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Jorge Santos (namastibet)
State of a Dream (From Oracles to Shamans )

Serei eu, é a questão e o universo"il faut démonter"
I
State of a Dream
(Vinte de Janeiro de 2017)
Era o sorriso de uma mulher resignada, não expressava alegria mas contentamento, mansa e bela, cruzara as pernas e fumava um cigarro, sabia-os enrolar moderadamente bem, dir-se-iam de argila, não presumíssemos de imediato que fosse tabaco, uma verdadeira ciência, transformar simples papel de arroz numa mortalha iluminada a névoa silenciosa como se fosse uma Xamã.
Tinha um suposto cansaço na pose como quem adormece uma sensação doce de sem-remédio que só os frutos saborosos contêm.
Vestido negro e um decote que os homens têm direito a olharem uma só vez e guardar no íntimo sob pena de excomunhão ou condenação.
Envolvia-a aquela aura de castidade e resignação que algumas mulheres possuem sem darem por isso, como se fosse o desejo algo inútil apesar de útil senão urgente senti-lo!...
Do outro lado do balcão castanho, corrido sentia-se uma sensação cliché comum em filmes, na figura do barman, erecto, limpando copos com um pano velho frente à misteriosa mulher de negro e o olhar deste, fixo num limitado ponto do espaço, como se tentasse ver algo para além do que mais ninguém vira.
O lugar, vazio de clientes, possuía uma solenidade desgastada, assim como o saxofone de Miles Davis tocando "Blue In Green" na juke-box junto à entrada, estranho lugar, mesmo para uma cidade preenchida a bares como New Orleans, pensou ele depois de cruzar a porta, vindo da rua.
Olhou num relógio caro que se distinguia da camisola gasta, Cinco da tarde dum dia quente, ainda que não fosse verão e a hora menos suspeita para dois estranhos se encontrarem num bar, calçava sapatos desportivos, com andar ágil dirigiu-se à mulher sentada ao balcão que não reagiu, embora sentisse que alguém estava ocupando o banco elevado ao lado dela.
Não a cumprimentou imediatamente, antes disso fez um discreto sinal ao empregado do bar apontando com o olhar na direcção de uma garrafa de Bourbon-Whiskey ainda meia, depois fez um sorriso ajustado aos lábios o qual foi correspondido por ela, não se supunha na linguagem corporal ou outra se já havia conhecimento anterior ou seria a primeira vez que se encontravam.
Roça com a mão esquerda, num gesto agradável o ombro desta, como que animando alguma contrariedade e ali ficaram lado a lado durante cerca de uma hora e alguns minutos sem trocarem qualquer palavra ou gesto, suspensos na atmosfera gasta deste bar de new Orleans ao som do Jazz de fundo do saxofone de Miles Davis.
Antes de se deslocar do balcão em direcção à porta da saída, a mulher vira-se devagar para o homem ao seu lado, olha-o com os olhos maduros, negros-azeviche, diz-lhe um nome em voz baixa -"Tália",ao que ele responde também e em voz ainda mais baixa "Gerome"...
Tália deita a mão delicadamente ao interior da minúscula bolsa, retira dela um papel dobrado em dois que lhe entrega e despede-se de uma forma desprendida e leve como só uma mulher de alta classe social aprende a despedir-se e é como se voasse que alcança a porta, apenas com som dum roçar a setim, sai deixando no ar aquele perfume raro e caro com fragrâncias de açafrão e pimenta verde, dava todavia a sensação doce de odor a mel quando fazia movimentar o ar em redor dos ombros.
Ele apressou-se a sair rápido, parecia furtivo supostamente nervoso enquanto dobrava religiosamente o bilhete que ainda não tinha lido no cinto das calças, tremiam-lhe as mãos ao retirar uma nota de dez dólares para pagar a despesa do bar, Gerome aparentava ser calmo e recatado mas intimamente possuía uma imaginação fértil, ilimitada, sujeito a mudanças de humor e de convivência difícil.
Por isso talvez fosse ele especial e pessoal a explicação que dava a certos pormenores a que chamamos sinais que para outros são simples acontecimentos, normais, triviais até, como se visse algo para lá da visão de todos os outros, como um oraculo, assim como o barman do bar de onde saíra há poucos minutos também ele "via" para além da pele do mundo.
