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Vinicius Veloso

Vinicius Veloso

O meu pássaro azul


O pássaro azul hoje parece não sossegar-se.
Parece morrer de ansiedade
Por estar morto de saudade...
O pássaro azul hoje parece não localizar-se
Procura abrigo em vão
Na prisão de tua liberdade
O pássaro azul hoje só quer inclinar-se
Até beijar-te em despedida
Do único até logo que me deste em vida.
Hoje o pássaro azul só quer cantar
Cantar as palavras que sussurraste em meus ouvidos
Mas a voz presa na garganta não lhe deixa ecoar...
Hoje o pássaro azul só quer voar
Mas dentro do meu peito
Antigo lar
O pássaro azul já deixou de morar...
 
221
niso

niso

Manhã insular

  1. A manhã espreita
    por entre brumas
    e neblinas baças.
    O céu mal se ajeita
    às núvens de chumbo
    que nada ultrapassa.
    A noite que acabou
    deixou-nos como herança
    um dia opaco
    espesso...
    denso
    sombrio
    compacto
    e para viver
    a contrapasso.

    Niso 4.7.2014
316
Elaine Guedes

Elaine Guedes

Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte III - 8

8

Sinto cheiros de passado presente de tempos futuros em mim
tintas emaranhadas cores confusas acordam 
transbordando o copo
minhas veias acordam também em cortes profundos pulsam quase vazando e tomando minha respiração

610
Paulo Jorge LG

Paulo Jorge LG

Sem Tempo





Penso constantemente em ti,
Durante todo o dia e horas,
E não me chegando nunca,
Penso em ti toda a noite,
E nos intervalos da insónia,
Sonho contigo como uma dádiva,
Não tenho tempo de sobra algum,
Pois nada mais interessa realmente,
Só a tua calma que em mim se instala,
Só a vontade de te tocar e beijar,
Só o teu sorriso que me conforta,
Só a tua presença espiritual me alivia,
Só as tuas caricias me trazem a paz,
Só as estrelas que moram no teu olhar,
Só a tua pele branca de fada me cativa,
Só tu meu amor me despertaste da dor,

Só por ti alguma vez valeu a pena ter nascido,
Só por ti sempre valerá a pena ter morrido,
Minha doce amante que me ensinaste a amar,
Levarei a tua memória comigo para a eternidade,
Para também lá sempre me lembrar da tua bondade,
E continuar persistindo eternamente a te amar.


429
Maria Antonieta Matos

Maria Antonieta Matos

GRITO

Cessem de se empolgarem dos feitos

Numa sonância sublime enganadora

Que a mentira se desfaz por conceitos

Que tarde ou cedo, se afirma reveladora

 

Gracejem lá do alto com olhares cegos

Em comunhão na zombaria gloriosos

Acostumai-vos a sugar todos os servos

Com estranhos jeitos miraculosos

 

Deitem abaixo um país erguido

Que o presente e futuro vê protegido

Arrependam-se amanhã que já tarda

 

Deitem-lhe fogo que depois de já ardido

O generoso ânimo bem-sucedido

Fraqueja, temeroso, mas não resta nada


11-10-2013 Maria Antonieta Matos
In "Poesia Sem Gavetas III"

2 964
Maria Antonieta Matos

Maria Antonieta Matos

Injustiça

Injustiça ao nascer

O berço é desigual

Uns começam logo a sofrer

Sem ainda fazer mal


Ao crescer ainda criança

Anda a pedir para comer

Explorado pela ganância

Sem o adulto nada fazer


Ao brincar é discriminado

Por ser pobre ou diferente

Sempre a ser injustiçado

De uma forma indecente


Em adulto suas qualidades

São de importância menor

No meio de falsidades

É escravo cheio desamor


Quantos se dizem ser amigos

Para o outro cativar

Cheios de muitos sorrisos

E a faca estão a cravar


O fraco sem grande margem

Para se poder manobrar

É sufocado pela ordem

Dum que o queira desgastar


Na justiça se não tiver bens

Que o possam absolver

Culpado fica refém

Sem ninguém para o proteger


O poder é perverso

Subjuga o subordinado

Que faz tudo que é complexo

Com muito pouco ordenado


Com todos os trocos contados

A saúde não é prioritária

Doentes andam esforçados

Numa inexistência diária


O carimbo que se aplica

A qualquer pessoa de bem

Só por má-fé se justifica

E quem não quer ver, também


Maltratar um idoso

Ou pessoa pela cor

Absolver um criminoso

É injusto seja onde for


07-11-2012 Maria Antonieta Matos

3 931
Paulo Jorge LG

Paulo Jorge LG

O Amor




O amor que transborda de mim em cascata,
De alegrias aspiradas de ti em minha paixão,
Só a sua essência pura e divina me desacata,
O coração sofrido incrédulo em vã exaustão.

