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João Pedro

João Pedro

JESSICA

Jessica tem um jeito que me faz enlouquecer
Tem uma voz tão meiga, impossível de esquecer
Tem os olhos castanhos, que eu adoro ver
E eu me apaixonei por ela mesmo sem saber
Pena que já era tarde, quando eu percebi
Já estava bem profundo, não dava mais pra sair
Jessica foi embora e levou meu coração
com olhares, sorrisos e muita sedução.

Mas o que fazer depois da despedida
Ama-la ou esquece- la, só existe uma saída
Pra esquecer não dá pois marcas ela deixou
Mas ama- la como se longe dela eu estou
Essa história teve um começo, mas não quer ter fim
Essa garota não quer sair de dentro de mim
Jessica foi um mal que entrou na minha vida
Uma pergunta sem resposta, um rua sem saída.
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LUIZ GONZAGA DE PAULA

LUIZ GONZAGA DE PAULA

MADRUGADA

MADRUGADA

 

Porta aberta para solidão,

Uma certeza que aqui me traz,

Você levou para sempre a ilusão,

E aqui deixou esta dor tão voraz.

 

Nada restou que eu possa caminhar,

Ficou em mim apenas esse mal viver,

Como um barquinho que se perde no mar,

São a lembranças minhas e de você.

 

Pode seguir o seu caminho vai,

Não vou chora momentos de nos dois.

Mesmo a saudade que de mim não sai,

Será menos forte que o que vem depois.

 

Desarma meu sentido e segue em frente,

E deixa aqui comigo esse desalento.

Foi mesmo pouco o que sobrou da gente,

Aumenta cada vez mais o meu tormento.

 

Nas rugas tão profundas que me resta,

Acerta bem um começo para o fim.

Embora o que restou pouco me presta,

Transgredi tudo que restou em mim.

 

No lume da certeza vejo ainda,

Que nada mais  irá sobreviver,

A madrugada fria vem tão linda,

Agora me atormenta para valer.

1 362
3
Fernando Oliveira Granja

Fernando Oliveira Granja

A piscina

Há, terrinha!
Que com um buraco no chão em forma de coração
ai, mergulho na onda que brilha no alto da mente de quem nos purifica.

Fernando Granja

976
3
Hemili Scarpinatte

Hemili Scarpinatte

Timidez

Quando te vejo, Acende meu desejo

Quero te abraçar, te beijar

Quero abrir meu coração

Dizer que te amo demais

Mas quando estou ao teu lado

As palavras não chegam em mim

Fico triste comigo mesma

Como pode isso ter acontecido ?

Tinha tanta coisa pra dizer

Mas na hora nada me vem

Meu coração dispara

Fico louca pra te dizer o que sinto

Mas não consigo

Mais uma vez uma timidez me venceu

Então escrevi essa poesia

Dei asas ás minhas fantasias

Dizer com essas frases

Que meu amor por você

É maior que todos os mares
789
3
Sofia

Sofia

Canta, canta

Canta.Canta..canta

Nos meus ouvidos um som agradável embala-me o corpo.
Mas este meu estado de tranquilidade não fica. Há um corte no tempo, um rasante ruído que se prende no fim da agulha.
Lá fora, onde queria encontrar-me, o sol tem um sorriso sarcástico. Nem"Lições de Tango" ou "Sapatos de Rebuçado", muito menos "Vai Onde Te Leva O Coração"... talvez um " No Coração Desta Terra" ou outro Coetzee qualquer, mas não, nada me agarra aqui.
Corpo flutuante, pés colados ao chão, amarelo e falso.
O meu sentido continua pregado a ti, no teu sabor, na tua comida e na tua voz.
Canta para mim que eu escuto com a mesma perseverança de uma gaivota sobre a migalha perdida nos resíduos do asfalto.
Consigo imaginar-te apressado, com cheiro a refugado a cortar os legumes e a lavar os alhos.
O sol está a deixar de sorrir mas o meu, agora, é maior do que a boca da Emília.
540
3
Carolina Caetano

Carolina Caetano

Póstumo II

Dos meus pertences todos não havia
um sequer sem maior desventura
(agora do plácido que me figura)
de tê-los meus enquanto os via

Por sidos de carnes os meus pertences
e ossos, os três filhos guardados,
foram esses meus dedos alados
de outrora os meus dedos tangentes.