Sentia-se em casa, as ruas faziam lembrar a cidade onde nascera assim como a exuberância de flores, o ambiente antigo e romântico que já não possuíam as cidades francesas actuais, pois embora ainda aparentasse juventude já tinha idade para recordar a beleza das antigas cidades, conhecia-as quase todas na Europa, embora fosse a primeira vez que pisasse o império do Norte como gostava de lhe chamar, quando falava consigo próprio.
Tália não ia ainda muito longe quando de súbito um carro pára e ela é com rudeza puxada para o interior, ainda a ouve gritar por socorro na língua mãe, Italiano e a origem do nome Tália,
Gerome leva instintivamente a mão ao cinto onde guardara o bilhete dobrado e respira de alívio pois tinha sido essa a razão da sua deslocação ao sul da América do Norte, país que detestava visceralmente e acima de tudo; preocupava-o o destino de tão bela mulher, sem dúvida que sim, mas o seu propósito estava salvaguardado em si próprio e o ansiado bilhete ficaria ao alcance dos seus entusiasmados olhos em breve, assim conseguisse chegar a porto salvo, ao quarto de hotel distante um quarteirão ou dois dali, na mais insuspeita rua, que em New Orleans havia.
"State of a Dream" era a lacónica mensagem da missiva, acompanhava um símbolo exótico desenhado à mão, além de uma outra frase curta em formas cuneiformes qual não fazia parte o mutuo convénio entre Gerome e a linguística .
Teria de pedir os espíritos para o ajudarem, proteger e orientar, faltava-lhe um último estagio de alteração de consciência pra se poder considerar Xamã e fizesse todo o sentido aquela mensagem na demanda a que dedicou Gerome quase uma vida inteira de auto descoberta, desde que conhecera a Dra Marcela, mãe de Tália e sua professora favorita de física no liceu, em west Berlin depois de terminada a II guerra, quase uma segunda mãe, sentava-se à mesa da cozinha dela, depois das aulas, durante horas estudando que esquecia onde estava , divagava, navegava entre átomos e fórmulas...
II
"May the force be with you"
Nove de Novembro de 1989, a grande Praça-Vermelha encontrava-se escura, mergulhada em sombras, parecendo ser perfeito aquele pacto com o cinzento frio do céu; assim como quando os espíritos se separam da vida, caminhava Tália impassível para um destino não menos sombrio que Moscovo de madrugada.
Podia identificar-se na expressão do olhar o cansaço por ter voado directamente de florença e vindo até esta grande praça, non-stop e com escala em Varsóvia visto ter comprado o bilhete à última hora, era imperativo encontrar-se com o seu tio, Arcebispo de Moscovo Pavel Pezzi, na catedral metropolitana nesta cidade e na mesma manhã em que chegasse à Rússia, sem demoras tal como ordenara o pai, Gianfranco Bonelli, embaixador de Itália no Vaticano apesar de arqueólogo por formação e compulsivamente afastado do cargo que ocupara durante uma década.
O pai tinha-lhe dito antes de partir para a sua mais recente "obsessão" em Göbekli Tepe no sudeste da Turquia onde este julgava estava situado a ruína do lendário jardim do Eden, ou o portal do conhecimento humano - o click que possibilitou ao homem olhar pra dentro dele próprio e ver o universo ao espelho, ou assim julgava Pappa Franco, como lhe chamava de uma forma carinhosa Tália, a formosa filha deste e fruto do casamento com a Dra Marcela Gleiser, Física, astrónoma e actual responsável pela investigação no "CERN" acerca de uma nova partícula subatómica, designada popularmente por partícula Maldita ou a famosa "partícula de Deus".
Assim como os espíritos, a massa deste estado ínfimo da matéria também a tornava imponderável ou fantasmagórica, como se existisse nesta nossa "realidade" e numa outra ou outras desconhecidas divisões ou salas de multi-universos ilusoriamente empilhados.
A Catedral era imponente por fora e por dentro, como quase todo o recorte histórico que esta grande metrópole possuía, numa entrada lateral semiescondida por abetos e crisântemos via-se a entrada com um caramanchão de uvas brancas, indícios de latinidade e que servia a residência oficial do tio Pavel, onde o pai se refugiava quando queria estar longe dos afazeres ou estudar algum antigo manuscrito, coisa que podia levar semanas de recolhimento e reclusão do mundo real, citadino e puritano.
