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adnamatosmacedo
ENTRE SONS - A DESCOBERTA
Silencioso e continuo movimento das folhas,
Encontrava-se presa no mundo criado pela natureza,
Nada de novas vibrações , só ouvia o barulho das bolhas ,
distribuidas entre as gotas e pedras caídas como em represa.
Enquanto o vento roçava calmo o meu mundo,
Vivia o aconchego do desconhecido ,
O som do nada e o silêncio do tudo,
Confortava um pensamento estremecido.
Uma luz ao entardecer,
Um toque antes desapercebido,
Uma sensação que fez tremer
Deixar acontecer o não vivido.
A luta entre manter o silêncio, interiorizando,
Adormecido ao meio do vazio que ecoava,
Que já enraizando,
Nova turbulência apresentava,
Entre sons se via a profundar,
O passado sem forças pra continuar,
agora sobrepunha o silêncio,
perdida entre sussurros e constrangimento.
Já não era mais a mesma
Não continha seus desejos,
O vazio explodia o eco na garganta antes presa,
Revelando o despertar de uma antiga pureza.
mi_mello
Meu direito de ser Mulher
Sou mulher e não sou coitada
Sou mulher e não sou açoitada
Sou mulher e sou muito amada
Sou mulher e sou bem realizada
Quiseram tirar de mim
A essência de ser feminina
Como se algum crime eu cometesse
Pelo meu jeito de MENINA
Mas respeito diversidades
Assim quero que comigo também seja
Não imponham em mim as suas verdades
Sigamos assim por um único caminho
Contra toda e qualquer maldade
Sejamos todos mais seres humanos
Pq triste sim está nossa realidade.
adnamatosmacedo
INCONCLUSIVO
HOUVE UM TEMPO QUE SE CALAR ERA REFÚGIO,
SILÊNCIO PERDIDO,
PENSAMENTOS INCONCLUSIVOS
TALVEZ DEIXAR O CORPO DIZER
O QUE A BOCA NÃO É CAPAZ DE EXPRESSAR
ESSE RESPONDE NA JUNÇÃO
A LEITURA FAZ PRESENTE
ALMAS ARDENTES
DIFÍCIL ENTENDER E EXPLICAR,
QUEM OUSA UMA PALAVRA DIZER
A VIR SE ARREPENDER
DEIXA-O CONTAR AS LETRAS
REVELAR OS MISTÉRIOS
ESCLARECER CADA MÚSCULO CONTRAÍDO
E CADA GEMIDO.
natalia nuno
se me quiseres ouvir...
amiúde vou suspirando
passa o tempo e eu a sentir
o que a vida está causando
como eu me sinto ir...
que me passe tal sentimento
que só de pensar partir
não é ventura é tormento
perdoa se não te digo
a dor que causa este lamento
teu coração onde me abrigo
e tanto amor acalento,
qualquer pequeno cuidado
que o enche de sofrimento
o meu o sente redobrado
não é ventura é tormento
as minhas mãos de partida
vão escrevendo o que sinto
embarcámos nesta vida
e agora eu pressinto
com pena tão desmedida
que temo ver-me perdida.
o tempo atrás doutro vem
e não perdoa a ninguém!
natalia nuno
A poesia de JRUnder
Plena solidão.
Em plena solidão, pude ver-me caminhando pelas ruas,
Em meio à multidão apressada para chegar.
Em cada rosto, poderia sentir a presença sua,
Em cada par de olhos, poderia relembrar o seu olhar.
Estranho como a solidão acontece! Inunda o nosso interior,
E faz nos sentirmos tão frios, em meio a tanto calor.
É a solidão na alma, a solidão de um futuro.
É a solidão da luz... É caminhar só, no escuro...
Em meio a tantas pessoas, não enxergamos ninguém,
Porque nossos olhos procuram, somente por certo alguém.
Alguém que um dia partiu, e nunca mais vai voltar,
Alguém que deixou o vazio, onde antes era o seu lugar.
A vida parece cruel, por nos castigar desse jeito,
Fere-nos de morte e impiedosa, estraçalha nosso peito.
