As Condições
atualmente, sob as condições do sol
meu mundo está terminando.
marcado pelo verme,
contestado por uma população mundial
que a mim não tem referência.
atualmente, sob as condições do sol
meu mundo está terminando.
meus amigos, quase nunca houve
um tempo amável.
demonstrei coragem, bebedeira e
medo.
o coração segue funcionando
em meio ao terror inquestionável.
sob as condições do sol
preparo-me para largar
o labor, a dor e qualquer
honra que reste.
Poema Para Dante
Dante, bebê, o Inferno
é aqui agora.
eu queria que você pudesse
ver. por certo tempo
tivemos o poder de
explodir a terra
e agora estamos descobrindo
o poder de abandoná-
la. mas a maioria terá de
ficar e
morrer. ou pela Bomba
ou então pelo refugo de ossos
empilhados
e outros recipientes vazios,
e merda e vidro e fumaça,
Dante, bebê, o Inferno
é aqui agora.
e as pessoas ainda contemplam rosas
pedalam bicicletas
batem relógio de ponto
compram casas e pinturas e carros;
as pessoas continuam a
copular
em todos os lugares, e os jovens olham em volta
e gritam
que este deveria ser um lugar melhor,
como sempre fizeram,
e aí ficaram velhos
e entraram no mesmo jogo sujo.
só que agora
todos os jogos sujos dos séculos
se somaram a um placar que parece quase
impossível de reverter.
alguns ainda tentam –
nós os chamamos de santos, poetas, loucos, tolos.
Dante, bebê, ó Dante, bebê,
você devia ver a gente
agora.
29 Uvas Geladas
o processo de aprender é tortuoso
todos esses moinhos de vento
toda essa transição sangrenta
pias tampadas
mentes de papel higiênico
a mentira do amor, aquela puta pelada
cães com mais almas do que aqueles milionários de Pittsburgh
homens arruinados que achavam a graça mais eterna do que astuciosa
o processo de viver é curto demais e longo demais
longo demais para os velhos que nunca descobrem
curto demais para os velhos que descobriram
prematuro demais para os jovens que nunca sabem
excessivo demais para os jovens que descobrem
o processo de continuar é possível
com ajuda de álcool ou droga ou sexo
ou ouro ou golfe ou música sinfônica,
ou caça de cervos ou aprender a dançar a galinha maluca
ou ver um jogo de beisebol ou apostar num cavalo
ou tomar 6 banhos quentes por dia
ou insistir na ioga
ou virar um batista ou um violonista
ou ganhar uma massagem ou ler os quadrinhos
ou se masturbar ou comer 29 uvas geladas
ou discutir sobre John Cage ou ir ao zoológico
ou fumar charutos ou mostrar seu peru para garotinhas no parque
ou ser negro e comer uma garota branca
ou ser branco e comer uma garota negra
ou passear com um cão ou alimentar um gato ou xingar aos gritos uma criança
ou fazer as palavras cruzadas ou sentar no parque
ou frequentar faculdade ou pedalar uma bicicleta ou comer espaguete
ou ir a leituras de poesia ou ler poesia em público
ou ir ao cinema ou votar ou viajar à Índia ou
Nova York ou surrar alguém
ou polir prataria ou lustrar os sapatos
ou escrever uma carta ou encerar o carro
ou comprar um carro novo ou um tapetinho
ou uma camisa vermelha com bolinhas brancas
ou deixar crescer a barba ou cortar rente o cabelo
ou ficar parado na esquina suando com cara de inteligente
o processo de continuar é possível.
