Citações
Citações para inspirar e refletir
A vaidade é a confiança no efeito do nosso valor, o orgulho a confiança em que temos valor.
É difícil assimilar a estabilidade de um chefe sensato. Os homens e os soldados querem ser insuflados pela paixão.
O Deus do idealista alarga-se para além da definição e da mais absoluta convertibilidade.
Empapuçado, balofo, os olhos fixos de preocupação, ele mais parece um velho burguês que passou a noite na farra.
Não sei quem me influenciou. Talvez meu pai, que foi um dos primeiros a escrever com a informalidade que também busco.
Primavera?! A primavera, entre nós, é uma licença poética.
O homem é o único animal que gosta de escargots ( fora, claro, o escargot ).
O Carnaval já existia na Europa quando o Brasil foi descoberto, só que com roupa. Ele veio nas caravelas portuguesas junto com o nosso descobridor, Pedro Álvares Cabral, e aqui incorporou elementos nativos como bateria, baianas, bicheiros, cambistas e, claro, a principal contribuição do Novo Mundo ao rito milenar, a miçanga. (Cf. América)
Palavra! Não sei qual a vantagem daquele guri que descobriu que o rei estava nu. Faltava-lhe imaginação — dom exclusivo da criatura humana e signo da sua realeza. Os animais não progridem por falta de imaginação. E eu só perdi minha indiferença congênita às ciências exatas no dia em que ouvi falar nas geometrias não euclidianas.
A única diferença entre uma festa de amasso e a cobrança de um escanteio é que na grande área não tem música.
Me lembro da adolescência como uma ereção ininterrupta. Bom, nada. Era um martírio. (Cf. Hormônios)
— O mais triste do vento do deserto é que é um vento analfabeto — dizia um vento da cidade a uma tabuleta oscilante. — Não — rinchava a tabuleta —, o mais triste do vento do deserto é que ele não tem recordações. — Sempre sentimental, essa velha pintada... — pensou consigo o vento da cidade, passando adiante. O vento da cidade era um pedante. O lampião da esquina não dizia nada: ardia de febre.
A noite dorme um sono entrecortado, alfinetado de grilos.
Para cada filósofo, Deus é da sua opinião.
É a arte de andar entre pingos de chuva ou sob marquises. Sua principal característica é que nunca dá certo.
Faz parte da arte de escrever a distribuição sagaz de espaços abertos, como os jardins nas casas. Assim respira o texto e respira o leitor. Toda arquitetura, de pedra ou palavra, deve ter aberturas bem-postas por onde circule o ar e cure-se a opressão. (Cf. Clareza)
É uma borboleta amarela? Ou uma folha que se desprendeu e que não quer tombar?
Todo julgamento que se fizer da Espanha será um mal-entendido. A alma espanhola é como uma arena de touros onde um não espanhol, por mais que tente, jamais passará de um turista abismado.
Ainda bem que “esdrúxulo” nunca aparecia nas leituras da infância, senão teria nos desanimado. Eu me recusaria a aprender uma língua se soubesse que ela continha a palavra “esdrúxulo”. Teria fechado a cartilha e ido jogar bola, para sempre.
O que há de mais tocante nesses infindáveis carreiros de formigas é que elas parecem umas formiguinhas...
AH : Interjeição, usada para indicar espanto, admiração, medo. Curiosamente, também são as iniciais de Alfred Hitchcock. (Cf. Hitchcock)
O povo é capaz de julgamento quando não escuta os grandes oradores.
O nariz grego, hoje, nos parece um nariz postiço. Não pega.
é o S depois de um choque elétrico.
Mulheres caridosas apresentam uma forma específica e muito perigosa de sexualidade modificada: a samaritíase.
Há sempre, afastada das outras, uma nuvenzinha preguiçosa que ficou sesteando no azul.
Faz parte do anedotário da família a vez em que — para não ter que procurar o banheiro do cinema Imperial e perder o melhor do filme do Tarzan — simplesmente fiquei em pé e urinei ali mesmo, no chão. Devo esclarecer que isso foi há muito tempo e não tem nada a ver com os atuais odores do Imperial, que devem ser creditados a outra geração.
Esses que se debruçam no parapeito de uma ponte têm vocação suicida. Apenas vocação. São uns suicidas crônicos.
E um dia os homens descobriram que esses discos voadores estavam observando apenas a vida dos insetos.
Podemos formar grandes times e ganhar tudo, mas nunca estaremos satisfeitos com a nossa zaga. Viveremos eternamente essa privação do zagueiro absoluto, como os portugueses esperando a volta de dom Sebastião, e ela se integrará ao nosso caráter.
As grandes assembleias se reduzem a camarilhas. E a camarilha se reduz à vontade de um homem só.
Toda liberdade é condicional. Você não pode dizer que é absolutamente livre — a não ser que tenha asas, um cartão de crédito internacional sem limite e saúde para usá-los. E nenhum escrúpulo. (Cf. Tiranos)
Façamos a distinção entre mulheres culposas e dolosas.
Dizes que a beleza não é nada? Imagina um hipopótamo com alma de anjo... Sim, ele poderá convencer alguém da sua angelitude — mas que trabalheira!
Durante toda a sua vida de técnico, Zagallo foi chamado de defensivista. Era esta anomalia: um carioca que não pensava o futebol cariocamente.
Eles passam o tempo com cálculos mentais: ele extrai a raiz da sensualidade dela, e ela o eleva à potência.
Brasileiro só xinga a mãe do pior inimigo ou do melhor amigo.
As assembleias tendem a fazer do soberano um fantasma e do povo um escravo.
e Z são as últimas letras do alfabeto. O X e o Z são, juntos com o K, as letras mais duras e antipáticas do alfabeto, e existe uma suspeita de que sejam nazistas. Não admira que o Y, entre as duas, esteja com os braços para cima, apavorado.
Se Luís XVI tivesse comparecido perante um tribunal contrarrevolucionário, ele também teria sido condenado.
A admirável arte poética de Paul Geraldy e Guilherme de Almeida... Mas, pelo visto, a arte da poesia para eles era uma arte de cantar mulher.
Nunca um nome descreveu uma coisa tão bem. O próprio comprimento da palavra é descritivo, você vê “espreguiçadeira” no papel e está vendo a cadeira aberta e espichada, você deitado nela com a cabeça para trás e as pernas estendidas.
Ainda na juventude, tornei-me ciente de que um vasto abismo separa os autores de seu público, embora, felizmente para ambos os lados, nenhum deles se dê conta disso. Logo percebi também quão inúteis são todos os prefácios, pois, quanto mais tentamos explicar os nossos propósitos, mais confusão criamos. Além disso, um autor pode escrever um prefácio tão longo quanto desejar, que o público continuará a dirigir-lhe as mesmas cobranças que ele havia procurado afastar.
A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.
Este prefácio, apesar de interessante, inútil. Alguns dados. Nem todos. Sem conclusões. Para quem me aceita são inúteis ambos. Os curiosos terão prazer em descobrir minhas conclusões, confrontando obra e dados. Para quem me rejeita trabalho perdido explicar o que, antes de ler, já não aceitou. […] Prefácio: rojão do meu eu superior. Versos: paisagem do meu eu profundo. […] Mas todo este prefácio, com todo o disparate das teorias que contém, não vale coisíssima nenhuma.
A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.
Já se disse que os franceses reverenciam duas coisas, o Estado e o bar da esquina. Têm um certo desdém por tudo que existe entre esses dois polos.
Gosto de monologar com mulheres. Mas o diálogo comigo mesmo é mais interessante.