Lista de Poemas
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Francisco José Rito
QUE SERÁ DE NÓS?
Alma aberta em chama
corpo aberto em prece
dos lábios rugidos firmes
gritos de guerras perdidas
a voz da sapiência que brada
mil e uma razões para recusar
o cálice de vida que se oferece.
Que é do amor escondido
nas entrelinhas das cartas rasgadas
qual das mãos algemadas
secará as gotas de cio
na pele dolorida da renúncia?
E de nós, que será de nós,
que sem sermos amantes
tememos a dor do amor acabado?
Tecelões à procura do novelo azul
azul ou pardo como os gatos da noite
os lábios sedentos de mel e hortelã
e a flor dos cardos a pingar-nos no ventre
a seiva húmida e quente dos beijos sonhados.
Entretanto é dia, e de dia
os gatos são transparentes e lúcidos.
corpo aberto em prece
dos lábios rugidos firmes
gritos de guerras perdidas
a voz da sapiência que brada
mil e uma razões para recusar
o cálice de vida que se oferece.
Que é do amor escondido
nas entrelinhas das cartas rasgadas
qual das mãos algemadas
secará as gotas de cio
na pele dolorida da renúncia?
E de nós, que será de nós,
que sem sermos amantes
tememos a dor do amor acabado?
Tecelões à procura do novelo azul
azul ou pardo como os gatos da noite
os lábios sedentos de mel e hortelã
e a flor dos cardos a pingar-nos no ventre
a seiva húmida e quente dos beijos sonhados.
Entretanto é dia, e de dia
os gatos são transparentes e lúcidos.
287
2
Francisco José Rito
A MAIS ALEGRE DE TODAS AS PALAVRAS TRISTES
Não é por isto ou por aquilo que te falo.
Falo-te porque sim. Porque é
falando-te que purgo este sentir.
Sei que mais falta me faz falar-te
do que a ti escutar-me,
mas é da alma que te falo, e nas coisas da alma
nem tudo tem de ser medido.
Hoje venho falar-te na mais alegre
de todas as palavras tristes: A saudade.
Alegre porque é uma graça senti-la
- felizes os que a sentem, porque viveram.
Triste quem não guardou na alma rosas em botão
para desfolhar ao entardecer da vida
que seja por veredas de saudade.
Falo-te porque sim. Porque é
falando-te que purgo este sentir.
Sei que mais falta me faz falar-te
do que a ti escutar-me,
mas é da alma que te falo, e nas coisas da alma
nem tudo tem de ser medido.
Hoje venho falar-te na mais alegre
de todas as palavras tristes: A saudade.
Alegre porque é uma graça senti-la
- felizes os que a sentem, porque viveram.
Triste quem não guardou na alma rosas em botão
para desfolhar ao entardecer da vida
que seja por veredas de saudade.
314
2
A poesia de JRUnder
Mal de amor
Não sei o que é o amor,
Tampouco o posso explicar.
Quem dirá compreender,
Ou mesmo justificar.
Mas sofro do mal de amar
E dele sinto os sintomas...
Começa com um desconforto,
E quase atinge o coma.
Mas dentro da inconsciência,
Eu permaneço pensando
E ao pensar, percebo,
Que continuo amando...
90
2
A poesia de JRUnder
Olhando o mundo
O mundo precisa de amor e isso é uma verdade...
Mas o mundo carece também de homens com dignidade.
Homens que queiram a honra acima de bens materiais.
Homens que sejam honestos e lutem por seus ideais,
Ideais que abracem a todos, que falem de igualdades,
Ideais que eduquem, ensinem, que tragam oportunidades.
De que serve o poder, se a moral se enxovalha?
Querer parecer gente bem, quando se é um canalha?
Tirar proveitos daqueles que por sua boa-fé,
Imaginam uma pessoa por tudo o que ela, não é?
O mundo precisa mesmo é de mais informação,
Mas isso o ignóbil não quer, não lhe chama a atenção...
Quer o poder, tanto faz seja à custa do engodo,
O que é uma mancha na alma de quem está sujo de lodo?
“De milho aos porcos, mas pouco, deixe-os sempre com fome!”
Assim, submetem-se às vontades, daqueles que mancham seus nomes.
Mas o mundo carece também de homens com dignidade.
