Lista de Poemas

Mais temo eu a Portugal os perigos da opulência que os danos da necessidade.

 

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A maior pena que aqui padeço é ouvir falar em Portugal, porque todas as nossas acções desmerecem a nossa fortuna, quando a pudéramos por todas vias adiantar ao sumo auge da felicidade e grandeza. Mas como o que há basta para a ambição dos presentes, não querem aventurar nada com a esperança, porque possuem o que nunca esperaram.

 

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O ofício e obrigação dos poetas não é dizerem as coisas como foram, mas pintarem-nas como haviam de ser ou como era bem que fossem.

 

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Tanto mais de admirar e estimar é o valor e ânimo destes soldados portugueses, quanto maiores foram as incomodidades que, no necessário para a vida e para a guerra, igualmente padeceram.

 

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Eu sempre creio que as línguas estrangeiras saberão melhor avaliar as circunstâncias de tamanho sucesso, porque as nossas sempre são curtas em louvar, podendo mais a inveja dos particulares que o amor comum da pátria.

 

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A quem entregam muitas vinhas não pode guardar nenhuma.

 

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Dizem que temos valor, mas que nos falta dinheiro e união; e todos nos prognosticam os fados que naturalmente se seguem destas infelizes premissas.

 

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Nós (Portugueses) temos a nossa desunião, a nossa inveja, a nossa presunção, o nosso descuido e a nossa perpétua atenção ao particular.

 

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Não é condição de homens, e muito menos de Portugueses, haver pessoa, e mais em tamanhos lugares, de quem todos e em tudo digam bem.

 

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Vejo a nossa desatenção e o nosso descuido, antes o cuidado que pomos em aumentar inimigos dentro e não conservar amigos fora, nem aplicar os meios com que só se concilia o respeito de uns e a constância dos outros.

 

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