o processo de aprender é tortuoso
todas as pessoas sem esperança
e sem jamais saber
a flor silvestre é o tigre que comanda o universo
o tigre é a flor silvestre que comanda o universo
e as loucas e incomparáveis criaturas humanas com almas de barata
que sou chamado a amar e odiar e ter em convívio,
essas deverão verdadeiramente um dia sumir
na força de dinossauro de sua feiura
para que o sol não se sinta tão mal assim
para que o mar possa expelir os navios e o óleo e a merda
para que o céu possa se limpar da mesquinha cobiça delas
para que a noite possa se distinguir do dia
para que a traição possa virar o mais ínfimo dos anacronismos
para que o amor, provável iniciador de tudo, possa ter outro início
e durar e durar e durar e durar e durar e durar e
durar e durar e durar e durar
Canção de Blues
perdão pelo território do meu pranto –
é impróprio, eu sei,
talvez até
hostil
mas o bacon está queimando
o bacon está queimando
noites altas
armadas com metralhadoras
circundam minha tonta e covarde
cama
o bacon
está
queimando
então limpemos nossos tolos
traseiros
finjamos que somos coisas
agradáveis e significativas
não é esse o som
para tentar lograr
o truque mais sujo de
todos?
Abundância Sobre a Terra
todos esses aí,
abundância sobre a terra,
dando aula de inglês nas universidades
e escrevendo
poesia
sem perna
sem cabeça
sem umbigo
sabendo onde se candidatar para
bolsas e
ganhando as bolsas e
mais bolsas
e escrevendo mais
poesia
sem mão
sem cabelo
sem olho
todos esses aí,
abundância sobre a terra,
encontraram um esconderijo
e conquistaram até mesmo esposas para
atrelar a suas bobas
almas
esses aí
fazem viagens pagas
às ilhas
à Europa
Paris
qualquer lugar
com o propósito
segundo se diz
de colher
material
(para o México eles simplesmente correm por conta própria)
enquanto as cadeias estão superlotadas com os
inocentes extraviados
enquanto os trabalhadores braçais descem
nas minas
enquanto filhos idiotas dos pobres
são demitidos de empregos nos quais
esses aí
jamais sujariam suas mãos e
almas
esses aí,
abundância sobre a terra,
se juntam nas universidades
leem seus poemas uns
para os outros
leem seus poemas para
os estudantes
esses aí
fingem sabedoria e
imortalidade
controlam as publicações
abundância sobre a terra
enquanto se formam as filas nas prisões para semijantares
enquanto 34 trabalhadores braçais estão presos numa
mina
esses aí
embarcam num navio para uma ilha do mar do sul
para compilar uma antologia
poética dos
amigos
e/ou
aparecem em manifestações antiguerra
sem sequer fazer ideia
do significado de qualquer espécie
de guerra
abundância sobre a terra
eles estão desenhando um mapa da nossa
cultura –
uma divisão do zero,
uma multiplicação de
despropositada
graça
“Robert Hunkerford dá aula de inglês na
S.U. Casado. 2 filhos, cão de estimação.
Esta é sua primeira coletânea de
versos. Trabalha atualmente numa
tradução dos poemas de
Vallejo. O sr. Hunkerford foi agraciado
com um Sol Stein no ano passado.”
esses aí,
abundância sobre a terra,
dando aula de inglês nas universidades
e escrevendo
poesia
sem pescoço
sem mão
sem colhões
esse é o modo e o costume
e o motivo pelo qual as pessoas
não entendem
as ruas
o verso
a guerra
ou
suas mãos sobre a
mesa
nossa cultura está escondida nos sonhos rendados de
nossas aulas de inglês
nos vestidos rendados de nossas aulas
de inglês
aulas americanas,
é disso que precisamos,
e poetas americanos
das minas
das docas
das fábricas
das cadeias
dos hospitais
dos bares
dos navios
das usinas siderúrgicas.
poetas americanos,
desertores de exércitos
desertores de manicômios
desertores de esposas e vidas sufocantes;
poetas americanos:
sorveteiros, vendedores de gravata, jornaleiros de esquina,
armazenistas, estoquistas, mensageiros,
cafetões, operadores de elevador, encanadores, dentistas, palhaços, passeadores
de cavalos, jóqueis, assassinos (temos ouvido falar dos
assassinados), barbeiros, mecânicos, garçons, carregadores de hotel,
traficantes, pugilistas, bartenders, outros outros
outros
até que estes apareçam
nossa terra permanecerá
morta e envergonhada
a cabeça guilhotinada
e falando aos estudantes
na aula de Inglês II
essa é a sua cultura
mas não a
minha.