Homens que queiram a honra acima de bens materiais.
Homens que sejam honestos e lutem por seus ideais,
Ideais que abracem a todos, que falem de igualdades,
Ideais que eduquem, ensinem, que tragam oportunidades.
De que serve o poder, se a moral se enxovalha?
Querer parecer gente bem, quando se é um canalha?
Tirar proveitos daqueles que por sua boa-fé,
Imaginam uma pessoa por tudo o que ela, não é?
O mundo precisa mesmo é de mais informação,
Mas isso o ignóbil não quer, não lhe chama a atenção...
Quer o poder, tanto faz seja à custa do engodo,
O que é uma mancha na alma de quem está sujo de lodo?
“De milho aos porcos, mas pouco, deixe-os sempre com fome!”
Assim, submetem-se às vontades, daqueles que mancham seus nomes.
127
2
Francisco José Rito
TUDO ME SERVE PARA TE AMAR
Desbravo caminhos
nos beijos que me negas
Os meus olhos fazem amor
com a tua sombra
os meus lábios
com o teu cheiro
a minha alma
com o teu desdém
Provoco-te com beijos
rabiscados no vento
Tu, a mim, apenas recusas
Pensarás que não sei dos teus desejos
- framboesa, melancia, romã
bruma fresca, maré viva, algodão doce
Tudo te serve para me provocar
Tudo me serve para te amar.
nos beijos que me negas
Os meus olhos fazem amor
com a tua sombra
os meus lábios
com o teu cheiro
a minha alma
com o teu desdém
Provoco-te com beijos
rabiscados no vento
Tu, a mim, apenas recusas
Pensarás que não sei dos teus desejos
- framboesa, melancia, romã
bruma fresca, maré viva, algodão doce
Tudo te serve para me provocar
Tudo me serve para te amar.
327
2
sabrinab
Associal
Sociável que vem do social e significa ser associado ou se associar.Palavra que só conheço no dicionário Aurélio e tento me "associar", talvez por uma necessidade de atenção ou pelo termo antissocial não ser empregável a mim.Talvez por não querer ser o centro da atenção, apesar de saber que estou invisível ali, uma dualidade fútil de querer não ser vista e se sentir mal quando não te veem.A instabilidade das situações causa impotencia, e luto contra a angústia que me corroe por dentro, presa em um mundo onde sou meu próprio obstáculo, culpo a sociedade por julgar mais fácil, quando na realidade o erro está aqui, em mim, crescendo como uma praga em Terra fértil, estragando o solo sem dá frutos ou sombra.Como uma cicatriz que te lembra de algo que queria esquecer, meu reflexo no espelho me recorda todos os dias, o meu pior medo, sou eu mesmo a me autossabotar
175
2
Eduardo de Souza Lobo Pacheco
Ponto morto
Um carro
na curva
movimentos internos
Desvia, ele tá parado
A sorte protege latarias
A Luz acesa
vidro, dedo aberto
condicionado é o ar do encontro
a noite é dona do dia
O carro na propaganda
A vitrine do ostentar
O cara da propaganda
Com as chaves na varanda
Escolhe as feridas e borra a memória
Estado pleno, se basta
Madrugada ela virá
Pegando amores de quem não ama
Não há placas, nem chassi
onde ja se viu
Um sujeito nem gostar de pessoa
onde já se viu ?
Ela gosta de se jogar
O estofado
O caro couro do carro
Encosta no acostamento
As costas queimam, os ombros mentem
Um lugar por acaso, mas acaso se mede?
Tudo que via eram páginas
Do velho jornal de pisar
Nem o apito do guarda sente
Máquinas movem luzes
Exceto o farol do enlatado pendente
Vou cantar
Cama na avenida
Asfalto molinho e quente
Minha vida se derrete
De repente
Eu sou um grande felizardo
Gasolina de partida num copo semente
Hoje eu sou buzina gemendo
é meu gemido que diz
Que um cara
abraçou minha amada
e foi ser infeliz
na curva
movimentos internos
Desvia, ele tá parado
A sorte protege latarias
A Luz acesa
vidro, dedo aberto
condicionado é o ar do encontro
a noite é dona do dia
O carro na propaganda
A vitrine do ostentar
O cara da propaganda
Com as chaves na varanda
Escolhe as feridas e borra a memória
Estado pleno, se basta
Madrugada ela virá
Pegando amores de quem não ama
Não há placas, nem chassi
onde ja se viu
Um sujeito nem gostar de pessoa
onde já se viu ?