Nos deixa assim sem rumo, a vagar pelas calçadas,
Vivendo a procura de tudo, e só encontrando o nada...
langelamonteiro
Pós sonho
Enquanto meus dedos
Pelo teu corpo
Faziam caminhada
Ainda sonho com tua cabeleira desgrenhada
Depois da noite
Que em meus braços
Tu passaste aninhada
Ainda sonho com reciprocidade
Para quem sabe
Tornar meus versos, verdade
Sérgio Gonçalves de Sousa
AMARRAS
Sei que já existe alguém, se me visse lá fora, será que viria?
Persigo idéias, você bromélias, camélias, as cores do jardim,
Gosto do ar, do pomar, até de invariavelmente estar contigo,
Faz tempo, um carinho, vinho, o imponderável, inimaginável,
Ficou pelo caminho, no Minho, está lá no quintal de Portugal.
Já estive melhor, estou acometido por lembranças e danças,
Típicas e regionais, do gosto das uvas, conheci o lado frugal.
Uma viagem é realmente uma imersão na cultura, a procura
Às vezes vem acompanhada de surpresas, cravas e presas,
Fica tudo tridimensional, visceral, seria só o último encontro,
Mas, a partir deste ponto, eu não conto com a menor lucidez.
Olhares no saguão miraram direções, as nossas são opostas,
Não há mais perguntas, nem respostas, só fraturas expostas
E vida que segue, só regue se quiser ver florescer, conhecer,
Quem sabe da próxima vez, eu encontre a porta destrancada.
adnamatosmacedo
DECISÃO
A VIDA MUITAS VEZES SE TORNA CONFUSA
TORNAMOS PALAVRAS SOLTAS EM DESASTRES
MOMENTOS DE ALEGRIA EM PEÇAS SEM USO
HISTÓRIAS PROFUNDAS EM SIMPLES VESTES
LEMBRANÇAS DO DIA ANTERIOR
ERAM NOSSAS RAÍZES
PARECIAM SEREM ETERNOS
HOJE APENAS CICATRIZES
APARENTEMENTE ERA DOCE
AGORA AMARGA A BOCA
DESTRÓI OQUE ERA PRAZER
TORNOU-SE LOUCURA VIVER
UM VAZIO SE ESCONDE ONDE FOSSE
PENSAR INCÔMODA
TER QUE ESCOLHER
DURA DECISÃO A SE FAZER
APÓS A DOR CONTIDA
SE PACÍFICA E CONSOLIDA A CALMA
yurilemos
E terminou em Van Gogh
Um poema céu
Estrelas me iluminando
Enquanto Sobre-voão meu véu
Posto por meu ego
Estrelas , avulsas
No caderno
Que me refletem em
uma noite
Estrelada.
A poesia de JRUnder
Eu gosto
adnamatosmacedo
FUGA
Entardecia e logo a dor da noite chegava,
Janelas fechadas,
Pela fresta via luz , sons e risadas,
Ali um Mundo paralelo ,
vastas recordações,
Escondia sonhos, perturbações,
Antes apenas rumores .
Agora melancólica, dores,
Vencida e Adormecida,
alguns soluços já esquecidos,
Desconforto, reproduzido,
Trouxe consigo um aviso,
Liberado um raso sorriso
A fuga aguardava nova noite,
Se perder entre o dia,
Real história se escondia.
A poesia de JRUnder
Em você
Deixe que a sua alegria possa impregnar meu corpo,
Paulo Sérgio Rosseto
MIGALHAS
Ao curto braço da cadeira
Cobicei pingos de pão
Que rolaram do teu lanche
Involuntários farelos
Das amarras da gravidade
Fartei-me pelo chão
Com o que em tua blusa
Tornara-se sujeira
Enquanto te alimentavas
Das invejadas migalhas
Dada minha liberdade
O mundo pode ser perverso
Mas o acaso da comunhão
Torna a vida mais perfeita
Por isso compensa
langelamonteiro
Por hoje, eu cansei!