Algo Sobre a Ação:
aquele
desastre de trem em Nova York foi
algo
bem perto do Natal, não,
Ação de Graças
corpos empilhados com ketchup &
sem falar nada –
depois a faca bolo
nas Filipinas
atacando a mulher
do presidente no palco
câmeras de tv ligadas
ela caiu para trás
ele talhava;
3 dedos quebrados e 75 pontos depois
ela vai se recuperar
ex-rainha de concurso de beleza
ela não será
tão bela assim
agora & então
3 guardas balearam o nojento filho da
puta com a
bolo –
a esposa de um cara disse que ia
largá-lo de uma vez
por todas
então ele disse
“deixa eu passar aí e
a gente tenta resolver”, e
passou lá e os dois
tentaram resolver e
ela disse
“não”, e
ele sacou uma arma e estourou
metade da cabeça dela
então
matou o menino
2 anos de idade
a menina
4 anos de idade
matou
a irmã da esposa
quando ela entrou correndo pela
porta (ela
estava regando as flores
lá fora)
e então ele
foi até a rua e atirou no
primeiro cara que viu
então
pegou a arma e estourou sua
própria
cabeça pela
metade –
um cara
ele devolveu a vida a um homem
morto
tirou o homem direto da tumba
ora
isso sim é de tirar o chapéu e ele também
caminhou sobre a ÁGUA (não o cara
que ganhou a vida de volta mas o
outro cara) &
ele também curou
leprosos &
fez cegos
enxergarem, e
ele disse
Amem uns aos outros e
Acreditem,
aí ele foi pregado
na madeira com grandes
cravos &
ele foi embora e nunca mais
voltou –
um dos homens mais
sábios, ah, ele era
supersábio
ainda dá pra lê-lo
hoje
ele ainda é um cara
bom e sábio de ler
mas certos rapazes
do governo ficaram
incomodados
alegaram principalmente que ele estava corrompendo a
juventude
e o
prenderam
numa cela &
lhe ofereceram um copo de
cicuta que
ele aceitou.
não sei ele
provou o que queria
ele nunca
voltou
tampouco
mas ele está
na biblioteca, seja como for, todo
mundo precisa ir embora, é o que
dizem –
depois
havia uma
belezura
ela
fazia curativos nos
soldados e
cantava cançõezinhas para
eles e
talvez os beijasse atrás das
orelhas
não sei bem o que deu errado
ali, algum
desentendimento, eles
empilharam a lenha
embaixo dela
mandaram brasa
queimaram-na
viva, Joana d’Arc, que grande
puta –
depois
havia um
pintor
ele
pintava como uma criança mas
ele era um
homem
e dizem que
ele pintava superbem
mas ele mal sabia
misturar
as tintas
mas ele sabia
pintar o sol ele o fazia
rodopiar na tela, e
as flores
elas rodopiavam
e as pessoas dele sentavam em cima de
mesas
as pessoas dele sentavam bem esquisitas
em cima de mesas e em
cadeiras, e
os contemporâneos
zombavam dele
e as crianças
jogavam pedras e quebravam suas
janelas,
e o que as pessoas mais lembram
a seu respeito era que ele
cortou fora sua
orelha e a deu para uma
puta, não
Joana d’Arc,
não sei o nome
dela, e
ele saiu pelos campos e
sentou em seu rodopiante
sol e
se matou.
