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natalia nuno

natalia nuno

quadras singelas...

Tenho um pássaro no peito
Dia e noite sempre a cantar
É a esperança!Divino feito!
Que a cantar me vem saudar.

Vou andando vida fora
Levo o dia a anoitecer
Novo sonho trago agora!
Sobressaltos, esquecer.

Quero amar devagarinho
Tenho tanto amor p'ra dar
Mas se é de vidro fininho?!
Será que não vai quebrar?

As coisas que te não disse
Desejos meus, coisa pouca?!
Àguas passadas, só tolice!
P'ra mitigar sede da boca.

Neste campo de giestas
Eu sou alecrim ao luar
Me disséste:não prestas!
Nem me fiquei a ralar!

Já sou soalho rangendo
Estou na vida de passagem
Eu cá por mim nem entendo
Porquê tão longa viagem?

Dor tenho na partida
Saudade por não ficar!?
Levo a alma dolorida!
Condói-me só de lembrar.

Meus olhos são cativeiros
Lágrimas qu'inda não chorei
Meus ais são verdadeiros
Nesta estrada que esgotei.

Quando revejo o passado
Descanso a alma e espero
De tanto caminho andado!?
Vejo-me ao longe desespero.

natalia nuno
312
16alkaspoetry

16alkaspoetry

SOLEDAD

Grité tu nombre,
nadie me contestó.
Grité por Dios,
y no hubo
respuesta...
Senti la cruel
soledad de no
pertenecer
a nada,,, !



alkas poetry - 18/1/2018

849
natalia nuno

natalia nuno

flor nua...

Olhei-me no rio
e o espelho das águas
deu-me uma imagem tão pura
que ao rosto veio lágrima magoada
senti por mim uma enorme ternura.
Meu corpo é bagagem triste
que carrego até à última morada,
vestido da dor que o tortura
e insiste, até que seja pó
e esteja em mim a morte ancorada.

Na madrugada senti-me flor nua
sem preconceito
flor bela e frágil
como um amor perfeito
e, este corpo que julguei
para sempre infinito
não o ouço nem o sinto!
Onde está? Onde o deixei?
Os movimentos reflectidos
na água do rio
fazem-me crer que estou viva,
mas meus sentidos
o que dirão entre si?
- Temo-la cativa!
Sinto nos ossos a morte,
talvez ela seja apenas um rio,
um espelho onde me olho
neste tempo velho
onde com sorte
as mãos do tempo segurem
ainda minhas raízes,
aqui onde estou, onde sou,
na esperança de dias felizes...

natalia nuno
312
Geovanna

Geovanna

Perco

Me perco aqui,
Bem aqui dentro
Dentro de mim,
Me perco nas poucas respirações
Nos sussurros que dizem o coração
Me perco por ser e por não ser,
Por tentar e por Seder,
Me perco quando me guardo
E mais ainda quando me abro,
Me perco quando penso,
E quando evito
Me perco quando me entendo
E me desentendo por estar perdida
Perdida em mim.
Dentro.
376
natalia nuno

natalia nuno

trovas à vida ... soltas

Sorvo a Vida... e palpito
Vai a Morte colher-me breve
E logo meu coração aflito!?
Queixoso vai batendo leve.

Com o decorrer dos anos
Fiquei de sonhos despida
E com tantos desenganos
Minha barca anda perdida

Saudade de coisas perdidas
Brasas em conbustão lenta
Minhas esperanças ardidas
Minha alma vazia e cinzenta

natalia nuno
282
natalia nuno

natalia nuno

no coração da noite...

quem minha voz silencia
quem põe meus olhos vencidos
quem tal golpe me daria!?
os sonhos trago esquecidos
minha esperança apagada
o corpo esquartejado
certeza desterrada
memória sombreada
e meu rosto calado...
depois de tanta jornada
tudo me devolve ao nada

quem tal golpe me daria
quem minha voz silencia?!

minhas mãos em esquecimento
meu pensamento um labirinto
o coração em pranto, nem sinto!
recolho cada lágrima furtiva
não quero perder esta luta
insurjo-me contra o tempo e a vida
e contra o assédio da morte.

essa filha da puta.

natalia nuno
296
natalia nuno

natalia nuno

aconchego familiar...

