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anurbh
.
Se quer saber quem sou eu, olhe pela janela. Por aqui tu tem um caminho fácil de desvendar a insanidade de minha mente. a audácia de viver e a coragem de ser errada. Não sou diferente de muitos. jovens quebrados. se fazem pela queda. vivem de angústia e correm sem parar. Quero ser importante. quero ser limitada. quero a diferença. A vida fula atrapalha. quando irei retornar pra casa? Essa janela já tem cansado, e realmente, a doce morte, nada mais é, do que minha libertação. Nunca serei eu, se não estou no grande dilúvio do imenso. É insignificante agora. sem distrações é mais fácil pensar que a vida é uma cadeira de espera.
Só lembro da saudade.
Só lembro da saudade.
113
Sérgio Luiz
Tempo
Tempo
Quanto tempo tem o tempo?
No simples vento que sopra
Nas ondas do mar que vão e vem
Será que o tempo tem noção do seu poder?
Tão grande importância damos a sua relevância?
Só quem precisou dele entende a sua magnitude
Que bons tempos cheguem
E que os que já foram sejam lembrados
Para que no vai e vem das ondas consigamos entender a sua essência
Sérgio Luiz
Quanto tempo tem o tempo?
No simples vento que sopra
Nas ondas do mar que vão e vem
Será que o tempo tem noção do seu poder?
Tão grande importância damos a sua relevância?
Só quem precisou dele entende a sua magnitude
Que bons tempos cheguem
E que os que já foram sejam lembrados
Para que no vai e vem das ondas consigamos entender a sua essência
Sérgio Luiz
237
ROSA ACASSIA LUIZARI
Passarinhos
Passarinhos
Filhos solitários, sozinhos, abandonados
Da liberdade são cativos, do sofrimento, escravos.
Nada querem, são passarinhos
Vivem em ninhos, a céu aberto emaranhados.
Vestidos de desengano, um golpe os desfere
Já não sabem o que preferem porque não têm o que querem.
E no livro da vida, escrito no desalento
Há muitas vidas no sonho de um menino desatento.
Passarinhos livres de conforto e privilégio
O desconforto os alimenta, vítimas do sortilégio.
Vítimas de uma sociedade
Que vivem na liberdade
De um sonho comprado.
Publicado em: Semeando o pólen da vida 1: poesias. 1. ed. 2019. Pedras de Fogo-PB. ISBN: 978-65-5057-002-6
Filhos solitários, sozinhos, abandonados
Da liberdade são cativos, do sofrimento, escravos.
Nada querem, são passarinhos
Vivem em ninhos, a céu aberto emaranhados.
Vestidos de desengano, um golpe os desfere
Já não sabem o que preferem porque não têm o que querem.
E no livro da vida, escrito no desalento
Há muitas vidas no sonho de um menino desatento.
Passarinhos livres de conforto e privilégio
O desconforto os alimenta, vítimas do sortilégio.
Vítimas de uma sociedade
Que vivem na liberdade
De um sonho comprado.
Publicado em: Semeando o pólen da vida 1: poesias. 1. ed. 2019. Pedras de Fogo-PB. ISBN: 978-65-5057-002-6
263
A poesia de JRUnder
Errei
Estou caminhando a esmo nas ruas
O sono não vem e a noite se alonga
Estou sozinho, pelas alamedas nuas
E a cada passo, minha aflição se prolonga.
No ar sinto o aroma da flor da saudade,
Que invade e toma posse do peito.
Este cheiro se esparze por toda a cidade
E respira-lo agora é o único jeito.
Decisões tomadas em momentos impróprios
Nos deixam na boca esse amargo sabor
De deixar falar mais alto o amor-próprio
E depois degustar arrependimento e dor
Talvez seja tarde para ver a razão
E tentar consertar o mal que causei.
Talvez não exista mais um perdão,
O mesmo que ontem, eu lhe recusei.
1 935
251935
ODE A CABINDA
Cabinda, jardim de verdura equatorial,
Tens uma fauna e flora incomparável,
Encerras história e vida indecifrável,
Dignas de um valioso e rico memorial.
Com amizade e carinho tu aceitaste
Os colonos que por fim enfeiçaste.
Deste e recebeste em troca abraços,
Gerando herdeiros de comuns traços.