Ela gosta de se jogar
O estofado
O caro couro do carro
Encosta no acostamento
As costas queimam, os ombros mentem
Um lugar por acaso, mas acaso se mede?
Tudo que via eram páginas
Do velho jornal de pisar
Nem o apito do guarda sente
Máquinas movem luzes
Exceto o farol do enlatado pendente
Vou cantar
Cama na avenida
Asfalto molinho e quente
Minha vida se derrete
De repente
Eu sou um grande felizardo
Gasolina de partida num copo semente
Hoje eu sou buzina gemendo
é meu gemido que diz
Que um cara
abraçou minha amada
e foi ser infeliz
55
2
Tsunamidesaudade63
Tierna ternura. En Espanol
Fuiste en mi vida,
la mayor y más tierna ternura,
de un amor hecho de locura.
Hoy lo ce que vas a decir,
que no fuiste nada de mi.
Y que yo pra ti no significaba nada,
que era una simple aventura, una água pasada.
Luzerna, 28.06.2022, Joao Neves.
la mayor y más tierna ternura,
de un amor hecho de locura.
Hoy lo ce que vas a decir,
que no fuiste nada de mi.
Y que yo pra ti no significaba nada,
que era una simple aventura, una água pasada.
Luzerna, 28.06.2022, Joao Neves.
32
2
2
A poesia de JRUnder
Desaguar
Adormecido, sob o manto do luar,
Pus-me a sonhar com as venturas da paixão
Amanheceu quando fulgiu o seu olhar,
Rumo ao amor, vi navegar meu coração.
Em quantos rios correm as águas, como vidas,
Que aos oceanos se fizeram desaguar.
Como as saudades que sobre ondas, perdidas,
Longe das margens se deixaram naufragar.
Segure o leme! Siga o brilho das estrelas!
Pelos caminhos do amor, vão te guiar...
Deixe que brisas do querer soprem as velas,
Para nos mares de esperanças navegar.
37
2
douglasda
Panorama
A visão sobre o mundo
Não tem nenhum preço
Mesmo que a conte por inteiro
Não se entenderá um terço
Ainda assim, deixe eu partilhar meu segredo
Sobre as coisas que vejo
Em troca, diga-me se vejo direito
Que o mundo não é assim, tão preto
Em troca, dê-me um sorriso
Mesmo que não seja verdadeiro . . .
E limpe minhas mágoas, por favor
Minhas mão se ocupam agarrando-se ao seu calor
Não tem nenhum preço
Mesmo que a conte por inteiro
Não se entenderá um terço
Ainda assim, deixe eu partilhar meu segredo
Sobre as coisas que vejo
Em troca, diga-me se vejo direito
Que o mundo não é assim, tão preto
Em troca, dê-me um sorriso
Mesmo que não seja verdadeiro . . .
E limpe minhas mágoas, por favor
Minhas mão se ocupam agarrando-se ao seu calor
58
2
Gabriela Lages Veloso
(Re)lembrança
Hoje falo em nome de
todas as mulheres do
passado, presente e futuro.
Escrevo para que tudo
que minhas ancestrais
viveram não seja apagado.
Escrevo porque acredito
que somos todos iguais,
independente de cor, gênero ou fé.
Escrevo para que nossas
conquistas não sejam
levadas pelo vento.
***
(Re)cordar
Hoy hablo en nombre de
todas las mujeres del
pasado, presente y futuro.
Escribo para que todos
lo que vivieron mis antepassados
no se borrará.
Escribo porque creo
que todos somos iguales
sin importar el color,
el género o la fe.
Escribo para que nuestros
logros no sean
arrastrados por el viento.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema (Re)lembrança. In: Revista Kametsa, Peru, 24 ago. 2021.
todas as mulheres do
passado, presente e futuro.
Escrevo para que tudo
que minhas ancestrais
viveram não seja apagado.
Escrevo porque acredito
que somos todos iguais,
independente de cor, gênero ou fé.
Escrevo para que nossas
conquistas não sejam
levadas pelo vento.
***
(Re)cordar
Hoy hablo en nombre de
todas las mujeres del
pasado, presente y futuro.
