Lista de Poemas
Explore os poemas da nossa coleção
natalia nuno
o suavizar do dia...
esse minúsculo ponto
donde parti,
pequenino, que me trouxe até
aqui,
me traçou o destino e é raiz
em mim.
Ah se não fosse essa linha
traçada, essa estrada
onde vive a minha liberdade
e a saudade
neste cair da tarde,
onde ainda mora em segredo
o sonho, sem medo.
Ah se não fossem os becos
da aldeia e o rio , lembrança
que à minha alma se enleia
tecendo teia
e é melodia ao ouvido,
vinda lá donde
era criança.
Ah se não fosse o salgueiro
a emprestar-me a raiz
e a suavizar-me a travessia
a destruir a barreira do tempo
até ser outra vez dia.
Ah se tardasse o anoitecer
como seria bom viver
renascer, habitar de novo
a vida em abundância
e voar, voar na estrada da distância.
Ah mas como tudo está longe,
longe e perto dos sentidos
ontem, hoje, aqui e agora
onde sonho acordada
onde agasalho como outrora
a vida.
natalia nuno
rosafogo
Dhiogo José Caetano
A droga nossa de cada dia
Efeitos alucinógenos.
Reflexos taxológicos.
Consequência do desequilíbrio.
Ninguém sabe o que verdadeiramente se
passa.
Uma desordem provocada.
Sonolência, medo, prazer, traumas...
Uma liberdade limitada.
Não sei de nada.
Só sei de mim.
Não é certo, não é correto.
Mas uso as drogas para fugir deste
mundo.
Quero destruir a cadeia que aprisiona a
minha alma.
Julgam-me sem saber da minha realidade
A droga nossa de cada dia.
Estou morrendo aos poucos, sentindo os
efeitos deste entorpecente que gloriosamente abduzir o meu ser.
Aqueles que me criticam são usuários de
substâncias devastadoras como: corrupção, autoritarismo, pedofilia, exílio da
ordem e do progresso.
Procuro a liberdade a qualquer preço,
mas não provoco a morte de inocentes.
Sou um usuário de drogas, sou enganado,
manipulado pelo vício, mas foi a única forma encontrada para concretizar uma
falsa liberdade.
O contexto social que nos circunda é uma
droga letal, poucos são os sobreviventes.
Fernando Oliveira Granja
Arre!
Remisson Aniceto
Vizinho ilustre
Nova Era é tão perto,
tão perto de Itabira,
que quase vejo Drummond
na Sêrro Verde
na Sêrro Azul.
Mas como vê-lo
onde ele nunca foi?
Carla Pais
Desculpa meu amor
Fogem-me as palavras que usaria nesta folha para te
falar de amor. Talvez, no fundo, as palavras nunca tenham
existido, talvez não passem de invenções delicadas que o
amor nos oferece a cada intervalo de silêncio – desculpa
meu amor não ter nascido com o dom de tecer as palavras certas
para construir poemas que te enobreçam a alma,
ou que te aliviem o cansaço dos olhos, pois isso, já outros o fizeram;
os poetas abandonados à leveza das penas que trouxeram ao papel
todas as dores do mundo e mais as nossas. Desculpa meu amor,
mas as palavras teimam em debandar-se e não sei se voltarão depois,
suspeito que o amor não se escreva hoje como outros o escreveram, e,
por assim ser, o gastaram como gastamos nós todas as páginas em branco
que teimosamente desejamos escritas.
