Lista de Poemas
O Efebo
Como a amphora
Ele contém um vinho intenso e resinado
A lucidez da sua forma oculta a embriaguez
A sua claridade conduz-nos ao encontro da noite
A sua rectidão de coluna preside à imanência dos desastres
Sinto Os Mortos No Frio Das Violetas
E nesse grande vago que há na lua.
A terra fatalmente é um fantasma,
Ela que toda a morte em si embala.
Sei que canto à beira de um silêncio,
Sei que bailo em redor da suspensão,
E possuo em redor da impossessão.
Sei que passo em redor dos mortos mudos
E sei que trago em mim a minha morte.
Mas perdi o meu ser em tantos seres,
Tantas vezes morri a minha vida,
Tantas vezes beijei os meus fantasmas,
Tantas vezes não soube dos meus actos,
Que a morte será simples como ir
Do interior da casa para a rua.
As Casas
Em que eu vivo, e em volta dos meus passos
Eu sinto os grandes anjos cujas asas
Contêm todo o vento dos espaços.
Eu Chamei-Te Para Ser a Torre
Que viste um dia branca ao pé do mar.
Chamei-te para me perder nos teus caminhos.
Chamei-te para sonhar o que sonhaste.
Chamei-te para não ser eu:
Pedi-te que apagasses
A torre que eu fui a minha vida os sonhos que sonhei.
Depois da Cinza Morta Destes Dias
Quando o vazio branco destas noites
Se gastar, quando a névoa deste instante
Sem forma, sem imagem, sem caminhos,
Se dissolver, cumprindo o seu tormento,
A terra emergirá pura do mar
De lágrimas sem fim onde me invento.
A Luz Oblíqua
Morre e arde
Nas vidraças.
Nas coisas nascem fundas taças
Para a receber,
E ali eu vou beber.
A um canto cismo
Suspensa entre as horas e um abismo.
A vibração das coisas cresce.
Cada instante
No seu secreto murmurar é semelhante
A um jardim que verdeja e que floresce.
No Ponto Onde o Silêncio E a Solidão
Se cruzam com a noite e com o frio,
Esperei como quem espera em vão,
Tão nítido e preciso era o vazio.
As Fontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.
Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.
Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.
Cidade Dos Outros
Desonestidade
Cobre a cidade
Há um murmúrio de combinações
Uma telegrafia
Sem gestos sem sinais sem fios
O mal procura o mal e ambos se entendem
Compram e vendem
E com um sabor a coisa morta
A cidade dos outros
Bate à nossa porta
Apesar Das Ruínas E da Morte
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.
Comentários (10)
kkkkkkk
Poetisa que deu a magia nos co tos da minha i fancia!
foi uma grande escritora /poeta e é pena que não esteja entre nós :(
tao admirador
Amei o poema
Documentário Sophia de Mello Breyner Andresen O Nome das Coisas
Há Mulheres Que Trazem O Mar Nos Olhos | Poema de Sophia de Mello Breyner narração Mundo Dos Poemas
Coral e outros poemas Sophia de Mello Breyner Andresen Leituras obrigatórias 2024 Vestibular UFRGS
Sophia de Mello Breyner Andresen - Joao César Monteiro 1969
Sophia de Mello Breyner Andresen: espiritualidade e religiosidade
Conheça a escritora Sophia de Mello Breyner Andresen, no Trilhas Literárias
Sophia de Mello Breyner Andresen | Biografia
entrevista Sophia Mello Bryner Andreson
Sophia de Mello Breyner Andresen
MEDITAÇÃO DO DUQUE DE GÂNDIA, Sophia de Mello Breyner Andresen - Rita Loureiro
Sophia de Mello Breyner Andresen em entrevista à Emissora Nacional em 1974
Porque | Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen com narração de Mundo Dos Poemas
Para Atravessar Contigo O Deserto... | Poema de Sophia de Mello Breyner narrado por Mundo Dos Poemas
Soneto À Maneira De Camões | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Evocação de Sophia de Mello Breyner Andresen I - Festa Literária Folha 2019
Julia Maria | O Velho Abutre | Sophia de Mello Breyner Andresen
"Em vão chamará pelo vento" | SOPHIA DE MELLO BREYNER
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
LIBERDADE - Um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen - poesia narrada e legendada - AMO POEMAS
A Forma Justa | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Por Delicadeza | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Clara Mello | Sem Título | Sophia de Mello Breyner Andresen
"Sophia de Mello Breyner Andresen" (reportagem)
Quando (Sophia de Mello Breyner Andresen)
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESSEN - Poetas do Mundo #25
Cidade - Sophia de Mello Breyner Andresen
A Paz Sem Vencedores Nem Vencidos | Poema de Sophia de Mello Breyner narrado por Mundo Dos Poemas
25 DE ABRIL - Poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen
519 - Inscrição - Sophia de Mello Breyner Andresen
Quando | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Poeme-se: Jorge Pontual declama Sophia de Mello Breyner Andresen
Pudesse eu, Sophia de Mello Breyner Andresen
AS PESSOAS SENSÍVEIS, de Sophia de Mello Breyner Andresen | #AventurasTodoDia
Sophia de Mello Breyner Andresen — Inscrição | Poesia Portuguesa #shorts
Sophia de Mello Breyner Andresen no Panteão Nacional
Sophia de Mello Breyner Andresen Para Atravessar Contigo O Deserto Do Mundo Cristina Branco
"Revolução - Descobrimento" - Sophia de Mello Breyner Andresen
Em Todos Os Jardins Hei-de Florir | Poema de Sophia De Mello Breyner, com Narração
ep. 147 "Navegações" Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen, Deriva VIII - Diogo Infante
"Sophia de Mello Breyner Andresen" (1969) - Parte 1
Apesar das ruínas e da morte - Sophia de Mello Breyner Andresen
Homenagem de Lisboa a Sophia de Mello Breyner Andresen
Mar, Sophia de Mello Breyner Andresen
A vida de Sophia de Mello Breyner Andresen
#2 Dia Mundial da Poesia: Inês Pereira lê Sophia de Mello Breyner Andresen
#onossopoemário - "Apesar das ruinas e da morte" de Sophia de Mello Breyner Andresen
"Revolução", de Sophia de Mello Breyner Andresen
21 MAR 2020 | #ligadospelapoesia | Sophia de Mello Breyner Andresen, "Liberdade"
Terror De Te Amar | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Português
English
Español
Fuck my errors, important are my rights that are MANY
Porque tu tens toda a razâo na maioria of your assertions, are a great poetic genius, although I despise Blake for that concept, sometimes he, as his Tiger and engraves, must be considered. Girl, you are hot in poetry. Podia ter conhecido a tua excelsa presença, eu que sou de falar dos partidos e raramente nos vivos, normalmente na musica...Amo'te Mulher
Eu não estou morta servos! Hahaha
ameei,pena q ja morreu,mais ela tinha um talento enorme...
Sophia de Mello é um Icon da literatura portuguesa