A Dra Marcela Gleiser, mãe de Tália confiara-lhe um grosso envelope que só poderia ser aberto pelo pai, quando e no caso de o encontrar vivo, não poderia sequer confiar no tio, dissera-lhe esta quando a beijou à despedida no aeroporto aquando da partida para Moscovo, foi uma comovida Dra Marcela que não queria deixar partir a filha tão querida para uma missão que poderia revelar-se suicida ou o mudar o consciente de uma espécie, pela segunda vez na história humana.
Tália sorriu troçando da angústia da mãe e lembrou de quem lhe tinha despertado a imaginação para as histórias de Stanley Kubrick acerca de monólitos e descobertas nas luas de Júpiter e de todas aquelas sequelas de 2001 Odisseia no espaço, disse-lhe que também ela tinha uma imaginação fértil mas iria seguir tudo à risca e prometia ter cuidado apesar de não levar muito sério aquilo dos destinos e evolução da humanidade estarem em jogo e ela, uma simples mulher ser enviada como mensageira por causa duma tola fantasia dos pais como se fosse um género de "Obi-Wan Kenobi" de saias, talvez o pai tivesse perdido o telemóvel ou se encontrasse nalgum lugar da Síria e estivesse privado de comunicações devido à guerra.
Deixa-a com a frase da Guerra das Estrelas "May the force be with you" e o gesto épico de desferir um golpe de espada no vazio do ar, comédia ou ficção pensou Tália indecisa quanto ao género de narrativa que se via forçada a representar e qual a actuação como personagem principal, se drama-falso ou farsa/comédia.
O Arcebispo possuía tanto as qualidades de orador quanto a força e convicção de um concílio pode ter, num só homem a força de uma gigantesca instituição, no rosto uma amabilidade extrema.
III
(Le café des sept colonnes)
22 de junho de 1940 , la Bastilhe
Gianfranco Bonelli Sentia vontade de abraçar, beijar e amar fisicamente todas a mulheres com que se cruzava nas ruas cheias de gente feliz mas procurava apenas por uma, aquela mulher especialmente bela, a bela Marcela.
Os afectos transbordavam nos rostos, mesmo nos pobres, famintos, mendigos e a quem a simples carícia tinha sido negada, apagados deste mundo filhos maridos ou esposas, até mesmo as pegadas descalças se haviam afastado das praias para dar lugar a botas, fardas e a corpos, aço e minas.
Fora finalmente assinado o armistício, as árvores eram mais verdes, agitavam os ramos, agradeciam o dia e a trégua concedida depois de lhes terem espetadas sete vezes no peito sete facas e outras que viriam a caminho, secretas, terminais, finais.
Intelectualmente sentia-se atraído por Marcela mas o grande magnetismo provinha daquele corpo airoso elegante, amava-a não só pela lisura da pele do corpo, dos seios em forma de colina, mas pelo brilho da mente.
Havia sido encarregado pessoalmente por Goebbels, apesar da sua ascendência francesa, de procurar indícios da assumida supremacia ariana entre as montanhas de Tauros e o lago Van, local onde, ao tempo, se convencionava falsamente ser a nascente do rio Tigre.
(cont...)
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Jorge Santos (namastibet)
Minha alma é um lego

Minha alma é um lego
Minha alma é um lego aos bocados,
Pena eu não os saber montar certo
Nem direito, sobram sempre peças
E o mais difícil é montar as palmas
Nas mãos e na ponta dos dedos, as
Unhas e o encantamento na floresta
De cabelos, não recordo cada um dos
Pelos ou a ordem por que são postos
Os cotovelos, apostos ao torço,
Não sei desmontar palavras,
Sinto-lhes a angustia de sentirem
Presas a mim, tanto que não posso
Definir o que sentem ser amor ou
Ódio por serem presas e não guelras,
Que nos pregaram na boca.
Minha alma é um leque aberto q-b.,
Minha alma é um lego e os pedaços
Pensam não os saber montar, nem certo
Nem direito, falta sempre o pulso no braço
E o mais difícil é montar as palmas
Em pleno voo, abertas quando.bato.asas,
Fechadas porque as celas tem grades,
Querendo eu escrever meu nome no
Espaço Em Letra Grande Gigante, Maior
Que o Maior Monte, Lago ...
Jorge Santos (05/2018)
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Jorge Santos (namastibet)
Coroai-me de espinhos frios ...

Coroai-me de tudo
Quanto dói, rosas de espinhos
Pra me crer um crivo
Que vive cirandando
Nesse corpo pra morrer,
Pois ele me devolve
Tanto quanto sente,
Coroai-me de tudo que é feio
E do que é estranho, do sabor da pimenta.