O amor guia prometido de um sonho inteiro,
Quando chegou plácido em névoa se tornou,
Largado como caducas folhas de Outono ligeiro,
Veio sereno pousar e na minha alma se deitou.

O amor que mata a sede às almas perdidas,
Que aligeira a longa árdua caminhada exausta,
Que enche de luz as perenes noites combatidas,
Através apenas da tua lembrança tão fausta.

O amor que nasceu dos confins do infinito,
Diluído vigoroso em quimera utópica sensorial,
Varre-me de desejos ansioso de ser teu eleito,
Nunca te esquecerei minha bailarina celestial.


471
natalia nuno

natalia nuno

não me encontrei...

não me encontrei
nem a lua me soube dizer de mim
e a primeira pomba
que avistei
vinda dos confins,
pousou no sonho
no céu vazio
e a noite nos cobriu.

não sei da saída
não me encontrei...
nem no berço mal nascida
nem na penumbra da tarde
mostrem-me a saída!
ou para sempre morri?
o meu sol já não arde?!
de lágrimas o sonho poluí.

não me levem a lembrança
deixem-me a doçura no peito
separem-me até da esperança
deixem-me neste morrer perfeito.

quando me encontrar!?
enfrento-me...
e se a agonia voltar
erguendo-se no meu sonho,
hei-de as lágrimas amordaçar
e como criança perseguida,
hei-de encontrar uma saída.
procurar-me-ei até à exaustão
nos escombros da luz
que ainda existe,
em meu coração.

rosafogo
natalia nuno
624
Paulo Jorge LG

Paulo Jorge LG

A Tristeza Saiu à Rua





A tristeza que carrego em lavores,
Sem qualquer razão aparente,
Condicionado à sombra de humores,
Refastelado na morte iminente.

A tristeza que me bateu à porta,
Não me deixou qualquer recado,
Enviesou-me a vida tão torta,
Sem azo a qualquer pecado.

A tristeza que emano de mim,
É maior que a maior desilusão,
O anseio que embalo do fim,
Escarnece-me a dor no coração.

A tristeza que eu descobri,
Incessante e implacável,
Foi de vós que recebi,
De fonte insofismável.


Lisboa, 30-10-2013

640
Maria Antonieta Matos

Maria Antonieta Matos

FIZ UMA ATERRAGEM NUM CAMPO SELVAGEM

Fiz uma aterragem

Num campo selvagem

Encontrei a cegonha

No ninho deitada

Com os seus filhos

Numa matraqueada

 

Encontrei o macaco

Nas árvores a baloiçar

E dentro de um buraco

A cobra a sonhar

 

A pastar a vaca

O pasto fresquinho

E em cima da fraca

Estava um passarinho

 

Entretida a ver

Os cisnes no lago

Sem me aperceber

Senti um afago

Beijou-me o macaco

Depois deu um salto

Um salto tão alto

Fiquei em sobressalto

Que me arrepiei

Se caísse em falso

 

Muito descontraída

Por entre os sobreiros

Dormi protegida

Sob os seus sombreiros

 

Depois do descanso

Vi o pónei manso

O camelo e a zebra

Olhando uma lesma

Fugindo indefesa

Escondeu-se no solo

E vi o canguru

Com o filho ao colo

Gritei-lhe cucu

E piscou-me o olho

 

Passava o Chital

Com ar elegante

Arfava, arfava

E parou um instante

 

Entretanto o Gamo

Com o corno entalado

Num grande ramo

Ficou rodeado

De gente a mirar

Mas muito concentrado

Conseguiu-se soltar

 

Passava o perú

Com leque elegante

Arrufava, arrufava

E parou um instante

Entretanto a fraca

Com linda casaca

Desfila aprumada

E ficou cercada

De público a olhar

Seu trajo invulgar

 