Foram novos e estão sozinhos
o quanto não quiseram libertos
umbigos das minhas correntes

Estão velhos quando desperto
das minhas ilusões clementes
de comer minhoca e fazer ninhos.
675
3
Hemili Scarpinatte

Hemili Scarpinatte

Meu coração

Me devlveu meu sorrisoo
Minha vontadde viver
Me fez de volta sorrir
Ao teu lado com prazer
Lágrimas desciam em meu rosto
Profunda tristeza
Em meu coração
Mas do ver teus olhos brilhando
E teu sorriso de anjo
Senti de novo o batido
Da nossa PAIXÃO.
817
3
Glória Salles

Glória Salles

Retrocesso

"Retrocesso"

Caminhava só, arrebanhando sonhos.
Sentindo nos pés, o beijo raso do mar.
Querendo no corpo o frescor da brisa
E num abandono a alma escancarar...

O mar traz de volta momentos vividos
Quando teu calor, derretia a solidão.
O colo onde repousei minha insensatez
Chamou exigente, rastejando atenção...

Submissa, atendo o chamado incontido.
Porque meu coração todo o tempo queria
Essa brincadeira de laço, esse jogo.
E te dar como premio mais fina iguaria.

Quero-te outra vez salivando meus rios
Quando na tua boca, me perdia confusa.
Quando mãos doces e atrevidas buscavam
Todos os caminhos, dentro da minha blusa.

Glória Salles
1 263
3
3
Carmem Gomes

Carmem Gomes

Fantasias

Coisas ditas pelos sopros, cantadas
Que soam feito sinfonia aos ouvidos
Sob a base de incontáveis motivos
Emanações do corpo e da sombra
Que olhamos de frente
Para nos ver sem medo
Algo semelhante à relação diante do espelho
O querer ver nosso reflexo inverso, um eco de nós mesmas
Resgatando a imagem do que gostariamos
E nos fazendo fiel ao objeto refletido
Delinear a nossa realidade
Mesmo que essa imagem reflita uma distorção da prudência
Acuando a lógica, algemando a razão.
Porém, que transmita uma trégua
E que me permita usar essa armadilha como forma de viver
Imagem e semelhança de mim mesma
Deslumbrada com os risco de sonhar!
558
3
O maltês

O maltês

As palavras

As palavras:
nenhuma é tão essencial quanto a palavra

Amor

Os actos:
nenhum é tão essencial e profundo
quanto o acto de amar
Apaixonadamente
pelo que se é e como se é

O essencial:
é o que descobrimos que o outro é e o que significa para nós

O essencial:
descobrimo-lo com o tempo

O maltês
488
3
Adilson Adão

Adilson Adão

Errado

Quem diz que nunca errou?
Errar é a pior coisa do mundo.
Todo erro tem seu motivo,
as vezes é por um bom motivo,
mas errar é errar.
As vezes erramos sem querer,
as vezes erramos por prazer,
mas sempre erramos.
Errar é doído,
mas faz parte da vida
Quem erra é julgado,
sempre enormemente cupado.
mas o maior erro que existe
é não perdoar quem errou


962
3
Fernando Maia

Fernando Maia

Pura vida suja




A rua é seu quarto
seu brinquedo é o lixo
escolhe com minúcia de gente grande
pedaços de jornal sujo
entre tábuas e pregos enferrujados
cria sua sala de estar
fundamentada por esqueletos de quarda chuva
e tiras de papelão úmido
indiferente à lama e aos arranhados no joelho
mantém semelhanças de quem ainda é criança
decora inocentemente o ambiente
dispersa os colegas, que precoces
perderam a pureza de simplesmente brincar
a realidae para nós é dura
para um menino com sete anos de idade
é apenas uma pura realidade


676
3
Raspa

Raspa

indinxistir

Uma vontade insaciável
perde constantemente à preguiça
dando sabor desagradável
ao que parece ser justiça.
...
Mas xeque-mate é desistir
feito não alcançado
desfeito pelo insistir
do qual me quero rodeado.

Palavras para memorizar
pensamento a reter
para no orgulho deslizar
na satisfação me satisfazer.