Intrusos por ciúmes te assediaram,
Forçáramos teus humanos direitos,
Defendeste os merecidos respeitos.
Teus ideais a resistir te encorajaram,
Foste ao limite de toda a resistência,
Manténs o brio da honra e decência.
Ruy Serrano - 16.10.2019
90
Jorge Santos (namastibet)
Indigno eu

Escritor mecânico e doente, incurável monstro,
Indigno eu, organismo morto, sem paladar
Ou gosto, aroma sequer, eu- vulgar sol-posto,
Com talento apenas de brisa indolente, inimputável
Tal qual roupa suja de sangue fresco sob uma laje
De cimento seco, indigno eu perante gente ou
Acontecimento e na indelicadeza de não pensar
Neles, a insaciabilidade de um cão vadio, sujas cores
Numa cabana sem “backyard”, escrevo sem esforço
Entre as quatro tábuas de um mero quintal e ainda
Digo que me perdi, de mim para mim e sempre com
Mau discurso, num Catalão que ninguém fala, nem eu
Mesmo entendo, perguntando as horas, 19″maybe-less”.
Se me manifesto pela saliva do nariz, Salvo a consciência,
Perco-me no que digo, na memória e na forragem do umbigo,
A trajectória não tem leme, vagão ou rumo,
Escrevo “por-bem-dizer” o que conluio ser uma tela
De superfícies cavas, expressando o que é a face humana
E manuscrita, não falando daqueles que não têm
Remédio comigo. Os dias grandes não costumam repetir-se,
É um facto, cabe a mim situar-me no melhor lugar
E pensar diferente e cada minuto de dia, na galeria,
Na plateia ou no balcão, para que esta pareça uma outra peça,
Sem me sentir prisioneiro do teatro,
Posso sempre sair para a praça, Jogar matraquilhos
Ou assistir da bancada ao clube da terra,
Enormes são os dias que não se repetem, nem mesmo
Eu, repito-me escrevendo, concluí que sou um viciado
Em rotinas pequenas, pequenos são os meus dias e a rotina,
Escrevo o que ninguém escuta eu dizer falando,
Sou que eu digo, do umbigo e em roda dele,
Situo-o no meio-dia e eu em órbita do nariz, na saliva
Desvalorizada, vulgar, parda vida em que vivo
Sem me fazer ouvir, enviesada …
Jorge Santos 09/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
270
Jorge Santos (namastibet)
Ânsias ...lais de guia...

Lais de guia...Ânsias ...
Ânsias ...
Ritmadas, como marés e pausas, anciãs
E o mar e eu morto, numa outra extrema,
O meio do mundo e mais pr'aquém a glote,
Que alguém dum simples e forte fôlego,
Possa ou tem e vença o ar e tenha igual, pantanoso
Este mar Norte, se querendo repousar, cordas,
Marés de pausas, lassidez de causas, antigas
Praias de poucas coisas, senão conchas gastas,
Marés baixas, sujas e mortas musas, lastro,
Rotas as marés vasas e as vozes laças, rosas/lanças
De quem lá mora, morou, morava, fui levado ...
Nem marés, nem caudais, nem as ondas no cais,
Lá morrem, morrerei eu de novo, neste
Ou num outro lado, dum outro estranho e
Novo mundo, cordas e lastro, corda e lastro.
Corda e lastro...lastro e cordas, lais sem guia,
Ânsias ...ânsias de morte.
Joel Matos 08/2019
Http://joel-matos.blogspot.com
287
sethe_santiego
SÓLIDO
Autor: Séthe Santiego (João Luamba)
Conjuntura: Reflexões Alheias.
Data: 02.03.2019
SÓLIDO
Libertei a canção de silencio no vasto mar
caminhei a tocar descalço sem o vento soprar
Esbanjei o ritmo melancólico do que sou
Hoje até posso chorar
Porém, não deixar a solidão reinar
Ontem eu sabia que a vida era solida demais, para não ficar firme nela.
Gritar, gritar até acabar no esquecimento
voar, voar até cair no sofrimento.
Conjuntura: Reflexões Alheias.
Data: 02.03.2019
SÓLIDO
Libertei a canção de silencio no vasto mar
caminhei a tocar descalço sem o vento soprar
Esbanjei o ritmo melancólico do que sou
Hoje até posso chorar
Porém, não deixar a solidão reinar
Ontem eu sabia que a vida era solida demais, para não ficar firme nela.
