Um pote de barro.
Deito-me na rede, e da minha mente varro.
Tudo o que, a minha escrita, não convém.
Encaro e reflito, sobre um simples pote de barro.
Potes de barro... Quantos destes a história tem?
Há nos egípcios quantidades exorbitantes.
Pois serviam a eles, como nos servem os caixões.
Penso eu: um pote guarda heróis, vilões e infantes.
Como um fazendeiro guarda os seus feijões.
Se cabem mortos, também lhe cabem vivos?
Deus fez do barro o primeiro homem.
Nele, há carne, sangue, amor e valores nocivos.
E nos homens há também o que comem.
Resposta! Tudo cabe neste simples pote .
Cabem as plantas, cabem os animais e a água.
Cabe o amor, cabe o ódio, cabe a vida e cabe a morte.
Se queres despeja, pois cabe também a mágoa.
Me pergunto se sou louco ou sincero .
E agora que fiz esta poética e infiel descrição.
Não sei mais se este pote( ou seu barro) é vero.
Talvez caiba nele a minha imaginação.
Deve caber, é isto ou estou enlouquecendo.
Pois já no fim deste poema charro.
Vou de verso em verso percebendo.
Que aqui em minha frente, há só um pote de barro.