Escritas

Lista de Poemas

A vida inteira ! (soneto)

A vida inteira ! (soneto)

Carreguei a vida inteira, este meu fardo
Fruto idílico de um amor passado
Que em chamas de amor ainda arde
E nem as cinzas, dão o fogo apagado.

Olha, do que o amor verdadeiro é capaz
Mesmo fazendo de ti, gato e sapato
Nunca deixarás de voltar atrás,
Ao giro das paixões, mesmo caricato.

Pois as asas das malvadas tentações,
Sempre ousarão tua vontade dominar
Acendendo e apagando dilações.

E mesmo assim, a velho coração resiste
A todas as vicissitudes, para amar
Do primeiro amor, a quem amar insiste !

São Paulo, 10/11/2015 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Gelada solidão

Gelada solidão

Nesta gelada solidão
Que vive o meu coração
Não há sol, nem esperança
Perdido pela lembrança,

Dos dias em que vivi
Junto, e ao lado de ti.
Era feliz e não sabia
Hoje, perambulo o dia

Sonhando poder voltar
Mas não te posso alcançar,
Estás mui longe de mim
Mas eu espero, mesmo assim !

Nesta gelada solidão
Que vive o meu coração
Sem teu amor, há tristeza
E o mundo perde a beleza

Trás de volta o teu amor
Tu és meu sol, meu calor
Tira-me desta solidão
Alegra o meu coração.

Tirar-me desta geleira
É só transpores a barreira
De teu orgulho pessoal,
E terás, um amor imortal !

São Paulo, 27/04/2018 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Reto retrato de: TU (soneto)

Reto retrato de: TU (soneto)


Tu és o amor a quem eu quero tanto
Tu, és a esperança que em mim renasceu
A luz que clareia o  meu caminho, enquanto
A alegria de meus dias só cresceu

Quando te encontrei, sorrindo no caminho
Tu, rosa sem espinho, perfumada
És a deusa do amor e do carinho
És a luz que ilumina minha estrada !

Tu, que és a expansão e o limite
O Omega e o alfa, a morte e a vida
A flor exótica, a onda em desafio

Tu. Que foste tudo isto em minha vida
Sou hoje, para ti um nada, um estalactite
Pendido do teto da caverna por um fio !

Porangaba, 10/02/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Por ti, (soneto quádruplo)

Por ti, (soneto quádruplo)


Por ti, só por ti, sofri amarguras
Mil atrocidades, desventuras
Por ti, só por ti, aguentei a dor,
Tão grande era, e foi o meu amor

Se lá do alto, nas penas da discórdia
Deus não teve por mim misericórdia
Ao menos as musas, com mais concórdia
Acompanharam minha trajetória

O amor primeiro, justo, verdadeiro
Sem pejo nem brio, no atoleiro
Tu jogaste, sem ao menos tê-lo

Amparado na dor alucinante
Que me rasgou a alma e o semblante
Pra hoje em ti, tornar-se pesadelo

II

Talvez seja alucinação minha
O amor que meu coração continha
Talvez seja o amargor da derrota
Da simbiose aurícula e marota

Talvez seja um lampejo de loucura
Num coração partido, impostura
Talvez seja, o querer que não se almeja
Ou o fútil desejo por quem seja

Talvez seja, a dor do sofrimento
Inútil que por ti, sem alento
Passei, sem nenhum merecimento

Com outro te encontrei, e o lamento
Da dor que gerou teu casamento
E até hoje envolve meu pensamento !

III

Amargura, dor e sofrimento
Foi tudo que me trouxe teu amor
Pra quem esperava nele o alimento
Encontrou, foi o calvário da dor

E se desse martírio consentido
Nenhuma outra coisa sobreveio
Não me considero arrependido
Da ilusão do amor que foi meu esteio

Na imensidão descomedida da dor
Tu, sempre foste meu grande amor
E peço a Deus que lá das alturas

Te dê alento nas sepulturas
Ao partires deste mundo,com pesar
Ao teres-me trocado, sem pensar !

IV

Um castelo de areia em minha mente
Criei com sonhos vãos de teu amor
Ao invés de pensar naturalmente
Deixei-me levar nas ondas, ao sabor

A vida, é a ilusão dos iludidos
Quimera panaceia de ilusões
De amores não correspondidos
Castelo de areia de paixões

Onde fenecem esperanças de amor
E os grilhões da inveja e da cobiça
Trescalam, tangenciando a dor

Que o infortúnio às vezes quer impor
Ao destino anêmico que atiça
Tal chaga que se alastra ao redor !

São Paulo, 19/01/2016 às 0,3 hs. (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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AMOR!

AMOR !

Teu amor, prende e me encanta
Teu rosto, é tal de uma santa
Teu olhar, a luz sagrada
Ao romper da madrugada

O teu corpo, sem igual
É como puro cristal
Me enlevo no que pressinto
Pelo amor que em ti sinto

Contemplando, mudo e quedo
Tão delicado brinquedo
Tremo e não me atrevo
A tocar no santo enlevo

Pôs-me Deus no teu caminho
P'ra ver se alcanço sozinho
A paz e a tranqüilidade
A alegria e a saudade

Não sei se tu, meu amor
Dás ao meu, igual valor
Descrevi, só o que vejo
No sonho de meu ensejo

Tem o efeito de um feitiço
Meu amor, eu sinto isso
Perdido nos desenganos
Das ondas dos oceanos

Tu, és mais do que eu mereço
Afeto de grande apreço
És primavera em flor
No mar vogando ao sabor

Quem me dera fosse estrela
Assim, eu poderia vê-la
Do azul cinzento dos céus
Da janela lá de Deus

Teu amor não se resume
Num brilhante vaga-lume
Mas na auréola sagrada
Que cobre a túnica *alvada

Oh! Princesa que saudade
Revolvo cinzas da idade
Esperanças que nutri outrora
Rolam dispersas agora

Mas o amor é tão insano
Ergue um altar ao desengano
Cruel dúvida que magoa
E o amor, tudo perdoa.

