Kanienga L. Samuel - José

Kanienga L. Samuel - José

Técnico de Construção Civil, Poeta e Pensador. Percorro as veredas do conhecimento com muito amor, paciência e prudência, para não tropeçar e cair no abismo da ignorância.

1998-03-02 Mbanza Congo - Zaire, Angola
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Alguns Poemas

Não foi esse o sonho que sonhei

Como uma casa vazia e abandonada, assim está o meu mundo – como uma região inabitável, onde só se ouve ruído.
Nos remanescentes dos pensamentos, nascem rios de tristeza, que atravessam o meu coração a cada segundo.
Estou como uma árvore triste no meio de uma mata isolada e, aos poucos, devorada, onde nada lhe resta a fazer, além de derramar lágrimas de folhas o tempo todo.

Não foi esse o sonho que sonhei!
Enquanto tentava realizá-lo, alguém o roubou de mim. Quem foi, não sei!
Era para ser um jardim lindo, com crianças brincando e adultos se amando – foi assim que eu desenhei.
Mas, infelizmente, o amanhã foi impiedoso e rasgou-me na cara o desenho que fiz.

Como aves voando, queria que tivesse uma vida normal.
Como pintainhos debaixo das asas de uma galinha, queria que tivesse os pais ao seu lado, para lhe darem amor e proteção.
O quanto arruinaram sua vida, eles não têm noção!
Não é esse o sonho que sonhei para ela. Perdão! Querida, perdão!
Não foi esse o sonho que sonhei, eu juro!

Aliás, era o que eu mais temia! Por isso, suportei tudo – enfrentei tempestades, enfrentei dragões, fiz de tudo!
Mas, infelizmente, a vida jogou duro. Quão duro!
Oh, se eu pudesse voltar no tempo!
Se eu pudesse voltar no tempo, não sei se viria à existência – eu sempre pensei nisso, não entendo por que tanta relutância!
Um coração dividido em dois, dois desejos em divergência.
Mas o certo é que, sem ela, minha doce existência não teria o mesmo sabor.

E se eu partir agora?
Se eu partir agora, em direção à Luz,
Digam a ela que fiz tudo para reduzir o peso de sua cruz,
E que ela ainda tem um Pai (Perfeito), que a ama, protege e conduz,
E que na vida não há outro caminho além de Jesus.

Mas cá estou, no meu mundo, onde só há pensamentos, escuridão e estrelas.
Enquanto as contemplo, pergunto a Deus que plano tem para a vida dela.
“Ela não merecia isso”, assim me diz a minha mente, que a cada segundo me condena.
E eu só posso derramar rios de lágrimas e dizer: perdão, não foi esse o sonho que sonhei para ela.

Eu e os meus anseios

Exausto, deito-me na cama quando chego,
Submerjo no oceano dos pensamentos enquanto olho para o teto!
Olho para a cadeira vazia, imaginando alguém por perto,
Ou deitada ao meu lado na cama, apoiando a cabeça em meu peito!

Queria eu voltar do trabalho sabendo que há alguém a me esperar
— uma companheira para, no final do dia, abraçar e acariciar,
As malambas da vida e a correria do dia Compartilhar!
Dói saber que isso pode nunca se realizar!

Às vezes, fico imaginando como será daqui a dez anos,
De qual mulher direi eu: "Essa é a mulher que eu amo!"?
— Que me instigará a lutar e, com ela, elaborarei nossos planos?
— Para quem olharei nos olhos e direi: "Deus, obrigado!"?

Que seja uma idiota!
Isto é, que, quanto as estrelas e os sorrisos de crianças, ame contemplar,
Que, quanto a natureza, ame apreciar,
— andar descalça na praia, sentindo a brisa do mar,
Nas madrugadas tocar piano ou guitarra, louvando a Deus, sem ninguém para filmar!
Anseio!

Estar à mesa com a família após a refeição,
Olhar para os meus filhos enquanto conversamos, sabendo que lhes está garantida a salvação!
Pensar que valeu a pena a vida vivida, com uma mistura de alegria e tristeza no coração,
Pois, quanto mais o tempo passar, mais perto estará da sua dissolução.

Mas, contudo, quero essa porção de céu,
Levantar o véu,
No anelar colocar um anel,
E, quanto à lua de mel, que seja num espaço aberto para, de mãos dadas, contemplarmos as estrelas no céu.
Anseio!

África, Angola – Luanda, 2021

Kanienga L. Samuel (José) é um pensador e poeta que escreve com o coração ferido e os olhos bem abertos. Entre a filosofia, a crítica social e a poesia, suas palavras nascem do espanto diante da dor humana e da esperança teimosa de que ainda podemos ser mais do que produtividade e aparência.

Crente de que a poesia é um sussurro de eternidade no barulho do mundo, seus versos abordam temas como a solidão, a pressão social, a fé, o fracasso e o brilho — esse novo imperativo silencioso que aprisiona gerações.

Nascido em Angola, escreve para não sufocar e para acender, com outros, uma pequena chama no meio da escuridão.

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solua_kuryos
Tens uns poemas de arrepiar mano
16/agosto/2020
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10012019
Olá, irmão! Obrigadão, tuliodias!
16/junho/2020
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_tuliodias
Linda homenagem.
15/junho/2020
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_tuliodias
Olá irmão!
15/junho/2020
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10012019
Obrigado, ilustre! Digo o mesmo da sua.
07/junho/2020
Kanienga L. Samuel - José
Obrigado, ilustre!
07/junho/2020
Fernanda
Que poesia linda
07/junho/2020

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