Lista de Poemas

A curiosa semelhança de família de todo filosofar indiano, grego e alemão tem uma explicação simples. Onde há parentesco lingüístico é inevitável que, graças a uma filosofia da gramática que lhes é comum — quero dizer, graças ao domínio e direção inconsciente por meio das mesmas funções gramaticais —, tudo esteja predisposto para uma evolução e uma seqüência similares dos sistemas filosóficos, assim como o caminho parece fechado a certas possibilidades outras de interpretação do mundo.

 

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Toda filosofia também esconde uma filosofia, toda opinião é também um esconderijo, toda palavra também uma máscara. […] Todo pensador profundo tem mais receio de ser entendido que de ser mal-entendido.

 

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O mundo precisa eternamente da verdade, e, assim, precisa eternamente de Heráclito, embora ele não careça do mundo. O que lhe importa sua glória! “A glória no meio dos mortais que passam sem cessar!”, como ele exclama desdenhosamente. Isto é algo para cantores e poetas, e também para aqueles que, antes dele, foram conhecidos como “homens sábios” — estes podem degustar o bocado mais saboroso do seu amor-próprio, para ele tal refeição era vulgar demais.

 

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O pensador não necessita da aprovação e dos aplausos, desde que esteja seguro de seus próprios aplausos: desses não pode prescindir. Existirão pessoas que dispensam esta ou qualquer espécie de aprovação? Duvido; e mesmo dos mais sábios dizia Tácito, que não era nenhum difamador de homens sábios: “ainda para os sábios o desejo de glória é o último de que desistem” — o que nele significa: nunca.

 

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Dada a natureza competitiva das vendas no mercado, o público é necessariamente o juiz dos produtos do trabalho. Mas o público não dispõe de nenhum conhecimento especializado particular e julga de acordo com a aparência de qualidade. Como resultado, a arte de produzir aparências (e talvez o gosto) está fadada a avançar sob o domínio do mercado competitivo, enquanto a qualidade dos produtos declina.

 

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O pensador ou artista que guardou o melhor de si em suas obras sente uma alegria quase maldosa ao olhar seu corpo e seu espírito sendo alquebrados e destruídos pelo tempo, como se de um canto observasse um ladrão a arrombar seu cofre, sabendo que ele está vazio e que os tesouros estão salvos.

 

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Este último bocado de vida foi o mais difícil que já tive de mastigar, e ainda é possível que engasgue nele. [...] Estou estirando cada fibra do meu autocontrole, mas vivi por demasiado tempo sozinho, alimentei-me em excesso de minha própria gordura, de modo que agora estou sendo dilacerado na roda de minhas próprias paixões como ninguém mais poderia ser. [...] Se eu não descobrir o truque dos alquimistas para transformar em ouro até mesmo essa imundície, estou perdido.

 

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Para a doença masculina do autodesprezo o remédio mais seguro é ser amado por uma mulher inteligente.

 

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É fácil as mães sentirem ciúme dos amigos de seus filhos, quando eles têm sucesso extraordinário. Habitualmente a mãe ama, em seu filho, mais a si mesma do que ao próprio filho.

 

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Não há no mundo amor e bondade bastantes para que ainda possamos dá-los a seres imaginários.

 

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Comentários (2)

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Jose Maltrata Femeas
Jose Maltrata Femeas

Bigode De Bombril???

amadoradepoeta

Que filósofo, que poeta, que homem!

Identificação e contexto básico

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 9 de outubro de 1844, em Röcken, Prússia (atual Alemanha), e faleceu em 25 de agosto de 1900, em Weimar, Alemanha. Foi um filósofo, filólogo clássico, crítico cultural, poeta e compositor alemão. É considerado um dos pensadores mais influentes e controversos da filosofia ocidental.

Infância e formação

Nietzsche nasceu numa família luterana. Seu pai, um pastor, faleceu quando ele tinha cinco anos, o que o marcou profundamente. Estudou filologia clássica na Universidade de Bonn e, posteriormente, na Universidade de Leipzig, onde foi aluno de Friedrich Ritschl. Em 1869, com apenas 24 anos, tornou-se professor de filologia clássica na Universidade de Basileia, na Suíça.