joao euzebio
SENSUALIDADE
ME AFAGA
ENTRE UM DESEJO
E OUTRO
ME DEIXANDO LOUCO
E FEBRIL
SÃO COMO CHUVAS
CAINDO NAS CORRENTEZAS
DESTE RIO
ME AFAGA
ENQUANTO EM
AQUEÇO ME DESTE FRIO
QUE A CHUVA DEIXOU LA FORA
POIS SEI QUE NÃO DEMORA
ME FARA ENLOUQUECER
ME DERRETER
EM SEUS BRAÇOS
ME DESPEDAÇAR
EM PEDAÇOS
ME FAZENDO DENTRO DE VOCÊ
SUMIR
ME AFAGA
ME BEIJA LOUCAMENTE
ME SUGA
INDIFERENTE DESTE DESEJO
ROÇA SEUS LÁBIOS NOS MEUS
POIS O BEIJO QUE ME DEU
ME FAZ SONHAR
DELIRAR
DE PRAZER
SINTO ESCORRER
TEU CORPO NO MEU
SÃO OS DESEJOS TEUS
QUE DERRETEU
NESTA CAMA
FEITO CHAMAS
QUE NÃO SE APAGA
QUE APENAS SE PROPAGA
EM
INFINDÁVEIS
... DESEJOS.
ME AFAGA
E DEIXA O TEMPO PASSAR
DEIXE
QUE O LUAR
NOS TRAGA ESTAS ESTRELAS
ENQUANTO ADORMECE
E AQUECE OS SONHOS MEUS
POIS TE QUERO
E PARA SER SINCERO
SEJA MINHA
QUE EU SEREI... SEMPRE SEU.
niso
Petição
Na vida em que vicejo
Tenho estranhos momentos.
Em cada hora revejo
Flutuantes pensamentos.
Dia que começa e acaba
Apontando ao futuro.
Dia de longa meada
Que se tece com apuro.
Vida que por mim passas
Meus sonhos não desfaças
Que me deixas inseguro
Não tenho mais pedidos
Nem desejos escondidos
Nem desígnio obscuro.
Enide Santos
Sonho em flor
Neste acúmulo de noites vazias e gritantes,
Só me restam as dores desta vida pedante.
Neste eco envolvente de sentirem e pedires;
Há um calabouço, fétido e escuro,
Negro como a dor do fim do mundo.
É lá, onde habita o mais profano sentir;
E a passos largos, vou me despindo de mim.
Vou me envolvendo neste mundo moribundo.
E dos seus fungos, e dos seus humos,
Farei brotar o meu mundo.
Enide Santos 28/05/14
José João Murtinheira Branco
DUETO - SONHOS DOS POETAS
DUETO - Carlos B. Alves / João Murty
Domina-me com o teu corpo os meus anseios
Saboreia-me por inteiro nos meus receios
Tudo é bom, tudo é raso, com ideias incríveis
Escrevendo liberto-me d'algemas invisíveis
Carlos Bradshaw Alves
Escrevendo, libertas ideias,
encontras liberdade
Os teus receios são silêncios
omnipresentes
Que à vida te prendem com
invisíveis correntes
Os poetas perseguem os sonho e a
eternidade,
João Murty
Jacqueline Batista
Lindo é quando amamos alguém
Lindo é quando amamos alguém
E mesmo sabendo que jamais iremos tê-lo
Lançamos a ele todo o nosso amor
Em forma de gotas de desejo
Desejo de vida longa e prazerosa
Desejo de felicidade infinita
Desejo de paz aonde quer que vá
Lindo é quando amamos alguém
E mesmo na ausência estará
Para sempre presente
Na memória de momentos
Na lembrança de sensações
Nos sorrisos sinceros
Nas palavras que nunca foram ditas
Lindo é quando amamos alguém
Remisson Aniceto
TAMtos mortos
De quem é a culpa?
Do homem-máquina?
Da máquina-homem?
Da máquina-máquina?
Ou de todo o maquinário?
E o que diz a caixa,
a caixa queimada,
a caixa “imune” à queda,
a preta caixa-preta?
Será que gritos, choros,
gemidos, ruídos,
frases entrecortadas,
palavras desmembradas
denunciam culpados?
De quem é a culpa?
Da chuva? Da pista?
Da torre?
De quem já morreu?
E a próxima culpa?
De quem há de ser?...
Minha? Tua?...