agora você até pode ser capaz de
comprar um Cadillac
mas duvido que você possa
comprar
qualquer uma das pinturas que ele
deixou
para trás, ele era
superbom
pelo que dizem –
depois de 2 e meio
anos de
casamento
então divórcio
minha ex-
esposa me escreveu todos os
Natais por
8 anos,
textinhos um tanto longos:
mas principalmente:
ela dizia:
tenho 2 filhos
agora
meu marido
Yena é muito
sensível,
escrevi um livro sobre
incesto
outro sobre padrões de comportamento infantil
ainda procurando uma
editora
Yena se mudou para São
Francisco talvez eu
volte para o Texas
mãe morreu
2 livros das minhas histórias infantis foram
aceitos
o menino mais velho é muito parecido com
Yena
ainda estou pintando
você sempre gostou das minhas
pinturas mas pintar tira tanto
de mim
ainda estou dando aula em escola pública
eu gosto
tivemos uma tempestade por aqui neste
inverno
absolutamente
trancados por 2
semanas
sem saída por todos os lados
sentados quietinhos e
esperando
barbara
depois de 8 anos ela parou
de escrever
os Natais voltaram ao
normal e
eu limpei a cera
dos meus
ouvidos.
55 Camas Na Mesma Direção
essas meias-noites brilhantes
cobras de gabardine passando através
de paredes, sons
interrompidos por batidas de carros de bêbados em
carros de dez anos de idade
você sabe que sujou de novo e depois
de novo
é nessas meias-noites brilhantes
em meio à luta contra mariposas e minúsculos
mosquitos,
sua mulher atrás de você
se retorcendo nos cobertores
pensando que você não a ama mais;
não é verdade, claro,
mas as paredes são familiares e
já gostei de paredes
já louvei paredes:
me dá uma parede que eu te dou um caminho –
isso é tudo o que pedi em
troca. mas acho que eu queria dizer:
eu te dou o meu
caminho.
é muito difícil escrever um
soneto enquanto você dorme num albergue noturno com
55 homens roncando
em 55 camas todas elas apontadas na mesma direção.
vou contar o que eu pensava:
esses homens perderam tanto a chance quanto a
imaginação.
dá pra descobrir tanto sobre os homens pelo
modo como eles roncam quanto pelo modo como eles
andam, mas por outro lado
nunca fui grande coisa nos sonetos.
mas outrora eu achava que encontraria todos os grandes homens na
rua da amargura,
outrora eu achava que encontraria grandes homens por lá
homens fortes que haviam descartado a sociedade,
em vez disso encontrei homens que a sociedade havia
consumido.
eles eram embotados
ineptos e
ainda
ambiciosos.
os chefes me pareceram mais
interessantes e mais vivos dos que os
escravos.
e isso não era muito romântico. costumamos gostar mais de coisas
românticas.
55 camas apontadas na mesma
direção e
eu não conseguia dormir
minhas costas doíam
e havia uma sensação invariável na minha
testa como um pedaço de
chapa de metal.
realmente não era muito terrível mas de certo modo
era muito impossível.
e eu pensei,
todos esses corpos e todos esses dedos nos pés e todas
essas unhas e todos esses pelos nos
cus e todo esse fedor
imaculada e aceita malhação das
coisas,
não podemos fazer algo a respeito?
sem chance, veio a resposta, eles não
querem.
então, olhando tudo em volta
todas aquelas 55 camas apontadas na mesma
direção
eu pensei,
todos esses homens foram bebês um dia
todos esses homens foram fofinhos e
rosados (com exceção dos pretos e dos amarelos
e dos vermelhos e dos outros).
eles choravam e sentiam,
tinham um caminho.
agora viraram
sofisticados e
fleumáticos
indesejados.
eu
saí.
eu me meti entre 4 paredes
sozinho.
eu me dei uma brilhante
meia-noite. outras meias-noites brilhantes
chegaram. não era tão
difícil.
mas se eles tivessem estado lá:
(aqueles homens) eu teria ficado lá com
eles.