Num silêncio absoluto

E a pestanejar

O crocodilo, muito astuto

Põe-se a rastejar

Ali a tartaruga

Virando a cabeça

Saía a espreitar

Fazendo das suas

Para mergulhar

 

Grande desafio

Saltando e brincando

Cabras num redopio

As folhas trincando

 

De olhos fechados, a avestruz

Voava e sonhava

Não viu onde estava

E truz catrapus

 

Espantou o papagaio

Pousado no chão

E grita sabichão,

A olhar de soslaio

Ai, ai que eu desmaio

 

No prado a ovelha

Branquinha de neve

Coça a orelha

Por causa da guedelha

Tão enroladinha

Saiu uma bolinha

Muito bem feitinha

 

Despistado o porco-espinho

Que corria sozinho

Fez um alvoroço

Ao bater com o focinho

No pé da azinheira

Entretém-se a comer

Com grande cegueira

Nem dá por chover

 

De orelha fitada

Observando tudo

A lebre revirada

Com o olho num canudo

E a cria a mamar

A puxar pela teta

Não pára de brincar

Parece uma vedeta

 

Faço um intervalo

E fico a ressonar

Surpreende-me o galo

A cantarolar

Mas que belo canto

Para eu acordar

Um tenor, um espanto

Para harmonizar

 

Nesta fantasia

Estão belas chitas

E tenho a primazia

De ver as mais bonitas

Vejo lamas na cama

Com pijama às listas

 

A passear o elande

Com muito aparato

É deveras grande

Mas não parte um prato

 

Lémures fantasiados

Macacos a macaquear

E se forem bem mirados

Canguru parecem achar

 

Nandus desfilando

Numa linda passadeira

Com o pescoço girando

E o corpo à maneira

 

Ornamentados os Axis

Têm coroa avantajada

Quando estão a namorar

Por um triz, ai por um triz

Não fica a coroa engatada

 

Cervicapras cabriolas

Com feitio engraçado

Saltam e pulam no montado

Em jeito de sapateado

 

No final toca orquestra

E há muita animação

A burrica é a maestra

Ouve-se grande ovação

E eu acordei do sonho

A cantar uma canção

 

No campo Selvagem

Prima a natureza

Faz uma viagem

Para ver a beleza

 

Caminhando desprendido

Envolvendo os sentidos

Os sons e os cheiros,

O ver e o tocar

Animais protegidos

 

Convivendo com a natureza

Saltitando aqui e ali

Esta visita é com certeza

Um momento muito feliz

 

Vamos ver os animais

Ao parque do campo Selvagem

Conhecê-los por demais

Como brincam e o que fazem

 

Olha ali, o lindo Pavão

Com seu leque colorido

Come os bichinhos no chão

E é muito atrevido

 

Olha as cabritas anãs

Tão divertidas que estão

Brincam com as suas irmãs

Fazem muita confusão

 

Ciumento com sua dama

Com beleza a cortejar

Ecoa com muita chama

Dia e noite sem parar

 

Convivendo com a natureza

Ao ar livre e muito feliz

Passeando com certeza

Por aqui e por ali

 

O Perú todo enrufado

Abre o leque gracioso

Na quintinha destacado

Por se mostrar tão airoso

 

Maria Antonieta Matos 07-12-2011

3 072
Cléia Mutti Fialho

Cléia Mutti Fialho

SUA PROVAÇÃO (erótico)

Brasileira gata peituda na dupla penetração com pirocudos

Quero hipnotizar-te
com o magnetismo sensual
que vem do meu interior,
até que você não responda mais
por seus atos
devido tantas provocações
serei sua provação,
até onde vai sua resistência?
Deixe que jorre do seu corpo febril
as lavas desse vulcão.
Deixe-me lambuzar-te desse mel
que derrama da minha vertente
e suplica avidamente por você


 
Cléia Mutti Fialho
742
RITA FLOR

RITA FLOR

PARAÍSO



     Ah!... um  MUNDOgostoso deSONHOS
     não...
     ___violentos!...___ 
345
pepperlegal

pepperlegal

A marcha da pedra

A marcha da pedra

'Glória ao Nome Santo

do Senhor, Aquele

que veio e nos presenteou

com o crivo da Vida Eterna.'


Na correria até metrópole

é pequena, por cada reverência

forma o mestiço africâner

a graça do dia,

língua adormecida

no sonar ruivoriental,

quem quer ver

vê de longe.

