que carrega?
Que ânsia é esta que lhe cega?
Que emana como uma aura?
Que tanto corre, tanto passa, como paira.
Que na minha folha branca deixara.
Como marca de quando veio a passar.
Lágrimas que caem sem molhar?
É uma senhora estranha e distante.
A quem observo pasmo e hesitante.
Não sei se é nova ou velha, bela ou feia.
Mas a minha curiosidade incendeia.
Poderia ela talvez, explicar e detalhar.
Como é possível chorar sem molhar?
Estas gotas fixas em meu caderno.
Confrontam estes ventos de inverno.
Como pontos no escuro a brilhar.
Eis que, de repente, a mulher some.
Eis que uma ânsia febril me consome.
Suas lágrimas, agora escurecendo.
Seu brilho, agora desaparecendo.
Se espalham pela folha sem parar.
E nesta ânsia vou me perdendo.
Me perco e me ponho a chorar.
Minhas lágrimas, também não molham.
E como as dela, caem e se espalham.
Peço a meu Deus que me acalma.
Acalma o corpo, a mente e a alma.
As batidas do meu coração escuto.
Fora isto, o silêncio é absoluto.
Abro os olhos, a folha a minha frente.
Me mostra algo tão surpreendente.
Que não acreditei, mesmo ao ver.
Um poema! Um poema de lágrimas!
Perfeito! Que nem em minhas máximas.
Chegaria sequer próximo de escrever.
Agora eu entendo! Escrever é chorar.
Abrir as portas da tristeza, escancarar!
Esta descoberta me alegrou tanto.
Que acordei em um súbito espanto.
Na minha mesa tinha uma folha.
Deixei cair uma lágrima num bocejo.
Olhei a folha, com entusiasmo e desejo.
E descobri que a minha lágrima molha.
👁️ 192
Um pote de barro.
Deito-me na rede, e da minha mente varro.
Tudo o que, a minha escrita, não convém.
Encaro e reflito, sobre um simples pote de barro.
Potes de barro... Quantos destes a história tem?
Há nos egípcios quantidades exorbitantes.
Pois serviam a eles, como nos servem os caixões.
Penso eu: um pote guarda heróis, vilões e infantes.
Como um fazendeiro guarda os seus feijões.
Se cabem mortos, também lhe cabem vivos?
Deus fez do barro o primeiro homem.
Nele, há carne, sangue, amor e valores nocivos.
E nos homens há também o que comem.
Resposta! Tudo cabe neste simples pote .
Cabem as plantas, cabem os animais e a água.
Cabe o amor, cabe o ódio, cabe a vida e cabe a morte.
Se queres despeja, pois cabe também a mágoa.
Me pergunto se sou louco ou sincero .
E agora que fiz esta poética e infiel descrição.
Não sei mais se este pote( ou seu barro) é vero.
Talvez caiba nele a minha imaginação.
Deve caber, é isto ou estou enlouquecendo.
Pois já no fim deste poema charro.
Vou de verso em verso percebendo.
Que aqui em minha frente, há só um pote de barro.
👁️ 192
Mentiras, grandes mentiras .
É antes de minha faculdade mental.
Que estas vozes recorrentes que ouço.
Mentem impiedosamente e de tal
Forma, que me vejo como num poço.
Em verdade, sou este poço escuro.
Onde em cegueira eterna perduro.
Não sei o que sou, não sei o que ouço.
Quando olho a voz me afronta.
Não olhe! A escuridão amedronta!
Não tenho medo!-digo-este sou eu!
Intelecto tão baixo quanto é o teu
Nunca vi! Sendo assim, segues o meu.
Pois sou sábio, sei bem o que digo.
Ouça-me, quem avisa é bom amigo.
É sempre assim que me responde.
Não sei o que mais me esconde.
Não sei o que mais temo.
Se temo a eles ou a mim mesmo.
E isto me deixa cheio de ira.
Isto é mentira, uma grande mentira!
Não sou o que diz!
Não sou como você!
Não sou o que fiz!
Não sou o que vê!
Não sou o que digo!
Não sou o que consigo!
Não sou o que crê!
Não há grupo em que estou.
Não sou parte da sociedade.
E a única possível verdade.
Diz a única coisa que sou.
Apenas eu e mais nada.
O que digo não é nada.
O que faço não é nada.
O que escrevo não é nada.
O que crio não nada.
O que vivo não é nada.
Sou apenas eu, e isto é nada.
Este ser e não ser excruciante.
Esta questão mal solucionada.
E sua resposta intrigante.
Entre ser e não ser, não sou nada.
Se não sou nada, sou algo ?
Isto a mim e a voz indago.
Ao esperar a resposta, não a ouvira.
Será que esta voz, a qual ouvia.
Haver de existir não havia?
Esta que me enchia de ira.
Era mentira, uma grande mentira!
O que diz é uma mentira !
O que não diz também é mentira!
O seu poema é uma mentira!