Das vezes que tanto tentei
Mas nunca te agradei
É que por hoje eu cansei
Das vezes que te disse sim
Que nunca neguei
É que por hoje eu cansei
Do que sou
Desde que me apaixonei
É que por hoje eu cansei
Do tanto que por você
Eu me anulei
adnamatosmacedo
SUFOCADA
Presa nas paredes fechadas,
entre gritos que se negavam a fluir,
Contida na dor das perdas ,
a tolerância de um corpo que não deixava sair.
Intenso sentimento de não mais ter,
Ao mesmo tempo frio e distante,
Remoendo no peito oque não se podia conter,
Via se nova estrada a ter que percorrer.
Já não havia mais ninguém,
O céu sem estrelas a deitar nessa cama,
Sensação de delírio muito além,
Suportar ou liberar essa dor e drama
Ainda não era possível identificar,
Não sabia se era o momento de se libertar,
Sufocada estava ali,
Deitada e mumificada diante de mim.
O momento espera o grito calado,
A arranhar a garganta antes seca,
Que agora como ventre cortado,
Destruido foi silenciado .
Chegará ou será esse o momento,
em que se esvaziará a alma,
buscará o alívio desse grito,
Ou manterá sufocado esse sentimento!!
natalia nuno
Ao redor do inverno...
vazias, tantos anos, tantos sonhos
tantas andanças...
Só tu saudade alastras!
Restam ainda horas mansas
Dias de anseio, fatigados, adversos
Sigo indiferente, olhando meus versos!
Neblina na memória, secura de ideias
sonhos vagueiam a torto e a direito
parecendo teias...
sobre os muros do meu peito.
Mais uma tarde que transcorre
Mais um sol que no horizonte morre
E eu sinto-me ausente
Como flor que pouco viveu
O tempo é inclemente,
leva consigo o que é, e não é seu.
Assim amanhece o dia,
a minha alma espera
e como tudo o que espera
desespera.
Mas loucura seria,
não me erguer,
como sempre o sol se ergue
e seguir... como ele sempre segue.
Passam os dias,
continuar é a esperança.
E eu sou como a cotovia
Aquela, que ainda trago na lembrança.
Com o crescer do dia?
Deixo-me a recordar
Oiço o rumor d'algum passo
Vejo o vôo dos pardais no ar
Sinto das gentes o cansaço
Cheiro o vinho fermentado,
E a solidão aqui mesmo a meu lado.
Nestes lugares posso esperar
E tudo é tão simples, hospitaleiro,
regresso alegre à vida... vou continuar!
Aguardando sempre mais um Janeiro.
natalia nuno
Paulo Sérgio Rosseto
DESMANCHE
Paulo Sérgio Rosseto
Meu coração tem teto de glace martelado
Paredes de geléia acartonada
Porta e janela de gelatina caulim
Chão de papel machê encorpado
Escada em espiral e caracol de caramelo
Forro de anilina adocicada de anil
Quando choro tudo se desprende e derrete
Menos o telhado que flutua lerdo
Num rio placebo amarelo que viaja em mim
E se precipita aos pedaços rumo ao cerebelo
E se arrebenta no precipício da alma deserta
Zunindo um grito forte ferindo os tímpanos
Tua ausência me propõe alerta à espreita
Mas quando convenço que você não vem
Alicerce nenhum me sustenta
@psrosseto
A poesia de JRUnder
Poesia, vida e morte
Eu sei o que é a poesia:
É a areia fina da praia, onde o mar vem brincar
É o dourado das tardes, antes da lua brilhar.
É a passagem da água, que nunca mais vai voltar,
É a montanha de pedra, que nunca saiu do lugar...
Eu sei onde mora a poesia:
Mora no fundo da alma, ao lado de toda a dor,
Mora em nossos corações, onde guardamos o amor.
Mora nas nossas saudades, daqueles que queremos bem,
Mora na felicidade, no sorriso de quem a tem.
Eu sei quando morre a poesia:
Morre na chuva que cai e arrasta tudo pela frente,
Morre no sonho que esvai, e quem fica só, é a gente...
Morre quando um sim, é vencido por um não!
Morre quando em nosso peito, morre também a ilusão...
daniel_goncalves
Seus olhos
Na chuva, na praia, na porta
Esse cigarro não me define
Foda-se o beck, o rap e o rock
foda-se até mesmo o toque
Eu quero seus seus olhos!
