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Claiton Guieiro

Claiton Guieiro

PASSAGEM

O que é vida?
Senão uma dura evolução a ser construída....

O que é o livre arbítrio?
Se já vem com os julgamentos e as sentenças por escrito...

Quem sou eu para escolher?
Quando minha vontade nem seria nascer....

O que é o verdadeiro amor?
Se ninguém sente e nem sabe o tamanho da sua dor....

O que é a morte?
Senão o início de um novo ciclo onde não se sabe qual será sua sorte...

O que é a saudade?
Senão um luto de alguns dias ou meses, mas nunca uma eternidade....
           
                  Claiton Guieiro
210
Sérgio Gonçalves de Sousa

Sérgio Gonçalves de Sousa

MIL MOTIVOS PARA AMAR

Por mais que existam estradas, por mais que existam destinos,

Um instante muda tudo, deixa agudo o que antes adormecera,

O que antes se perdera entre atalhos, entre galhos envergados

Pelas mãos que buscam frutos prontos a deliciarem seu paladar.

Quem plantou, quem descuidou, quem, ainda assim, o viu brotar

No pomar, o melhor lugar, ao luar, ao chegar perto, no despertar

Do sorriso que não finda, enquanto há, ainda, um beijo latejante,

O frio incessante das madrugadas, dos madrigais e, dos pardais.

Mil motivos para amar, para deixar para lá o que só machucava,

Eu só precisei de um e você vai pensando o quanto é suficiente,

Se o tempo ausente apagou tudo deixando escuro todo o quarto

Que reparto com a solidão e com os poucos livros que acumulei.

O sim rápido se arrepende se intacto o pacto não quer consolidar

Enquanto o não arrastado deixa arrasado o olhar, fica a esperar,

Irá transformar terras ávidas em ácidas e, como você bem sabe,

Pouca coisa cresce em solo hostil, perceba, até o sabiá desistiu.
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adnamatosmacedo

adnamatosmacedo

ESQUECER



DO QUARTO, OUÇO A ÁGUA A ESCORRER NA PIA,
APAGO A LUZ E NADA MAIS  ESCUTO,
SUA IMAGEM PERMANECE , SORRIA,
APENAS MEUS PENSAMENTOS EM LUTO,

DEITADA NOS LENÇÓIS FRIOS,
ME ATREVO A ADORMECER SEM SEU CALOR,
ME ACOLHO NO TRAVESSEIRO AO LADO,
NA ESPERANÇA DE ACORDAR SEM ESSA DOR

DESPERTA-SE O SONO,
A CHUVA A CAIR LÁ FORA,
DIVIDE O SENTIMENTO DE ABANDONO,
DESDE O MOMENTO QUE FOSTE EMBORA.

ACORDAR E VER QUE JÁ NÃO EXISTE NÓS,
RESTARAM -SE  FATOS E FOTOS,
NA MEMÓRIA O SOM DA SUA VOZ
 
O APERTO NO PEITO, PALAVRAS
FICARAM NO ESQUECIMENTO,
NADA RESTA NESSE MOMENTO,
A NÃO SER TER QUE ESQUECER,
E A ANGÚSTIA DO  NADA A FAZER.

 

 




 

 

362
natalia nuno

natalia nuno

esgota-se o tempo...

Uma insónia me persegue
através das cortinas da mente
acordo do meu sonho ardente
e numa erma ternura
relembro o sonho
da idade da candura
mergulho o rosto na
noite crua
e o amor que damos um ao outro
triunfa feliz
tu és meu e eu sou tua.

Sorvo o teu odor
e o desejo floresce
esgota-se o tempo
afasta-se o pensamento
e só o prazer cresce
ouço em abundância os teus gemidos
e os beijos de sabor a mel
estamos mudos, enfeitiçados
da vida esquecidos,
os arrepios vagueiam em nossa pele.