Gritar, gritar até acabar no esquecimento
voar, voar até cair no sofrimento.
220
Neilson Medeiros
saturno
uma cobrança pode levar
vinte e nove anos
[ou dias]
para te alcançar
mas ao cair sobre ti
o momento da colheita
lembra: houve tempo
[e esquecimento justo]
desde o ato da semeadura.
vinte e nove anos
[ou dias]
para te alcançar
mas ao cair sobre ti
o momento da colheita
lembra: houve tempo
[e esquecimento justo]
desde o ato da semeadura.
256
André Medeiros
Cabelos Negros.
Penso em ti quando criança
Correndo entre as flores
Sonhando o mundo
Imaginando o tempo
Nos cachos de teus cabelos negros.
Quais eram teus sonhos?
Quais eram teus medos?
Não importa mais.
Tudo deve ficar em segredo
São teus, não pertencem a mais ninguém
Apenas a ti e a Deus.
Sendo assim que fiquem lá
No doce passado infantil.
Pois hoje no presente
Me encanta mais a tua tímida alegria
De andar corajosa e distraída
Por entre as flores que plantaste
Nos caminhos coloridos daqueles dias.
265
Neilson Medeiros
plutão
lapida o subterrâneo
tudo que é invisível
brilha como tesouro
ou assusta como pesadelo
o medo, embora asqueroso
às vezes tem de vir antes do ouro.
tudo que é invisível
brilha como tesouro
ou assusta como pesadelo
o medo, embora asqueroso
às vezes tem de vir antes do ouro.
279
ppedras
Sólidos
No tempo das’águas, no em antes, do ano passado
andei quase a virar passarinho.
Um átimo da minha vocação
de borboleta ou morcego foi que faltou.
Desvoei!
Mas meu medo de menino,
medo ancestral da queda, amoleceu-me.
Desdesenhadas minhas almas tortas
Recolhi as penas e a pena.
Despoetei-me.
Arrasto-me lagarto desde então.
Encaramujei minhas vontades
e liberdades receosas. Parado no ar
caindo de pedra e chumbo,
Gravitacionei.
https://polenepedras.blogspot.com/2019/10/poemas-publicados-0042019.html
https://polenepedras.blogspot.com/2019/10/poemas-publicados-0042019.html
121
manoelserrao1234
OS POETAS COM PALAVRA [MANOEL SERRÃO]


O que silente o poema pelos tomos em voz alta não fala.
Fala calado pelo ósculo mudo e na boca podre não cala!
Fala na folha “adivinha” no dito em vez só de ouvidos.
E no que muito sente, fala, dita na voz escrita a palavra.
Fala por chuvas de balas hostis e quão reboados canhões;
Fala por doridos dilúvicos sob um céu de fuzis;
Fala por obus de versos sutis e avis odes blues de anis;
Escarra-nos, por sua "guerra" ao mundo? Altiva, berra-nos!
Fala-nos por palavras retilíneas, tortas ou entrecortadas,
Fala-nos nas estrofes livres, cativas ou arrumadas. Fala-nos!
Fala-nos, inda que a sombra dê-se à luz em ares de grande.
E, dê-se em ares de Gandhi do Ser com o Ter, todo o combate.
Ao passo, que dentro o embate de conjugá-lo o verbo vos cabe.
Fora o que não sabe? Saber por idade, sabe o poeta...
O poeta sabe dar por Amor à palavra o lume do Sol-Idade.
Inda que pura ou suja ou mais que imperfeita o profanam.
Inda que pedra ou pena, e não lhes dês trégua, o ultrajem:
Ó só sabe na “carne do almaço” quem sangra rios no verso;
Só sabe de Goethe quem recita os belos versos de Homero;
Ó só sabe das chagas as dores quem ressuma na Parkinson;
E o que na lama a alma sã por sorte desinfeta-se da morte.
Ó só sabe quem afaga urtiga no verbo a lã o poeta carrega.
E opila o suor da vida pelos poros da palavra dita singela,
Até que o vate afogue a poesia na testa, mas fala a poética!
E se assim, não tarda do impossível, dizer-te: toda nua sua?
