Escritas

Lista de Poemas

Se o poeta rasga os versos

Se o poeta rasga os versos



Se o poeta rasga os versos

Sem coragem de mostrá-los

Seus pensamentos dispersos,

Não têm força para amá-los


Se o poeta rasga os versos

Não acreditou no que dizia

Ou eles são tão perversos

Que turvam a luz do dia


Se o poeta rasga os versos

Seus sonhos, ele viu morrer

Pois eles são o universo

De quem gosta de escrever


Se o poeta rasga os versos

Algo neles quis esconder,

Ou ele é ruim de converso

Ou como eu, perde o dizer


Se o poeta rasga os versos

Por certo já decaiu

E em funda tristeza imerso

Do que falava, mentiu


Se o poeta rasga os versos

Ao lusque fusque da aurora

Seu âmago está disperso

De sua musa inspiradora


São Paulo, 21/09/2014 (data da criação)

Armando A. C. Garcia

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👁️ 402

A força do nada ...

A força do nada ...


Da força do nada
O encanto da vida
Flor decepada
Na areia perdida


Confronto, retoque
Detalhe projetado
Status, enfoque
Caminho apertado


O peso da vida
Na selva de pedra
Ninguém o duvida
O oásis não medra


O trevo da sorte
Sinal de esperança
Na vida ou na morte
O Ser não descansa


Estrada espraiada
Estrela da vida
Prenúncio do nada
Na vida sofrida !


Salvador-BA- 18/09/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia


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👁️ 445

O Legado do Pai !

O Legado do Pai !

Sentei-me neste banquinho
Esperando por vocês
Cada qual por seu caminho
Não chega nenhum dos três

Nem Paulo, nem Eduardo,
E nem mesmo o Francisco
Vêm visitar este fardo
Que já, do fim está *prisco

O tempo passa e não chega
Nenhum dos filhos queridos
Cada um em si carrega
Dois pesos descomedidos

O dinheiro e a ambição
Tomam conta de suas vidas
Nunca lhes faltou o pão
Pra essa corrida enlouquecida

Eu, contínuo esperando
Já no limite da vida
Vocês ficam tateando
Na loucura ensandecida

Perderam de vez a razão
Esquecendo de vosso pai
Um velho e fraco ancião
Que neste banco se esvai

Foi muito amor e carinho
Que na infância vos deu
Três doutores. Esse o caminho,
Que para vós escolheu.

Hoje, aqui abandonado
Sentado espero a morte
Como já não sou lembrado
Vos desejo melhor sorte !

E neste breve legado
Vos deixo meu sentimento
Deste pobre desprezado
Relegado ao esquecimento

A morte já bate à porta
Despeço-me de vocês,
A caligrafia está torta,
Tal como a vida dos três.

Salvador, 16/09/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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*antigo; vetusto

👁️ 421

Murmura a cachoeira

Murmura a cachoeira

Murmura a cachoeira

Ao som das águas em queda

Do alto da cabeceira,

Em sinfonia se enreda

Cobre-se o horizonte

Co’a bruma da cachoeira

E o arvoredo defronte,

A absorve inteira

É linda e estimulante

A queda d’água pura

Espetáculo exuberante

Emanando paz e ternura

É de singular beleza

Contemplar sua caída

Encanto da natureza

Apoteose da vida

Que nossas almas invade

Com delicada candura

Perde-se a ansiedade

Ante a paz serena e pura

Quietude gratificante

A beleza do lugar

Paz serena dominante

É Deus, a abençoar !

Porangaba,07/09/2014 (data da criação)

ArmandoA. C. Garcia

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👁️ 482

Amor que o vento levou...

Amor que o vento levou...

Não tem nada que amenize
O amor que o vento levou
É uma constante crise
Que nem o fogo queimou

Só quem perdeu um amor
Pode então avaliar
A imensidão dessa dor
Que não para de abalar

Oh! Que destino malvado
A vida nos apresenta
Carpir a dor deste fado
Nenhum cristão agüenta

É ferida que não cicatriza
A perdição de um amor
É chaga que martiriza
De manhã, ao sol se pôr !