Ficou o sonho suspenso e vazio
só sinto a escuridão da noite
o frio , lentas as horas
mais uma ruga incipiente
e eu sem sono
que foi feito do sonho da gente?
O amor chegou com inteireza
este amor que me prende e dá certeza
chego-me a ti, o consolo da tua mão
é o regozijo do meu coração.

natalia nuno
rosafogo
171
Frederico de Castro

Frederico de Castro

Perfil da escuridão



Na densa escuridão baila um breu
Elegante e subtilmente dissimulado
Aninha-se à noite que efémera
Sucumbe surpreendida e despojada

De perfil, o tempo esquadrinha a beleza
Contígua às sombras que camufladas
Escondem uma luminescência enamorada
Que ali resigna quase que de mão beijada

Frederico de Castro
288
natalia nuno

natalia nuno

A última rosa amarela...

Morrem os gerâneos de frio
E morre a última rosa amarela
O meu sol era pequeno e perdi-o
Já não assenta na minha janela.
Estão agora os vidros embaciados
Já nem vejo a minha imagem
Falta-me um pouco de tudo, até coragem
E em silêncio tenho os sonhos parados.
O rosto vazio...que não responde
É a melhor imagem no espelho,
vem de longe, e seja ela quem fôr,
traz-me a mensagem
que esta estranha formosura,
é meu rosto velho.

A rosa perde as pétalas finais
Se as olham...já não vê!
Se lhe falam...já não ouve!
Adormecida em seu aroma,
já só crê!
Que a sorte foi esta a que lhe coube.

Deixa sobre a memória cair
O pó que a vai apagando
Ninguém lhe pergunte p'lo destino
o passado, o presente e o que há-de vir
Deixem-na apenas recordando.

natalia nuno
236
natalia nuno

natalia nuno

pequena prosa poética...

pela friura da vidraça olho vagamente o céu de azul, leve... bordado a branco, como quem desperta dum sonho, é manhã, entre a realidade e a memória consumida ouço o palpitar do mundo nas papoilas que gritam feridas pelos ventos agressivos, pressinto no vai vem dos pássaros que flutuam na minha retina a querer ocultar-se , que o instante não é uma dávida de amor, e o mundo fica trémulo num vôo retido...à espera que passe a hostilidade entre os homens, enquanto os meus dedos febris procuram a pomba branca e um raminho de oliveira repetindo palavras na solidão da hora...

natalianuno 
 
 
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Márcio Barbosa

Márcio Barbosa

AMOR PRÓPRIO

Antes de amar alguém, esteja
bem sozinho. O amor próprio
é o caminho.

Márcio Barbosa
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Novos dias


Eis que pálido chego ao meu destino,
Sôfrego, por alguma solidão...
Se em meu coração sofro um desatino,
Nas pautas e nos versos, clamo por razão.

Se os sentimentos revoltos se enfurecem,
Quando minh’alma se expõe ao Sol,
Aquieto cá dentro a tempestade,
Que acontece ao vermelho do arrebol.

E a vida que lateja dentro às veias,
Se por minha, conceda-me algum poder...
Eu lhe peço que siga sempre em frente,
Mesmo que eu viva, simplesmente por viver.

 

523
Amanda Silva

Amanda Silva

Sopa de Confetes

A noite de sexta estava animada
Da cadeira meio bamba no bar
Percebi sua chegada à rodinha de amigos
- A observação é meu fraco, me perdoem-
A figura imponente e orgulhosa
Colecionava beijos e abraços calorosos
Que dividiam lugar com as perguntas entusiasmadas
Como está sua nova produção?
E aquela participação especial? Foda viu!
E que performance a sua. Sinto vontade de chorar!
Perguntei aos mortais que me acompanhavam
Que àquela altura estava tão bambos quanto a mesa
Se conheciam tal celebridade que estava entre nós
Nenhum deles soube responder
Ainda assim pensei em pedir uma foto
Ou mesmo um abraço
Porém, tão repentina quanto a chegada foi sua partida
O que não me deu tempo de aproximação
Mesmo assim fui tentar descobrir quem era a criatura
- A curiosidade também é meu fraco, me perdoem-
Cheguei mais perto da mesa como quem não quer nada
E os risos tomavam conta do espaço
Todos ali estavam muito orgulhos de sua maldade
De ter alimentado com uma sopa de confetes
Aquele pequeno cego de ego infinito
Que agora acreditava estar bem nutrido.
308
natalia nuno

natalia nuno

as flores do campo...

