Escritas

Ponto morto

Eduardo de Souza Lobo Pacheco
Um carro
na curva
movimentos internos


Desvia, ele tá parado
A sorte protege latarias


A Luz acesa
vidro, dedo aberto
condicionado é o ar do encontro

a noite é dona do dia 


O carro na propaganda
A vitrine do ostentar
O cara da propaganda
Com as chaves na varanda
Escolhe as feridas e borra a memória
Estado pleno, se basta
Madrugada ela virá
Pegando amores de quem não ama

Não há placas, nem chassi

onde ja se viu

Um sujeito nem gostar de pessoa

onde já se viu ?

Ela gosta de se jogar
O estofado 
O caro couro do carro 

Encosta no acostamento 

As costas queimam, os ombros mentem


Um lugar por acaso, mas acaso se mede?
Tudo que via eram páginas
Do velho jornal de pisar

 
Nem o apito do guarda sente
Máquinas movem luzes
Exceto o farol do enlatado pendente

Vou cantar

Cama na avenida
Asfalto molinho e quente
Minha vida se derrete
De repente


Eu sou um grande felizardo
Gasolina de partida num copo semente

Hoje eu sou buzina gemendo

é meu gemido que diz
Que um cara
abraçou minha amada 
e foi ser infeliz