É vossa a poesia, não a palavra?
363
Neilson Medeiros
mercúrio
quando o carteiro chegou
bateu um bom papo
iludiu meu cachorro
cruzou a rua
e sequer uma carta deixou.
bateu um bom papo
iludiu meu cachorro
cruzou a rua
e sequer uma carta deixou.
250
Jorge Santos (namastibet)
Ranho e linho...

Alma e pele,
Espero por mim, eu próprio, dias
Incógnitos e mudos, sonhamos depois,
juntos ou apenas eu, que me repito,
Nu por baixo da aridez q’sinto, descalço-me
Noite pós noite, dia após dia, face-a-face,
Espero por mim como num régio, lento
Duelo corpo-a-corpo, mano-a-mano,
Eu contra mim próprio, faca e maço,
Dor cortante de quem sal sangra,
Se batendo consigo mesmo,
Bastão e lança, lança e bastão,
Desespero, dicotomia, opróbrio
Sonho de condenado à morte,
Distante, inexistente mas real, vazia
Jornada, rasto de vida que resta
E me escapa das mãos gémeas, lume,
Alma e pele, pele e alma…ranho
E linho. Morreu Aquino, morreu Eça e Reis
Tantas e tão poucas esperanças sem luz,
A vida passa menor que um passo,
Num paço real onde não são permitidas
Rosas, apenas cardos do campo gigantes,
Estarei descalço a sério se real é sentir
A dor que é estar calçado, sem dar
Passo sobre cardo ou faca de mato, gume
De verdade, grande a esperança
Nos eirados prados, fraca herança,
Os meus adiados encardados pés,
Sangrando pós noite, após dia,
Alma e pele, ranho e linho…
Jorge Santos 07/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
308
Iêda Maria Castro
ANJO
Tirada tão abruptamente
Sonolenta
Voo sem asas
Inquietante dor
Dos que se jogam nos braços do PAI
Do olhar humano, nada se entende!
Do olhar divino?!!
Recebe a criança, moça, indefesa, sem regras e nenhum temor.
Recebe para cuidar o que criou.
Com amor e doçura de quem é o verdadeiro PAI, que fica atento as mazelas humanas....
Fica a distância incalculável de quem amou e se dedicou.
Amor imensurável de mãe!!!!
Mas que na finitude do Céu encontrará seu abraço, no anjo que criou!
(para uma mãe, dolorida com a perda de uma filha)
Sonolenta
Voo sem asas
Inquietante dor
Dos que se jogam nos braços do PAI
Do olhar humano, nada se entende!
Do olhar divino?!!
Recebe a criança, moça, indefesa, sem regras e nenhum temor.
Recebe para cuidar o que criou.
Com amor e doçura de quem é o verdadeiro PAI, que fica atento as mazelas humanas....
Fica a distância incalculável de quem amou e se dedicou.
Amor imensurável de mãe!!!!
Mas que na finitude do Céu encontrará seu abraço, no anjo que criou!
(para uma mãe, dolorida com a perda de uma filha)
342
natalia nuno
o acaso...
poisou o acaso em mim
deixou-me sorriso triste
tentando desviar-me assim
por caminho que não existe
e por becos apertados
sujeita a tropeçar,
nestes poemas calados
com tristeza a soçobrar.
natalia nuno
deixou-me sorriso triste
tentando desviar-me assim
por caminho que não existe
e por becos apertados
sujeita a tropeçar,
nestes poemas calados
com tristeza a soçobrar.
natalia nuno
183
Jorge Santos (namastibet)
Dreaming Of A Better World

Olho sem ciência o horizonte que não descansa,
Uma gaivota gritando significa que está pedindo,
Um barco partido, sem ter vontade de navegar,
Nem pressa.
O silêncio é idêntico, quer no céu, quer em terra,
Só no mar se confunde o horizonte, suponho
Ser lá longe, p’lo som que uma gaivota cega faz
Na praia, ao chegar,
Ao regressar co’a heresia do mar, no fundo,
Aparte as ondas, nada se altera, o mar é aberto,
Alternas sensações,
O longe e o perto, o ar.
Barcos partindo de viagem, sem rota,
Minha pele sem escama nem arte, mar sem porta,
Sem peso nem ciência,
Minha força desleal.
