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natalia nuno

natalia nuno

o suavizar do dia...

Ah se não fosse o ponto
esse minúsculo ponto
donde parti,
pequenino, que me trouxe até
aqui,
me traçou o destino e é raiz
em mim.

Ah se não fosse essa linha
traçada, essa estrada
onde vive a minha liberdade
e a saudade
neste cair da tarde,
onde ainda mora em segredo
o sonho, sem medo.

Ah se não fossem os becos
da aldeia e o rio , lembrança
que à minha alma se enleia
tecendo teia
e é melodia ao ouvido,
vinda lá donde
era criança.

Ah se não fosse o salgueiro
a emprestar-me a raiz
e a suavizar-me a travessia
a destruir a barreira do tempo
até ser outra vez dia.

Ah se tardasse o anoitecer
como seria bom viver
renascer, habitar de novo
a vida em abundância
e voar, voar na estrada da distância.

Ah mas como tudo está longe,
longe e perto dos sentidos
ontem, hoje, aqui e agora
onde sonho acordada
onde agasalho como outrora
a vida.

natalia nuno
rosafogo

644
Dhiogo José Caetano

Dhiogo José Caetano

A droga nossa de cada dia

Efeitos alucinógenos.

Reflexos taxológicos.

Consequência do desequilíbrio.

Ninguém sabe o que verdadeiramente se passa.

Uma desordem provocada.

Sonolência, medo, prazer, traumas...

Uma liberdade limitada.

Não sei de nada.

Só sei de mim.

Não é certo, não é correto.

Mas uso as drogas para fugir deste mundo.

Quero destruir a cadeia que aprisiona a minha alma.

Julgam-me sem saber da minha realidade

A droga nossa de cada dia.

Estou morrendo aos poucos, sentindo os efeitos deste entorpecente que gloriosamente abduzir o meu ser.

Aqueles que me criticam são usuários de substâncias devastadoras como: corrupção, autoritarismo, pedofilia, exílio da ordem e do progresso.

Procuro a liberdade a qualquer preço, mas não provoco a morte de inocentes.

Sou um usuário de drogas, sou enganado, manipulado pelo vício, mas foi a única forma encontrada para concretizar uma falsa liberdade.

O contexto social que nos circunda é uma droga letal, poucos são os sobreviventes.

396
Fernando Oliveira Granja

Fernando Oliveira Granja

Arre!

Arre!
Por vezes, nao me contento, por nao estar contente.
Pois... como hei-de o estar,
Se nada fiz para me contentar.
Mas também nao sei, 
Porque contente, quero estar.
Saí! Fui ao azar,
Procurando a quem eu me quero dar...
Voltei, Cabeça estonteada com a tal pontada...
E nao saber, a quem eu engraçar.

F. Granja

355
Remisson Aniceto

Remisson Aniceto

Vizinho ilustre


Nova Era é tão perto,
tão perto de Itabira,
que quase vejo Drummond
na Sêrro Verde
na Sêrro Azul.
Mas como vê-lo
onde ele nunca foi?
724
Carla Pais

Carla Pais

Desculpa meu amor


Fogem-me as palavras que usaria nesta folha para te
falar de amor. Talvez, no fundo, as palavras nunca tenham
existido, talvez não passem de invenções delicadas que o
amor nos oferece a cada intervalo de silêncio – desculpa
 
meu amor não ter nascido com o dom de tecer as palavras certas
para construir poemas que te enobreçam a alma,
ou que te aliviem o cansaço dos olhos, pois isso, já outros o fizeram;
os poetas abandonados à leveza das penas que trouxeram ao papel
 
todas as dores do mundo e mais as nossas. Desculpa meu amor,
mas as palavras teimam em debandar-se e não sei se voltarão depois,
suspeito que o amor não se escreva hoje como outros o escreveram, e,
por assim ser, o gastaram como gastamos nós todas as páginas em branco
 
que teimosamente desejamos escritas.
 
 
998
joao euzebio

joao euzebio

SENSUALIDADE

ME AFAGA

ENTRE UM DESEJO

E OUTRO

ME DEIXANDO LOUCO

E FEBRIL

SÃO COMO CHUVAS

CAINDO NAS CORRENTEZAS

DESTE RIO

ME AFAGA

ENQUANTO EM  DELÍRIO

AQUEÇO ME  DESTE FRIO

QUE A CHUVA DEIXOU LA FORA

POIS SEI QUE NÃO DEMORA

ME FARA ENLOUQUECER

ME DERRETER

EM SEUS BRAÇOS

ME DESPEDAÇAR

EM PEDAÇOS

ME FAZENDO DENTRO DE VOCÊ

SUMIR

ME AFAGA

ME BEIJA LOUCAMENTE

ME SUGA

INDIFERENTE DESTE DESEJO

ROÇA SEUS LÁBIOS NOS MEUS

POIS O BEIJO QUE ME DEU

ME FAZ SONHAR

DELIRAR

DE PRAZER

SINTO ESCORRER

TEU CORPO NO MEU

SÃO OS DESEJOS TEUS

QUE DERRETEU

NESTA CAMA

FEITO CHAMAS

QUE NÃO SE APAGA

QUE APENAS SE PROPAGA

EM  INFINDÁVEIS ... DESEJOS.

