Lista de Poemas
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natalia nuno
raízes soltas...trovas
perseguem meu endereço
trazem com elas o perfume
d' dias que eu não esqueço
quero estar ou ir embora
hesito, duas vezes penso
ainda não chegou a hora
é aqui que eu pertenço
dos meus olhos sou dona
e desta letra miudinha
Poesia não me abandona
nem esta saudade minha
tenho insónias e temores
mas tenho livre o pensar
se na vida tive... amores?!
hoje vivo para recordar
para aliviar meus dias
lembrar os que já lá vão
vou escrevendo poesias
que pão e vinho me dão.
natalia nuno
rosafogo
José João Murtinheira Branco
MONOLOGO ANATOMIA DO POEMA
Olha vai tu……..
Vou para aonde? aqui vou escrevendo,
voando no verso…
Fraca desculpa, não é razão absoluta!
anda, sai, vai para o teu Universo
.
Olha vai tu…
Nesta persistência que persiste,
nas frases gastas, o poeta está nu.
A final o que procuras?
Alimentar o ego, um amor virtual,
palavras e juras, ilusão e aventuras,
desassossego no espirito que mata a solidão,
palavras escondidas, frases mal escritas,
o eco da própria voz na imensidão
faminta, escura e tenebrosa,
que te alimenta as entranhas do medo,
massacrando com arte vagarosa
a solidez do teu rochedo.
Olha vai tu……
Por muito culpado que me julgues,
não me flageles com palavras
o meu corpo sangra e a minha alma
foi engolida pelo esquecimento
Não, quero histórias, nem lavras,
nem piedade, nem sentimento.
Será que a Musa da Poesia abandonou-te?
essa força quente perscrutada,
corpo de névoa, de imagem
com sulcos de tatuagem,
voz absoluta escutada
.
Olha vai tu…….
A Musa habita na minha alma
a poesia não sucumbe, canta a vida e a morte,
congrega a visão do mundo, que em espaços
profundos se miram e se abraçam,
enaltecendo, reacendendo a chama.
Não sou poeta, sou apenas um profano sem
sorte,
em demanda do céu da terra e da eternidade,
bebendo na poesia, o elixir da harmonia,
expurgando a inercia , na vital necessidade,
de perseguir os sonhos , reacendendo a chama.
O poeta é uma árvore, com frutos de tristeza
e com folhas
murchadas de chorar o que ama.
Em tão o que fazes aí!
esgotaste o teu tempo. Sai, vai
embora!
sai, sai já daí…
Tens razão vou agora!
fechei o verso, saí………..
João Murty
Heloisa Melo
O que prende
Enide Santos
Findou-se o sonho
Não posso mesmo ter você.
Todos os sentidos estão mudos,
e aéreos ao meu ser.
É o fim de você em mim.
É chegada a hora,
de adeus ter que dizer.
As lágrimas já cheiram a tristeza,
da dor de te perder.
Então findou-se o sonho.
Não há mais nada...
Apenas o som do reboliço
que faz o amor para não deixar de existir.
Não posso mais ter este amor em mim,
É mesmo chegado o fim.
Enide Santos 11/06/14
Valdir Gomes
Terra Vazia
Enide Santos
Sonho em flor
Neste acúmulo de noites vazias e gritantes,
Só me restam as dores desta vida pedante.
Neste eco envolvente de sentirem e pedires;
Há um calabouço, fétido e escuro,
Negro como a dor do fim do mundo.
É lá, onde habita o mais profano sentir;
E a passos largos, vou me despindo de mim.
Vou me envolvendo neste mundo moribundo.
E dos seus fungos, e dos seus humos,
Farei brotar o meu mundo.
Enide Santos 28/05/14
Paulo Jorge LG
Sem Convalescença Possível
Estou irremediavelmente perdido na solidão,
Pressinto a morte em mim inerte à espreita,
Os gritos mudos que me percorrem a prisão,
Em que me tornei bem fechada e estreita.