Vivo no rosto dum estrangeiro
Vindo d'França, que ninguém entende,
Coroai-me de flores murchas,
E estas se julgarão gente dest'mundo
E donas do meu coração,
Já que por fora não pareço quem sou,
Coroai-me de espinhos tortos,
Vodu ou solidão ,
Consciência de broca,
Aquela de que me tornei
Amigo, ela me envolve
Do tecido com que é feita,
Antigo quanto a passagem
D'onde tudo volve e avança,
Excepto minha alma cansada
Duma vida de peneira andante ...
Jorge Santos (04/2018)
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Saul Leiva
Arrastando âncoras
Voltando pra casa, vigiado pela lua
Com peso nas costas, áspera rua
Levando o dia todo no bolso
Recaídas, flashbacks insólitos,
Meus problemas dispersos na sórdida terra
Arrastando âncoras por cima, no meio da guerra
“guerra interna” digo, dentro o verdadeiro conflito
Em criar devaneio e hesitação, sou um total perito,
Corto-me com o gume da própria espada
Todos os problemas viram pedras pesadas
Vejo-me moribundo e sujo
Morte lenta ouperecimento súbito,
Dançando pra não cair em cacos espectrais
Depositando felicidade em terceiros desleais
Ademais, ironias essenciais, farsas colossais
Mascaras dos falsos engrossam cada vez mais,
Queimarei tudo e todos, dentro de casa
Pois aqui os acumulo. Lembras das ancoras?
Mais que metáforas, matarei todos em massa
No final, não serão mais que míseras brasas.
Madalena_Daltro
Vim ao mundo nua, parto sem nada...
Todos os meus delírios
foram ambição.
Todos os meus anseios,
devaneios.
Todas as conquistas,
ilusão.
O que acreditei serem: Meus,
não foram, nem são.
Assim passou a minha vida,
esse invisível quinhão alucinado,
indo do nada para lugar algum,
uma lástima!
Vim ao mundo nua, parto sem nada.
Madalena Daltro Fonseca.
Jorge Santos (namastibet)
Com'um grifo ...

Com'um grito ...
Como eu, o grito
Cresce à vista a ira,
O vasto e o calado,
A solidão do prado,
Com o meu grito,
Nem porto ou cais
Poderá ser d'vendavais
Abrigo,
Como eu grito,
Nem os pássaros
E o cio dos lobos,
Parideira com dor,
Como eu nem os
Animais ou a fúria
De seis/sete Búfalos,
Como eu, o grito
É ter cinco pedras
Na mão e determinação
Fora-do-normal
De gorila grisalho,
Do Adamastor
O urro, a dor de Joana D'arc
No lume, um murro
Como grito rouco
Na comuna de Paris,
Das barricadas, "Liberté Égalité
Fraternité"
Que estilhaçou a história,
Como o meu grito,
Precede o silêncio,
Assim o galope,
Inação não é luta,
É esquecimento,
Sejamos cavalos de tiro,
Gorilas, Ursos, Bois ou Brutus,
Cães com pulgas,
Mas não deixemos
De gritar "Porra"
E libertar do peito o urro
Da Vitória convicto e bruto,
Com'um grifo ...
Joel Matos (05/2018)
http://joel-matos.blogspot.com
natalia nuno
desencanto...
Olho as bagas vermelhas
da amoreira
O destino destece o que tanto queria
Agora sou só poeira
Quer queira ou não queira!
E quando o sol se apaga
Meu coração naufraga...
Diga eu o que disser
Vivo a vida a recordar
Não sei se é fado ou destino
Ou apenas meu querer
Em qualquer caso... desatino.
O tempo que é agora agreste?
Já foi tempo de prata!
Não há dia que não se manifeste,
na saudade que quase me mata.
A batida das horas é ameaça
Como fugir ao cativeiro?
Assim é o tempo que passa!
Rasgando meu corpo inteiro.
natalia nuno
rosafogo
evelinbast
Prisioneiro de si
Prisioneiro toda a vida
não somente de um quadrado,
mas dentro de si mesmo.
Tantos medos e receios,
poucos sonhos e anseios.
Quantas vezes desistiu...
Quantas vezes disse sim,
querendo dizer não!
Quantas vezes disse não,
querendo dizer sim!
Já ouviu tantos conselhos
e olhou muitos espelhos.
Nada dito ou visto
refletiu quem és.