ME AFAGA

E DEIXA O TEMPO PASSAR

DEIXE  QUE O LUAR

NOS TRAGA ESTAS ESTRELAS

ENQUANTO ADORMECE

E AQUECE OS SONHOS MEUS

POIS TE QUERO

E PARA SER SINCERO

SEJA MINHA

QUE EU SEREI... SEMPRE SEU.

671
niso

niso

Petição

 Sonetilho


 

Na vida em que vicejo

Tenho estranhos momentos.

Em cada hora revejo

Flutuantes pensamentos.

 

Dia que começa e acaba

Apontando ao futuro.

Dia de longa meada

Que se tece com apuro.

 

Vida que por mim passas

Meus sonhos não desfaças

Que me deixas inseguro

 

Não tenho mais pedidos

Nem desejos escondidos

Nem desígnio obscuro.


406
Enide Santos

Enide Santos

Sonho em flor

Neste acúmulo de noites vazias e gritantes,

Só me restam as dores desta vida pedante.

Neste eco envolvente de sentirem e pedires;

Há um calabouço, fétido e escuro,

Negro como a dor do fim do mundo.

 

É lá, onde habita o mais profano sentir;

E a passos largos, vou me despindo de mim.

Vou me envolvendo neste mundo moribundo.

E dos seus fungos, e dos seus humos,

Farei brotar o meu mundo.

 

Enide Santos 28/05/14

 

515
José João Murtinheira Branco

José João Murtinheira Branco

DUETO - SONHOS DOS POETAS

DUETO - Carlos B. Alves / João Murty

 

Domina-me com o teu corpo os meus anseios

Saboreia-me por inteiro nos meus receios

Tudo é bom, tudo é raso, com ideias incríveis

Escrevendo liberto-me d'algemas invisíveis


Carlos Bradshaw Alves

 

Escrevendo, libertas ideias, encontras liberdade

Os teus receios são silêncios omnipresentes

Que à vida te prendem com invisíveis correntes

Os poetas perseguem os sonho e a eternidade,


João Murty

277
Jacqueline Batista

Jacqueline Batista

Lindo é quando amamos alguém

Lindo é quando amamos alguém

E mesmo sabendo que jamais iremos tê-lo

Lançamos a ele todo o nosso amor

Em forma de gotas de desejo

Desejo de vida longa e prazerosa

Desejo de felicidade infinita

Desejo de paz aonde quer que vá

Lindo é quando amamos alguém

E mesmo na ausência estará

Para sempre presente

Na memória de momentos

Na lembrança de sensações

Nos sorrisos sinceros

Nas palavras que nunca foram ditas

Lindo é quando amamos alguém


847
Remisson Aniceto

Remisson Aniceto

TAMtos mortos

+ Duas centenas +

TAM
tos mortos... (estou certo?)
De quem é a culpa?
Do homem-máquina?
Da máquina-homem?
Da máquina-máquina?
Ou de todo o maquinário?
E o que diz a caixa,
a caixa queimada,
a caixa “imune” à queda,
a preta caixa-preta?
Será que gritos, choros,
gemidos, ruídos,
frases entrecortadas,
palavras desmembradas
denunciam culpados?
De quem é a culpa?
Da chuva? Da pista?
Da torre?
De quem já morreu?
E a próxima culpa?
De quem há de ser?...
Minha? Tua?...
773
Lília_Tavares

Lília_Tavares

[É DE BRUMAS]

LÍLIA TAVARES, in RIO DE DOZE ÁGUAS, 12 POETAS, Prefaciado por Joaquim Pessoa (Coisas de Ler Ed., 2012)

 

[É DE BRUMAS]

 

É de brumas

que as manhãs se cobrem

antes que o sol aqueça

este vazio,

o orvalho pousa-me

pesado, no corpo.

Sei que me podias

soprar estas gotas

e desnudar-me no inverno

como em pleno estio.