Bielaformosa!

Os olhares se prolongam

para a gente encontrando

tornados noite

sob a biqueira,

os abraços prolongam-se

para a gente encontrando

tornado dia

sobrenatureza,

se os beijos prolongam

a gente encontrando

tornados nuvens

sobre as tectônicas.

Marceleza!

Rápida na aurora

vemos a voz do pó,

concorre com a pedra

dia-a-dia carburando

a britadeira de chama,

repique microscópico,

que dure mais

no salto das cinzas.

Chamaleste!

Repente o ímpeto

entre ir e vir

fissura cósmica,

ar de compromisso,

inspira a vizinhança

o comentário viandante,

criança e de idade.

Rochachoque!

O pó ilumina o Caminho.

A cinza cria a História.

O viandante trilha longamente...

O filho aprende

encanto e contemplação

primavera infante,

pitilho mestre

cigarro de areia,

panela de volume,

halo madrugadouro

colina de sinhá,

cachimbo de cartola

imita, faz contato

pra vida continuar.

O cigano acende um

saldando enteados,

seixos existenciais.

Praticundum!

Fumar tudo

pode ser seu fim,

incrivelmente

a mesma pedra

faladora

dita plataforma

da rota augusta,

na boca do crente

vira fé

em nuvens de esplendor.

Miráculo!

Nos faz

perceber e a eternidade...

Nos faz

melhor e a infinitude!

Bom sinal

as cores da fumaça

acelerarem os passos

das pólis do Senhor,

chama seu povo

às vias superiores,

à terra verdejante

corre o suor,

expurga a água,

alma fiel

de uma vida inteira.

545
joao euzebio

joao euzebio

IMPOSSÍVEL

É  IMPOSSÍVEL

TE ESQUECER

ME DESPRENDER

DOS OLHOS TEUS

DEIXAR QUE OS MEUS

SE AFASTEM ASSIM

POIS EM MIM

VOCÊ GRUDOU

PREENCHEU MEU VAZIO

SÃO COMO ONDAS

NESTE RIO

QUE CORRE PARA O MAR

VOCÊ

VEM MERGULHAR

EM MEUS DESEJOS

NOITE ADENTRO

ASSIM QUE O VENTO

PASSA

BATE NA VIDRAÇA

E ENTRA

BALANÇANDO A CORTINA

DEIXANDO RASTROS PELAS

ESQUINAS

EM MADRUGADAS FRIAS

SÃO APENAS LUZES QUE O DIA

TRAZ

SÃO MOMENTOS DE PAZ

E RECORDAÇÃO

LÁGRIMAS QUE NO CHÃO

SE PERDEM NA POEIRA

FOGO NA LAREIRA

BRASAS

QUEIMANDO

CINZAS

LEVANDO A EXTINÇÃO

SÃO BATIDAS DE UM CORAÇÃO

QUE NÃO PARA

APENAS EMBALA

NESTE SENTIMENTO

SEI QUE AQUI DENTRO

SOBREVIVE

ENQUANTO ELE BATE

ENQUANTO ELE SUSSURRA

ENQUANTO ELE DESCOMPASSA

ENQUANTO ELE TE ABRAÇA

E TE FAZ SONHAR

SERIA O PALADAR

DOS LÁBIOS TEUS

SERIA OS DESEJOS QUE ME DEU

QUE ME DEIXARAM ASSIM

QUERENDO EM MIM... TEU CORPO NU.

619
natalia nuno

natalia nuno

liberto os versos...

posso queimar todas as folhas

há só um senão

nada restará, nem o sonho

que ainda ouço de noite às vezes,

que a seu tempo acabará

quando a respiração for sustida

ao final desta alameda que é a vida

aos poemas dou nova oportunidade

retiro a condenação,

mas há um senão

que faço da saudade?

poemas ilusões por mim geradas

fazem parte de mim mesma

são mais fortes que todas as razões

são minha carne, meu pão

meu prazer, minha paixão

ilusões? pois que sejam ilusões!


o bálsamo com que mitigo a dor

o azevinho com que enfeito o natal

a quietude e o vendaval

a corda que me prende ao cais

custa-me a acreditar

que os queimaria e não os sentiria vivos

jamais...

vou mantê-los em liberdade

como o perfume das flores pela campina

e dizer-lhes da minha saudade

desse tempo de menina.


as flores encherão a terra

os versos flutuarão alheados ao tempo

só o eco da adolescência passada

virá ao ouvido ainda

derradeiro eco

neste poema que finda.


natalia nuno

rosafogo


763
Enide Santos

Enide Santos

Dona dor

Então ela retorna

Novamente aflora

Tão grande foi

que ainda há eco sobre eco.