Essa angustia do não saber,
de querer ou não viver,
do que faz ou não sentido...
Se a resposta é entorpecer,
esquecer ou simplesmente ser!
Cada dia foi passando
sem que pudesse ver,
que chorando ou cantando
amanhã irás morrer...
Antonio Aury
Evolução
abatido, morto e recolhido!
Suplante o medo do usurpador dominante
Levante a sua cabeça
Enfrente qualquer perigo!
Saiba que o amanhecer virá
Que a noite chega e que o sol brilhará!
Mostre o seu habitual sorriso
Mostre que ninguém é mais capaz
Que você,
Diante dos que usurpam e andam por caminhos
tortuosos e desiguais!
Faz por merecer
vitórias incríveis e fenomenais!
Que você é vencedor,
Praticante do amor!
Que sempre anda para frente
São eles que andam para trás!
Saiba que o poder usurpador
É apenas uma mínima fração
Que aceitou a mecanização
É apenas um robô
Sem nenhuma imaginação
Que envaza perfume
Mas não sabe o que é uma flor!
Não sabe o que é paixão!
Não sabe o que é o amor!
Com a sua força interior
Pratique sempre o amor
Faça da vida muito mais
Plena de simplicidade
Envolta de humildade
Viva sempre sua era e sua idade
desde os gritos guturais!
Antonio Aury
Miscelânea M
Quando pensarem que você foi atingido
abatido, morto e recolhido!
Suplante o medo do usurpador dominante
Levante a sua cabeça
Enfrente qualquer perigo!
Saiba que o amanhecer virá
Que a noite chega e que o sol brilhará!
Mostre o seu habitual sorriso
Mostre que ninguém é mais capaz
Que você diante dos que usurpam e andam por caminhos
tortuosos e desiguais!
Faz por merecer vitórias incríveis e fenomenais!
Que você é vencedor,
Praticante do amor!
Que sempre anda para frente
São eles que andam para trás!
Saiba que o poder usurpador
É apenas uma mínima fração
Que aceitou a mecanização
É apenas um robô
Sem nenhuma imaginação
Que envaza perfume
Mas não sabe o que é uma flor!
Não sabe o que é paixão!
Não sabe o que é o amor!
Viva sua era e sua idade
Seja senhor da sua liberdade
Sem perder a doce humildade
Tenha muita força interior
Pratique sempre o amor
com poesia e notas musicais
Faça da sua vida muito mais
Plena de simplicidade
Envolta de felicidade
muita luz, muita saúde e muita paz!
Vibre desde os primeiros gritos
e suas vitórias guturais!
aury
Cedric Constance
LOBO SOLITÁRIO
Solitário por natureza...
O mundo é só uma plateia,
Em um espetáculo de ódio e frieza.
Não faço parte de rebanhos,
Trilho meu próprio caminho.
Em meio a tantos estranhos,
Sou mais um que está sozinho.
Atravesso sonhos, liberto instintos,
Voando além da imaginação.
Vivendo em devaneios infinitos,
Acalentado pela amável solidão.
Não sou o que minha mãe sonhou,
Não satisfaço vontade alheia.
Desculpe, é assim que eu sou,
Não hei de mudar minha essência.
- Cedric Constance
Cedric Constance
A NOITE
O silêncio ouve inquietações.
De tempos idos me recordo,
Nostalgia arde em emoções.
Bem tarde da madrugada,
O vento passeia na rua.
Nenhuma alma acordada,
Somente eu e a lua.
As sombras me acobertam,
Nascem minhas inspirações.
As estrelas se revelam,
Dançando em constelações.
Na noite reflito sobre dores,
Folheio as páginas do passado,
Relembrando antigos amores,
Sob o céu enluarado.
- Cedric Constance
Jorge Santos (namastibet)
Nada tenho pra dizer ...

Nada tenho pra dizer ...
Nada tenho pra dizer e me culpo
Seja p'lo que não for dito como p'lo que disse
pouco, não posso ser mais simples que isso,
Me dói a realidade com que vivo,
Exijo que me façam um molde d'antes
De ter endoidecido pra que reconheça
Do que me lembra eu ter dito e me convenci
Ter sido, nada mais simples que isso,
Digo pouco porque pouco há a dizer
Sou pouco seguro do que digo ser, do que quero
Dizer falo alto pra me convencer disso
E me converter naquilo que consideram ser meu
Dito por outros, pouco digo que seja meu,
Digo pouco do que há a dizer, uso d'um disfarce
Que me torna invisível à dúvida, não tenho por ofício
"Me tornar achado", meu palácio não é de luz,
Nem encantado o lago onde me ponho de polegar
Ao longo, Adepto menor me sinto e me desvinculo
Ainda que seja em verdade discípulo do breu
E não Grão-Mestre na condição de divino do céu,
Me dói a realidade com que vivo,
Nada mais simples que isso ...