1 337
Paulo Jorge LG

Paulo Jorge LG

Sem Convalescença Possível





Estou irremediavelmente perdido na solidão,
Pressinto a morte em mim inerte à espreita,
Os gritos mudos que me percorrem a prisão,
Em que me tornei bem fechada e estreita.

Estou tão longe das ruas cheias de euforia,
Onde se percorrem caminhos sem rumos,
Deixei lá escapar a alegria que se esvaia,
Só me ficaram na memória os desaprumos.

A existência sórdida em que soçobrei,
Recapitulada vezes sem fim nem conta,
Tudo o que sem nexo tolhi e me tornei,
Vazio sem importância ou qualquer monta.

A luz que deslumbrei ao longe nunca me incidiu,
Rastejando na penumbra incógnito desistiu,
A minha pobre alma imaculada afogada em dor,
Hipnotizada não resistiu à modorra nem torpor.


Lisboa, 12-10-2013

583
Remisson Aniceto

Remisson Aniceto

Desatino


Olho-te e não te vejo.
Não és mais o que antes vi.
Procuro ver o que desejo
e desejo o que houve em ti.
 
Tudo é mudado, tudo é estranho...
Tudo difere do que vivemos.
A imaginar como fomos nos pomos
e tão alheios de nós nos percebemos...
 
À hora morta, é morto o riso
e do vento a ladainha nos ouvidos
insiste que o Amor é preciso
mas não adianta: estamos perdidos.
 
O tempo é escuro... a voz não fala...
No alvorecer dos belos dias
deixamos os sonhos. Nada nos abala.
Só nos resta agora a alma fria...
 
É mudo o meu ser mas não mudei.
Duas almas opostas no mundo.
Quando tu dormiste, acordei.
Vejo um corredor escuro e sem fundo...
691
Fernando Oliveira Granja

Fernando Oliveira Granja

A Morte subjacente

Deste gesto obrigatório à sobrevivênçia,
Se levassem-me a percorrer o andar por aí,
E pousassem-me no descanso do fundo do vale do Rio Douro
Lavado, do resto ademais
De forma a sobrevoar os mais ricos perfumes ais
Aí sim, sentir-me-ia rico, nao demais
Esvoaçado da pelicula que nao mais se multiplica
Envolvido na nuvem, de forma que implica
Os meus restos mortais.
Fernando Granja
415
natalia nuno

natalia nuno

amor feito desejo...

Mas é pura e serena esta alegria 
em que me deixo perder!
Vivo e alguma coisa embriaga o ar
aqui, ali, a esperança, e sempre a fé,
não deixo de reconhecer
que ando agora mais devagar.

Posso olhar-me!
Alegrar-me...
Com olhos espantados
e a interrogação na boca,
depois de tantos passos dados,
ainda confio e estendo os braços á vida,
e vivo-a, louca.
Como a água viva que corre e canta

e é sempre  jovem!

Reconheço-me forte
avanço por entre a multidão
com o coração a pulsar,
acolho o amor e com sorte,
me entrego enlouquecida,
ao amor... a te amar.

Meu peito bate lento,
duma forma perfeita
não há solidão nem esquecimento,
quando a lua cai sobre nós
e aí se deita.

Há muito que meus olhos verdejaram
há a memória ainda fresca desses verões
quando os teus me olharam e amaram
e em uníssino bateram os corações.
Ainda que a vida nos fustigue
e nada seja como dantes
o amor será sempre a verdade
que crepita nos nossos instantes.

Este mistério que nos causa saudade
fogueira onde nos aquecemos
verdor dum bosque onde nos perdemos
amor feito desejos
vivos!
Sonho que não faz ruído
meu coração e o teu cativos
e as águas velozes correndo
no mesmo sentido.



rosafogo

natalia nuno

642
Cléia Mutti Fialho

Cléia Mutti Fialho

FIÉIS COMO CÃES (pensamento)



Tenho meus fantasmas e meus vícios
que em nada me assombram ou me escravizam
são amigos alucinatórios e ilusórios
tão fiéis quanto os meu cães.


Cléia Mutti Fialho
684
Samuel da Mata

Samuel da Mata

TORRÃO DA ILUSÃO




Encantado por ti eu estendi meus braços
Buscando em teus abraços o realizar de sonhos
Mas entre eu e tu, um cruel espaço
E de alçar asas, um pavor medonho

Ah meu torrão que adoro e que me faz cativo
Que meus sonhos de amores faz desvanecer
Quem me fez seu dono em conto primitivo
Que por ti insano, pronto até a morrer?


