Desatino
Remisson Aniceto
Olho-te e não te vejo.
Não és mais o que antes vi.
Procuro ver o que desejo
e desejo o que houve em ti.
Tudo é mudado, tudo é estranho...
Tudo difere do que vivemos.
A imaginar como fomos nos pomos
e tão alheios de nós nos percebemos...
À hora morta, é morto o riso
e do vento a ladainha nos ouvidos
insiste que o Amor é preciso
mas não adianta: estamos perdidos.
O tempo é escuro... a voz não fala...
No alvorecer dos belos dias
deixamos os sonhos. Nada nos abala.
Só nos resta agora a alma fria...
É mudo o meu ser mas não mudei.
Duas almas opostas no mundo.
Quando tu dormiste, acordei.
Vejo um corredor escuro e sem fundo...
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