com tão pouco e tão felizes as crianças da minha infância, tudo e nada tínhamos, porque o pouco era muito, o pãozinho do forno de lenha, as flores do campo, as canções dos grilos e das cigarras, as poças d'água para saltarmos, e um sonho a cada manhã, poder brincar na rua com asas pespontadas de alegria, com os cabelos ao vento correndo rua abaixo, rua acima, com a benção do sol e a ternura dos pássaros que nos espiavam para que deixássemos os ninhos em paz...fomos felizes sim, por isso ainda trazemos esta saudade fecunda em nós, nossos olhos roubavam a luz ao sol, enquanto ele nos dourava a pele, enquanto voávamos de pés descalços, com a gratidão ao rubro por tanta coisa boa.. a aldeia fermentava de sabores e cores tão nossos conhecidos e à noite o vento cantava por entre as frestas do telhado, enquanto no braseiro se aquecia o café e sonhávamos, sonhos fumegantes, até chegar o sono e adormecermos em paz... na manhã seguinte tudo retornava, as brincadeiras ébrias de alegria com os companheiros, os saltos e correria...hoje fecho os olhos apago-me no silêncio e rememoro as minhas raízes na aldeia onde sempre era primavera e os pássaros vinham pousar nas glicínias da mãe.

natalia nuno
205
101010

101010

Devaneio

O exisitir é uma questão de perspectiva
O estar vivo é questão de perspectiva
Não existe vida sem dor
Não exister dor sem vida
Tudo que se torna poesia antes foi dor
Mas o que é de fato dor?
E se o que te tortura é não saber diferênciar?
Dor ou vida?
Existir e não se sentir presente aqui é de fato existir?
Estar vivo quer dizer que estou aqui?
indagação de uma mente confusa é valida?
Devaneios são validos como desabafos de uma pessoa desamparada?
Para que rotular algum estado..
Quando exite restrição, existe também medo
 Medo de se revelar
Medo de mostrar o que verdadeiramente é
A sua verdadeira essência 
Rugindo para ser exposta e libertada
Até quando?
Até quando o ser humano viverá escravo do próprio medo?
O medo de tentar ser feliz.
132
Sérgio Gonçalves de Sousa

Sérgio Gonçalves de Sousa

MUITO ACIMA DA MESQUINHEZ HUMANA

Tenho quase tantas horas de dores quanto de vida, vida comprida,

Ainda me causa espanto essa capacidade de pessoas suportarem

Por dias, horas, meses e até anos, sensações extremas, algemas

Apertam cada vez mais e quem saberá ou poderá enxergar o fim?

Fim de tarde, não do dissabor, chamaria de heróis, dizem que não,

Mas, quem resiste ao que lateja sem cessar, sem dizer se irá parar,

Tudo vira loucura, é tanta tortura, é tanta tontura e, mesmo o ferro

Se curva ao fogo, eu já sinto o cheiro de sangue após o bangbang.

Olho tantas covas prontas e enterros, aqueles aterros a céu aberto,

Minha hora ainda não chegou, quem apostou perdeu, essa não deu

E nem vai dar certo conspirar, pois sei que o poder de Deus é maior

Do que o esforço concentrado, executado por pessoas más e ruins.

Para quem perdeu tempo não tentando ser feliz, saiba que eu estou,

Sem me preocupar ou até lembrar da existência, sobram aparências

Em interiores vazios, tão frios, que não sabem ainda o quanto é bom

Não dever nada para ninguém e olhar este horizonte lindo, bem azul.
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natalia nuno

natalia nuno

desci lá abaixo ao rio...

Esperei que o sol caísse
E logo a solidão estatelou em meu peito
E o meu sangue triste me disse
Que fazer, se é este o teu jeito?
Desci lá abaixo ao rio
Senti a tarde ventosa
O vento passou vadio
Levando-me p'la mão, ansiosa...