Cada qual ocupava o seu lugar à lareira, quando o frio apertava e aconchegava-se o lume com mais uma cavaca e assim durava o serão que nunca ía muito além do jantar pois no dia seguinte o trabalho duro esperava e a manhã depressa chegava. A mãe conduzia a conversa cujo tema era geralmente os afazeres e as resoluções do dia seguinte, falavam pouco, parecia quererem guardar as forças para o trabalho que tinham p'la frente...o pai era sempre o primeiro a ir à deita e então lembro bem, perguntava à mãe: a cama está aberta? Há coisas que não se esquecem, tal como: o jantar está pronto? A mulher trabalhava por dois, a mãe trabalhava na fiação e tecidos onde era chefe de armazém de linhos, e chegada a casa tinha os filhos a sogra e o marido que não perdoava a hora certa desta refeição nocturna...lembro que a comida era feita num fogareiro que trabalhava a petróleo, ou então nas brasas da lareira e tudo levava imenso tempo, ali, mesmo na lareira também se aquecia água para o banho e para lavar a loiça, o banho era semanal dentro dum alguidar de zinco, não se apaga de facto mesmo nada da memória ... entretanto enquanto durava o serão eu era a rainha dos sonhos e numa embriaguês tamanha, numa exaltação meu coração transbordava de alegria, tudo me parecia ser verdade, via-me no trapézio, onde tudo me era fácil, enchia meus sonhos de figuras ágeis e animadas e eram intensas as sensações, ousada representava só para mim peças de teatro que eu própria criava e era extraordinário... como era bela a infância! Achava ter muitos admiradores, era uma comediante infantil cheia de sucesso e vivia numa alegria contínua...a alegria era fundamental...ou seria uma tristeza alegre? Apenas a pureza de coração e uma alegria ingénua e deliciosa...não posso dizer com certeza, que foi uma infância muito boa, mas foi com toda a certeza uma boa infância.

natalia nuno
354
Antonio Aury

Antonio Aury

Súplica a São Vicente



Faz São Vicente
Meu Santo Padroeiro da nossa gente
a proteção
Livrai-me deste Apocalipse
Estou com um terço em cada mão!
Livrai-me da mal elipse
E da escuridão!


Meu São Vicente
Meu Santo Padroeiro de cada dia
Vai ao encontro da Virgem Maria
Como um clemente
Trazer a luz prá nossa gente
Em profusão!


Meu São Vicente
Meu Santo Padroeiro me põe de pé
Aumenta a minha fé
E se também puder me faz independente!


Meu São Vicente
Meu Santo Padroeiro do coração
Eu te peço em confissão
Me afasta do mau e do indecente
Me dá mais inspiração
E protege a tua gente da nova escravidão!


Meu São Vicente
Meu Santo Padroeiro do meu torrão
Pede a Deus para mudar minha sorte
Para evitar minha morte e
Me blindar de proteção
Hoje , pede São Vicente,
Respeito por toda gente
Que vive na escuridão!


Meu São Vicente
Meu Santo Padroeiro do meu cordão
acaba com a nova inquisição
Muda a bússola inconveniente
Que maltrata tua gente
Com letal dominação!
278
natalia nuno

natalia nuno

GRATO É RECORDAR...EM - ESTREMECIMENTOS DE ALMA - NATÁLIA CANAIS NUNO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

GRATO É RECORDAR (Natália Canais Nuno)

o passado vai caindo para um lugar que é o esquecimento, estilhaçado em bocados, numa névoa perdido... extinto no nada, conto agora com um futuro incerto e um presente inquietante entre a luz e a tristeza... lembro noites de ternura e o meu sorriso detém-se enquanto o sono não chega, na memória cruzam-se e inquietam-se os pensamentos, vendo-te deslizar de súbito pelos lençóis, o teu olhar a reflectir-se no escuro e o contínuo desejo de nada perder, perto dos sonhos ébrios ainda a vontade de me deixar quebrar entre teus braços...

