Lista de Poemas
A Ingratidão !
A Ingratidão !
Certo dia um velho ancião
Foi jogado na rua, como um cão
Por seu filho. Oh! Vida ingrata.
-Apenas com duas algibeiras
Uma carregada de pão e a outra
Com vinte moedas de prata
A algibeira das moedas,
O velho devolveu ao filho
Já na condição de andarilho,
Disse-lhe; Guarda estas moedas.
- Para quando teu filho te despedir
Anexá-las, as que ele te der.
E assim partiu carregando
Apenas a algibeira de pão.
Andando, andando já cansado
Sentou-se à beira de um riacho
E ao saborear o pão sentiu
Um paladar diferente.
Como a fome e o cansaço
Eram grandes, comeu;
E o pedaço de pão que comeu
Seria o último de sua vida.
Pois logo sentindo fortes ânsias,
Ali entregava a alma ao criador !
São Paulo, 05/06/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Amor ; (soneto)
Amor; (soneto)
se é que esta palavra tem sentido
após intensa vivência amorosa,
como forma de sublimar o indefinido
de um momento pleno, cor de rosa
projeção impar da síntese perfeita
no apogeu magnético do amor
quando a palavra amor, se estreita,
dando lugar à rival, chamada dor !
sonhos projetados esvoaçando no ar.
no voo dum pensamento intermitente
alçado à lúbrica ceia, vagamente
nos *paroxismos que o desejo faz criar
no **hipocondríaco cérebro sedente
do amor, que ame, verdadeiramente !
*exaltação máxima de uma sensação
**tristeza profunda; melancolia
São Paulo, 10/06/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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De alma triste (soneto)
De alma triste (soneto)
De alma triste e coração contrito
Cheio de tédio, de dor consumido
Infelicidade que leva ao infinito
Caminhava na vida desiludido
O octogenário ancião, buscando abrigo
Na ânsia em que a morte o espreitava
Porém, ao pressentir esse castigo
Sorrindo vagamente, a Deus orava
Pedindo que na forma transitória
Deus lhe desse um lugar à sua mesa
Embora, não fosse essa a meritória
E Deus, que o escutava com certeza
Convidou-o ao banquete espiritual,
Dando-lhe um lugar à sua mesa !
São Paulo, 04/07/2011 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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O estupro coletivo
O estupro coletivo
A façanha cruel, que irrita a todos
É o preço da justiça praticada
Nem mesmo os temidos visigodos
Cometeriam tamanha *esborneada
Vergonha ! vergonha mundial
Brutalidade, selvajaria impar
Humilhação ao sentimento nacional
Que no instinto humano há de selar !
Acorda ! Legislador brasileiro
É hora de modificar a Lei Penal
Se existisse punição verdadeira
Certamente, afastaríamos esse mal.
Se não houver o braço forte da Lei
Pesando sobre as cabeças humanas
A sucessão de crimes medonhos pela grei
Ninguém obstará do mal essas chamas
Que continuarão a vilipendiar
Matar, roubar e também estuprar
Porque a lei é estelionatária
Vez que, a cem anos chega a condenar
Quando sabe a pena máxima de trinta anos
Dos quais, nem a metade chega a cumprir;
Porquê tantos enganos e desenganos?
Que punem, na verdade sem punir
Desta façanha cruel, minha gente
Não espere grande punição, vez que não há
No rigor da fraca lei quem a intente
Será punição, que a todos contradirá !
*orgia
São Paulo 28/05/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Certo dia o Capitão
Certo dia o Capitão
Certo dia o Capitão
que comandava o navio
Sentindo a solidão
Da rota fez um desvio
Foi aportar numa ilha
Deserta? qual ilusão !
Morava nela uma filha,
Naufraga doutro Capitão
Era jovem, esbelta, linda,
De uma exótica beleza,
Que igual, não vira ainda
Apesar, da nua singeleza
O Capitão, encantado
Rendeu-lhe consideração,
E ofereceu-lhe adequado
O traje, do sacristão
Com todo respeito e lisura
Levou-a à embarcação
E ofereceu à criatura
Sua cama, seu colchão
A moça, ali se banhou
Nos aposentos privados
E, também se perfumou
Deixando todos cativados
Quando ao espelho se mirou
Ela nem acreditava,
Pois quando ali naufragou
De menina, não passava !
Agora, mulher adulta
Expandindo horizontes
Meio ingênua, meio inculta
Rústica, como flores dos montes
Sentindo-se apaixonado,
O Capitão não relutou,
Ante o amor almejado
A naufraga, ali esposou !
Pra felicidade geral,
Sua prol foi aumentando
Num clima angelical
E o capitão no comando.
Seu navio, virou lar
Ante a esposa que encontrou
Continuaram a navegar,
Até que a velhice chegou.
São Paulo 07/08/2004 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Eu vejo...
Eu vejo...
Eu vejo a luz das estrelas
Brilhar em meu pensamento,
E entre as coisas mais belas
Surge o verso que sustento
Eu vejo no horizonte
Um raio cheio de luz
E como a água da fonte,
A figura de Jesus !
Eu vejo luzes clareadas
Salpicando pelo chão,
À tarde, às seis badaladas
Na hora da oração.
As fronteiras da decência
O homem as ultrapassou
E o Bom Deus, por clemência
Nenhuma praga lhe mandou
A tempera, da temperança
Forjada no real valor
É servil na liderança,
No mundo do Criador !
São Paulo 15/05/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Transmutações
Transmutações
Trago a mente aprisionada
Nas tempestades da vida
Minha alma está cansada
De caminhar nesta lida
As tormentas proliferam
A calma não se avizinha
Incoerências, desesperam
As esperanças que eu tinha.
Às transmutações da vida,
Ninguém passa indiferente
- É ferida, se removida
Ou chaga, se permanente !
São Paulo, 04/05/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Transmutações
Transmutações
Trago a mente aprisionada
Nas tempestades da vida
Minha alma está cansada
De caminhar nesta lida
As tormentas proliferam
A calma não se avizinha
Incoerências, desesperam
As saudades que eu tinha.
Às transmutações da vida,
Ninguém passa indiferente
- É ferida, se removida
Ou chaga, se permanente !
São Paulo, 04/05/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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...de um poeta
...de um poeta
O poeta revela ao mundo
Sem mundo e sua ilusão,
E nesse contexto profundo
Abre-lhe o seu coração.
O poeta não tem segredos
É espontâneo e altivo
Sua alma não tem medos
É loquaz, interativo
Tem uma visão apurada
Das coisas circunstanciais
Tem a mente equilibrada
Fonte das matriciais;
A simbiose do poeta
Simboliza amor e paz,
Se das letras, é um profeta
De espírito, é perspicaz !
São Paulo, 24/06/2013
Armando A. C. Garcia
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Medo de perder-te (soneto)
Medo de perder-te (soneto)
Na cândida candura de teus olhos
Posso ver a simbiose virginal
Onde incertezas saltam aos molhos
Como gotas d’orvalho matinal
Mal percebes instintos de desejo
És da bela primavera florida,
A flor mais bela, que na vida almejo
És o cândido amor de minha vida.
Mais doce é sentir-te convencida
D’ amor que floreia prados e boninas
Enfim, ao meu amor ver-te vencida
No doce desafio de querer-te.
Tu, que a minha alma já dominas
Vivo cheio de medo de perder-te !
São Paulo, 24/06/2013
Armando A. C. Garcia
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E poeta é qual vinho envelhecido
Em antigos tonéis de carvalho
Por alguns será bebido,
Por outros, só degustado !
São Paulo, 10/09/2009
Armando A. C. Garcia
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