Esta cruz de expiação
Deixa a alma descontente
E o pobre do coração
A carrega, tristemente

Soluça a ilusão perdida
Negro e profundo pesar
A felicidade é interrompida
Dando lugar ao penar

Vão-se sonhos e esperança
Nas asas da desventura
Porém a alma não cansa
De pensar na criatura

É um laço que manieta
Ao que o fogo não queimou
É a ilusão completa
Do nada, que lhe sobrou !

Essas cinzas que restaram
São escombros do passado
São saudades que ficaram
De um sonho sepultado !

São Paulo, 04/09/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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👁️ 369

A dor da solidão

A dor da solidão



Tive a dor da solidão por companheira

Ante a tua ausência súbita, inesperada

Mudaste o curso de minha cachoeira

Para turvar a água cristalina; Que cilada !


Deixaste-me de mãos atadas, com a dor

É detalhe que não importa na caminhada

No paradigma entre o ódio e o amor

Sem pressa, na vida longa, angustiada.


Como posso olvidar a mor verdade

Sem pesar toda a essência fulminante

Aquela que doeu atrás, na mocidade


E até hoje faz parte desta história

Tão profundo o amor que ainda debate

E inflama esta pobre oratória !


Porangaba, 31/08/2014 (data da criação)

Armando A. C. Garcia


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👁️ 498

Síntese da história secular de Miranda do Douro

Síntese da história secular de
Miranda do Douro



Os encantos de minha terra, cantei em verso
Antes de vê-la, pelos atrativos modificada
Miranda do Douro, minha cidade-berço
Ao ver-te, minha alma, ficou emocionada

Na parte mais antiga e histórica
Guardas relíquias de inestimável apreço
Tua Sé, faz inveja pela sumptuosidade
As muralhas, mostram nobreza, teu adereço

Vou contar-vos um pouco de sua história
Na reconquista cristã, da península Ibérica
Em oitocentos e cinquenta e sete, tropas com glória
Do rei Afonso d’Astúrias chegam ao Douro

No ano de mil e noventa e três, os limites
Orientais de Galiza, já incluíam Miranda,
Cujo condado portucalense, acredite
Era governado sucessivamente na ciranda

Pelo conde Dom Henrique, a condessa Teresa,
E o filho do casal, Dom Afonso Henriques.
À época Miranda, tinha castelo, como defesa
Para protegê-la contra todos os despiques

Assim, ante a tomada do condado Portucal
Por Dom Afonso Henriques ao reino de Leão
A quem deviam vassalagem. Pôs um ponto final
Reafirmou-se independente, proclamou-se Rei

Para manter os limites com o reino de Leão
E, pra que a localização estratégica, não mele
Mandou restaurar o castelo, face à *abjunção
Dos Reinos de Leão e de Castela, contra ele

Continuo falando, de sua importância secular
Em mil, duzentos e oitenta e seis, Dom Dinis
Elevou-a à categoria de Vila para aumentar
Ainda mais os privilégios, e assim o quis,

Na condição de nunca sair da coroa Portuguesa
Tornando-a, assim, a mais progressiva vila
E importante de Trás os Montes, na defesa
Porque o jovem país, independente, inda vacila.

Após, já sob o reinado de Dom Manuel I,
A vila, em razão da paz com os castelhanos,
Teve grande prosperidade, saiu do rotineiro
Tornando-se um grande centro entre irmanos.

Em maio de mil quinhentos e quarenta e cinco,
Por bula do papa, passou a ser a primeira diocese
De Trás-os-Montes. E aos dez de julho, com afinco
É elevada à categoria de cidade por Dom João III.

Ocasião em que Miranda passou a ser a Capital
De Trás-os-Montes, com sede e residência de bispado
Autoridades militares e civis, com adicional
Do séquito necessário acompanhado.

