Escritas

FIZ UMA ATERRAGEM NUM CAMPO SELVAGEM

Maria Antonieta Matos

Fiz uma aterragem

Num campo selvagem

Encontrei a cegonha

No ninho deitada

Com os seus filhos

Numa matraqueada

 

Encontrei o macaco

Nas árvores a baloiçar

E dentro de um buraco

A cobra a sonhar

 

A pastar a vaca

O pasto fresquinho

E em cima da fraca

Estava um passarinho

 

Entretida a ver

Os cisnes no lago

Sem me aperceber

Senti um afago

Beijou-me o macaco

Depois deu um salto

Um salto tão alto

Fiquei em sobressalto

Que me arrepiei

Se caísse em falso

 

Muito descontraída

Por entre os sobreiros

Dormi protegida

Sob os seus sombreiros

 

Depois do descanso

Vi o pónei manso

O camelo e a zebra

Olhando uma lesma

Fugindo indefesa

Escondeu-se no solo

E vi o canguru

Com o filho ao colo

Gritei-lhe cucu

E piscou-me o olho

 

Passava o Chital

Com ar elegante

Arfava, arfava

E parou um instante

 

Entretanto o Gamo

Com o corno entalado

Num grande ramo

Ficou rodeado

De gente a mirar

Mas muito concentrado

Conseguiu-se soltar

 

Passava o perú

Com leque elegante

Arrufava, arrufava

E parou um instante

Entretanto a fraca

Com linda casaca

Desfila aprumada

E ficou cercada

De público a olhar

Seu trajo invulgar

 

Num silêncio absoluto

E a pestanejar

O crocodilo, muito astuto

Põe-se a rastejar

Ali a tartaruga

Virando a cabeça

Saía a espreitar

Fazendo das suas

Para mergulhar

 

Grande desafio

Saltando e brincando

Cabras num redopio

As folhas trincando

 

De olhos fechados, a avestruz

Voava e sonhava

Não viu onde estava

E truz catrapus

 

Espantou o papagaio

Pousado no chão

E grita sabichão,

A olhar de soslaio

Ai, ai que eu desmaio

 

No prado a ovelha

Branquinha de neve

Coça a orelha

Por causa da guedelha

Tão enroladinha

Saiu uma bolinha

Muito bem feitinha

 

Despistado o porco-espinho

Que corria sozinho

Fez um alvoroço

Ao bater com o focinho

No pé da azinheira

Entretém-se a comer

Com grande cegueira

Nem dá por chover

 

De orelha fitada

Observando tudo

A lebre revirada

Com o olho num canudo

E a cria a mamar

A puxar pela teta

Não pára de brincar

Parece uma vedeta

 

Faço um intervalo

E fico a ressonar

Surpreende-me o galo

A cantarolar

Mas que belo canto

Para eu acordar

Um tenor, um espanto

Para harmonizar

 

Nesta fantasia

Estão belas chitas

E tenho a primazia

De ver as mais bonitas

Vejo lamas na cama

Com pijama às listas

 

A passear o elande

Com muito aparato

É deveras grande

Mas não parte um prato

 

Lémures fantasiados

Macacos a macaquear

E se forem bem mirados

Canguru parecem achar

 

Nandus desfilando

Numa linda passadeira

Com o pescoço girando

E o corpo à maneira

 

Ornamentados os Axis

Têm coroa avantajada

Quando estão a namorar

Por um triz, ai por um triz

Não fica a coroa engatada

 

Cervicapras cabriolas

Com feitio engraçado

Saltam e pulam no montado

Em jeito de sapateado

 

No final toca orquestra

E há muita animação

A burrica é a maestra

Ouve-se grande ovação

E eu acordei do sonho

A cantar uma canção

 

No campo Selvagem

Prima a natureza

Faz uma viagem

Para ver a beleza

 

Caminhando desprendido

Envolvendo os sentidos

Os sons e os cheiros,

O ver e o tocar

Animais protegidos

 

Convivendo com a natureza

Saltitando aqui e ali

Esta visita é com certeza

Um momento muito feliz

 

Vamos ver os animais

Ao parque do campo Selvagem

Conhecê-los por demais

Como brincam e o que fazem

 

Olha ali, o lindo Pavão

Com seu leque colorido

Come os bichinhos no chão

E é muito atrevido

 

Olha as cabritas anãs

Tão divertidas que estão

Brincam com as suas irmãs

Fazem muita confusão

 

Ciumento com sua dama

Com beleza a cortejar

Ecoa com muita chama

Dia e noite sem parar

 

Convivendo com a natureza

Ao ar livre e muito feliz

Passeando com certeza

Por aqui e por ali

 

O Perú todo enrufado

Abre o leque gracioso

Na quintinha destacado

Por se mostrar tão airoso

 

Maria Antonieta Matos 07-12-2011

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