Estou tão longe das ruas cheias de euforia,
Onde se percorrem caminhos sem rumos,
Deixei lá escapar a alegria que se esvaia,
Só me ficaram na memória os desaprumos.
A existência sórdida em que soçobrei,
Recapitulada vezes sem fim nem conta,
Tudo o que sem nexo tolhi e me tornei,
Vazio sem importância ou qualquer monta.
A luz que deslumbrei ao longe nunca me incidiu,
Rastejando na penumbra incógnito desistiu,
A minha pobre alma imaculada afogada em dor,
Hipnotizada não resistiu à modorra nem torpor.
Lisboa, 12-10-2013
Cléia Mutti Fialho
FIÉIS COMO CÃES (pensamento)
Paulo Jorge LG
Desencantos
Desencantos alados que me corroem,
Nas sombras fugidias desenhados,
Que busco incessantemente trazer,
À luz enamorada do luar trajado.
Desencantos finados que me arruinaram,
Nas trevas me deixaram enclausurado,
Desabrigado da chuva insolvente que cai,
Que não me deixa desassossegar.
Desencantos que mergulham-me fundo,
Sem sequer poder ou saber respirar,
Nas entranhas da terra que por mim,
Suspiram sem parar tão saudosas.
Desencantos do meu desencantamento,
Que me inebriaram de tanto enfastiamento,
No meu leito de prenúncio de má sorte,
Onde gizei o luto do meu inconformismo.
Lisboa, 25-8-2013
joao euzebio
UMA ROSA VERMELHA
VEM
TRAZ TAMBÉM
O SEU SORRISO
NESTA NOITE EU PRECISO
DO SEU OLHAR
POIS AS ESTRELAS QUE
NAVEGAM SOBRE O MAR
ARRASTARAM A LUA
DENTRO DA SAUDADE TUA
QUE EM MEU CORAÇÃO FICOU
FOI A ROSA QUE DESPETALOU
DEIXANDO APENAS OS ESPINHOS
SÃO VENTOS QUE POR ESTES CAMINHOS
ELA DESFOLHOU
VEM
QUERO VOCÊ EM MEUS BRAÇOS
FEITO NUVENS QUE PELO ESPAÇO
A LUA ESCONDEU
SEJA MINHA
QUE EU SEREI TEU
NESTE SONHOS LOUCOS
QUE AS LEMBRANÇAS
POR AI ESPALHOU
É MINHA ALMA QUERENDO FLUIR
SAIR DE DENTRO DO PEITO
FEITO CHUVAS DE VERÃO
SÃO APENAS EMOÇÕES
DESTE DESEJO
QUE EM BEIJOS
EU QUERO TRANSFORMAR
DEIXE APENAS QUE O MAR
TRAGA SUAS ONDAS
ENQUANTO OS ANJOS NOS SONDA
QUERENDO NOS JUNTAR
POIS VAMOS FORMAR ESTA CONSTELAÇÃO
NESTA EXPLOSÃO
DE SENTIMENTOS
DEIXE A CORRENTE DESTE VENTO
PASSAR
FORMAR UM RIO DE FANTASIA
POIS JÁ VAI AMANHECER O DIA
E EM TEUS BRAÇOS... QUERO SONHAR.
EF
A colisão
Realidade e fantásia
Mar é marásia
[á=e, o
leitor é esperto
Espero não
ser descuberto!]
Transgressão
e seriedade
Condizentes
à idade
Partidas e
pousos
Crases e
agudos
Não que eu
ouso.
Largar meus
estudos
Páginas e
páginas
Sem
conteúdos
Rimas forçadas
(não foram
orçadas!)
Poesia
patética
Hiporcisia
poética
Quanta
banalidade!
Barata
sentimentalidade
Desculpas, mea
culpa, e...
de novo
realidade!