EM - ESTREMECIMENTOS DE ALMA - NATÁLIA CANAIS NUNO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA
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fernanda_xerez

fernanda_xerez

PISE FIRME, PISE FORTE


Não ande na ponta
dos pés. Pise firme, pise forte. A vida
exige coragem, força e fé.

Siga em frente,
confiante num Deus que te cuida e que
te ama.

Creia somente.
Honre a Deus que tudo pode. Seja um
baluarte da fé.

___ Pise
firme, pise forte,
simplesmente.
265
natalia nuno

natalia nuno

outono da minha memória...

Outono ruivo menino
de tons embriagado
olhar brilhante irritado
de caminhar sem destino

o tempo em agressividade
pergunta: que fazes aqui?!?
quero usufruir da saudade
dos tempos que já vivi!

vou vestir-me de giestas
calçar sapatos de jasmim
pronto para ir às festas
não queiras tu ir sem mim

outono assumes mil faces
morrem dias enrubescendo
agasalhos esperam q'passes
e as saudades vão crescendo

de névoa se põem cortinas
vais morrendo aos pedaços
e já nas horas matutinas...
o inverno em teus passos

vão-se cores e o fascínio
ficam ninhos ao abandono
fica o silêncio que é domínio
cigarras em chão de sono

outono de olhar verde
já meu sonho esmorece
em teus dias matar a sede
mas o amor não aparece

e há sol que não caminha
e há abraço que não vem
e na memória redemoinha
sempre a saudade de alguém

natália nuno
292
natalia nuno

natalia nuno

ilusões...

o punho da vida me esmaga
forte, cheio de energia
eu grito à saudade me traga
o sonho
libertando-me desta agonia
enquanto tudo dorme
nas sombras da noite tomo alento
liberto meu pensamento
uma estrela resplandece nos meus
olhos queimados
e os sonhos surgem em cachos dourados
vejo agora o mundo melhor
sou uma mulher palpitante d'amor
com os sais do tempo no rosto,
riachos de água enfurecida
que atravessam estações
criam em mim ilusões
que já não procuro
mas elas me dão um pouco
de esperança e alento
no futuro...

natalia nuno
303
Antonio Danilo Herculles

Antonio Danilo Herculles

É mutável Zé

Quando figuramos alguma coisa,
Tranquilizamo-nos..

Quando esta figura se desfigura ou ganha novas possibilidades de figurar-se,
Nos frustramos!

A tranquilidade é uma aparencia ilusória
Criada afim de gerar segurança.

Mas não tem jeito,
As coisas mudam Zé!
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natalia nuno

natalia nuno

Baloicei a cadeira.Adormeci!

Não há caminho de volta
Uma hora mais e o Sol se vai
Ao longe a lua e a minha alma se solta.
Na monotonia, já cai.
Meus pensamentos fazem a travessia
A noite vem e cai o dia.
Foi como um pássaro que voando,
este dia, que a noite traz?!
Assim me fosse deixando,
Sem descanso, de relance, fugaz.

E assim a vida é como fio de cascata
Hesitante, ora de ouro, ora de prata!
Vou-me deixando embalar...
Hoje? Meu pranto não foi além dum soluço
Com sabor a passado, fiquei a recordar.
Em mais um sonho me debruço.
Fechei os olhos, baloiçei a cadeira
Bamboleei o pensamento devagarinho, devagar.
Até que chegou o momento em que à lareira
Ao colo de minha Avó,o frio chegou a passar
Chega o eco da sua voz aos meus ouvidos
Ainda sinto o calor dos seus braços
Ritual adormecido nos meus sentidos,
Retido na escuridão do meu espaço.

