Escritas

Lista de Poemas

THE SPEECH

Before a poor, ignorant crowd
A wild propagandist loud
Shrieked a socialistic speech,
But such pompous terms and thick,
Artistic, scientific
Went with each oratoric screech
That the crowd in silence heard
Wishing of course to applaud,
But expecting a strong word
They could understand, to laud.

«Procrastinators, banditti
Reactionary, servile,
Full‑considerately vile!ª
In this way, pompously witty
He talked and the crowd heard on.
«You», he continued, «each Don
Of financial bloated leer,
I excommunicate here
Before Justice throne severe;
You I detest, I abhor…»

Here a laugh applauding rough
The wide air from the crowd tore.
«That word», they cried in a roar,
«We understand well enough!»
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Let us rest. Every hour is not the next.

Let us rest. Every hour is not the next.
May this wreathe round with more than emptiness
The meaning of the ciphered living text
We owe to living and to thought confess.

Let us rest. Every hour is not the last.
A consolation comes from being late
Even at happiness, lest near winds blast
The present flower and fate still follow fate.

Let us rest. Power is useless and life vain.
To ask means to be answered with not giving.
To move towards pleasure is to walk on pain,
And having to live takes life out of living.

So there is no true thought nor just behest,
Nor pomp worthing having. Let us rest.
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O mistério supremo do Universo

O mistério supremo do Universo
O único mistério, tudo e em tudo
É haver um mistério do universo,
É haver o universo, qualquer cousa,
É haver haver. Ó forma abstracta e vaga
Que tão corrente haver em mim demora
Que pensar isto é-me no corpo um frio
Que sopra d'além terra e d'além-túmulo
E vai da alma a Deus.
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O Suspiro do mundo: - Vida, morte,

Vida, morte,
Riso, pranto
É o manto
Que me cobre.
Natureza,
Amor, beleza,
Tudo quanto
A alma descobre.

O Mistério
Deste mundo
Teu profundo
Olhar leu;
D'além dele —
Cerra a alma
De pavor! —
Venho eu.
Nada, nada
Já acalma
Tua dor.
Tu bem sabes
Ser minha voz
Mais atroz
De mudo horror
No que não diz,
E só tu sentes
E compreendes.
Cerra, infeliz
Cerra a (tua) alma
Ao meu pavor!

(Fausto, com os olhos fechados, encolhido na cadeira, treme como que dum grande frio.)
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Quando me deste os bons-dias

Quando me deste os bons-dias
Deste-mos como a qualquer.
Mais vale não dizer nada
Do que assim nada dizer.
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Quando eu era pequenino

Quando eu era pequenino
Cantavam para eu dormir.
Foram-se o canto e o menino.
Sorri-me para eu sentir!
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A tua saia, que é curta,

A tua saia, que é curta,
Deixa-te a perna a mostrar:
Meu coração já se furta
A sentir sem eu pensar.
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Fausto no seu laboratório

FAUSTO: (só)
Ondas de aspiração que vãs morreis
Sem mesmo o coração e alma atingir
Do vosso sentimento; ondas de pranto,
Não vos posso chorar, e em mim subis,
Maré imensa rumorosa e surda,
Para morrer na praia do limite
Que a vida impõe ao Ser; ondas saudosas
D'algum mar alto Aonde a praia seja
Um sonho inútil, ou d'alguma terra
Desconhecida mais que a eterna aura
Do eterno sofrimento, e onde formas
Dos olhos d'alma não imaginadas
Vagam, essências lúcidas e (...)
Esquecidas daquilo que chamamos
Suspiro, lágrima, desolação;
Ondas nas quais não posso visionar,
Nem dentro em mim, em sonho, barco ou ilha,
Nem esperança transitória, nem
Ilusão nada da desilusão;
Oh ondas sem brancuras, asperezas,
Mas redondas, como óleos e silentes
No vosso intérmino e total rumor...
Oh ondas d'alma, decaí em lago
Ou levantai-vos ásperas e brancas
Com o sussurro ácido da espuma
Erguei em tempestades no meu ser.
Vós sois um mar sem céu, sem luz, sem ar
Sentido, visto não, rumorejante
Sobre o fundo profundo da minha alma!
Lágrimas, sinto em mim vosso amargor!
Não vos quero chorar. Se vos chorasse
Como chegar — tantas! — ao vosso fim?
Chegado ao vosso fim que encontraria?
Talvez uma aridez desesperada
Uma ânsia vã de não poder trazer-vos
Outra vez para mim para chorar-vos
Em vã consolação inda outra vez!

Não haver alma, inda ideia vã!
Havê-la e imortal, sonho pequeno
De término[?], embora coerente
À sua pequenez. Que mais? Havê-la,
Havê-la e ser mortal, morrer num Todo
Celeste? Vago, vão. Não haverá
Além da morte e da imortalidade
Qualquer cousa maior? Ah, deve haver
Além de vida e morte, ser, não ser,
Um Inominável supertranscendente
Eterno Incógnito e incognoscível!
Deus? Nojo. Céu, inferno? Nojo, nojo.
P'ra quê pensar, se há-de parar aqui
O curto voo do entendimento?
Mais além! Pensamento, mais além!
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42 - THE FORESELF

I had a self and life
        Before this life and self.
When the moon makes woods rife
        With possible fay or elf,
There comes in me a dreaming
That is like a light gleaming
        Somewhere in me away,
On seas that I have known
And placeless lands that own
        Another kind of day.

I dream, and as a blast
        Fans into fire an ember,
My heart gleams with a past
        That I cannot remember.
And as the ember's glowing
Is not fire but fire's showing,
        I waste the empty pelf
Of my mute sense of me.
As rain within the sea
        I fade within myself.

There are mazes of I.
        I am my unknown being.
I have, I know not why,
        Another kind of seeing
(Other than this vain vision
That is my soul's division
        From what girds sight about)
Where to see is to know,
Whose life is faith, and woe
        Fled by the hand of Doubt.

My life has happy hours:
        'Tis when I feel not living;
And, as the scent of flowers
        Round flowers a flower‑soul weaving
That is a corporate spirit,
From myself I inherit,
        My soul's blood's spirit‑air,
A foreself and inself
Which is the being‑pelf
        That with God's loss I share.
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Why do I desire

Why do I desire
What I do not need?
Why does my soul, like fire,
Or a hot abstract greed,
Seek all that is higher?

Why, if not because
It is a soul? (...)
Who can know the cause
When it lies in its whole
Hidden in (...) laws?

Yet this matters not.
What matters is pining
And that stress of thought
That comes of divining
What to wish that may not be got.
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Comentários (17)

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Gabriel
Gabriel
2025-09-17

What?

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-07-27

Simplesmente um pensador ( tão grande) pois todos nós temos máscaras, nossos sentimentos são todos ocultos na nossa eterna alma. fantástico este texto para sua época vivida.

rodrigl
rodrigl
2023-12-01

cmt

tomaslopes
tomaslopes
2023-06-23

O maior e mais pensador poeta para a sua antiga época. O maior e mais revolucionista da literatura portuguesa, com os seus poemas e textos que enchem a alma de pensamentos. Tem um forma única de se expressar e ditar o que vem da sua alma, como ele dizia " Quem tem alma não tem calma".

mcegonha
mcegonha
2023-04-21

O profeta dos poetas!