Lista de Poemas

O autor tem direito ao prefácio; mas ao leitor pertence o posfácio.

 

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Ah, o quanto me repugna impingir a outro meus pensamentos! Como me alegro de todo estado de ânimo e secreta mudança dentro de mim, em que os pensamentos de outros prevalecem diante dos meus! De vez em quando, porém, há uma festa ainda maior, quando é permitido distribuir seus bens espirituais, à maneira do confessor que se acha sentado no canto, ávido de que um necessitado venha e fale da miséria de seus pensamentos, para que ele possa lhe encher a mão e o coração e aliviar a alma inquieta!

 

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O infortúnio dos escritores lúcidos e claros é que os consideramos pouco profundos e, por isso, pouco esforço é empregado na sua leitura; e a boa fortuna dos escritores obscuros é que o leitor se ocupa bastante deles e lhes credita o prazer que obtém por meio de sua própria diligência.

 

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Aquele que explica uma passagem de um autor “mais profundamente” do que era a intenção da passagem não explica o autor, apenas o torna mais obscuro.

 

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O prazer de escrever como contrapeso do [prazer] de ler.

 

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Como pode alguém tornar-se um pensador sem passar pelo menos um terço do dia sem paixões, pessoas e livros?

 

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Muitos homens fracassam em se tornar pensadores somente porque a sua memória é demasiadamente boa.

 

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Onde os antigos homens colocavam uma palavra, acreditavam ter feito uma descoberta. Como é diferente a verdade! — eles haviam tocado num problema e, supondo que o tinham solucionado, haviam criado um obstáculo para a solução. — Agora, a cada porção de conhecimento com que nos deparamos temos de tropeçar em palavras mortas e petrificadas, e é mais fácil quebrarmos uma perna do que uma palavra.

 

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Deveríamos nos livrar, de uma vez por todas, da sedução das palavras!

 

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Por meio das palavras e dos conceitos nós somos continuamente tentados a pensar nas coisas como sendo mais simples do que são, como separadas umas das outras, como indivisíveis, cada uma existindo por e para si mesma. Existe uma mitologia filosófica escondida na linguagem , que a todo momento irrompe novamente, por mais cautelosos que sejamos.

 

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Comentários (2)

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Jose Maltrata Femeas
Jose Maltrata Femeas

Bigode De Bombril???

amadoradepoeta

Que filósofo, que poeta, que homem!

Identificação e contexto básico

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 9 de outubro de 1844, em Röcken, Prússia (atual Alemanha), e faleceu em 25 de agosto de 1900, em Weimar, Alemanha. Foi um filósofo, filólogo clássico, crítico cultural, poeta e compositor alemão. É considerado um dos pensadores mais influentes e controversos da filosofia ocidental.

Infância e formação

Nietzsche nasceu numa família luterana. Seu pai, um pastor, faleceu quando ele tinha cinco anos, o que o marcou profundamente. Estudou filologia clássica na Universidade de Bonn e, posteriormente, na Universidade de Leipzig, onde foi aluno de Friedrich Ritschl. Em 1869, com apenas 24 anos, tornou-se professor de filologia clássica na Universidade de Basileia, na Suíça.

Percurso literário

Embora conhecido primariamente como filósofo, a escrita de Nietzsche possui um caráter literário notável, especialmente em sua fase madura. Sua obra "O Nascimento da Tragédia" (1872) já demonstrava um estilo vigoroso e apaixonado. Com "Assim Falou Zaratustra" (1883-1885), ele adotou um estilo profético e aforístico, que se tornou sua marca registrada. Outras obras importantes incluem "Para a Genealogia da Moral" (1887), "Além do Bem e do Mal" (1886) e "O Anticristo" (1895).

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Nietzsche é caracterizada por uma crítica feroz à moralidade judaico-cristã, à metafísica platônica e aos valores burgueses. Conceitos centrais em sua filosofia incluem a "morte de Deus", a "vontade de potência", o "eterno retorno" e o "super-homem" (Übermensch). Seu estilo é aforístico, poético, provocador e muitas vezes enigmático, desafiando convenções e convidando à reinterpretação constante. Ele valorizava a arte, a tragédia grega e a cultura dionisíaca como forças vitais.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Nietzsche viveu durante um período de grandes transformações na Europa, marcado pelo nacionalismo alemão, pela industrialização e pelo avanço científico. Foi contemporâneo de pensadores como Schopenhauer, Wagner e Marx. Sua obra reflete as tensões intelectuais e culturais de seu tempo, contestando as bases do pensamento ocidental e antecipando muitas das crises existenciais e morais do século XX.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Nietzsche teve uma vida marcada por problemas de saúde, incluindo enxaquecas e distúrbios digestivos. Suas relações interpessoais foram complexas, notadamente a amizade com Richard Wagner e a posterior ruptura. Passou grande parte de sua vida adulta viajando e vivendo em condições precárias, muitas vezes em solidão. Em 1889, sofreu um colapso mental do qual nunca se recuperou, vivendo os últimos anos de sua vida sob os cuidados de sua mãe e irmã.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Em vida, Nietzsche teve um reconhecimento limitado e muitas vezes mal compreendido. Sua filosofia foi posteriormente apropriada e distorcida pelo nazismo, embora essa apropriação seja amplamente criticada por estudiosos. Atualmente, é reconhecido como um dos filósofos mais importantes e originais, com vasta influência em diversas áreas do pensamento contemporâneo.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Nietzsche foi influenciado por filósofos como Schopenhauer e Heráclito, e por compositores como Wagner. Seu legado é imenso, influenciando correntes filosóficas como o existencialismo, o pós-estruturalismo e a psicanálise. Pensadores como Heidegger, Foucault, Derrida e Deleuze dialogaram extensivamente com suas ideias. Sua crítica à moralidade e sua celebração da vida continuam a ressoar.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Nietzsche é um campo fértil para interpretações diversas e por vezes contraditórias. Sua crítica à "morte de Deus" levanta questões sobre o niilismo e a necessidade de novos valores. O conceito de "super-homem" tem sido interpretado como um ideal de superação individual e coletiva. A "vontade de potência" é vista como a força motriz fundamental da vida.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Nietzsche era um pianista e compositor amador talentoso. Tinha uma admiração profunda pela música de Wagner, que posteriormente se transformou em crítica veemente. Ele se considerava um "médico" da cultura, visando diagnosticar e curar as "doenças" da modernidade. Sua escrita muitas vezes se assemelhava a um diário de pensamentos, com aforismos que eram pequenas obras de arte filosófica.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Após o colapso mental em 1889, Nietzsche viveu em um estado de demência até sua morte em 1900. Sua irmã, Elisabeth Förster-Nietzsche, assumiu a gestão de seus escritos, introduzindo alterações e interpretações que, segundo muitos estudiosos, distorceram o pensamento original do filósofo, especialmente em sua relação com o nacionalismo e o antissemitismo, temas que Nietzsche explicitamente condenava em cartas e escritos.