A Aorta de um marinheiro é o bocado do corpo
Que mais lembra um coração, as algas o cabelo
E o som molhado da saudade,
O velame e o esteiro,
As águas vivas, terras perfeitas e areais florestas,
Palavras não expressas, organismos marinhos,
Marés sem esperança,
Curta distância e extinção…
Vivemos de estratégias, especulações e simulações reais,
Enquanto tempo é feito de ausência e de todos os elementos
Substantivos possessivos,
Que nos habituámos a dar
Como substancialmente comuns e até definitivamente vitais
Em função apenas da necessidade de tornar real, embora suave,
A passagem do tempo e das horas,
Como por exemplo, brincar
Irresponsavelmente com as palavras e com o pensamento,
Inconscientes da função de viagem, da paisagem,
E do meio de transporte, o espaço vida confinante
Ao “silêncio da pele”.
É atribuído genericamente ao tempo, apenas
A memória mental e mnésica que usamos na orientação
No espaço que inventámos, por confortavelmente
Não querermos existir no lado de fora dele,
Destas falsas e possessivas premissas constituintes da matéria…
Eu conheço lugares que caíram dentro de si, Incompreendidos
Lactos de uma triste tristeza paranóica.
Vi como demagogos se agregaram num tear de cegueira,
Deixando-me na insónia,
Ancorado na nulidade em que vivem esses Faraós Aqueus,
Incapazes de sentir, montados em debilitados javalis,
Maldosos, funestos delimitadores de jardins, bacantes.
Eu conheço um lugar blindado à fé primeira,
O lugar-dos -elefantes, a Terra-inteira, sem horizontes
Nem ciência, apenas bera cegueira …
I dream of a better world .
Jorge Santos 10/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
284
Jorge Santos (namastibet)
Hino ao amanhã

Hino ao amanhã
O bater de asas de uma libélula,
Pode gerar seca no Nordeste do Brasil
E um Tsunami no Japão de Prestes,
O que penso e digo sim, é não,
Dependo apenas da brisa frequente,
E do brilho de muitas vidas dessas,
Assim como um ribeiro da água,
Que chove ou não e se faz caminho,
Que brilha ao brilho de imensas
Gotas, nas asas de uma libélula
Ou colibri, não basta eu chorar,
Sonhar, sentir, pra que seja verão
Na América do Norte ou Istambul,
No cetim das asas de uma abelha,
É sempre nítida a luz e o movimento
Do mundo, que volve como um hino
Ao amanhã e ao meu depois de mundo
Andado, pra diante e pra frente
Desde a América do sul ao Oriente
Do João-Sem-Medo, o Príncipe-Burro,
Definitivamente não sou ninguém,
Dependo do vento, tornou-se-me
Estranho o mundo e o encanto
Que não me faz encarar o céu futuro,
Não me faz chorar, não o sinto
Ainda que o amanhã seja lindo, será outro
E não a mim que soprará o vento,
No bater de asas de Colibris ou Alvéolas …
Joel Matos 06/2019
Http://joel-matos.blogspot.com
291
Cris Campos
existências...
no passo à frente
das incertezas
nos entalhes delicados
à espera da peça
na inflexão do arco
na trajetória da flecha
no dorso tatuado do dia
e em tudo que nele arrebenta
na anatomia do verso
na fratura exposta no poema
no silêncio mais íntimo do sexo
na palavra escondida na carne
na saliva quente da boca
que lambe e sara as feridas
na espinha do vento
que entorta os trigais
existo
e durmo todos os dias
atravessando instintos.
das incertezas
nos entalhes delicados
à espera da peça
na inflexão do arco
na trajetória da flecha
no dorso tatuado do dia
e em tudo que nele arrebenta
na anatomia do verso
na fratura exposta no poema
no silêncio mais íntimo do sexo
na palavra escondida na carne
na saliva quente da boca
que lambe e sara as feridas
na espinha do vento
que entorta os trigais
existo
e durmo todos os dias
atravessando instintos.
1 552
Neilson Medeiros
netuno
uma sereia que tenta
escapar do oceano
esbarra no ar, sem voz
ou sem firmeza na terra.
eis o dilema da fuga
o deleite do sonho
o sacrifício de um peixe
fora d’água
cuja arte de fingir
forja-lhe o resgate
de qualquer marasmo.
escapar do oceano
esbarra no ar, sem voz
ou sem firmeza na terra.
eis o dilema da fuga
o deleite do sonho
o sacrifício de um peixe
fora d’água
cuja arte de fingir
forja-lhe o resgate
de qualquer marasmo.