Joel Matos (05/2018)
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Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)
Geração perdida
Há jovens mortos,
Sem crença,sem razão,
Vegetando em vidas moucas,
De vozes roucas,
Gritos desconcertados,
Enlouquecidos pelo ócio,
De mãos vazias.
Não duvide,
Há filósófos perdidos,
Em suas frases feitas,
Versos alheios do nada,
Tempestade de falas sombrias,
Argumentos desvairados,
Palavras sucumbidas ao vento,
De escribas cheios de si,
Na hipocrisia de suas verdades.
Acredite,
Há devoradores de homens,
À espreita nas esquinas,
Tempo insano de abutres,
Sedentos de sangue,
Rapinagem maldita,
No tempo dos loucos.
Sirlânio Jorge Dias Gomes e Naddo Ferreira
Jorge Santos (namastibet)
Pena ser levado a sério e ainda...

Tenho a figura imaginada de me pai,
Da minha mãe a atitude espiritual,
A realidade é minha mas não o direito
A ela, pois isso é a coisa mais absurda
Que existe, sob pena de ser tomado
A sério quando falo de mim próprio ou
Sobre mãe pai ou sogros excepto esposa,
-Digo que tenho a figura imaginada
Do pai-do-céu, não do meu nem a minha,
Qualquer coisa que nem somos nem
sonhamos, amamos nos outros nós-
-Próprios por isso plagiamos pra justificar
Quem somos, eu tenho pena de ser
Levado muito a sério, não o mereço,
Pretendo que seja tomado como pouco
Sério, tal qual é a ideia que fazem
De um louco com-um-certo-juízo,
Jamais com o juízo-certo pois até a verdade
É falsa, sou feliz sem entender nada
E a memória se agrafa no corpo dos mortos
Pra que a alma não erre por corpos que não
Conhece a forma certa e a idade,
Sob pena de ser levada a sério também,
Aquilo que não tenho, eu pareço,
Desprezo os outros como um calceteiro
Pisa a pedra no passeio, por instinto
Não por vontade, como quem erra a sorte
Errei eu a vida, pena ser levado a sério ainda,
E ainda ...
Joel Matos (05/2018)
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natalia nuno
agora é tarde de mais...
Agora é tarde demais!
Sabe-se lá quem bateu?!
Com certeza foram meus ais
Que tantos a Vida me deu.
Agora? Agora é tarde demais!
Podem bater à vontade
São com certeza meus ais
Que ainda vivem da saudade.
Quis o acaso que batessem
Tarde demais a esta porta
E de saudade, sofressem!
Sabendo que já estou morta.
Batem loucos morte certa?!
Ninguém os ouvirá jamais!
Nesta tarde quase deserta
Sepultaram os meus ais.
rosafogo
natalia nuno
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=93877 © Luso-Poemas
Jorge Santos (namastibet)
S'isto que tenho dito, fosse verdade ao menos ...
S'isto que tenho dito, ao menos fosse verdade,
S'isto que tenho dito ao menos fosse verdade, pois "de-verdade" nem eu sou, de cortiça antes, de prego e ferro, fezes de cavalo são meras frases, ditas por mim "Icónicas", mestiças como todas a partes abaixo da linha de cintura minha o são, chamo-lhe uma corrente de ar ou corda, cabresto, mas simplesmente sou eu o "não" o anão espalhando-se pelo chão, descrente de pensamentos e expressões; não me fluem com o o equilíbrio e inteligência que usava, como o galo do quintal do vizinho para me anunciar num simples poleiro empoleirado a verdade e toda a verdade sobre a existência dele próprio quando cantava de galo antes de morrer na panela.
Se fosse de verdade ao menos e o quintal noutro mundo, eu deixava acender o restolho e aí as ideias copulavam, mas fui varrido pelo desencanto, folha morta no furgão do lixo.
S'isso ao menos fosse verdade, pois se tudo quanto sei e dou me voltou em dobro, era cuspo e culpa por não ter dito, eu que pensava ter da vastidão exéquias, recebo feijões anémicos, cicuta e terr'inculta.