Esforço terá sua recompensa
justiça terá bom cheiro
e quem bem pensa
algum dia será primeiro.
777
3
Fernando Oliveira Granja

Fernando Oliveira Granja

Interno

Quando meus braços te estendo
e tua beleza em minhas mãos se pousa
é a flor que antes unida se mostra
e em raios de luz brota.

Fernando Granja
867
3
1
Petra Correia

Petra Correia

Vagueio

Vagueio por caminhos perdidos a fim de me encontrar
Escondo sentimentos mas divulgo emoções.
Escrevo palavras que me escorrem pelos olhos
Ignoro diários inacabados por ausência de coragem e
Adopto hábitos solitários que me enternecem por breves segundos mas que me abatem por longas horas.

No fundo, até a ínfima parte do meu ser esperneia para que voltemos a ser um só.
Tu e Eu, apenas.

776
3
Mel de Carvalho

Mel de Carvalho

na hora em que pássaros se levantam

na hora em que pássaros se levantam
[dos barros já desgastados
e encetam monótonos, monocórdicos acordes,
em gargantas verticais aos planaltos …

na hora somática de todas as horas antes
em que pedras sem asas são silhuetas íngremes
lâminas entalhadas no dorso de auroras boreais,
lágrimas
punhais de fogo e aço a rumorejar as entranhas
ainda ai, a ética esbarra o verbo e,
amantes loucos voam mais e mais alto
no azul-fogo, no azul-cobalto do céu
contornando ínvios a tempestade…

depois,
depois resta a hora incerta em que pedras desviadas
das pedreiras a jusante
sibilam em minha nuca dores reconhecidas de parto,
tufões
ventanias
dubiedades mareantes de velas ao abandono,
que turvam, salgando, o meu olhar enverdecido…
e as maças policromáticas de meu rosto
são apenas e tão só resquícios de outonais Outonos
em que o sangue das colheitas e serôdias papoilas
se escorria livre na boca ávida de jograis,

… na hora incerta em que pássaros se alteavam
voando acantos na forma breve de uma eclética guitarra.

1 417
3
1
Leide Fuzeto

Leide Fuzeto

Nao viu

Você nao me viu chegar
e trazer a cor da noite
nos cabelos e nos olhos
o brilho de estrelas extintas
você dormia
e nao me viu sair
com as pétalas das flores
que nao plantamos
esmagadas sob os pés
você nem ouviu
que eu saí cantando
em silêncio a música
que nunca ouvimos
962
3
leal maria

leal maria

no teu olhar que me interroga

no teu olhar há uma interrogação
sobre a natureza das coisas onde te perdeste.
olhas…
e vês disforme a sombra que te desenha no chão. 
e tens consciência que nela te reconheceste

é numa súplica desesperada,
que procuras agarrar a esperança que há muito te fugiu.
e a vida… em ti já tão baralhada;
nega-te o futuro que a poucos permitiu. 

mas recusa essa mortalha de desespero…
vem… segue-me como antes!
que pela vontade vou em busca do que quero;
e a vida,
é-me eterna nos seus breves instantes.

olha mais adiante…
olha p´ra lá daquilo que te querem deixar ver.
cerra os punhos numa demonstração de raiva;
que viver de cócoras é o pior morrer.

quantos semblantes por ti se emudeceram!?
que dores se aumentaram com a tua tristeza!?
nenhumas lágrimas por ti se enterneceram;
e pouco lhes importa a tua sensível natureza .

tira do rosto o que em teu coração se sente!
dissimula no olhar essa ânsia que te consome! 
somente nos reconhecerão quando lhes ferrarmos o dente…
nas suas carnes golpeadas é que nos descobrirão o nome!




leal maria  (todos os direitos reservados)

lealparaquedista@sapo.pt

778
3
Céu

Céu

Cuidado com o que SENTE!

Olha pra mim;

Eu não sinto nada;

Eu não choro;

Eu não grito;

Eu não peço perdão;

Mas eu perdoo;

Faço versos;

Choro;

Sofro e vou embora;

O que eu sou você sabe!