Escribo para que todos
lo que vivieron mis antepassados
no se borrará.
Escribo porque creo
que todos somos iguales
sin importar el color,
el género o la fe.
Escribo para que nuestros
logros no sean
arrastrados por el viento.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema (Re)lembrança. In: Revista Kametsa, Peru, 24 ago. 2021.
830
2
pmariabotelho
Outono
Quando o Outono chega
Precede de grande beleza todas as cores
A prece dos aflitos
as folhas que jazem na terra e que tu teimas em calcar
natureza inerte
tudo tem o seu equilibrio, é certo
Em verdade já não existem estações do ano assinaladas no calendário
existe a simbiose dos elementos na natureza que freneticamente persistem em marcar dias de chegada.
Choramos porque o choro faz parte da vida e por vezes o choro funciona como uma onda de coragem.
Senta-te encosta a cabeça e acaricia os pés com as tuas mãos... Os nossos pés são muito corajosos.
Ainda é cedo e o outono
provoca em todos uma espécie de silenciosa alma abandonada
O Outono é esse misto de amor
dor
sorriso e choro
pmariabotelho
27.09.2021temposilêncio
Precede de grande beleza todas as cores
A prece dos aflitos
as folhas que jazem na terra e que tu teimas em calcar
natureza inerte
tudo tem o seu equilibrio, é certo
Em verdade já não existem estações do ano assinaladas no calendário
existe a simbiose dos elementos na natureza que freneticamente persistem em marcar dias de chegada.
Choramos porque o choro faz parte da vida e por vezes o choro funciona como uma onda de coragem.
Senta-te encosta a cabeça e acaricia os pés com as tuas mãos... Os nossos pés são muito corajosos.
Ainda é cedo e o outono
provoca em todos uma espécie de silenciosa alma abandonada
O Outono é esse misto de amor
dor
sorriso e choro
pmariabotelho
27.09.2021temposilêncio
229
2
Gabriela Lages Veloso
Esfinge
Calmaria.
Grito abafado.
Mergulho dentro de si.
Várias vozes falam em uníssono.
O silêncio é ensurdecedor.
Essencial.
Inadmissível.
Vital.
Várias imagens simultâneas.
O silêncio é caleidoscópico.
Paz.
Imposição.
Espelho.
Várias linhas de um mesmo novelo.
O silêncio é tecitura.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Esfinge. In: Ruas Descalças: Antologia Artístico Literária. Belo Horizonte: A|Borda Cultural, 2022.
Grito abafado.
Mergulho dentro de si.
Várias vozes falam em uníssono.
O silêncio é ensurdecedor.
Essencial.
Inadmissível.
Vital.
Várias imagens simultâneas.
O silêncio é caleidoscópico.
Paz.
Imposição.
Espelho.
Várias linhas de um mesmo novelo.
O silêncio é tecitura.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Esfinge. In: Ruas Descalças: Antologia Artístico Literária. Belo Horizonte: A|Borda Cultural, 2022.
614
2
Gabriela Lages Veloso
Relógio de areia
Nunca se engane com as
pequenas coisas, elas são
mais cruciais do que se imagina.
A arte nos faz sentir, ver,
ouvir e viver outras vidas,
por isso, tem sido como
água nesse deserto sem fim.
No ir e vir das ondas da
vida, nos deparamos com
situações que modificam-nos
permanentemente. Em um dia,
tudo seguia o seu curso, o tempo
era cronometrado à conta gotas,
e todos corriam, perdidos
em seus próprios mundos.
No dia seguinte, o mundo parou.
A pandemia desacelerou os
relógios, e, abruptamente, levou
vários entes queridos. Tudo
o que antes era ignorado,
ganhou um novo significado.
A vida ganhou uma nova cor.
De repente, percebemos a nossa
transitoriedade, somos apenas
passageiros nesse mundo.
Só então, notamos que existe
um universo além de nós.
Mas atravessar desertos exige
coragem. As vezes, é preciso
deslocar a rota para encontrar
o caminho. Assim, a arte tem
sido a nossa bússola.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Relógio de areia. Revista Sucuru - 5 ed., p. 81, 26 jul. 2021.
pequenas coisas, elas são
mais cruciais do que se imagina.