Percurso literário

Embora conhecido primariamente como filósofo, a escrita de Nietzsche possui um caráter literário notável, especialmente em sua fase madura. Sua obra "O Nascimento da Tragédia" (1872) já demonstrava um estilo vigoroso e apaixonado. Com "Assim Falou Zaratustra" (1883-1885), ele adotou um estilo profético e aforístico, que se tornou sua marca registrada. Outras obras importantes incluem "Para a Genealogia da Moral" (1887), "Além do Bem e do Mal" (1886) e "O Anticristo" (1895).

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Nietzsche é caracterizada por uma crítica feroz à moralidade judaico-cristã, à metafísica platônica e aos valores burgueses. Conceitos centrais em sua filosofia incluem a "morte de Deus", a "vontade de potência", o "eterno retorno" e o "super-homem" (Übermensch). Seu estilo é aforístico, poético, provocador e muitas vezes enigmático, desafiando convenções e convidando à reinterpretação constante. Ele valorizava a arte, a tragédia grega e a cultura dionisíaca como forças vitais.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Nietzsche viveu durante um período de grandes transformações na Europa, marcado pelo nacionalismo alemão, pela industrialização e pelo avanço científico. Foi contemporâneo de pensadores como Schopenhauer, Wagner e Marx. Sua obra reflete as tensões intelectuais e culturais de seu tempo, contestando as bases do pensamento ocidental e antecipando muitas das crises existenciais e morais do século XX.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Nietzsche teve uma vida marcada por problemas de saúde, incluindo enxaquecas e distúrbios digestivos. Suas relações interpessoais foram complexas, notadamente a amizade com Richard Wagner e a posterior ruptura. Passou grande parte de sua vida adulta viajando e vivendo em condições precárias, muitas vezes em solidão. Em 1889, sofreu um colapso mental do qual nunca se recuperou, vivendo os últimos anos de sua vida sob os cuidados de sua mãe e irmã.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Em vida, Nietzsche teve um reconhecimento limitado e muitas vezes mal compreendido. Sua filosofia foi posteriormente apropriada e distorcida pelo nazismo, embora essa apropriação seja amplamente criticada por estudiosos. Atualmente, é reconhecido como um dos filósofos mais importantes e originais, com vasta influência em diversas áreas do pensamento contemporâneo.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Nietzsche foi influenciado por filósofos como Schopenhauer e Heráclito, e por compositores como Wagner. Seu legado é imenso, influenciando correntes filosóficas como o existencialismo, o pós-estruturalismo e a psicanálise. Pensadores como Heidegger, Foucault, Derrida e Deleuze dialogaram extensivamente com suas ideias. Sua crítica à moralidade e sua celebração da vida continuam a ressoar.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Nietzsche é um campo fértil para interpretações diversas e por vezes contraditórias. Sua crítica à "morte de Deus" levanta questões sobre o niilismo e a necessidade de novos valores. O conceito de "super-homem" tem sido interpretado como um ideal de superação individual e coletiva. A "vontade de potência" é vista como a força motriz fundamental da vida.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Nietzsche era um pianista e compositor amador talentoso. Tinha uma admiração profunda pela música de Wagner, que posteriormente se transformou em crítica veemente. Ele se considerava um "médico" da cultura, visando diagnosticar e curar as "doenças" da modernidade. Sua escrita muitas vezes se assemelhava a um diário de pensamentos, com aforismos que eram pequenas obras de arte filosófica.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Após o colapso mental em 1889, Nietzsche viveu em um estado de demência até sua morte em 1900. Sua irmã, Elisabeth Förster-Nietzsche, assumiu a gestão de seus escritos, introduzindo alterações e interpretações que, segundo muitos estudiosos, distorceram o pensamento original do filósofo, especialmente em sua relação com o nacionalismo e o antissemitismo, temas que Nietzsche explicitamente condenava em cartas e escritos.