264
A poesia de JRUnder
Vereda
Siga por essa vereda, oriente-se por esta luz,
A noite é escura e o luar dorme e descansa,
Acredite na magia, de tudo o que reluz,
Creia que o amor, em tudo traz a esperança.
Nada mais somos, do que portadores,
De tudo o que escolhermos no viver,
Seja de paz, seja de alegria,
Seja de dor, de mágoa ou sofrer.
Não acredite em nascer para ter,
E o que tiver, aqui ficará na morte.
Talvez teu destino seja apenas ser,
Então seja o melhor e não apenas, sorte.
Siga essa vereda, ela é a sua vida,
Nela plante flores, torne-a colorida.
Assim no amanhã, quando o sol enfim nascer,
Com certeza novos sonhos, se farão acontecer.
A noite é escura e o luar dorme e descansa,
Acredite na magia, de tudo o que reluz,
Creia que o amor, em tudo traz a esperança.
Nada mais somos, do que portadores,
De tudo o que escolhermos no viver,
Seja de paz, seja de alegria,
Seja de dor, de mágoa ou sofrer.
Não acredite em nascer para ter,
E o que tiver, aqui ficará na morte.
Talvez teu destino seja apenas ser,
Então seja o melhor e não apenas, sorte.
Siga essa vereda, ela é a sua vida,
Nela plante flores, torne-a colorida.
Assim no amanhã, quando o sol enfim nascer,
Com certeza novos sonhos, se farão acontecer.
1 499
paola_
partida
Se você está lendo esse escrito significa que já parti, e que estás buscando algum conforto que não pode ser reparado, nem que passe 100 anos
Saiba que fui feliz na medida do possível, minha infância foi boa, proveitosa, conheci um mundo que até hoje não saiu da minha cabeça, essa minha cabeça de menina
Nunca me recuperei da morte do meu pai, das desilusões sucessivas, do abandono nos momentos em que busquei alento, e antes que sinta culpa não tens
Busquei forças onde não podiam me dar, busquei amparo mas era tudo tão superficial
Hoje eu sei, que o problema sempre fui eu, nunca aprenderam a ler-me
Amei pessoas que não podiam oferecer na mesma proporção, e a longo prazo fez com que me afundasse mais rapidamente, nunca tive salvação e nunca quis ser salva
A minha partida foi um alívio pra minh’alma.
Saiba que fui feliz na medida do possível, minha infância foi boa, proveitosa, conheci um mundo que até hoje não saiu da minha cabeça, essa minha cabeça de menina
Nunca me recuperei da morte do meu pai, das desilusões sucessivas, do abandono nos momentos em que busquei alento, e antes que sinta culpa não tens
Busquei forças onde não podiam me dar, busquei amparo mas era tudo tão superficial
Hoje eu sei, que o problema sempre fui eu, nunca aprenderam a ler-me
Amei pessoas que não podiam oferecer na mesma proporção, e a longo prazo fez com que me afundasse mais rapidamente, nunca tive salvação e nunca quis ser salva
A minha partida foi um alívio pra minh’alma.
664
Alexandre Rodrigues da Costa
A HORA DOS ASSASSINOS
Neste ponto, não há mais
o que fazer,
o nome é inútil
e tudo deve ser considerado
sem a necessidade de corrigir
falsas interpretações.
Os detalhes não têm importância,
se inseridos
em outro contexto,
se a vida
imprime na superfície marcas
que não podem ser vistas.
Entre uma pele e outra,
nuvens e pedras se fundem
numa só matéria,
enquanto mãos
se cortam na insatisfação
da própria gravidade.
o que fazer,
o nome é inútil
e tudo deve ser considerado
sem a necessidade de corrigir
falsas interpretações.
Os detalhes não têm importância,
se inseridos
em outro contexto,
se a vida
imprime na superfície marcas
que não podem ser vistas.
Entre uma pele e outra,
nuvens e pedras se fundem
numa só matéria,
enquanto mãos
se cortam na insatisfação
da própria gravidade.
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