Lília_Tavares
[É DE BRUMAS]
LÍLIA TAVARES, in RIO DE DOZE ÁGUAS, 12 POETAS, Prefaciado por Joaquim Pessoa (Coisas de Ler Ed., 2012)
[É DE BRUMAS]
É de brumas
que as manhãs se cobrem
antes que o sol aqueça
este vazio,
o orvalho pousa-me
pesado, no corpo.
Sei que me podias
soprar estas gotas
e desnudar-me no inverno
como em pleno estio.
Paulo Jorge LG
Sem Convalescença Possível
Estou irremediavelmente perdido na solidão,
Pressinto a morte em mim inerte à espreita,
Os gritos mudos que me percorrem a prisão,
Em que me tornei bem fechada e estreita.
Estou tão longe das ruas cheias de euforia,
Onde se percorrem caminhos sem rumos,
Deixei lá escapar a alegria que se esvaia,
Só me ficaram na memória os desaprumos.
A existência sórdida em que soçobrei,
Recapitulada vezes sem fim nem conta,
Tudo o que sem nexo tolhi e me tornei,
Vazio sem importância ou qualquer monta.
A luz que deslumbrei ao longe nunca me incidiu,
Rastejando na penumbra incógnito desistiu,
A minha pobre alma imaculada afogada em dor,
Hipnotizada não resistiu à modorra nem torpor.
Lisboa, 12-10-2013
Remisson Aniceto
Desatino
Olho-te e não te vejo.
Não és mais o que antes vi.
Procuro ver o que desejo
e desejo o que houve em ti.
Tudo é mudado, tudo é estranho...
Tudo difere do que vivemos.
A imaginar como fomos nos pomos
e tão alheios de nós nos percebemos...
À hora morta, é morto o riso
e do vento a ladainha nos ouvidos
insiste que o Amor é preciso
mas não adianta: estamos perdidos.
O tempo é escuro... a voz não fala...
No alvorecer dos belos dias
deixamos os sonhos. Nada nos abala.
Só nos resta agora a alma fria...
É mudo o meu ser mas não mudei.
Duas almas opostas no mundo.
Quando tu dormiste, acordei.
Vejo um corredor escuro e sem fundo...
Fernando Oliveira Granja
A Morte subjacente
natalia nuno
amor feito desejo...
Mas é pura e serena esta alegria
em que me deixo perder!
Vivo e alguma coisa embriaga o ar
aqui, ali, a esperança, e sempre a fé,
não deixo de reconhecer
que ando agora mais devagar.
Posso olhar-me!
Alegrar-me...
Com olhos espantados
e a interrogação na boca,
depois de tantos passos dados,
ainda confio e estendo os braços á vida,
e vivo-a, louca.
Como a água viva que corre e canta
e é sempre
jovem!
Reconheço-me forte
avanço por entre a multidão
com o coração a pulsar,
acolho o amor e com sorte,
me entrego enlouquecida,
ao amor... a te amar.
Meu peito bate lento,
duma forma perfeita
não há solidão nem esquecimento,
quando a lua cai sobre nós
e aí se deita.
Há muito que meus olhos verdejaram
há a memória ainda fresca desses verões
quando os teus me olharam e amaram
e em uníssino bateram os corações.
Ainda que a vida nos fustigue
e nada seja como dantes
o amor será sempre a verdade
que crepita nos nossos instantes.
Este mistério que nos causa saudade
fogueira onde nos aquecemos
verdor dum bosque onde nos perdemos
amor feito desejos
vivos!
Sonho que não faz ruído
meu coração e o teu cativos
e as águas velozes correndo
no mesmo sentido.
rosafogo
natalia nuno
Cléia Mutti Fialho
FIÉIS COMO CÃES (pensamento)
Samuel da Mata
TORRÃO DA ILUSÃO
Encantado por ti eu estendi meus braços
Buscando em teus abraços o realizar de sonhos
Mas entre eu e tu, um cruel espaço
E de alçar asas, um pavor medonho
Ah meu torrão que adoro e que me faz cativo
Que meus sonhos de amores faz desvanecer
Quem me fez seu dono em conto primitivo
Que por ti insano, pronto até a morrer?