se isso puder poupar você dos mesmos anos de erro
permita-me:
o segredo está nas paredes
ouvir um pequeno rádio
enrolar cigarros
beber
café
cerveja
água
suco de uva
uma lâmpada ardendo perto de você
tudo vem de arrasto –
os nomes
a história
um fluxo um fluxo
o olhar da psique de cima pra baixo
o efeito zunidor
a queima de macacos.
as brilhantes paredes da meia-noite:
não há como parar nem mesmo quando sua cabeça rola
embaixo da cama e o gato enterra
as fezes.
Verrugas
eu me lembro melhor da minha vó
por causa de todas as verrugas dela
ela tinha 80 anos e as verrugas eram
enormes
eu não conseguia tirar os olhos de suas
verrugas
ela vinha para Los Angeles todos os domingos
de ônibus e bonde desde Pasadena
sua conversa era sempre a mesma
“eu vou enterrar todos vocês”
“você não vai me enterrar”,
meu pai dizia
“você não vai me enterrar”,
minha mãe dizia
então sentávamos para um jantar
dominical
depois da despedida minha mãe dizia
“eu acho terrível o jeito como ela fala
que vai enterrar todo mundo.”
mas eu até que gostava
dela sentada ali
coberta de verrugas
e ameaçando enterrar todos
nós
e quando ela comia o jantar
eu observava a comida entrando em sua boca
e olhava suas
verrugas
eu a imaginava indo ao banheiro
e limpando o traseiro
e pensando,
eu vou enterrar todo mundo
o fato de que ela não enterrou
foi até meio triste para
mim
certo domingo ela simplesmente não estava
lá, e foi um
domingo bem mais chato
outra pessoa teria que
nos enterrar
a comida mal tinha gosto
também
Meus Novos Pais
(para o sr. e a sra. P.C.)
ele tem 60 anos. ela tem 55. eu tenho 53.
nós sentamos e bebemos na cozinha
deles. esvaziamos nossas cervejas de um litro
e fumamos um cigarro atrás do outro.
somos bebuns bobos. as horas voam.
discutimos religião, futebol,
estrelas de cinema.
digo a eles que eu poderia ser uma estrela de cinema.
ele me diz que é uma estrela de cinema.
um rádio vermelho toca música atrás
de nós.
“vocês são os meus novos pais”, digo a eles.
eu me levanto e beijo ambos
no alto da cabeça.
ele tem 60 anos. ela tem 55. eu tenho 53.
meus novos pais.
eu ergo meu litro de cerveja:
“eu compro da próxima vez, o trago é por minha conta
da próxima vez.”
eles não respondem.
“vou estar de volta em meados de janeiro,
vou trazer um presente, vou trazer um presente
valendo uns 14 dólares.”
“como estão os seus dentes?”, ele pergunta.
“estão bem, o que restou deles.”
“se precisar de dentes procure a U.S.C.
Medical School.”
ele põe a mão dentro da boca
tira uma dentadura, depois a
outra. ele as coloca na
mesa. “olha só esses dentes, não se acha
coisa melhor do que esses aí. U.S.C. Medical
School.”
“você consegue comer qualquer coisa?”, pergunto.
“qualquer coisa que se mexer”, ele diz.
logo ele adormece
cabeça sobre os braços. ela me acompanha até a
porta.
dou o beijo de boa noite na minha mãe.
“você me dá tesão, seu filho da puta”, ela
diz.
“ora, mamãe”, digo eu, “não fale desse jeito.
o bom Deus está escutando.”
ela fecha a porta e eu desço a
entrada da garagem
bêbado ao luar.
Desculpa Para Uma Possível Imortalidade
se não conseguirmos fazer literatura com nossa
agonia
o que é que faremos com
ela?
mendigar nas ruas?
eu gosto dos meus pequenos confortos
igual a qualquer outro
filho da
puta.