A arte nos faz sentir, ver,
ouvir e viver outras vidas,
por isso, tem sido como
água nesse deserto sem fim.
No ir e vir das ondas da
vida, nos deparamos com
situações que modificam-nos
permanentemente. Em um dia,
tudo seguia o seu curso, o tempo
era cronometrado à conta gotas,
e todos corriam, perdidos
em seus próprios mundos.
No dia seguinte, o mundo parou.
A pandemia desacelerou os
relógios, e, abruptamente, levou
vários entes queridos. Tudo
o que antes era ignorado,
ganhou um novo significado.
A vida ganhou uma nova cor.
De repente, percebemos a nossa
transitoriedade, somos apenas
passageiros nesse mundo.
Só então, notamos que existe
um universo além de nós.
Mas atravessar desertos exige
coragem. As vezes, é preciso
deslocar a rota para encontrar
o caminho. Assim, a arte tem
sido a nossa bússola.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Relógio de areia. Revista Sucuru - 5 ed., p. 81, 26 jul. 2021.
870
2
Gabriela Lages Veloso
Ressalva
No instante em que saímos de
uma caverna escura, e encaramos
o sol do meio-dia, temos a visão
ofuscada por uma luz intensa.
Esse é o papel da arte, desfazer
as amarras do preconceito e
da ignorância, retirar-nos da
escuridão e do transe cotidiano.
Mas existem ressalvas, a arte é
o caminho mais longo para a
mudança, pois ela não resolve
diretamente os dilemas do mundo.
Pelo contrário, a arte traz à tona todas
as mazelas e problemas, que, em vão,
tentamos esconder, nos becos escuros
da consciência, ou do que dela restou.
A arte, portanto, não pode
mudar, sozinha, o mundo.
Mas pode abrir caminhos
e possibilidades de mudança.
E assim como uma onda que
insistentemente bate em uma
rocha, a arte pode quebrar as
barreiras do medo de tudo
aquilo que é desconhecido,
e nos fazer acreditar no amanhã.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Ressalva. In: Revista Sucuru, Paraíba, 2022.
uma caverna escura, e encaramos
o sol do meio-dia, temos a visão
ofuscada por uma luz intensa.
Esse é o papel da arte, desfazer
as amarras do preconceito e
da ignorância, retirar-nos da
escuridão e do transe cotidiano.
Mas existem ressalvas, a arte é
o caminho mais longo para a
mudança, pois ela não resolve
diretamente os dilemas do mundo.
Pelo contrário, a arte traz à tona todas
as mazelas e problemas, que, em vão,
tentamos esconder, nos becos escuros
da consciência, ou do que dela restou.
A arte, portanto, não pode
mudar, sozinha, o mundo.
Mas pode abrir caminhos
e possibilidades de mudança.
E assim como uma onda que
insistentemente bate em uma
rocha, a arte pode quebrar as
barreiras do medo de tudo
aquilo que é desconhecido,
e nos fazer acreditar no amanhã.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Ressalva. In: Revista Sucuru, Paraíba, 2022.
597
2
Gabriela Lages Veloso
(Re)ver
Enquanto vivemos desatentos,
valorizamos coisas banais, a
rotina se transforma em nossa
maior prioridade. O essencial
se torna invisível aos olhos,
consciente ou inconscientemente.
Nosso olhar não se fixa em nada
que não nos diz respeito, e,
apesar de compreendermos a
existência e injustiça da
desigualdade, tudo que se
refere ao Outro torna-se Nada.
***
(Re)ver
Mientras vivimos desatentos
valoramos las cosas banales,
la rutina se convierte en nuestra
prioridad. Lo esencial se vuelve
invisible a los ojos, consciente
o inconscientemente. Nuestra
mirada no se fija en nada que
no nos concierne, y a pesar de
que entendemos la existencia
y la injusticia de desigualdad,
todo lo que se refiere al Otro
se convierte en Nada.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema (Re)ver. In: Revista Kametsa, Peru, 24 ago. 2021.
valorizamos coisas banais, a
rotina se transforma em nossa
maior prioridade. O essencial
se torna invisível aos olhos,
consciente ou inconscientemente.
Nosso olhar não se fixa em nada
que não nos diz respeito, e,
apesar de compreendermos a
existência e injustiça da
desigualdade, tudo que se
refere ao Outro torna-se Nada.