S'isto fosse um elo real ferro podre ou ralo de esgoto, eu desfilaria através dele até ao escroto de um deus minúsculo que fed,e porque ele o criou assim, como me fez criado sorridente, escravo de uma necessidade com grades que me segura prende, fede e arde...
Há o Homem que pensa que eu sou esse entre eles, não sou!
Não há meio de pensar que serei o Homem que o pensar soube ser, se Rei ou senhor do mundo, não servente mas hei...de ser sempre e pra sempre, delito em gente,prezo tudo quanto sinto e diferente desse outr'homem que'bem sei não ser, sou o genoma do futuro, o cabo do mundo, a verdade não existe, nem se comprova, não me comprovo eu.
A varanda é de grades. os antípodas e o horizonte tão curto, quanto eu para entender as luzes, serem eternos sinais com o instinto preso neste quintal suspenso, malditas frases espetadas nestas grades...
Houve um jardim quando não havia regatos e eu me ria nos espaços abertos, meu agora coração parado não ouve o tempo misturando-se e a vantagem da angustia é não ter fim, assim houve um jardim em mim e meu coração não ouve o fim do fim do mundo, ouve escutando o que pensa ser a capacidade de sofrer em fazer e o ser humano fecundo, o universo e tudo...a arte é o mundo e a nitidez crescente em mim...a verdade que suporto.
A capacidade de criar torna-me mais intenso, aceso mesmo quando não estou pensando em nada e mais em que tudo é íntimo, quando estudo um modo de dizer que me transcende e aí ouço o passar do tempo como num carrossel acelerado, chamo-lhe ar corrente e ao tempo o intervalo em que disse isto e por isso sei que existo em tudo, nesse momento acordei, acordo e sou tudo, perco-me da visão e a emoção é uma morada semelhante a álgebra numérica magma e espaço, filamentos e galáxias-heras.
Hei-de ser, ouço em mim esse poder de pensar fundo que trago e sigo há séculos e séculos ...um mundo presente aquém e além da minha morte depois, a verdade é isso, intemporal e futuro
Joel Matos (05/2018)
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Jorge Santos (namastibet)
Como rei deposto numa nação de rosas ...

Como rei deposto numa nação de rosas,
Tenho palavras sem futuro, sem álibi
Nem provas, a recordação é um mito
Tal como o universo é infinito, as rosas, flores.
Coroai-vos de espinhos e tereis ares de rei,
Coroai-me das mesmas e renunciarei nesse dia
Ao trono temendo que elas aí murchem,
Tal como a maioria dos homens que sonham
E não podem ter, sensibilidade é aquilo que
Não se pode possuir, digamos que é
Preciso sentir pra ser leal à ideia do príncipe,
Ser vencido é abdicar dessa realidade de
Dimensão divina como rei deposto numa
Nação de rosas, vê-las é o sentimento desfraldado,
desfeito o pau da bandeira, do Império,
Como um rei deposto numa nação sem rosas,
Um testemunho antigo acrescenta à razão
Não só o que me faz, mas o que traz meu
Coração súbdito do rei, do reino longínquo
Que é onde a utopia é estrela e a coroa é de farsa ...
Jorge Santos (05/2018)
http://namastibetpoems.blogspot.com
Jorge Santos (namastibet)
Ida e volta

"Ida e volta"
O mar que não tem a lua,
É real não tanto quant'eu,
Nela me vejo aquando se preenche
Em lua-grande e aí perco a dimensão
Do real da lua, que praias
Nem tem, nem areal serei eu,
Sou alguém que se esconde,
A pluma e o medo do escuro
Que presumo teve algum
Cosmonauta num fato preso,
Tanto me pesa ser súbdito
De um mundo em, que à 1ª vista,
Nada tem "que-se-diga" ser meu,
Ou só minha, quanto a maré
Da lua é, em toda a volta eu e
Só eu, um mar sem luta, ateu
O mar que não tem a lua, nem
Porto-seguro pra nau d'fumo
Em que viajo, sem ter partido
Do areal onde fundeei meu reino
Em lua-meia, defunto me acho
Mas não me sinto morto ao
Olhar na lua a porta, apenas duvido
Que me conheço se real sou,
"Ida e volta" ..."volta e ida"
Joel Matos (04/2018)
http://joel-matos.blogspot.com
Jorge Santos (namastibet)
(Demente em contra-mão)

(Demente em contra-mão)
Pra mim o inferno
é onde toda'luz é rara,
Dispersa a névoa,
Suspensa no dia,
Em que tud'é pó
E no que me fizer então,
Pra mim o paraíso
é aí e só falta beber
A ira d'est'alma torda,
Que me conjura e dói,
Como o instinto aceso,
Dum louco no verão,
Pra mim o inferno
é onde me sento,
Timoneiro de cento
E um torpedeiros e penso
Se amanhã serei eu pó
Em contra-luz, eu não,
Apenas céu e vento lento,
Minh'alma sem ralho,
Bocejo de "gajo" manso,
Disperso, infeliz "à sorte"
De fruta podre e tão só...