Deito palavras ao vento,
que hoje sopra forte.
Vivo mais um dia sem lamento,
e vou repelindo a morte.

O som do açude a estalar nos ouvidos
Olho as águas brancas fugidias
E o rio manso, absorve-me os sentidos
E vê-lo?
É um regalo, no imaginário dos meus dias.
Talvez o relógio pare, sem horas, nem segundos
Me deixe a recordar o meu mundo,
entre mundos.

E vou tecendo meus sonhos a fio
Olhando o avental de minha mãe,
vendo-a lavar no rio,
cheia de sonhos também.
Bebo um trago de café de cevada
Passo os olhos p'la maciez do seu sorriso
E sonho...
Tenho tudo o que preciso.

rosafogo
natalia nuno
235
christiandfreitas

christiandfreitas

As vezes


Às vezes, tudo é as vezes, ou

Às vezes, somos as vezes

 

Às vezes, nada é

Por vezes, tudo será

Ou o contrário

Todas as vezes, minto, às vezes.

 

Em todas as vezes, quando às vezes,

Estou a ver as vezes em que não penso em você,

Não sei o que pensar.

108
raffclub

raffclub

Cordas

A tristeza é como uma rude condessa
Mesmo não convidada,
Surge ao longe
Ansiando por avareza.


Fala as coisas com muita certeza.
Uma palavra? É espada.
Um erro? Serás julgada.
Tentas? A vida lhe deixará aleijada.

 
E a depressão é uma sutil turquesa.
Não sozinha, mas em um mar,
De puro ácido e ardileza.

 
O que farás, se tentas
E tentas novamente
Mas quando se vê, estás presa?
63
adnamatosmacedo

adnamatosmacedo

REVELAÇÃO



Quando terei meu nome mais que em sua mente,
Estancado nos livros lidos,
Vividos mais que em paredes fechadas,
Histórias a serem contadas!

Há que dizer que são meras palavras soltas,
Risadas expostas, prosas,
Ficar na eternidade  de  um pensamento guardado,
Um prazer ilusitado.

Transpassar montanhas em sonhos,
Tirar as vendas do pecado,
Amar e ser amado,
Não fugir do outro lado.

 
Pedidos feitos além do esperado,
Seja no suor de seus braços,
No calor de um abraço,
Ou apenas de um momento calado.

Espero a revelação de um instante,
Talvez de uma história maior que antes,
Quem sabe mais que de um amante,
Oque era um eterno amor guardado,
Sobreponha com calma a sua própria alma.




 

 

357
shadowoftheworld

shadowoftheworld

Mais do que um credo

Pelas águas do caminho deslizei
Um pouco mais segui
Entendi o que era e não o que pensei

Que fosse!
Deixei partir, então
Segui em frente
Sem amor e sem razão

Pensei seguir adiante
Com um sentimento inconstante
Sem perceber

Continuei à deriva
À busca viva
E adentrava mais para ver

Perante meus olhos
Já partidos pela emoção
Voei alto
E em cada salto
Caí em contradição

Precisei perceber
Nessa ocasião não bastava ser
Perdi a direção

Passei pelos meus medos
Viajei por horas a fio
Sem perceber que toda fala
A que mais cala
Deixa de lado a razão

Vi cores infinitas no amanhecer
Ouvi
Sons que pensei já estarem extintos
Senti
A cada minuto paz na imensidão
E parti
209
Rafael Gonçalves de Souza

Rafael Gonçalves de Souza

Toxinas da vida

 Eu lido com cigarros
como lido com o mundo. 
Tenho pigarros por tragar demais
amores moribundos.

Ainda troco de fumo,
como troco de pessoas.
Companhias que duram épocas,
e que por fim me enjoam. (ou magoam)

Aprendi com velhos erros,
aprimorei minha visão.
Mas o pulmão não é o mesmo,
nem tampouco o coração.

E assim tudo se repete.
Enfim, livrei-me do amargor.
E há mais aromas de tabaco,
E novas cenas de amor.