***
(Re)ver
Mientras vivimos desatentos
valoramos las cosas banales,
la rutina se convierte en nuestra
prioridad. Lo esencial se vuelve
invisible a los ojos, consciente
o inconscientemente. Nuestra
mirada no se fija en nada que
no nos concierne, y a pesar de
que entendemos la existencia
y la injusticia de desigualdad,
todo lo que se refiere al Otro
se convierte en Nada.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema (Re)ver. In: Revista Kametsa, Peru, 24 ago. 2021.
819
2
A poesia de JRUnder
FIM
E tudo não passou de poesias,
que à beira mar ou no topo de alto monte,
o vento escreveu no livro do tempo.
E lá ficaram palavras que formaram juras,
que passaram a compor a brisa de cada nova manhã de solidão.
E lá nos perdemos do que fomos e seguimos
tendo como abrigo apenas um manto de lembranças.
Deixamos inertes as carícias,
carregamos apenas olhos vazios, olhando o nada como futuro.
As marcas dos beijos em nossas bocas,
E o calor dos abraços foram aos poucos se dispersando
na brisa fria do inverno que invadia nossas almas.
Lágrimas que contaram histórias de alegria,
querem chorar a saudade que virá.
E a noite que se faz em nossos corações,
turvará nossa visão e nos fará olhar para trás.
E só veremos a distância.
Em nossa lembranças, ecoará uma última palavra...
Adeus.
200
2
Lopes Carlos
Coração Bandido
Ho vida, a sua disponibilidade trouxe com ela uma alegria;
A sua presença foi muito significativa para o meu inocente coração;
O meu quotidiano foi sempre alegre após a sua chegada;
Mas não só, a sua ida levou com ela a parte mais emocionante de mim;
Hoje em dia ver o meu sorriso tornou-se impossível;
Pois você levou o meu sorriso de mim;
Tentei tê-la de volta mas parece que o seu coração bandido já se esqueceu dos dias mais emocionantes que juntos vivemos;
E hoje sinto como se fosse um castelo de areia desmoronando pelo mar;
Pois as minhas próprias lagrimas são as que formaram o maldito mar que levou o meu castelo de mim;
Esquecer-te é possível o impossível é ter novamente alguém como você ao meu redor, ho coração bandido;
Mas apesar de todo sofrimento causado por ti, ainda te desejo o melhor que a vida lhe preserva;
Pois o meu desejo é maior que o sofrimento causado por ti;
Não há pior castigo que ver o paraíso tornando um inferno;
Mas entendo, a vida é feita de altos e baixos por isso consigo me enquadrar oceano de mar;
Mas sinta-se descartada pois não eu penso novamente em sofrer tendo em conta que a vida esta ao meu favor.
Coração bandido.
__________x___________
....autoria: Lopes Carlos
A sua presença foi muito significativa para o meu inocente coração;
O meu quotidiano foi sempre alegre após a sua chegada;
Mas não só, a sua ida levou com ela a parte mais emocionante de mim;
Hoje em dia ver o meu sorriso tornou-se impossível;
Pois você levou o meu sorriso de mim;
Tentei tê-la de volta mas parece que o seu coração bandido já se esqueceu dos dias mais emocionantes que juntos vivemos;
E hoje sinto como se fosse um castelo de areia desmoronando pelo mar;
Pois as minhas próprias lagrimas são as que formaram o maldito mar que levou o meu castelo de mim;
Esquecer-te é possível o impossível é ter novamente alguém como você ao meu redor, ho coração bandido;
Mas apesar de todo sofrimento causado por ti, ainda te desejo o melhor que a vida lhe preserva;
Pois o meu desejo é maior que o sofrimento causado por ti;
Não há pior castigo que ver o paraíso tornando um inferno;
Mas entendo, a vida é feita de altos e baixos por isso consigo me enquadrar oceano de mar;
Mas sinta-se descartada pois não eu penso novamente em sofrer tendo em conta que a vida esta ao meu favor.
Coração bandido.
__________x___________
....autoria: Lopes Carlos
85
2
2
thiagozuza
A fatura.
(No jardim dos bancos, Brasil)
De tanto olhar as contas seu olhar
Esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só contas na terra:
Contas, apenas contas para pagar.
