Escritas

Lista de Poemas

Cantos, risos e flores alumiem

Cantos, risos e flores alumiem
        Nosso mortal destino,
Para o ermo ocultar fundo, nocturno
        De nosso pensamento,
Curvado, já em vida, sob a ideia
        Do plutónico gozo,
Cônscio já da lívida esperança
        Do caos redivivo.
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Com que vida encherei os poucos breves

Com que vida encherei os poucos breves
Dias que me são dados? Será minha
        A minha vida ou dada
        A outros ou a sombras?
À sombra de nós mesmos quantos homens
Inconscientes nos sacrificamos,
        E um destino cumprimos
        Nem nosso nem alheio!
Ó deuses imortais, saiba eu ao menos
Aceitar sem querê-lo, sorridente,
        O curso áspero e duro
        Da estrada permitida.
Porém nosso destino é o que for nosso,
Que nos deu a sorte, ou, alheio fado,
        Anónimo a um anónimo,
        Nos arrasta a corrente.
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Vem Orfeu, uma sombra

Vem Orpheu, uma sombra
Que traz nas mãos um vago filho — a lira.
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5 - GOBLIN DANCE

First there was but the moon
        And the black‑tramelled trees
In the lunar lagoon
        Of the forgotten breeze.

Then some unseen thing stirred
        Where the moon‑silence snowed
And a vague whirl unheard
        Vacantly tip‑toed.

Slowly, idly, alone,
        Beyond the eyes of sight,
Somewhere invisibly shown,
        They danced their delight.

Their far vagueness wound
        Round the heart a pain,
A phantom fear found
        Voluble and vain.

The heart remembered lives
        Before loves and homes,
Whose rare memory revives
        Only when this dance comes.

A wish for a vague thing soon,
        A loosened sense of selves,
A thing in the soul like moon,
        Aught in the hopes like elves -

Tip‑toe aerial gliding
        Shadow‑lunar blent,
Bending, mingling, hiding,
        To and fro they went.

Left and right, belonging
        To no place, they swayed.
A low pipe, like longing,
        To their dancing played.

There, in the silence dropped
        Like a thing on the ground,
Whirled they awhile, then stopped,
        Then renewed their round,

Till with their slowing turns
        The cold air grows more bare.
Then the mere moonlight returns
        And there had been nothing there.
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Tua boca me diz sim,

Tua boca me diz sim,
Teus olhos me dizem não.
Ai, se gostasses de mim
E sem saber a razão.
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Não torna ao ramo a folha que o deixou,

Não torna ao ramo a folha que o deixou,
Nem com seu mesmo pó se uma outra forma.
O momento, que acaba ao começar
        Este, morreu p'ra sempre.
Não me promete o incerto e vão futuro
Mais do que esta iterada experiência
Da mutada sorte e a condição deserta
        Das cousas e de mim.
Por isso, neste rio universal
De que sou, não uma onda, senão ondas,
Decorro inerte, sem pedido, nem
        Deuses em quem o empregue.
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No dia de Santo António

No dia de Santo António
Todos riem sem razão.
Em São João e São Pedro
Como é que todos rirão?
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Grinalda ou coroa

Grinalda ou coroa
É só peso posto
Na fronte antes limpa.

Grinalda de rosas,
Coroa de louros,
A fronte transtornam.

Que o vento nos possa
Mexer nos cabelos,
Refrescar a fronte!

Que a fronte despida
Possa reclinar-se,
Serena, onde durma.

Cloé! Não conheço
Melhor alegria
Que esta fronte lisa.
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Baila o trigo quando há vento

Baila o trigo quando há vento
Baila porque o vento o toca
Também baila o pensamento
Quando o coração provoca.
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OH, SOLITARY STAR

Oh, solitary star, that with bright ray
Lookst from the bosom of envolving night,
Loveliest that none contests thy spaceful way
Now when with rivals is the sky not dight.

Vouch safe on me to keep thy tiny stare
Blinking at night as if in sleepy joy,
Or as the sleepy eyes of some young fair
Who chides their closing to her thought's warm toy.

That there are other stars I well do know
And others that may shine more bright and true;
And yet I wish them not, for one doth so
Outwit decision and attention sue.

And if from this thou can no lesson learn.
Much hast thou spurned that Goodness may not spurn
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Comentários (17)

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Gabriel
Gabriel
2025-09-17

What?

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-07-27

Simplesmente um pensador ( tão grande) pois todos nós temos máscaras, nossos sentimentos são todos ocultos na nossa eterna alma. fantástico este texto para sua época vivida.

rodrigl
rodrigl
2023-12-01

cmt

tomaslopes
tomaslopes
2023-06-23

O maior e mais pensador poeta para a sua antiga época. O maior e mais revolucionista da literatura portuguesa, com os seus poemas e textos que enchem a alma de pensamentos. Tem um forma única de se expressar e ditar o que vem da sua alma, como ele dizia " Quem tem alma não tem calma".

mcegonha
mcegonha
2023-04-21

O profeta dos poetas!