Enquanto meu coração bater
Esta lembrança, vou reter!
Este caminho está sem volta!?
Minha alma já se solta.
A meninice ficou para trás.
Hoje? Passou o dia,
por cima do meu ombro, fugaz!
Me encolhi...
Baloicei a cadeira, adormeci.

natalia nuno


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Alberto de Castro

Alberto de Castro

MAGIA

árvores embelezando nosso dia.
Nuvens flutuando com harmonia.
Ventos soprando com sintonia.
Luzes se propagando com maestria.
Nossas vidas caminhando com sabedoria.
Nossas almas mantendo a alegria.
Nossos corpos se tocando com alquimia.
Nossas bocas se beijando com ousadia.

é o nosso amor, pura magia.
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Alberto de Castro

Alberto de Castro

TERNURA

Não sinto mais ternura
na maioria das pessoas.

A ternura é uma palavra
tão doce quanto o mel,
porém um pouco esquecida.

Ainda bem que está no dicionário;
portanto, ainda há esperança
de ser resgatada.
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natalia nuno

natalia nuno

horas maduras...

fui fortaleza cercada
e defendida
agora um pouco rendida
sem defesa, sobre destroços
repousada.
trago meu espírito livre
para a poesia,
a minha raiz de árvore seca
ainda a resistir dia após dia.

passaram por mim os dias
onde avultavam flores
e amores
silvas e amoras...
são agora as horas
maduras de melancolias.
assim vou matutando
entre alegria e tristeza
afugentando
a última com delicadeza.

deixo correr o pensamento
e o espírito se alheia,
é a saudade alimento
e a vida torna-se menos feia.

no coração da menina da aldeia?
a felicidade não corre perigo!
o sonho é o melhor amigo.

dentro das minhas muralhas
ainda há solidez
resisto aos caprichos do tempo
fico-me na pacatez,
e deixo-me levar
como floco de espuma
na correnteza... p'lo mar!

rosafogo
natalia nuno





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279
natalia nuno

natalia nuno

dói-lhe a recordação...

tende seu sonho
como se tende o pão
e deixa a alma a navegar
em ondas de espuma
mas dói-lhe a recordação
de tudo e de coisa alguma,
sorri à menina das tranças
dependurada no baloiço
de saia rodada ao vento
a menina que ainda oiço,
na brisa do arvoredo
num quimérico lamento.

já o sonho se esfuma
gargalhadas caem ao chão
acata o destino e em suma;
dói-lhe a recordação...
uma linha azul côr de céu
na palma da sua mão
mistério que aí se esconde
rastos ainda não escritos
que a vão levando pra onde
vai vivendo de seus mitos...

natalia nuno





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natalia nuno

natalia nuno

desejo...

desvario do corpo abandonado
na cegueira do desejo,
coração que de paixão
estremece, é a doçura dum beijo,
é paixão tão grande como o mar
no olhar...
é o arrepio secreto da pele
é o sortilégio do amor
é do pulsar do sangue o rumor
é o estarmos a sós
num encontro cúmplice
é em nós
o extase do enamoramento.
canta em nós a felicidade
e já nos comove a saudade
é belo reviver com arrebatamento
amando-nos livremente e na memória
guardarmos a nossa história.

natalia nuno

294
RicardoC

RicardoC

E A COISA TODA

E A COISA TODA

Não há-de haver debate verdadeiro
Se se reduz ao absurdo um adversário.
As certezas impostas pelo ideário
Nos limitam somente ao costumeiro.

Cada homem é de si bom conselheiro,
Mas o mais, por complexo e mesmo vário,
Transita entre o caótico e o arbitrário
N'um posicionamento derradeiro.

Estar mais à direita ou mais à esquerda
Revela tão-só mais ou menos perda
Dos discursos em face da verdade.

Quem busca a verdade antes a investiga
E não repete o que quer que se lhe diga
Como se sem consciência nem vontade.

