Escritas

ENTRE A PELE E A MEIA

Paulo Sérgio Rosseto

                 Paulo Sérgio Rosseto

Quantos apelos há entre a pele e a meia
Serena seda que recobre a perna
Encanta os poros, esperta os olhos 
Aveluda o tato, arrepia a penugem
Traz volúpia, seda os lábios 
Navalha a carne, orvalha a alma 

Tanto veneno está nesta candura rara
Que divisa a faixa, apreende à teia
Reaviva as margens, festeja as bordas
Margeia a taça, absorve a brisa
Rosa macia de pétala farta
Amordaça o senso, incandeia

Magna estrofe, carinhosa vasta 
Mansa e plácida cheirosa lua 
Tens a malícia sedenta exposta 
Da serena vontade de mergulhar às cegas 
Na onda abrupta entre o mar secreto
E a enxurrada arrítmica da vaga nua

@psrosseto