(Demente em contra-mão)
Jorge Santos (05/2018)
http://namastibetpoems.blogspot.com
Jorge Santos (namastibet)
Fabuloso, fictício ou fábula ...

Fabuloso, fictício ou fábula ...
Visto o que da natureza é bruma,
O mais completo que o sentir
Natural sente, é humana a outra,
Visto a que não é real na relação
Entre ambos, completamo-nos
Visto que somos natureza útera
A real, a fictícia e a fábula, todas
Duma mesma casca ou escama una,
Põe flores no meu túmulo ou não,
Nenhuma me é indiferente nem o dia.
A ilusão, visto que nem real a nobreza
Usa, nem igual o meu manto rubro,
Há-o de Sultão, magnífico mas d'ouro
Não quero que me contemplem,
Não sou tesouro pra se contemplar,
Monarca-asceta, bêbado de sarjeta,
Visto que a natureza é Brâmane
Dá toda a paz que sinto em mim
E o vazio sem nada que possa desejar,
Mais complexo que o sentir de quanto
Não, nem nunca terei de fabuloso,
Fictício ou fábula ...
Joel Matos (05/2018)
http://joel-matos.blogspot.com
diogobarros
Amor é
E ao mesmo tempo importante
Toda a gente fica contente
Onde as pessoas pensam atentamente!
Amor é animado
Mas é preciso ter cuidado
Para não ser acabado
Mas sobretudo deve ser aproveitado!
Amor é uma lição
Mas é preciso ouvir um não
Para o amor ser vivido com emoção!
Amor é uma união
Onde as pessoas devem dar a mão
Até ai há muita preocupação!
Diogo Barros
Jorge Santos (namastibet)
Matéria é escuro e o ouro...

A matéria é escura ...
Leve, leves as sombras almas,
A ciência aos espíritos não importa,
Em analogia a luz é a ribalta,
Aos olhos do oculto, do mistério,
As minhas visões são mero limo,
Ideia abstracta e nua o que penso
E vejo como velas, se não houver
Luz e vida agora, minha alma será
Apagada de vez, mais valia estar
De olhos fechados, vendo a sombra
De meu mestre, que assistir do
Alto da torre do sino ao fim do dia
Breve, breve a sombra das almas,
Vieram para louvar a ânsia de viver,
A ciência aos espíritos não importa,
A arte é o outro lado, a dança eterna,
A vida escura que nem o meu
Respirar interrompe e onde os
Sentidos meus se movem como fumo,
Em analogia a luz é a ribalta
E o ouro... matéria é escuro.
Jorge Santos (04/2018)
http://namastibetpoems.blogspot.com
natalia nuno
ao nascer da aurora...
da alvorada no imenso horizonte campestre
o meu pensamento relembra o tanto amor
que me deste,
perscruto a paisagem como que à espera
do eco da voz conhecida
do amor da minha vida...
ao fundo da colina,
vejo-me ainda menina
a aurora cresce hora a hora
enquanto o meu pensamento relembra
as minhas mãos perdidas nas tuas mãos,
nossos dedos entrelaçados
dois corações que se encontram enamorados
sinto até medo de espantar a felicidade
rezo para fazer o tempo parar
e com os olhos húmidos de ternura
lembro-te com saudade
enquanto teu braço m' rodeia a cintura
de repente fica o sonho nublado
sinto o peso da idade os dias de solidão
tremo como um pássaro apanhado
e olho longamente com olhos de sonho
a querer abraçar-te, para que o sonho não
seja mais um para sempre perdido
e num gesto de ramo florido
de tília ou de jasmim
dizer-te que ainda te amo tanto
quanto me amas a mim...
natalia nuno
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