Escritas

Lista de Poemas

Corredor do tempo

Corredor do tempo

No longo corredor do tempo vejo os dias

Passarem obliquamente dissimulados

Como se o nada da vida, que é o tudo

Tivessem sido pelo tempo estiolados

Na noção do presente, do passado e futuro

No mesmo interstício, das partes desse todo

Sopra o vento da maldade e do apuro

Da coragem, do valor e do denodo

O estertor d’angustiosa ânsia dá anseio.

Somente nas horas, o dia é projetado

Da vida, o tempo futuro é o esteio

Não volve de novo o tempo passado

O tempo bebe rápido a luz dos dias

Logo chega a soturna noite negra

Quando a sombra se projeta no luar

No imutável curso que segue sua regra

Na rígida e irretratável caminhada

No corredor, sem janelas que o detenham

Irretroativo na contagem acumulada

O tempo, dá-nos os dias que convenham

Porangaba,24/08/2014 (data da criação)

ArmandoA. C. Garcia

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👁️ 383

O Rei da Glória

O Rei da Glória


Tu, és o Rei da Glória
A Suprema Majestade
Onde triunfa a vitória
E se projeta a verdade

O caminho da ascensão
Na subida transitória
Do mundo da perdição
Ao da excelsa glória


És a luz, consolação
Que ajuda e dá esperança
Discreto amor, redenção
Libertação que avança


O cultor das dores alheias
Dulcificador do pranto
Tu, o fazes às mãos cheias
Socorrendo com Teu manto


Balsamizas as feridas
Punges da alma a aflição
E às vidas doloridas,
Levas a consolação


De quem sofre, és esperança
Transcende de Ti o amor
Expande-se a confiança
A Teus pés. Ó Criador !


São Paulo, 21/08/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia


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👁️ 471

Resquícios de lembranças


Resquícios de lembranças


Num lampejo de saudade teu encanto

Irrompe, como cachoeira em livre queda

No turbilhão da correnteza. Onde o canto

da sinfonia das águas, nele se envereda,

No resquício de lembranças, adormecidas

Que fluem de sonhos de amor, de mansinho

Em meio às esperanças, já perdidas

Nas pedras cheias de lama do caminho

Vivo, da triste saudade, sem clemência,

No desejo, que o tempo refaça os anseios

Refazendo o desengano na coerência

Da relação harmônica de meus devaneios

Vaguei na ambivalência mística da idéia

Contemplativa, absorção do pensamento

E como aranha me envolvo nessa teia

Qu’a aridez do tempo, forjou sem um lamento

Como folhas que a ventania não soprou

Estão em mim os resquícios das lembranças

Preciso expurgar da alma o que sobrou

Praretornar a ter da vida confiança !

Porangaba,23/08/2014 (data da criação)

ArmandoA. C. Garcia

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👁️ 377

As penas da vida

As penas da vida

Penas que flutuam no ar,
Das minhas são o inverso
Aquelas pairam no ar
Já estas, têm peso inverso.

As penas do meu penar
Pesam no pensamento
São como as ondas do mar,
Em constante agitamento.

Quem me dera não ter penas
E, nem ter porque penar
Tivesse, somente, apenas
Um coração para amar

Porque as penas mais pesadas
Nós temos que carregar
As das aves, aveludadas
São usadas para voar

Fossem plumas apenas
As penas do meu calvário
Não estaria na arena
Tão triste e solitário

Não transformes minhas penas
Num rosário de penar
Elas, não são tão pequenas
Pra que as possas agrupar

Nos *interstícios das penas
Cheios de melancolia
Vivem as memórias apenas
**Magma da dor dos meus dias

Vento que sopras as plumas
Das penas das avezinhas.
Perdidas, como as brumas
Leva tu... também as minhas!

Este abstrato penar
Transcende a realidade
É como as areias do mar
Qu’a espuma, os pés vem beijar

* fenda; intervalo
**lava

São Paulo, 11/08/2014
(data da criação)
Armando A. C. Garcia
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👁️ 501

Homem !

HOMEM !

És dependente de tudo
Independente do nada
És da vida um tetra-mudo
Um taxi na bandeirada


Homem ! Tua vida devassa
Aninha sonhos de aventura
Por tua cabeça passa
Só ambição e loucura


Abismo desconhecido
Nesse teu desiderato
Teu coração oprimido
Turba teu senso pacato


Independente do nada
Carregas pesada cruz.
Nessa árdua caminhada
A dependência te conduz

És pseudo independente
Tu, que dependes de tudo
Desde a noite, ao sol nascente
E do alimento ao estudo !

São Paulo, 11/08/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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👁️ 506

Perdido na solidão

Perdido na solidão


Quando andava pelo mundo,
Perdido na solidão
Um sentimento profundo,
Tocou o meu coração

Foi então que compreendi
A magnitude de Deus
Vi que em sonhos me perdi
Como fazem os ateus.