A onda andante e flexível do seu custo
Em círculos concêntricos só cresce,
Dança onerosa em torno a um ponto oculto
No qual um grande impulso se encarece.
E, sim, todo dia o fecho da carteira
se abre em silêncio. Outra conta, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer creditada no cartão.
De tanto olhar as contas seu olhar
Esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só contas na terra:
Contas, apenas contas para pagar.
A onda andante e flexível do seu custo
Em círculos concêntricos só cresce,
Dança onerosa em torno a um ponto oculto
No qual um grande impulso se encarece.
E, sim, todo dia o fecho da carteira
se abre em silêncio. Outra conta, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer creditada no cartão.
132
2
1
_tuliodias
despedida.
Bom, me endosso a cada vez mais escrever uma carta de despedida. Despedida de quê? Pra quê? Pra quem? Não tem tudo que ama mas nem ama tudo que tem. Eu me desdenho, me soterro, me afogo, não me acaloro. Quando penso que vou, volto. Quando penso que grito, me calo. Quando penso que ando, me agacho. Estou farto, farto como uma pós ceia de natal, farto como um pulmão cheio de água após estar imerso no rio Goose. Confesso-lhes, são longevos e terríveis dias onde meu labor interno se exausta em me auto fazer bem, mas, assim como tudo que começa, eu paro. Eu paro por ser machucado, por não ser amado, por estar à margem, por ser desprezado. Eu conheci o desprezo, o toquei, o beijei e ainda o toco pelos mais variados, tóxicos e insensíveis toques ao meu celular. Como em tantas outras ocasiões, mas sempre como um sentimento novo, eu vejo muito o desprezo, sempre muito, é como se este estivesse agarrado em uma de minhas pernas enquanto eu caminho vagarosamente pelo mesmo caminho que percorrera Dante Alighieri no Inferno da Divina Comédia. Estou exausto do externo, logo, de mim me exausto. As escritas, que estavam acaloradas pela energia da afroncentricidade, agora se resumem como contínuas, lamuriosas e incontáveis lástimas, que preenchem cada pedaço do dito Marco Túlio. O eu lírico sou eu mesmo, eu sofro, as partidas me partem, as partidas me partem, como se já tivesse ido, mas ainda não fui. Como um passo com uma perna, e restara o pé de trás como apoio, eu fui, mas não vou, eu vou, mas não fui. O início é meio instantâneo para o fim. O massivo, protetivo, abrangido lugar do Amor que pensei que meu fora, tornou-se minha perdição. Eu me perdi, fizeram-me me perder. Aonde esta agora você aqui, perto de mim? Onde, onde, onde. Sem as escritas, eu sou devorado, ainda mais devorado, porque elas me permitem falar, por mais que o eu lírico se esconda dentro de marionetes como a de Kankurō, pelas escritas eu grito, não pastoreio, eu grito porque no mundo real não me é permitido gritar, muito pelo contrário, sou forçado a silenciar-me a todo o momento, todo momento. As minhas escritas são um estádio lotado após o gol do time amado, é o amontoado de almas perdidas no fogo do inferno de Dante, é uma sala de aula lotada de uma escola pública na periferia, é o encarceramento de negros dentro de uma cela do sistema prisional brasileiro, não são potentes, são ardentes, porque em mim, me chagam continuamente. Se eu escrevo, é porque a vida muito tem me machucado.
157
2
ivanovic89
Tempo perdido
Depois não reclame que a vida foi injusta ou que não teve lugar ao sol, quando passa pelo campo nem toca o mato brabo, nem sente seu cheiro com a mais profunda respiração, nem toca o muro de concreto com todas as forças da sensibilidade que o tato pode oferecer, nem ouve os pássaros a gorjear seu canto mais lindo atento a todas as notas e atento até ao som dos galhos soprado pela brisa, pequenas coisas que vistas aos olhos do futuro foram amargamente desperdiçadas, oportunidades surgiram mas a pressa sempre andou de mãos dadas com a cegueira e a surdez de não aproveitar as mínimas coisas que o universo proporciona e que é suficientemente a porção correta para o equilíbrio do corpo e da mente.
14
2
Gabriela Lages Veloso
(Re)construção
Desde crianças, somos ensinados
a ver o mundo. Ver e não-ver.