354
paola_

paola_

humano

Enquanto o motorista esperava o sinal verde 
ela percebeu alguém prostrado
era um senhor, provavelmente mais de 70 anos
perguntou a sua mãe:
- O que ele tá fazendo?
- Olhando o movimento dos carros
continuou:
- Ele tá sozinho?
- Sim, está…
- Não tem ninguém pra cuidar dele? a mãe, o pai, o irmão…
A mãe não acreditou na pergunta, e pediu para que repetisse, e assim ela fez
- Não sei, L… 
Os olhos da sua mãe nesse momento se encheram
mas se segurou
não caiu nenhuma lágrima
Lembrou-se de alguém 
próximo, querido, que já havia partido
381
Cristileine Leão

Cristileine Leão

A SEMENTE

Semente quente

Brota na terra

Abre-se esfera

Buscando ar

Capta sol e sonhos

Embrulhada esconde cores

Contida em odores

Pontinho de sabores

Que irão dissipar

Semente quente

Penetra a alma.
154
sebastiao_xirimbimbi

sebastiao_xirimbimbi

Raio X

Eu quero ver o que tens por baixo,
não por baixo dessa roupa que cobre o teu corpo esbelto,
mas por baixo dessa magnífica beleza externa,
sim, quero ver a tua beleza interna;
aquela que o makeup não altera.

Quero andar em cada esquina do teu coração,
sentir cada batimento, cada emoção.
Cegamente ver o que tens por dentro;
ser tocado por cada olhar sincero,
viver cada sentimento
que carregas na mente e no peito.

Por: Sebastião Xirimbimbi
807
Filipe Malaia

Filipe Malaia

Espelho Secreto

Para onde vais de receios enfeitado?
De horas inquietantes adornado?
De que são feitas essas dúvidas brilhantes?
Esses anéis de incerteza, cintilantes
Pedras preciosas, hesitantes
Que levas nos dedos, a tremer, pra todo o lado?

E o temor com que te vestes, de que é feito?
Que seda fina é essa que te cobre o peito
Tão luminosa que te ofusca sem querer?
De que são feitos os teus medos radiosos
Esses que ostentas, trémulos, nervosos
Com lantejoulas de inveja a condizer?

Para onde vais assim tão belo, tão inquieto?
Cobrindo de raras plumas o esqueleto
Perfumado de raiva, mágoas e desdéns?
Mira-te uma vez mais, diz-me se gostas
De ti no espelho secreto das respostas
Para onde vais? De onde vens?
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Sic est vulgus





"No light, but rather darkness visible"



Dificilmente se nasce de geração espontânea,
Só eu digo claro o que penso nas minhas enigmáticas
Palavras que não têm mãe, apreciação, nem berço,
Que tanto faria terem saído do diabo ou de um penedo,

"Sic est vulgus", subordinadas à hereditariedade,
Porque não me interrogam nem me espantam,
Apenas guardam mágoa, rancor e raiva, como ninguém
Foram geradas num ventre esterilizado de frade

A cujo dorso imoral e corrupto se assemelha
Esta minha escrita que mais valia não ter nascido,
Eu próprio vivificado no oficio das paixões terrenas,
Constantemente na frente, de cruz na mão esguelha,

Nunca hei-de estar no centro, nem dentro
Das comuns, vividas pelo comum dos homens,
Não faço parte dos crentes de domingo,
Evoco os feitiços e a floresta à lua prenha,

Tal qual o cio dos lobos e as facções em luta, a rixa
Na clareira pelo domínio sobre a raça, a tribo,
A liça, a faca que cultivo porque é real e precisa,
Privilegia a permuta quando é de corpo que se muda,

Dificilmente se nasce de geração espontânea,
Todas as formas de vidas provêm de uma substância
Nobre e com regras mundanas, sem ela é impossível,
Já meu dom cresce do extremo, nasci tão blasfemo

Quanto um vulgar escarro humano ou um pelo púbico
Arrancado em pleno acto de Contrição…









Jorge Santos 11/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
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