Após, no ano de mil, seiscentos e quarenta
Teve início a guerra da restauração
Cuja luta, seis anos após, se pacienta,
E é libertada do cerco imposto na ação,

Liderada pelo Governador da Província.
Na guerra da sucessão Espanhola
A guarnição foi aprisionada não por **acracia
Aos oito de julho de mil setecentos e dez

Quando o sargento-mor, por seiscentos dobrões
Perpetrou a traição de entregá-la aos espanhóis.
No ano seguinte, as tropas do conde de Atalaia
Recuperam a cidade e os aprisionam depois

Mais tarde, no contexto da guerra dos sete anos
Novo cerco imposto a Miranda por tropas espanholas
Mil e quinhentas arrobas de pólvora causaram danos
De nada valendo a denodada resistência, nem a bitola

Das muralhas do seu castelo, que em parte ruiu
Em razão da tremenda explosão que o devastou
Embora nunca tenha sido apontado quem traiu
Os historiadores falam no Governador Militar

Na catástrofe pereceram quatrocentas pessoas
Levando a cidade à quase ruína demográfica
No ano seguinte, recuperada, voltou às boas
Assinando a paz em mil setecentos e sessenta e três

Assim, face ao lamentável fato acontecido
Decorridos dois anos; o vigésimo terceiro bispo
Abandona a cidade, trocando-a por Bragança
Deixando Miranda, na situação do Cristo !

Meio século mais tarde, na Guerra Peninsular
Miranda mais uma vez estaria de prontidão
Alvo das tropas napoleônicas a avançar
O que lhe causaria mais uma agravação.

Somente, no século vinte, a cidade voltaria
A retomar a pujança, alento, viço e vigor
Com a construção das barragens, ***acéquias
De Picote e Miranda, a cidade, é um primor.

Se um dia perdido, sem caminho quiser
Belezas mil, ver, apreciar e desfrutar
Vai a Miranda, e seus encantos confere
E seu centro histórico, poderás admirar

A cidade que viveu momentos apoteóticos
Sofreu duros revezes em seu destino
Na antiga entrada, um arco em forma gótica
Circundada por dois torreões,formam o trino

Hoje, é feliz, como quem por lá passeia
Sua gente tem muito orgulho e altivez
Seja a residente da cidade, ou da aldeia
Mormente, por ser um cidadão Mirandês !

*separação
** ausência de governo
***represa de águas

São Paulo, 03/09/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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👁️ 355

Sulcos pelo chão

Sulcos pelo chão


Ver-te-ei, ainda, certamente

Carpindo os momento de amargura

Se na vida, o ser não é prudente

Acaba colhendo da semeadura


Por isso, não sejas negligente

Age com dignidade e amor

Não deixes tua cruz aumentar

Tem fé e esperança no Criador


Se afeito às mágoas e sofrimento

Envolvido no ceticismo e dor

Tua vida, é verdadeiro tormento

O qual deves afastar pelo amor


Abduz de vez todo desalento

Sai da rua sombria d’amargura

Lá reside o desencantamento

E toda ilusão cria desventura


Se fraco ou exausto de lutar

Não ergas tu, um altar profano

E se um dia cansado de chorar

Lembra-te que um dia não faz ano


Mas, trezentos e sessenta e cinco, sim

Neles, procura a felicidade

O amor, com o cheiro de jasmim

E do passado, sentirás saudade !



São Paulo, 02/09/2014 (data da criação)

Armando A. C. Garcia


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👁️ 398

Escola Bendita !

Escola bendita !

Eu percorri mil caminhos

Em busca da paz e do amor

Sabe aonde os encontrei

Na palavra do Senhor

É este o caminho correto

De quem busca a felicidade

Não seja um analfabeto,

Na procura da verdade !

E nessa escola bendita

Encontrarás alegria

Ao que estuda e confia

Mundo novo descortina

Sê fiel, ama e perdoa

Fé em Deus e confiança

Mesmo que a alma te doa

Não percas a esperança

Tem afeição e carinho

Consola no sofrimento

Semeia luz no caminho

Terás certo o pagamento.


São Paulo, 05/09/2014 (data da criação)

ArmandoA. C. Garcia

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👁️ 395

Amor onírico

Amor onírico


Nos meus sonhos cor de rosa
Sempre sonhava contigo
Tu, a linda mariposa
Prometendo casar comigo


Os tempos foram passando
Tu, te afastando de mim
Os sonhos continuando
A mentir, com o teu sim !


E nessa onírica ilusão
Cegamente confiava
Nesse amor de perdição
Que fingindo me amava


A mente cria ilusões,
Que o coração aninha
São as chamadas paixões
De quem na neve caminha


Não lamento minha sorte,
Nem jogo pragas à vida
Porque sei que nem a morte
Cicatrizará a ferida !


São Paulo, 21/08/2014
Armando A. C. Garcia


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