Decoramos (pre)conceitos, que
formam muros tão altos, que
somente o conhecimento pode
ultrapassar. Mas, a cada nova
descoberta e exercício de empatia,
são criadas frestas nesse alto muro.
E através delas surgem pequenos
fachos de luz. Luz que nos deixa
temporariamente cegos, e, talvez,
por isso, nos faça enxergar, por
um instante, para além de tudo
aquilo que já havíamos visto antes.
***
(Re)construcción
Desde la infancia, se nos enseña
para ver el mundo. Ver y no ver.
Memorizamos (pre)conceptos,
que forman muros tan altos que
que sólo el conocimiento puede
superado. Pero con cada nuevo
descubrimiento y ejercicio de la
empatía se crean grietas en este
alto muro. Y a través de ellos
pequeños pozos destellos de luz.
Luz que nos deja temporalmente
ciego, y, tal vez nos hace ver, por
un instante, más allá de todo lo
que hemos visto antes.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema (Re)construção. In: Revista Kametsa, Peru, 24 ago. 2021.
a ver o mundo. Ver e não-ver.
Decoramos (pre)conceitos, que
formam muros tão altos, que
somente o conhecimento pode
ultrapassar. Mas, a cada nova
descoberta e exercício de empatia,
são criadas frestas nesse alto muro.
E através delas surgem pequenos
fachos de luz. Luz que nos deixa
temporariamente cegos, e, talvez,
por isso, nos faça enxergar, por
um instante, para além de tudo
aquilo que já havíamos visto antes.
***
(Re)construcción
Desde la infancia, se nos enseña
para ver el mundo. Ver y no ver.
Memorizamos (pre)conceptos,
que forman muros tan altos que
que sólo el conocimiento puede
superado. Pero con cada nuevo
descubrimiento y ejercicio de la
empatía se crean grietas en este
alto muro. Y a través de ellos
pequeños pozos destellos de luz.
Luz que nos deja temporalmente
ciego, y, tal vez nos hace ver, por
un instante, más allá de todo lo
que hemos visto antes.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema (Re)construção. In: Revista Kametsa, Peru, 24 ago. 2021.
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2
Alba Caldas
A ausência é sua última parada
A ausência é sua última parada.
Aquela que lhe traz o silêncio.
Enquanto ausência é escolha,
o vazio é inerente à existência.
Não há escolhas no vazio, ele existe,
mudarará sua face a cada parada e o
acompanhará até o fim da estação.
A ausência te brinda o distanciamento
necessário para te veres, te sentires.
Se vier junto, o medo, talvez o caminho real de si lhe tenha sido mostrado.
Aquela que lhe traz o silêncio.
Enquanto ausência é escolha,
o vazio é inerente à existência.
Não há escolhas no vazio, ele existe,
mudarará sua face a cada parada e o
acompanhará até o fim da estação.
A ausência te brinda o distanciamento
necessário para te veres, te sentires.
Se vier junto, o medo, talvez o caminho real de si lhe tenha sido mostrado.
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2
1
panhagia
Rosa do Deserto
Quando no comum não há mudança,
Busco ao redor para buscar esperança
Foi quando uma rosa vi em meio a monção,
E me remeteu uma antiga canção.
Era sobre um homem que buscava o amor,
E que por longos anos lutou,
Foi quando um velho com uma flor apareceu,
E finalmente, o amor ele entendeu.
A rosa por aí andava,
Com véu grená, desengonçada,
Com longas roupas róseas, escondia
Segredos que por anos mantinha.
Cada olhar seu era um amanhecer,
Que de água serviu ao meu ser.
Nesse longo deserto que irei passar,
Dessa linda rosa irei sempre lembrar.
Busco ao redor para buscar esperança
Foi quando uma rosa vi em meio a monção,
E me remeteu uma antiga canção.
Era sobre um homem que buscava o amor,
E que por longos anos lutou,
Foi quando um velho com uma flor apareceu,
E finalmente, o amor ele entendeu.
A rosa por aí andava,
Com véu grená, desengonçada,
Com longas roupas róseas, escondia
Segredos que por anos mantinha.
Cada olhar seu era um amanhecer,
Que de água serviu ao meu ser.
Nesse longo deserto que irei passar,
Dessa linda rosa irei sempre lembrar.
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2
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