Quimeras de sonhos e de falsas posses
Monturo de estórias contos de ilusão
Terra ingrata e triste, de minha alma entorse
Raízes das mágoas em meu coração

512
natalia nuno

natalia nuno

raízes soltas...trovas

as saudades do costume
perseguem meu endereço
trazem com elas o perfume
d' dias que eu não esqueço

quero estar ou ir embora
hesito, duas vezes penso
ainda não chegou a hora
é aqui que eu pertenço

dos meus olhos sou dona
e desta letra miudinha
Poesia não me abandona
nem esta saudade minha

tenho insónias e temores
mas tenho livre o pensar
se na vida tive... amores?!
hoje vivo para recordar

para aliviar meus dias
lembrar os que já lá vão
vou escrevendo poesias
que pão e vinho me dão.

natalia nuno
rosafogo
640
José João Murtinheira Branco

José João Murtinheira Branco

DUETO - SAGRES

DUETO: João Murty/Joana Aguilar


Nesta terra diferente de mar profundo, onde os mitos outrora foram vencidos.

Declamo este poema, a este povo coberto pelo rumor e pelo sal do seu mar.

Circundado por escarpas e ventos fortes, que sopram em todos os sentidos.

Sigo na saga de rumos desconhecidos, inspirado na magia intemporal deste ar.

 

Em baixo. Fome revolta, vagas cruéis lançadas por esses mares da desventura.

Sons alados, ecos de barcos naufragados, sepulturas que jazem no fundo do mar

Em cima. Astrolábios, compassos, cartas, velas, caravelas, mareantes, aventura.

Escola, alquimia, Infante, rosa-dos-ventos, instrumentos rodopiando sem parar.

 

Esta terra diferente tem mais cor, feita de tinta de mil sonhos e de ansiedade.

Que deram visões de novos mundos, construídos na mentira e na verdade.

Em temas líricos, escritos por monges poetas que te honraram e declamaram.

 

Na ponta do Cabo de S. Vicente, nesses rochedos que se erguem ao universo.

Colho na mão a tinta desse misticismo, que se esvai nas letras deste meu verso.

Poema de agora, bebe e sente essa aura de outrora, a quem os poetas sublimaram.


João Murty

 

Sagres onde o vento se faz ouvir, num bruar infernal

Circundado por esse mar fundo, a tua voz buscou

Os mitos foram vencidos pela fé da Virgem maternal

Castrando ecos de vozes que o pensamento criou .

 

Ladeado por escarpas no árido escolho ermo do mar

O Cabo de S. Vicente se ergue, em granito gigante

A sua face intemporal, imóvel austera e dominante

É escola, compasso, rumos, viagens que irão despontar

 

Destas pedras donde o misticismo de Henrique Infante

Traçou sonhos, ganhou mundos, marcou estrelas no ar

Fixou o céu crepuscular e o inferno no espirito de Dante.

 

Lançou caravelas que velejaram nos mares da desventura,

Inspirados na magia intemporal e na arte de bem navegar

Engoliram Adamastor, dando inicio á grande aventura.

 

Joana Aguilar

389
ana rafael

ana rafael

Antes

Antes que me tivesses

Perdi-te

Antes que me abraçasses

Fugi-te

Antes que me beijasses

Amei-te

Antes que nascesses

Morri-me

Antes do começo

Era o fim

1 191
Paulo Jorge LG

Paulo Jorge LG

Sem Te Encontrar





Não te fixei o olhar,
Nem te consegui dedilhar,
Sem encantamentos,
Nem emolumentos,
Dilui-me em dor,
Em puro torpor,
Imolado na loucura,
Que perdura,
Deixaste-me o perfume,
No meu azedume,
E eu sequei as saudades,
De todas as inverdades,
As lágrimas contidas,
Do coração vertidas,
Ninguém bateu à porta,
Da minha natureza morta,
O sol nunca mais nasceu,
Quando o assombro se perdeu,
Enviusado no sentir,
Extinto ao resistir.


Lisboa, 21-10-2013

512
Cléia Mutti Fialho

Cléia Mutti Fialho

COMO A LUA (pensamento)




Sou como a lua e suas fases
Nova perspectiva à cada dia
crescente em sapiência
cheia de otimismo
minguante em ressentimentos.

 
Cléia Mutti Fialho
660
Heloisa Melo

Heloisa Melo

Ter você por perto

Nas horas de tempestade quero ter você por perto
Por todo mal que me fazem , quero ter você por perto
Pra me proteger 
Pra cuidar de mim
Pra me acalentar 
Pra me fazer sorrir 
Nas horas  de tristeza , te quero por perto 
Livre pra voar ao teu encontro 
Ninguém pode me prender 
Nas horas de solidão , te quero por perto 
Não vou deixar-me embriagar pela melancolia 
Nada vai tirar o brilho do meu olhar 
Meu destino é encontrar você !!
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