 

Ela regressa

como que quem é bem vinda,

chega se instala

e reflete a minha sina.

 

Dar-me a conhecer

o sonho de minha face

pois nela não posso reter

o sorriso que me apraze.

 

Densa e cretina

fornica com minha vida.

Expande as feridas

demonstrando-se infinda.

 

Então ela retorna

como a dona do poder.

Não se lembra do obvio

O amor tem mais poder.

 

Enide Santos 03/07/14

 

444
Fernando Oliveira Granja

Fernando Oliveira Granja

Nesta viagem

Nesta viagem, 
Vi Portugal com olhos de quem gosta ver: 
Amigos e Gente Portuguesa,
Serras, Estradas com curvas,
Pedras, Ruas e Muros,
Mar, Rio e Chuva,
Terra, Árvores e Céu Azul,
O Cão Vizinho que Ladrava:
Au...auau.auauauau.au....
E Gente com quem eu falava.

F. Granja
837
Maria Antonieta Matos

Maria Antonieta Matos

O MAR

Gostava de ter nascido

Perto dessa imensidão

Nunca teria sentido

Um só minuto, solidão

Me deitava na areia

Ondas me vinham tapar

Olhava à noite as estrelas

Ficava sempre a sonhar

Com os peixinhos brincava

Conversava com a lua

O sonho me aconchegava

Meu amor, seria tua


03-09-2012 Maria Antonieta Matos


2 861
Vinicius Veloso

Vinicius Veloso

Homônimas perfeitas

Tu és o nome que eu dei para minha saudade

Em um dia que o mundo chorou tua ausência

Para tentar suportar a triste realidade

Que o rastro do teu cheiro

Abandonou-me em abstinência.

Do teu constante sorriso

Restou-me apenas o silêncio

Onde houvera um olhar preciso

Agora só encontro o prenúncio

Dos dias de solidão que suportarei,

Mas enquanto o teu amor for só verdade

O teu nome seguirá se chamando ‘saudade’. 

228
Elaine Guedes

Elaine Guedes

Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 2 e 3

2
Coloco uma música e deixo as ondas irem onde não vou
meu corpo preso ao lugarejo eu
minha música vagando e eu engordo o espaço meu

pela boca uma mosca entra e eu cuspo e olho o chão
enquanto a música voa
 
3

Maria cerrou os portões não foge mais
corre!! corre que as galinhas bicam por demais
Maria comeu palavras e plantou manjericão
Maria em silêncio ouve pássaros e os muros não tem pintura
443
Paulo Jorge LG

Paulo Jorge LG

O Teu Corpo em Mim





Sofro junto todas as tuas dores e mazelas,
O meu sangue corre quente nas tuas veias,
A paixão que te sufoca para-me o coração,
O teu caminho é a minha ilusão de novo rumo,
Tua face Terra Prometida em minha alma carecida,
Os teus suspiros eram a minha canção de embalar,
O prazer em beijos que nos sufocavam as bocas,
As caricias sem fim nem destino certo mitigavam,
A paixão que consumia nossos corpos já cansados,
De tanto amarem incessantes como se tudo fosse acabar,
Brincamos os dois à escondidas dos Deuses,
Fugimos do destino de amor fatal por eles concebido,
E quando nos unimos num só libertaram-se os medos,
Foi quando a eternidade deu sentido ao Universo,
O nosso amor era arauto da verdade celestial,
O mistério da vida desvendado em amor derramado,
Por nós dois amantes em languida perdição reclamado,
O nosso romance personificou o sonho em cantos de sereia,
Minha querida deusa do amor que em ti senti a libertação,
Quando em meus braços floriste em rosas enamoradas.


517
Paulo Jorge LG

Paulo Jorge LG

Amor Eterno





Amar-te-ei para todo o sempre minha querida,
Mesmo na derradeira e dorial hora da despedida,
O teu nome será a minha última palavra dita,
Teu sorriso etéreo me acompanhará senhorita.
Enquanto tuas fiéis lembranças me apaziguam.