Ainda a lágrima suspira
Lá, no infinito vazio
Entre a verdade e a mentira
Num tremendo desafio,

Mas se em vós eu confiei
No presente e no futuro
Minhas mágoas... já penei
Não quero mais correr apuro

Dum polo a outro impelido
Mil lamúrias derramei
Meu coração esvaído
Teve paz, quando Te amei!

São Paulo, 23/07/2014
Armando A. C. Garcia

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👁️ 454

Pai ! (replay)

Pai ! (replay)



PAI, chama de vida

Presente a toda hora

No carinho, educação

Deste sempre acolhida

Ao impulso que aflora

Do meu pobre coração


És o grande timoneiro

Significado de vida

Com tua sabedoria

Moldaste, qual usineiro

Sem deixar de dar guarida

À minha triste *agnosia


Aos poucos foste moldando

Mostrando o bom caminho

No exemplo de tua conduta

Aprendi o valor, quando

Vi em grande desalinho

Minha vida dissoluta


Que entre o certo e errado

Há grande diferenciação

Um, caminho verdadeiro

O outro, leva ao pecado

Um pulsa na exatidão

Outro, exala mau cheiro


Corrigir, defeitos, falhas

Tudo de ti aprendi

Conhecimento, bondade

E, enfrentar as batalhas

Que, de nenhuma fugi

Nem estendi a toalha


Longo o aprendizado

Foi-me de grande valia

Aprendi a ser honrado

Probo, integro, respeitado

A **cravelha que me guia

Tangendo cordas do fado


PAI, de ti foi plagiado

Nos passos de teu caminho,

Teu exemplo incrustado

Na minha alma gravado

Por teu amor e carinho

A teu filho dedicado.


Neste dia congraçado

Aos pais deste universo

Quero deixar um recado

Nas letras deste meu verso

Que seja um dia louvado

E o Pai, parabenizado.


Com abraço de ternura

E um beijo de afeição

Que expresse o carinho

Cheio amor e ventura

E sele a saudação

Com cheiro de rosmaninho!



São Paulo, 13/08/2011

Armando A. C. Garcia


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leia; SER PAI


*ignorância


**peça para retesar as cordas (de instrumentos de corda)

👁️ 496

A Concupiscência

A concupiscência



A *concupiscência é o antônimo da pureza

É a principal causa dos males humanos

Fruto do desejo intenso com certeza

Por bens, gozos materiais ou sexuais


Na **preceituação, retórica-poética

A ostentação por desejos diletantes

Evidenciam procedimentos sem ética

Obra das veleidades inconstantes


Nos olhos há cobiça, na mente ilusão

Seus caminhos cruzam o intangível

Na distante presença das estrelas


Desvairadamente o seu coração

Não se coaduna com o plausível

- Despedaça-se na ambição, sem cautela !


*desejo intenso de bens ou gozos materiais

**ordenamento;.determinação


Porangaba, 02/08/2014

Armando A. C. Garcia



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👁️ 512

Fonte do amor !...

Fonte do amor !...



Nesta ausência da verdade

Na cinza que o fogo deixa

Onde a queima da vontade

É o suspiro da queixa


Última réstia do sol

Última réstia de esperança

Sonho flutua ao arrebol

O enigma à semelhança


A memória se povoa

De perspectivas sem fim

Tua imagem sobrevoa

As sombras do meu jardim


Nas voltas que o contornas

Dissipas o ensombrado

As flores, antes soturnas

Voltaram ao seu passado


Fundem-se as emoções

Num gradual sentimento

Que une dois corações

Ao sagrado sacramento


Nessa fonte de desejo

Onde nasce o grande amor

Se beijar-te é um ensejo

Abraçar-te é esplendor !


Porangaba, 09/08/2014

Armando A. C. Garcia


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👁️ 448

Cinzas do passado !

Cinzas do passado !


No silêncio da saudade

Acredite, ouço sua voz

Quando o luar, a terra invade

Diviso sua sombra, na foz !


E, quando triste passeio

Taciturno, melancólico

Vou espairecer no seio

Do meu recanto bucólico


Certas noites te procuro,

Fitando as estrelas do céu

Sob o manto azul-escuro

Está, teu destino e o meu


O céu não quis nos unir

No passado e no futuro

São saudades a carpir

Neste orbe, obscuro


Nesta mata de enganos

Em que sonhos flutuam

Nos recônditos *arcanos

Que na alma perpetuam


Longo mar, longa distância

Tua imagem carinhosa

Não teve a mesma coerência

Que fez de ti, a mais ditosa


Jamais tirei da lembrança

A moldura do teu rosto

Mas o fiel da balança

Pendeu-se no contraposto


Neste longo corredor

Que a vida nos aflora

A paixão é uma dor

Que nem a morte a devora


*segredo; mistério


Porangaba, 26/07/2014 (data da criação)

Armando A. C. Garcia


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👁️ 434

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