Sua sapiência é uma mentira!
Até sua existência é mentira!
Só uma coisa define esta lira.
Uma mentira, uma grande mentira!
E na lira deste canto de louco.
Vou , sem conclusão, dizendo.
Que estou, sem propósito, escrevendo.
Se vê sentido, mesmo que pouco.
Saiba, mesmo que te encha de ira.
Que isto que te empolga e inspira.
É uma mentira, uma grande mentira!
Que estas vozes recorrentes que ouço.
Mentem impiedosamente e de tal
Forma, que me vejo como num poço.
Em verdade, sou este poço escuro.
Onde em cegueira eterna perduro.
Não sei o que sou, não sei o que ouço.
Quando olho a voz me afronta.
Não olhe! A escuridão amedronta!
Não tenho medo!-digo-este sou eu!
Intelecto tão baixo quanto é o teu
Nunca vi! Sendo assim, segues o meu.
Pois sou sábio, sei bem o que digo.
Ouça-me, quem avisa é bom amigo.
É sempre assim que me responde.
Não sei o que mais me esconde.
Não sei o que mais temo.
Se temo a eles ou a mim mesmo.
E isto me deixa cheio de ira.
Isto é mentira, uma grande mentira!
Não sou o que diz!
Não sou como você!
Não sou o que fiz!
Não sou o que vê!
Não sou o que digo!
Não sou o que consigo!
Não sou o que crê!
Não há grupo em que estou.
Não sou parte da sociedade.
E a única possível verdade.
Diz a única coisa que sou.
Apenas eu e mais nada.
O que digo não é nada.
O que faço não é nada.
O que escrevo não é nada.
O que crio não nada.
O que vivo não é nada.
Sou apenas eu, e isto é nada.
Este ser e não ser excruciante.
Esta questão mal solucionada.
E sua resposta intrigante.
Entre ser e não ser, não sou nada.
Se não sou nada, sou algo ?
Isto a mim e a voz indago.
Ao esperar a resposta, não a ouvira.
Será que esta voz, a qual ouvia.
Haver de existir não havia?
Esta que me enchia de ira.
Era mentira, uma grande mentira!
O que diz é uma mentira !
O que não diz também é mentira!
O seu poema é uma mentira!
Sua sapiência é uma mentira!
Até sua existência é mentira!
Só uma coisa define esta lira.
Uma mentira, uma grande mentira!
E na lira deste canto de louco.
Vou , sem conclusão, dizendo.
Que estou, sem propósito, escrevendo.
Se vê sentido, mesmo que pouco.
Saiba, mesmo que te encha de ira.
Que isto que te empolga e inspira.
É uma mentira, uma grande mentira!
👁️ 189
Os barulhos da minha casa .
Ecoam como em penhasco fundo.
Ofensas, injúrias e maus agouros.
São meus pais, aos quais escuto mudo.
Outro de seus conflitos duradouros.
Soam como ruídos quase inaudíveis.
Um conjunto de vozes abafadas.
Notícias e relatos impassíveis.
Roubos, mortes e jovens estupradas.
Soa como estalo, por vezes como um tiro.
Algum gato que corre apressado.
Por uma cópula ou por algum apuro.
Destrói, a cada passo, o meu telhado.
E, mais alto, minha mãe gritou.
As notícias agora não escuto.
O gato, de certo, que espantou.
Meu pai é identicamente bruto.
Peço a minha poesia humildemente.
Peço que ela venha a aflorar.
Peço o dom que me faz contente.
Que dom é este? O de ignorar.
👁️ 184
A minha decepção é constante.
Ao som da chuva, luto enclausurado.
Murmuro palavrões decepcionado.
Olho para baixo, coluna arqueada.
Resmungo palavras aflito .
Encaro os versos do manuscrito.
Nada, nada e mais nada .
A cor branca já me entristece.
Seu contínuo vislumbre me adoece.
Rasgo a prova de minha incapacidade.
A folha branca, com um verso ou dois.
Que pensei um dia “continuo depois”.
Não continuo, esta é a verdade.
Este estranho desassossego vil.
Esta insônia inquietante e hostil
Por mais que eu esqueça a poesia.
A poesia não o faz comigo.
Resistir a ela, não consigo.
Sento e escrevo sem mostrar teimosia.
A inspiração é deveras impiedosa
A escrita é inconveniente e penosa.
Este impulso que me fustiga.
Que me tortura e inquieta.
É o impulso de ser poeta.
Mas a incompetência me castiga.
Meu poema é um sonho no calvário.
Preso na cruz de meu vocabulário
De versos é sua sede, e isto implora.
De revolta é o vinagre que lhe dão.
Ou melhor, que dá a minha mão.
Rasgo-o em fúria, mas recomeço outrora.
Neste progressivo vai e vem.
Escrever e apagar, persistir e desistir.
Faço versos enquanto existir.
A luta é constante, a decepção também
👁️ 217
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