Lista de Poemas

Luzir português entre portugueses, e muito menos luzir com a sua luz, é coisa muito dificultosa na nossa terra.

 

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Conquistar a terra das três partes do mundo a nações estranhas foi empresa que os reis de Portugal conseguiram muito fácil e muito felizmente, mas repartir três palmos de terra em Portugal aos vassalos, com satisfação deles, foi impossível.

 

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Homens que em todos os seus conselhos não dizem «faremos», nem «havemos de fazer», senão «façamos» (...), estes homens, ainda que intentem o maior impossível, hão-de levá-lo a cabo.

 

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Porque é timbre da nossa nação, tanto que sai à luz quem pode luzir, tragá-lo logo para que não luza.

 

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Quantos há hoje em Portugal que têm mais do que nunca esperaram, e no cabo estão ainda descontentes? Vinde cá: quando a vossa imaginação esteve mais desvanecida, chegou nunca a sonhar nem a esperar o que hoje tendes? Nem vós mesmo o negareis. Pois se tendes mais do que nunca esperastes, porque está ainda descontente vossa esperança? Esta pergunta não tem resposta; porque esta sem-razão não tem razão.

 

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Os Portugueses não se contentam com se lhes dar o pão partido; há-se-lhes de dar todo o pão, sob pena de não ficarem contentes. Daqui se segue que nunca é possível que o estejam.

 

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Em nenhuma parte tanto como em Portugal se gasta tanto papel, ou se gasta tanto em papéis.

 

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Nos outros reinos, com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal, com uma mercê perdem-se muitos.

 

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Enquanto Portugal teve homens de «havemos de fazer» (que sempre os teve) não tivemos liberdade, não tivemos reino, não tivemos coroa. Mas tanto que tivemos homens de quid facimus (que fazemos), logo tivemos tudo.

 

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O povo, no pouco que tributa, dá tudo quanto tem; e o grande, em tudo o que dá, dá muito menos que deve, porque dá o que lhe sobra, e o pequeno dá o de que necessita.

 

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