Lista de Poemas
A doce pátria
a paz claudicante do dia e a noite dos terremotos,
o boldo, o loureiro, a araucária ocupando o perfil do planeta,
o pastel de milho, a corvina saindo do forno silvestre,
o pulsar do condor subindo na ascética pele da neve,
o colar dos rios que ostentam as uvas de lagos sem nome,
os patos selvagens que emigram para o polo magnético riscando o crepúsculo dos litorais,
o homem e sua esposa que leem após a comida novelas heroicas,
as ruas de Rengo, Rancágua, Renaico, Lancoche,
a fumaça do campo no outono perto de Quirihue,
ali onde minha alma parece uma pobre guitarra que chora
cantando e caindo a tarde nas águas escuras do rio.
XLIV
segue dentro de mim ou se foi?
Sabe que não o quis nunca
e que tampouco me queria?
Por que andamos tanto tempo
crescendo para separar-nos?
Por que não morremos os dois
quando minha infância morreu?
E se minha alma tombou
por que permanece o esqueleto?
Nas Ruas de Praga
como se tambores de pedra sonhassem na solidão
daquele que através dos mares buscou tua lembrança:
tua imagem em cima da ponte San Carlos era uma laranja.
Então cruzamos a neve de sete fronteiras
desde Budapeste que agregava roseiras e pão à sua estirpe
até os amantes, tu e eu, perseguidos, sedentos e famintos,
nos reconhecemos ferindo-nos com dentes e beijos e espadas.
Oh dias cortados pelas cimitarras do fogo e da fúria
sofrendo o amante e a amante sem trégua e sem pranto
como se o sentimento se houvesse enterrado em um páramo entre as urtigas
e cada expressão se turbasse queimando e virando lava.
X - Os homens
ao curral, à colmeia das tristes abelhas,
turistas convencidos de voltar, companheiros
de rua negra com casas de antiguidades
e latas de lixo, meio irmãos
do número trinta e três mil quatrocentos e vinte e sete,
sexto andar, apartamento A, B ou J
diante do armazém "Astorquiza, Williams e Companhia"
sim, meu pobre irmão que sou eu mesmo,
agora que sabemos que não ficaremos
aqui, nem condenados, que sabemos
de hoje, que este esplendor nos ofusca,
a solidão nos aperta como a roupa de um menino
que cresce demais ou como quando
a escuridão se apodera do dia.
Tarde - LIX
perseguiram com a mesma tenacidade sombria
e logo são cobertos por impassível pompa,
entregues ao rito e ao dente funerário.
Eles – obscuros como pedrinhas – agora
detrás dos cavalos arrogantes, estendidos
vão, governados ao fim pelos intrusos,
entre os acompanhantes, a dormir sem silêncio.
Antes e já seguros de que está morto o morto
fazem das exéquias um festim miserável
com pavões, porcos e outros oradores.
Espreitaram sua morte e então a ofenderam:
só porque sua boca está fechada
e já não pode contestar seu canto.
LXIII
a tradução de seus idiomas?
Como digo à tartaruga
que eu a ganho em lentidão?
Como pergunto à pulga
as cifras de seu campeonato?
E aos cravos que dizer
agradecendo sua fragrância?
I - Os homens
da Ilha de Páscoa, o cavaleiro
estranho, venho para golpear as portas do silêncio:
− mais um dos que traz o ar
saltando num voo todo o mar:
aqui estou, como os outros pesados peregrinos
que em inglês amamentam e levantam as ruínas:
egrégios comensais do turismo, iguais a Simbad
e a Cristóvão, sem mais descobrimento
que a conta do bar.
Me confesso: matamosos veleiros de cinco mastros e carne deteriorada,
matamos os pálidos livros de marinheiros em extinção,
nos trasladamos em gansos imensos de alumínio,
corretamente sentados, bebendo taças ácidas,
descendo em fileiras de estômagos amáveis.
XXXI
o que fazer neste mundo?
Por que me movo sem querer,
por que não posso estar imóvel?
Por que vou rodando sem rodas,
voando sem asas nem plumas,
e que me deu de transmigrar
se vivem no Chile meus ossos?
Os versos do Capitão
naqueles versos, fugazes e duros, floridos e amargos,
em que um Capitão cujos olhos esconde uma máscara negra
te ama, oh amor, arrancando com mãos feridas
as chamas que queimam, as lanças de sangue e suplício.
Mas logo um favo substitui a pedra do muro arranhado;
frente a frente, de repente sentimos a impura miséria
de dar aos outros o mel que buscávamos por água e por fogo,
por terra e por lua, por ar e por ferro, por sangue e por ira:
então ao fundo de ti e ao fundo de mim descobrimos que estávamos cegos
dentro dum poço que ardia com nossas trevas.
LXXII
de onde tira sal o mar?
Como sabem as estações
que devem mudar de camisa?
Por que tão lentas no inverno
e tão palpitantes depois?
E como sabem as raízes
que devem subir para a luz?
Sempre é a mesma primavera
a que repete seu papel?
E logo saudar o ar
com tantas flores e cores?
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1933
Residência na Terra 2
1933
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1950
Os Versos do capitão
1952
As Uvas e o vento
1954
Cem Sonetos de Amor
1959
A barcarola
1967
A Rosa Separada
1972
O mar e os sinos
1973
2000
1974
Defeitos Escolhidos
1974
O Coração Amarelo
1974
Livro das Perguntas
1974
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Com treze anos, começou a contribuir com alguns textos para o jornal La Montaña. Foi em 1920 que surgiu o pseudônimo Pablo Neruda – uma homenagem ao poeta tchecoslovaco Jan Neruda. Vários dos poemas desse período estão presentes em Crepusculário, o primeiro livro do poeta, publicado em 1923.
Além das suas atividades literárias, Neruda estudou francês e pedagogia na Universidade do Chile. No período de 1927 a 1935, trabalhou como diplomata, vivendo em Burma, Sri Lanka, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri. Em 1930, casou-se com María Antonieta Hagenaar, de quem se divorciaria em 1936. Em 1955, conheceu Mathilde Urrutia, com quem ficaria até o final da vida.
Em meio às turbulências políticas do período entre-guerras, publicou o livro que marcaria um novo período em sua obra, Residência na terra (1933). Em 1936, o estouro da Guerra Civil Espanhola e o assassinato de García Lorca aproximaram o poeta chileno dos republicanos espanhóis, e ele acabou destituído de seu cargo consular. Em 1943, voltou ao Chile, e, em 1945 foi eleito senador da república, filiando-se ao partido comunista chileno. Teve de viver clandestinamente em seu próprio país por dois anos, até exilar-se, em 1949. Um ano depois foi publicado no México e clandestinamente no Chile o livro Canto geral. Além de ser o título mais célebre de Neruda, é uma obra-prima de poesia telúrica que exalta poderosamente toda a vida do Novo Mundo, denuncia a impostura dos conquistadores e a tristeza dos povos explorados, expressando um grito de fraternidade através de imagens poderosas.
Após viver em diversos países, Neruda voltou ao Chile em 1952. Muito do que ele escreveu nesse tempo tem profundas marcas políticas, como é o caso de As uvas e o vento (1954), que pode ser considerado o diário de exílio do poeta. Em 1971, Pablo Neruda recebeu a honraria máxima para um escritor, o Prêmio Nobel de Literatura. Morreu em Santiago do Chile, em 23 de setembro de 1973, apenas alguns dias após o golpe militar que depusera da presidência do país o seu amigo Salvador Allende.
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