O elefante
na sala
As memórias
na mala
Memórias do
futuro,
emérito
E o do
pretérito,
Duro
Memória de
esquecimento
Sentiente
sem sentimento
Loucura,
tem cura
Realidade,
a real idade
Portas
fechadas
Facadas,
fachadas
Pensar,
lembrar, sentir
Sentir,
pensar, fugir
Você e eu
Bem e
agora,
e agora,
bem?
O que tem
lá fora?
A vivência
(ou será
conveniência?)
vai ajudar
a
sobreviver nossa convivência?
Quem quer
dobrar o estupor?
Tem que
passar até o torpor
Vai valer a
pena?
Tudo valerá
a pena,
Se nossa
alma for serena
Jacqueline Batista
Mulher...
É muito triste uma mulher sem brilho nos olhos
Sem o sorriso que brota na alma
E irradia por todo seu ser
Uma mulher precisa de leveza
De suavidade no seu caminhar
Precisa ter consciência de sua existência
Precisa acreditar na sua essência
Mulher é presente de Deus à Terra
É o diamante mais raro
É a flor mais bela
Mulher precisa vestir-se de doçura
Mesmo que os olhos chorem
É na sua alma que as lágrimas
São apenas água que cura
Que cicatriza as mágoas
Que purifica e edifica os sonhos
Mulher precisa de desejo
E sentir-se desejada
Mulher precisa amar-se primeiro
Para doar seu amor depois
E não a qualquer um,
Mas aquele que lhe faça sorrir
Sem motivo algum
Que é amigo, companheiro
Que faz seu corpo arrepiar-se por inteiro
Mulher que traz o sorriso na alma
Transforma tudo ao seu redor
Pois é equilíbrio e calma
Cléia Mutti Fialho
ENVOLVE MEUS SENTIDOS (erótico)
Ricardo Cabús
Dialógica
Dialógica
(Cacos Inconexos)
Eu
quero uma buceta cabeluda
ou
raspada
A
boemia para mim é um acidente
Eu
quero estar em casa
filosofando
cada pentelho
iluminado
pelos raios que transpassam
aquela
cortina encardida
Eu
quero esse cheiro impregnado
o
espaço impreenchível
de
um coração implexo
Para
fora com suas vaginas monologais
Eu
quero uma buceta que dialogue
José João Murtinheira Branco
MENINO POETA
Menino poeta, de olhos cansados, escutando, os sons roucos das palavras sem nexo nesta escrita de loucos, deste poema corrido, onde a perseverança é nublada por pensamentos vestidos de negro, decantados na desilusão da espera e trajados em crepúsculos pálidos da incerteza. As frases dos teus poemas jazem vencidas caídas, varridas, para esse abismo profundo de solidão. E a sorte, essa, amarga e profana até na morte, cai em mergulho profundo, asfixiando-se por entre ais e lamentos numa mortalha lírica coberta por aromas de cedro e de rosa. Nada mais resta, apenas perpetua o barulho rasgado do silêncio dilacerado por sons imaginários, que bramindo corre no rio do pensamento, envolvendo lentamente a tua alma numa monotonia latente de escrita, sem fio de versos, sem espaços em escrita de prosa.
Poema escrito no luto, inspirado num tempo devoluto e sem sabor, de traje negro te venera, declamando estes versos à minha dor.
É uma tristeza sentida. É uma lágrima que cai.
É a
voz que já não fala. É o corpo dormente.
É a
amargura da vida. É a esperança que vai.
É a
pena que cala. É a fuga para a frente.
É a
agrura sentida. É uma luta sem sorte.
É a
tinta que goteja. É o tinteiro que cai.
É a
sina da vida. É a gadanha da morte.
É o
anjo que beija. É a alma que sai.
É o sono profundo do menino que cedeu.
É o
sonho sem mundo do poeta que morreu.