Betim - 19 01 2018
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Antonio Danilo Herculles

Antonio Danilo Herculles

Do meu fogo/Experiencie!

Não tem hora, nem lugar!

Meu fogo pega algum lugar, um tempo, um momento, instante..

Pra quê pressa!

Pra essa vida bom momento você mesmo constrói

E tudo tem seu tempo,

E tenha tempo pra contemplar todo momento, todo sentimento,

São únicos acontecimentos..

Mas pere um pouco seu humano desumano demasiado,

Como que isso você não consegue experimentar?...
665
natalia nuno

natalia nuno

morta d'amor...

morro à míngua de amor
morro à míngua de água
murcho tal qual a flor
e é grande a minha mágoa

o sol queimou-me o rosto
com a sua luz potente...
namorei-te era Agosto
e amei-te intensamente...

tanto amor, tanta esperança
olha no que deu amor!
hoje trago-te na lembrança
e na boca o teu sabor...

fechei ao coração a porta
e os olhos enxuguei...
não há dor se estou morta!
eu morta de amor fiquei.

natalia nuno
335
natalia nuno

natalia nuno

nostalgia...

o fim do dia
sabe-me sempre a despedida,
a beleza está na chegada
na desmedida alegria
da alvorada,
- e não na partida!

há muito cheguei
deixo pedaços de mim
na bagagem levarei
coragem e sonhos sem fim.
depois de ter partido!?
ficará a marca dos meus passos
a ausência dos abraços
um século da minha vida,
e a minha força represada na poesia ...
será mais um fim de dia
com sabor a despedida.

natalia nuno

277
natalia nuno

natalia nuno

os serões da minha memória...

Eram duas mulheres mais velhas, e uma jovem casadoira sentadas ao fresco nas noites de verão nas escadas da sua casa simples, feitas de adobos reforçadas de lages também elas frescas, ali ficava eu ouvindo com atenção as queixas e os ais do peso dos dias, do tempo que não corria de feição para o joeirar do trigo, dos seus homens que andavam fartos de cavar a terra, e o quanto era difícil dar conta da vida! A moça, ouvia e não dizia uma palavra, não esmorecia e não pensava noutra coisa que não fosse o dia do casório quase, quase a chegar... ía aprontando o enxoval com os parcos haveres, fazendo um picô, uma bainha, caseando uma almofada, para que tudo desse certo nos tempos que se aproximavam e que pensava ela seriam de eterna felicidade. Que teria sido feito dela? Chamava-se Cesária , o namoro só era permitido ao domingo sob o olhar da mãe que não arredava pé, por sinal descalço, creio que nunca a vi calçada, descia e subia vezes sem conta a ladeira que a levava ao rio ou à horta para colocar a burra à nora ou colher vegetais, seu nome Rosa cuja vida foi de espinhos tal como as vidas das restantes mulheres da aldeia. Tempos difíceis aqueles, ali passei muitos serões era ainda criança ouvindo muitas histórias, no céu um luar bonançoso e lá em baixo no rio o cantar das rãs que nos vinha aos ouvidos como uma música longínqua soando como se fosse uma harmónica incansável. Os vaga-lumes também nos faziam companhia ziguezagueando dum lado para o outro, enquanto a noiva suspirava pela noite de núpcias...eu, não arredava pé ouvindo as inquietações das mais velhas, até que a mãe da janela da cozinha erguia a voz chamando por mim e eu lá ía com meu perfume delicado e doce, flor pura sem inquietações e nenhum desejo em mim a não ser o conforto possível da casa onde nasci.Todo este aroma da infância o sinto nestas memórias neste recordar neste invocar o passado com todo o meu frenesim, passado longínquo mas não morto que recordo nestes dias que se apagam em si mesmo , tudo é visão presente, nada morre, continua pulsando o coração e o pensamento, e o sonho torna visível o invisível... cega de ternura me agarro a esse eco da infância, como um recém nascido se agarra ao peito da mãe.

natalia nuno
339