Iconicamente ou ironicamente
Unicamente seus olhos!
Seus olhos castanhos escuros
Indecifráveis!
Sentir aquilo que só sinto
quando se chocam com os meus
Quando vejo sua alma
e você a minha
Quando a gente sente aquilo
que todo mundo entende
e ninguém explica
Quando eu sou seu
e você é minha
Você e seus olhos!
yurilemos
Causas , Consequências.
Que escorre por dentre meus anceios
Despedidas e formalidades
Queixas e propósitos
-Não
Recuso-me a fugir do
Inexorável destino
Da muralha sem fim do então
Acontecido
Apresento-me as falhas ,as entranhas destas
Questões
Apresento-me como argila
Na busca de mudanças transformadoras
Fazendo-me molde meu
Ultrapondo meu caráter é
Ascendendo meu ser
Nessa rígida e esburacada estrada
Que ponho-me a correr
-Por sinal contra o relógio
Não encontro fuga, ou esconderijo
Além de me agarrar ao
Tenaz destino .
natalia nuno
menina do vento
estendi a secar os meus sorrisos
lavei-os aos primeiros raios matinais
sentei-me no baloiço, menina do vento
e as águas do rio, levaram meus ais
balancei num turbilhão de alegria
e o chilreio do pintassilgo despertou-me
o pensamento...
olho as árvores com as folhas perturbadas,
pelo vento,
os sapos parecem estar em festa
e eu calo-me para não espantar a esperança
antecipo a alegria de voltar a ser criança,
neste sonho que me resta.
junto ao muro espreitam-me os malmequeres
que eu despetalo para ver se ainda me queres
não magoes a minha ilusão
deixa o caminho entreaberto entre a tua boca
onde vai matar a sede meu coração,
a remendar esta saudade que me põe louca.
natalia nuno
A poesia de JRUnder
Essa tal felicidade...
Onde mora enfim, essa “tal felicidade”?
Dizem que mora no tempo! Será que isso é verdade?
Essa dúvida é mesmo cruel e se torna quase um tormento:
Por que a felicidade, só existe por momentos?
Às vezes está no sorriso, que brota nos lábios de alguém,
Às vezes aparece pra muitos e outras... Para ninguém!
Às vezes no amor está contida, por outras, no amor não tem.
Às vezes vem de surpresa, e assim vai-se embora também...
É... Ser feliz é difícil, nunca se está contente...
Mas, quando acontece, não somos indiferentes.
A vida muda de cor, a escuridão fica azul!
A alegria se espalha: leste, oeste, norte e sul.
Por toda uma vida a procuro, mas ela foge de mim.
Já pensei em engaiola-la e mantê-la presa assim...
Mas veja só que bobagem, por vezes a gente diz...
Presa, a felicidade... Jamais seria feliz!
Carol Ortiz
PRA QUEM QUER AMAR...
a ser a aposta
posta na mesa?
Então não ame
porque são damas
de encontro a paus
num mundo de espadas
pontiagudas e cortantes,
são ases de copas
angustiantes.
ANO: 2006
POETA ALEXSANDRE SOARES DE LIMA
ERA CEGO
Que amor é esse que faz rir meu coração?
Amor assim desconheço,
Sofri bastante
E a felicidade há muito tempo
Não visitava meu coração.
Perdeu o endereço...
E nesse tempo
Eu olhava para o céu e questionava
ESSA TRISTEZA EU MEREÇO?
Não acreditava,
Pois minha alma não se contentava
Com migalha,
Tentação que fazia meu ser trocar amor
Por um simples prazer.
A ilusão fechou o tempo
A chuva era as lágrimas
E nesse percurso de infelicidade
Saí ferido,
Quase de mim esquecido.
O olhar da paixão me cegou.
E cego fui vivendo a minha vida.
Cego e com a alma enfraquecida,
Até que o amor verdadeiro
Passou a reinar em minha vida.
Os abraços da verdade
Acolheram-me.
A simplicidade do amor
Fez-me sorrir qual criança.
Neste momento eu renasci,
A luz iluminou o caminho do amor
até meu coração.
( Autor: Poeta Alexsandre Soares de Lima )
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