João
Murty
Ricardo Cabús
Cardiolatifúndio
Cardiolatifúndio
(Cacos Inconexos)
Ele
era tão ateu
que
não conseguia dizer
adeus
Tentava
aprender a fazer reforma agrária
em
um cardiolatifúndio
RITA FLOR
AH!...ENFIM ___VIVER...
José João Murtinheira Branco
LÁGRIMAS
No céu azul dos teus olhos, correm nuvens de tempestade
Nascidas
no coração em dor, sopradas pelo vento do momento
Lágrimas,
solidamente agrilhoadas aos ferros corroídos da saudade
Tardam
a apagar o fogo, que ateia a desilusão e incendeia o sentimento.
Lágrimas
que correm sem cadência, no leito do rio da demência
Num
percurso de escolhos, para além do nada, onde mora a eternidade
Desaguam
intempestivamente, no oceano insondável da existência
Onde
a vida tem danos, entre tantos enganos, na procura da felicidade.
Neste
oceano das dores, afoga essas lágrimas filhas da vida e da morte
Segura
o leme da tua nau, iça a vela da sabedoria e procura a tua sorte
Circunda
a orbe cintilante, onde o norte é distante e o vento não tem tino.
No
cimo da montanha do ocaso, condensa-se esse intangível desejo
Nos
raios entrelaçados, onde brilham as lágrimas de procura e ensejo
RITA FLOR
ARTE ___significados de PANEJAMENTOS infinitos...
José João Murtinheira Branco
AGUARELA
Nesse quadro em que o verde da tinta tem menos cor
E
o tempo se entrelaça no misticismo do anoitecer
Colocaste
um rio de águas proféticas onde se afoga a dor
E
as mágoas se espraiam nas cores rugosas do envelhecer.
Nesse
quadro em que as margens do rio estão cobertas por açucenas
E
o sol do entardecer vai morrendo em clarões de aurora
Colocastes
auréolas e asas prematuras nos meus poemas
De
tinta húmida e incolor colhida na face de alguém que chora.
Nesse
quadro de alma pintado em tintas que ninguém consegue ver
Encontram-se
caídas palavras de poemas que ninguém pretende ler
Ébrias
de cansaço, juntas pelo vento nas paredes de qualquer viela.
As
cores pardas debotadas e amarelecidas que ensombram a aguarela
É a esperança perdida das coisas que não tive e que no sonho me pintaste
Samuel da Mata
APENAS NUVENS
Me deixei levar com as nuvens num céu azul de encantos
Com elas sonhei, construí castelos, fiz e refiz o borrão da vida
Deixei que o manto da ilusão me aquecesse em sonhos
Sem censura, sem lógica ou qualquer outro esquadrinhar da razão.
Com elas fui criança, fui insano, desvairado e fútil,
Mas também com elas fui pleno, fui livre e muito feliz.
Não me pediram nada, não me cobraram nada, nada a mim disseram,
Mas deixaram em minha boca o gosto de ser feliz, insanamente feliz, ainda que por um instante.
Valdemir Guimaraes
O filho que não veio
Ainda que eu não Reze, “preço” que fiques bem.
E retorne pra casa tua
E reveja os filhos que são seus e meus
O que não veio, você mesmo diz
Foi Deus que assim quis e eu concordo
E me conformo e dobro a vida assim.
Valdemir Guimarães
marcelomalves
Talvez
Samuel da Mata
O TRABALHAR DOR
Ele trabal ha a dor que o consome
Chama-a stress, cansaço e outros nomes
Modela assim seu sofrer em alto estilo
Azeita as mágoas, afogando seus sibilos
Não é das rochas a poeira que fumega
É o esvair de sonhos, que a pátria lhe renega
Esperança que o tempo aos poucos quebra
Caminho de desilusão, vida em procela
Rocha talhada em sofrimento e descaso
Figura erétil, marcha servil para o trabalho,
Morrer de sonhos, estrutura em frangalhos
Pão de miséria e nada mais aos seus pirralhos
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