Quimeras de sonhos e de falsas posses
Monturo de estórias contos de ilusão
Terra ingrata e triste, de minha alma entorse
Raízes das mágoas em meu coração
natalia nuno
raízes soltas...trovas
perseguem meu endereço
trazem com elas o perfume
d' dias que eu não esqueço
quero estar ou ir embora
hesito, duas vezes penso
ainda não chegou a hora
é aqui que eu pertenço
dos meus olhos sou dona
e desta letra miudinha
Poesia não me abandona
nem esta saudade minha
tenho insónias e temores
mas tenho livre o pensar
se na vida tive... amores?!
hoje vivo para recordar
para aliviar meus dias
lembrar os que já lá vão
vou escrevendo poesias
que pão e vinho me dão.
natalia nuno
rosafogo
José João Murtinheira Branco
DUETO - SAGRES
DUETO: João Murty/Joana Aguilar
Nesta terra diferente de mar profundo, onde
os mitos outrora foram vencidos.
Declamo este poema, a este povo coberto pelo
rumor e pelo sal do seu mar.
Circundado por escarpas e ventos fortes, que
sopram em todos os sentidos.
Sigo na saga de rumos desconhecidos,
inspirado na magia intemporal deste ar.
Em baixo. Fome revolta, vagas cruéis lançadas
por esses mares da desventura.
Sons alados, ecos de barcos naufragados,
sepulturas que jazem no fundo do mar
Em cima. Astrolábios, compassos, cartas,
velas, caravelas, mareantes, aventura.
Escola, alquimia, Infante, rosa-dos-ventos,
instrumentos rodopiando sem parar.
Esta terra diferente tem mais cor, feita de
tinta de mil sonhos e de ansiedade.
Que deram visões de novos mundos, construídos
na mentira e na verdade.
Em temas líricos, escritos por monges poetas
que te honraram e declamaram.
Na ponta do Cabo de S. Vicente, nesses
rochedos que se erguem ao universo.
Colho na mão a tinta desse misticismo, que se
esvai nas letras deste meu verso.
Poema de agora, bebe e sente essa aura de
outrora, a quem os poetas sublimaram.
João Murty
Sagres onde o vento se faz ouvir, num bruar infernal
Circundado por esse mar fundo, a tua voz buscou
Os mitos foram vencidos pela fé da Virgem maternal
Castrando ecos de vozes que o pensamento criou
.
Ladeado
por escarpas no árido escolho ermo do mar
O
Cabo de S. Vicente se ergue, em granito gigante
A
sua face intemporal, imóvel austera e dominante
É
escola, compasso, rumos, viagens que irão despontar
Destas
pedras donde o misticismo de Henrique Infante
Traçou
sonhos, ganhou mundos, marcou estrelas no ar
Fixou
o céu crepuscular e o inferno no espirito de Dante.
Lançou
caravelas que velejaram nos mares da desventura,
Inspirados
na magia intemporal e na arte de bem navegar
Engoliram
Adamastor, dando inicio á grande aventura.
Joana Aguilar
ana rafael
Antes
Antes que me tivesses
Perdi-te
Antes que me abraçasses
Fugi-te
Antes que me beijasses
Amei-te
Antes que nascesses
Morri-me
Antes do começo
Era o fim
Paulo Jorge LG
Sem Te Encontrar
Não te fixei o olhar,
Nem te consegui dedilhar,
Sem encantamentos,
Nem emolumentos,
Dilui-me em dor,
Em puro torpor,
Imolado na loucura,
Que perdura,
Deixaste-me o perfume,
No meu azedume,
E eu sequei as saudades,
De todas as inverdades,
As lágrimas contidas,
Do coração vertidas,
Ninguém bateu à porta,
Da minha natureza morta,
O sol nunca mais nasceu,
Quando o assombro se perdeu,
Enviusado no sentir,
Extinto ao resistir.
Lisboa, 21-10-2013
Cléia Mutti Fialho
COMO A LUA (pensamento)
Heloisa Melo
Português
English
Español