Ao sabor das tão dóceis carícias imaginadas,
Melodrama atónito do meu sofrido predestino,
Onde e por andaste meu Amor mor dançarino,
Roubaste-me todas as dores mais desalmadas.


(Acróstico)

459
TITOpsico

TITOpsico

A CURVA DO SORRISO

A CURVA DO SORRISO

A Curva do Sorriso não está restrita à região bucal. Os olhos sorriem energizando todo um ambiente. Os braços sorriem ao curvarem-se diante de um caloroso abraço. O Sorriso que só é possível ser manifesto através de curvas que influenciam satisfatoriamente todas as demais curvas do corpo.

A Curva do Sorriso está até em posturas menos conscientes como num aperto de mãos, ou beijo no rosto, ou num aceno de despedida ou mesmo num aplauso espontâneo.

O cérebro, composto por centenas de curvas, sorri diante de imagens e/ou visualizações proativas liberando elementos energéticos que alimentam os mais diversos paradigmas gerando efeitos psicossomáticos importantes para o bem estar.

Até nas relações íntimas as Curvas do Sorriso estão presentes, seja na recepção, nos toques e/ou na reação típica do prazer. Os lábios das partes íntimas do corpo sorriem conforme suas configurações provocando reações de satisfação, prazer e felicidade. Prova disto são os hormônios gerados durante o ato sexual, que só pode ser entendido e manifesto sob clima do bom humor, ou do sorriso e jamais sob cenários de tensão ou estresse.

A Curva do Sorriso é paradigma inerente ao Ser Humano Inteligente, sob ponto de vista Emocional. Ser Inteligente Emocional é cursar as Curvas do Sorriso, pois o oposto desta premissa é algo similar à Depressão, ao Mau Humor, ao Pessimismo; quadros estes que somente se justificam serem praticados pelas pessoas com limitações afetivo-emocionais.

Curtir as Curvas do Sorriso é no mínino não se tornar declaradamente medíocre e prisioneiro de estados negativistas que não produzem resultados proativos.

Claro que durante a vida temos momentos ou fatos que geram dores, tristeza, ou sofrimentos. Tais situações fazem parte de nossas vivências, mas nada está declarado que temos que nos fixar em tais quadros para os momentos posteriores. Por exemplo, enlutar-se para o resto da vida, diante da perda de alguém muito querido, não é saudável e muito menos decisão inteligente no aspecto emocional.

A prática da Curva do Sorriso passa por uma seqüência mental que resumidamente pode ser entendida nas fases: da imaginação ou visualização de imagens proativas + sensibilização + expressão manifesta e sentimentos de satisfação ao sorrir.

A escolha é sua!

                                      

A CURVA DO SORRISO: Meus avôs e Wando

Embora tenha como componentes a simplicidade e naturalidade a chamada aqui “Curva do Sorriso”, facilmente compreendida em sua importância, ainda não é devidamente praticada ou explorada em diversos cenários humanos. Como referência, ainda é muito comum a falta desta ‘figura inventada’ nos ambientes comerciais, nos quais atendentes e/ou vendedores parecem ter dificuldade em entender que tal prática faz bem para si mesmos e para o eventual cliente.

Atender alguém com ‘cara fechada’, como se diz popularmente é um atestado de limitação quanto a excelência organizacional principalmente hoje em dia, em tempos de concorrência, lucratividade e fidelidade.

Mais grave ainda é a tal ‘cara fechada’ gerando, ao longo dos anos, reações invisíveis e doentias à saúde emocional do próprio funcionário, pois este ser humano, supostamente inteligente, não percebe que está sendo corrido pela falta costumeira das Curvas do Sorriso.

Esta comparação me fez lembrar quando pré-adolescente, dos tempos de coroinha de uma igreja, na qual o padre, que era merecedor de muito respeito e consideração da população, jamais emitiu diante de mim um sorriso. Sempre sisudo e cabisbaixo nos passava uma imagem que gerava medo também. Bem diferente do perfil de alguns líderes religiosos dos tempos atuais, como exemplo o Padre Marcelo.

Outro cenário interessante que está vinculado à Curva do Sorriso é nas relações conjugais e nos meios organizacionais. Na maioria das vezes, depois de alguns anos de convivência, parece que uma lei invisível é aplicada: a do mau humor e/ou das críticas. Em alguns casos ocorrem o registro do que chamo “Sorriso Falso” que é mera figura de expressão para ‘fazer de conta’ que se é gentil ou educado.

