Leopoldo María Panero

Leopoldo María Panero

1948–2014 · viveu 65 anos ES ES

Leopoldo María Panero foi um poeta espanhol associado à geração de "Novísimos", conhecida pela sua reinterpretação da tradição poética com influências de outras artes. A sua obra é marcada por um tom confessional, a exploração da marginalidade, da violência, da loucura e de temas existenciais, muitas vezes refletindo as suas próprias experiências de vida.

n. 1948-06-16, Leão · m. 2014-03-05, Las Palmas de Gran Canaria

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Hino a Satã

Tu que és tão somente
uma ferida na parede
uma marca na testa
que induz suavemente
à morte.
Tu ampara os fracos
melhor que os cristãos
tu vens dos astros
e odeias esta terra
onde miseráveis descalços
dão as mãos dia após dia
buscando entre a merda
a razão da vida;
Já que nasci do excremento
te amo
e amo pousar sobre tuas
mãos delicadas minhas fezes.
Teu símbolo era o cervo
o meu a lua
que a chuva desabe sobre
nossas faces
nos unindo num abraço
silencioso e cruel em que
como o suicídio, sonho
sem anjos nem mulheres
nu de tudo
menos do teu nome
dos teus beijos em meu ânus
e tuas carícias em minha cabeça calva
jorraremos vinho, urina
e sangue nas igrejas
presente dos bruxos
e sob os crucifixos
uivaremos.
:
HIMNO A SATÁN
Tú que eres tan sólo
una herida en la pared
y un rasguño en la frente
que induce suavemente
a la muerte.
Tú ayudas a los débiles
mejor que los cristianos
tú vienes de las estrellas
y odias esta tierra
donde moribundos descalzos
se dan la mano día tras día
buscando entre la mierda
la razón de su vida;
ya que nací del excremento
te amo
y amo posar sobre tus
manos delicadas mis heces.
Tu símbolo era el ciervo
y el mío la luna
que la lluvia caiga sobre
nuestras faces
uniéndonos en un abrazo
silencioso y cruel en que
como el suicidio, sueño
sin ángeles ni mujeres
desnudo de todo
salvo de tu nombre
de tus besos em mi ano
y tus caricias en mi cabeza calva
rociaremos con vino, orina y
sangre las iglesias
regalo de los magos
y debajo del crucifijo
aullaremos.
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Poemas

13

Inferno

“Ah a bandeira, a bandeira da carne que sangra
e as flores do ártico que não existe” Arthur Rimbaud
Não busqueis mais, já não tenho olhos
pois o olho é símbolo de Jesus Cristo e de Deus
e sou o cristal do inferno
o cristal para morrer tão solitário
para morrer na página delicada como o sofrimento
como a dor mais atroz que é o sofrer inexistente
o padecer na página que não existe.
:
INFERNO
A Strindberg
“Ah la bandera, la bandera de la carne que sangra
y las flores del ártico que no existen” Arthur Rimbaud
No busquéis más, ya que no tengo ojos
pues el ojo es símbolo de Jesuscristo y de Dios
y yo soy el cristal del infierno
el cristal para morir tan solo
para murir en la página delgada como el sufrimiento
como el sufrir más atroz que es el sufrir que no existe
el sufrir en la página
que no existe.
667

Nascimento de Jesus

Os cavalos em vento se transformam
o deserto entre minhas mãos nasce
o medo é Jesus Cristo entre meus olhos
estrela que no nada jaz
O medo diante da neve se ajoelha
o medo diante da escuridão é o nada
uma mulher que entre os homens nasce.
:
NACIMIENTO DE JESÚS
Los caballos en viento se mudan
el desierto entre mis manos nace
el miedo es Jesuscristo entre mis ojos
como una estrella que en la nada yace.
El miedo ante la nieve se arrodilla
el miedo ante lo oscuro es una nada
como una mujer que entre los hombres nace.
723

O que disse a virgem diante do fogo

Cai da mesa o vinho
o pão em migalhas pelas gargalhadas se converte também em vinho
uma mulher morta na cozinha recita diante do fogo
que não queima
lentamente o Evangelho do Sangue.
:
LO QUE DIJO LA VIRGEN FRENTE EL FUEGO
Cae de la mesa el vino
y el pan roto por la risa se convierte también en vino
y una mujer muerta en la cocina recita ante el fuego
que no quema
lentamente el Evangelio de la Sangre.
585

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