São Paulo, 23/09/2009
Armando A. C. Garcia

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* Correto : alvadia
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Amor; (soneto)

Amor; (soneto)


se é que esta palavra tem sentido
após intensa vivência amorosa,
como forma de sublimar o indefinido
de um momento pleno, cor de rosa

projeção impar da síntese perfeita
no apogeu magnético do amor
quando a palavra amor, se estreita,
dando lugar à rival, chamada dor !

sonhos projetados esvoaçando no ar.
no voo dum pensamento intermitente
alçado à lúbrica ceia, vagamente

nos *paroxismos que o desejo faz criar
no **hipocondríaco cérebro sedente
do amor, que ame, verdadeiramente !

*exaltação máxima de uma sensação
**tristeza profunda; melancolia

São Paulo, 10/06/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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O amor é chama ... (soneto duplo)

O amor é chama ... (soneto duplo)

O amor é chama que arde no peito
Sentimento que aquece permanente
Vida de contentamento a quem o sente
É viver num paraíso perfeito.

É fogo que não se apaga sutilmente
Esperança de carinho toda a vida,
É ter a confiança consentida
É dar a lealdade a quem consente.

Amor é o fruto deiscente que se abre
No esplendor da fausta primavera
Que por vezes toca noutra alma severa

É ficar preso sob a mira de um sabre,
Ou viver para servir a quem se ama,
Na cinza permanente dessa chama !

Porangaba, 08/02/2016 (data da criação)

Armando A. C. Garcia

O amor é fogo ...

O amor é fogo que arde sem queimar
É algo imaterial qu'a gente sente e não vê
É o despertar pra vida da alma e da fé
É um querer, impossível de deixar

É um contentamento de alegria
Sentimento impar de felicidade
É troca sincera de lealdade
É querer o que se quer, sem *astenia

É morrer pelo amor se precisar
É servir-lhe de guia na cegueira
É ter com quem dividir à sua beira

É contentar-se, mesmo descontente
Se a vida dói, fingir que não o sente,
E não deixar a chama se apagar !

Porangaba, 09/02/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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*debilidade; fraqueza



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A banalidade (soneto)

A banalidade (soneto)


Trago no peito entranhada a solidão
À minha alma, já falta inspiração
Esperanças, especulações e fantasia...
São hesitações do momento a cada dia.

A banalidade da indiferença
Sofrida com calma pela descrença,
Fez de mim um intrépido lutador,
Que nem na última gota, sente a dor

E se a dor, persistir em magoar,
Do meu peito, hei de a arrancar
E não serão os delírios do coração,  

Que irão impedir de eu controlar
Nem mesmo evitar de abortar
A intensidade dessa louca paixão !

São Paulo, 19/04/2017 (data da criação) 
Armando A. C. Garcia 

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DEUS

DEUS

Já caminhei pela terra
Já caminhei pelo mar
Subi montes, desci serra
Nunca pude te encontrar

Caminhei no Sol ardente
E até, na fria Lua
Fui do Norte ao Poente
Casa em casa, rua em rua

Caminhei anos sem fim
E não pude encontrar-te
- Caminhando lado a mim
Foi difícil de achar-te

Sempre Tu me orientavas
Não ouvia teus conselhos
Pensamentos, sem palavras
Achava coisa de velhos

Finalmente reconheço
Nos caminhos percorridos
Se pedras são um tropeço
São caminhos definidos

Hoje, sei onde encontrar-te
Já que caminho contigo
Estás na poesia e na arte,
TU, és meu melhor amigo.

São Paulo, 04/07/2011 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Amor cigano ! (soneto duplo)

Amor cigano ! (soneto duplo)


Momentâneo relâmpago de ventura
Entre teus braços, leda formosura
Juraste-me amor eterno, criatura !
- Foi só, naquele momento de ternura

Nesse encanto jucundo. Sem cautela,
Deixei enlear meu coração, oh! Bela
Sem perceber que caía na esparrela
De peito descoberto, em ti, donzela !

Por furtivo carinho, tão profundo
Rendi-me enfim a esse amor, fecundo
Que parecia o maior amor do mundo

Em face de teus mimos, ledo engano,
Passei a vida errante, qual cigano
Tentando esquecer, dia a dia, ano a ano !

II

Na vida, é paixão que o amor fomenta
Propensões da natureza; a tormenta
Punição cruel, que o instinto invade
Com a punição atroz da ansiedade

Monstro impassível de sôfrego interesse
Monstro sedento de férreo jugo, esse,
Que o ciúme ostenta de antigos ódios,
Com vícios, desses horrendos episódios

Vícios que o inferno abre e aferrolha
Nas vivas paixões em que se fomenta
Sem piedade ou clemência de quem olha .

Ao grande tribunal, prestará um dia
Justas contas, de oito a oitenta
Isento de ajustes e acrobacia !

Porangaba, 31/07/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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