Eu sou um fantasma;

Eu não existo;

Aqui no meu exílio;

E mesmo assim estou apaixonada;

Por você;

Por meus filhos;

Por seus filhos;

Pela minha raiva;

Pela sua IRA:

Por sua alegria;

Por todas as minhas falhas;

Por todos os seus acertos;

E ate pelo meu medo;

Pelo que eu sinto;

Por tudo que você sente;

E ate pelo que não sinto;

Eu sou;

Eu estou;

A P A I X O N A D A ...

Por você, por mim, pelo amigo que ainda vai chegar!

Eu sou apaixonada pela VIDA!

EU SOU A VIDA!

Céu

29/11/2008


371
3
António Amaral Tavares

António Amaral Tavares

AVEIRO REVISITADA

Não sei se algum dia saberei polir esta pedra

polir uma pedra é vestir de branco as palavras

nestas ruas de água como se vive? quero dizer

como se apanha do chão

o silêncio em que se embrulha o tempo?

como cortar com arestas de luz os cabelos


por secarem na rocha triste em que se estendem?

quero dizer como se caminha entre duas luas

tão idênticas reflectidas na água que repetimos

as palavras assim que as vemos?

e como beber as vogais dos edifícios manter a cabeça

fora de água procurando a altura das chaminés?

pergunto como se vive nestas ruas de água

no gume de prata polida de um espelho? ou seja como se caminha

e atravessa a cidade e se morre ao atravessar uma rua

com o sentido da água a propagar-se nos pés?

2 069
3
uky stravangazza

uky stravangazza

Dentro de uma gaveta

Dentro duma Gaveta!
entre papeis dispersos,
encontrei ao a caso a chave,
com que fechaste
o meu coração!!

Um véu de sombra,
e de melancolia
invade-me a alma, e arrefece-me
o coração,
descarnado pela dor da solidão:

Há de lembrar-me sempre
com imensa mágoa,quando te olhei
e vi os teus olhos rasos de água
afastei-me de ti, com o pressentimento
que não te veria mais,

A dor que senti nesse instante,
queria verte uma vez mais!!

Fiquei suspensa,desse olhar
de olhos rasos de água, um véu
e sombra e melancolia,invade.me
a alma e arrefece-me o coração.
520
3
leal maria

leal maria

a sombra das palavras

as palavras,
já gastas pelo tempo;
esbatem-se nas sombras do que senti.
e na impossível memória 
do sentimento,
folheio em parágrafos 
o sonho do qual fugi.

sentado… 
à espera não sei bem de quê…
olho o caminho…
nada nele se anuncia!
nem quando… 
nem como… 
porquê...?
que é feito do desejo
que então em mim havia?

passam e não lhes ligo.
ignoro as promessas de novas verdades.
Incomplacentes; 
cruas;
aprisionam-me as saudades…

deixo-me ficar!
expectante
no que já tomei como certo.
paradoxo 
em que me deixo enredar;
pelo conforto de um coração deserto. 

mas algo se move em mim!
há uma inquietude 
que me substancia .
não… não é ainda o fim!
surgir-me-ão novas palavras...
esculpirei nelas mais uma poesia!



leal maria (todos os direitos reservados)

lealparaquedista@sapo.pt
753
3
Carmem Gomes

Carmem Gomes

Enigmas

Mistério...
É prudente apenas sentir e não explicar
Mesmo que seja no impulso ávido de um breve momento
Vai persistir... mesmo que esvazie a mente!
A todo instante retorna
Vem mansinho... frágil
Porém, em forma de um sentir forte
Capaz de romper os limites imaginários
Invadir labirintos e ignorando todas as saídas
Envolver-se nesse enigmático caminho.
Mistério que silencia e que vem sempre na contramão da realidade
Com uma capacidade de resgate tão peculiar, que só nos resta
Querer esse querer transbordante
Ganhar/perder
E nesse percurso eloquente,
Onde envolve corpo, mente, tempo, vida e todos o sentidos 
Me deixo turvar nas águas enigmáticas desse mistério
Buscando apenas e simplismente
 atravessar a ponte!
494
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Madalena Palma

Madalena Palma

Da alma

Toda a poesia que escrevo

É arrancada da alma

De gume afiado abro o peito

E derramo todas as palavras

As que doem caem duras no chão

As que magoam não replicam

Há também os versos de alento

E as palavras de amor

Essas espalho-as pelo corpo

Para que a tua língua as recolha

E em ti permaneçam

Sem que eu as tenha dito

1 160
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