A ausência da prática da Curva do Sorriso nos meios grupais, organizacionais e conjugais é costume medíocre   que só tem como resultado a quebra das relações ou vínculos mais saudáveis. Parece-me que em tempos passados, nos tempos de meus bisavós, muitos casais ‘ficavam’ juntos, depois de anos de casados, sem ao menos trocarem momentos de sorrisos e elogios. Vivenciei parte deste cenário com meu avô, que vivia conosco. Embora um profissional da mais alta qualidade em sua ocupação, não emitia nenhuma palavra diante de nós, jamais sorriu e refletia uma fisionomia de mau humor declarado. Na hora do jantar, todos sentados ao redor da mesa, os únicos sons que me lembro eram dos talheres para tomar a sopa de caldo de feijão. Somente quando o ‘nôno’ levantava da mesa era que ‘podíamos’ conversar, pois o perfil, mesmo sem declaração alguma, impunha o silencio durante a soja.

Claro que naqueles tempos tínhamos exceções e também tenho registro até hoje de uma delas. Esta referência é em relação ao outro avô, paterno, que era uma figura atraente, cativante e candidato a ‘rei da Curva do Sorriso”. A começar pelo seu apelido: Bastião Peludo. Personagem sempre caloroso e sorridente que resultava em relações de aconchego familiar, tanto entre os filhos, netos e bisnetos.

'Bastião Peludo' era uma figura marcante nos contatos e certamente seu bom humor lhe fazia enfrentar as dificuldades e obstáculos do trabalho com mais energia proativa.

Estes dois casos reais mostram algo que a presença ou ausência da Curva do Sorriso gera: memória emocional! Eis aqui mais um detalhe que poucos levam em consideração em suas caminhadas ou vivências. Optar por alimentar memórias negativistas, dramáticas, de perdas e/ou sofrimento não geram outra coisa a não ser renovação da dor emocional.

A Curva do Sorriso é de outra forma alimento para memórias proativas, positivas, alegres e saudáveis que nutrem o sistema corpo-mente-espírito. Creio que daqui há algumas décadas ou séculos algum legislador irá propor que os maus humorados e os negadores da Curva do Sorriso deverão pagar impostos pois geram problemas reais ao nível social e de saúde emocional. Por outra forma, no mesmo projeto poderia constar que os praticantes da Curva do Sorriso teriam descontos nos impostos de rendas e prioridade nas filas de espera, pois contaminam positivamente seus círculos de contatos. Alguns poderiam até ser contratados para praticarem as Curvas do Sorriso nas salas de espera de hospitais e unidades de saúde, assim diminuindo relatos de acidentes, doenças e negativismo hoje muito comum.

Finalizando me lembro de um exemplar modelo típico da depressão que é cantado por Wando, na canção “Aquele Amor Que Faz Gostoso Me Deixou”. O Saudoso cantor declara na letra: “E isso dói demais, Ô ô ô, De dia eu chorei, De tarde eu penei, De noite não tem mais”.

Mas temos escolha e aproveito o próprio cantor em outro exemplo mais proativo, que nos encanta com a canção: Na Sombra de Uma Árvore, quando declara a letra: 

“Larga de ser boba e vem comigo, 

Existe um mundo novo e quero te mostrar, 

Que não se aprende em nenhum livro, 

Basta ter coragem pra se libertar, viver, amar“

Então praticantes do mau humor ou do Sorriso Falso é só ter a coragem para se libertar, viver e amar.

Então cante....e com a Curva do Sorriso é mais fácil.

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niso

niso

Às minhas inumeráveis quedas


 

Canto hoje a minha vida de quedas

Com o zelo de um coleccionador de moedas

 

A minha primeira queda

Foi tiro e queda.

 

A minha segunda queda

Foi brutal e cega

 

A minha terceira queda

Foi um simples desarreda

 

A minha quarta queda

Foi como deslizar num escorrega

 

Ai, a minha quinta queda

Não a troco por qualquer moeda

 

A minha sexta queda

foi triste mas também leda

 

Minhas inúmeras quedas

Por veredas

Barrancos e alamedas

 

Às vezes são cinzas

Outras labaredas.

Nem nos Vedas

Há tão infindas.

 

Niso 4.6. 2014

 

 

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