Escritas

Lista de Poemas

Explore os poemas da nossa coleção

Filipe Malaia

Filipe Malaia

Difamação

És como nevoeiro transportado pelo caos. Morno.
Em cadência fétida de esgoto
De ti se alimentam vermes, bichos cegos, infectados...
Os habitantes do teu corpo poluído são mulheres…
São homens como eu, como estes que me lêem.
Não, não fales. Cheiras mal!
Tal como a sarjeta da qual fizeste a tua casa. A nossa casa…
Não, não digas nada. Porque as tuas palavras, mortas
Flutuam no caldo podre da tua boca. Da nossa boca…

És como nevoeiro transportado pelo caos. Lento.
Cuidado! Vê onde pões os pés.
Não pises os teus filhos, a cama onde te deitas…
Não abras essa porta! Ainda te vêem nua.
Tapa-te! És feia demais para que te vejam…
Por isso escorregas pelas esquinas escuras
E venenosas das palavras…
Enrolada em véus de línguas bifurcadas…
Miras-te no charco lamacento da tua maldade
E julgas-te bonita. Perfeita.
Ah sua vaidosa! Não passas de uma menina mentirosa
Com inveja da verdade…

És como nevoeiro transportado pelo caos. Turvo.
Espalhas-te porque não te suportas…
Sustentam-te as lâminas com que te cortas e nem dás por isso
Esvais-te! Mas o teu sangue não é mais
Que o vómito que te corre nas veias.
Alimentas de nojo a multidão que te venera
Sem saber porquê…
És a Deusa da Escuridão e cegos os teus seguidores.
Coitados!
Nem percebem que a tua língua não é mais
Que a raiz ressequida de onde brota fruta azeda!
326
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Rua dos Douradores 30 ...






30 November 1935: "I know not what tomorrow will bring"




Sei-não,

Me encantava Durban no princípio, agora não,
Me encanto no vento quando passa p'la clarabóia
E depois quando parte pra "não-sei-não", Ofélia
Pode talvez sentir real, eu não, as rosas régias

E na alma geral o vento, general Zulu do rumo,
E a vontade pra que me mude de onde cenário
Sou pra onde, sentido eu, passe sentindo estar
Não sendo, quanto suspiro, perfume a navalha

Do tempo que falta, sei-não, fumo Cannabis, Absinto,
Me encanta, na emoção o vento, a Seda-Hume,
Assim me cantava Durban do solstício, a emulsão
Do tempo escasso, na respiração o íntimo ronco,

Agora não, não venta faz tempo, partiu logo-logo
Para "Sei-lá", o vento, sorrindo da ironia ao dolo,
Depois mudei... renuncio ao vento, serei a estátua
Que se mudou do nunca pra jamais, da praça Natal,

Para a rua dos fungos e dos ofícios pobres,
Tecelões do "aonde-morro" onde morreremos
Todos, monótonos e desnecessários, vãos
De escada, refractários, rebeldes do sono,

Me encantava Durban e nem sei explicar se
Da alegria na guerra ou da paz de um logro,
Pois que agora não, o facto é que me creio
Prisioneiro, contrabando de ouro falso, um

Não-ser, do Chiado à Rua dos Douradores 30,
De onde nunca saí eu e o asfalto que me sai
Da alma, a qual deixo aberta, pois o sentir é
Para mim uma gaiola com uma gaiola dentro...










Joel Matos 11/2019
Http://joel-matos.blogspot.com
250
Ricardo Santos de Souza

Ricardo Santos de Souza

Remédio de papel

As vezes, o papel é o melhor remédio para os males sufocantes do coração.
63
anelparreira

anelparreira

a unica coisa minha é a dor

com o tempo reparo as horas
horas para tudo...
e assim caminho nas horas,
aprendo nas horas da vida
vejo o passar dos anos em horas
e nao sou só eu somos todos Nós...
as horas nao sao minhas, tuas, nao nos pertencem, nao as paramos ou mudamos.
mas as dores essas sao minhas, nao sao tuas, vossas nem nossas, sao minhas
sou eu que as sinto e doiem....
sao as linhas das horas que por aqui teimaram em marcar o meu corpo, o meu rosto...as minhas mãos.
sao minhas , fui eu que as senti, mesmo sem me perguntarem se eu as queria....
Dores impostas, falsas, raras, outras permanentes que já vinham comigo e comigo irão morrer...
tudo na vida é imposto....e nem as horas nem as dores eu consigo fazer parar...
264
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Vivo do oficio das paixões





Vivo no ofício das paixões,

É ao entardecer que me julgo mais distante e pando,
Não há lá nem cá, nem cá estou, menos estou lá, sempre
Estou onde me penso mesmo, não por estar pensando,
Mas porque me lembro ao pensar, do que sei e sei sendo

Esse pensamento, como sendo de ninguém daqui, nem d'além
Tampouco, esse alguém que passou pra outro lado, passado,
Fumo, vantagem de uns poucos o pensar futuro, sentir nova
A quinta-dimensão, rápida a mudança de via interrupta para afiada,

Vêm visões sem conteúdo do outro lado, subvertidas,
Amotinadas, despenteadas eclusas de díspares destinos,
Anseio por instantes sem importância alguma, mas não
Que venham sentar-se comigo à terça, numa cadeira

Desdobrável, dessas de praia em verga, eu espetando alfinetes
De Vudu no entendimento, a função de todo o cabalista
É excluir tudo o que sabe para sentir que entender bem fundo
Sem ver o que está pra aquém e colide com o saber fundado,

A reclusão do conhecimento aprendido, como nos falaram
E que iria gerar um mundo novo, ornamentado a cores
De feira, vindo sentar-se ao domingo na missa, precisamente
Às nove e meia de um amanhecer que sempre seria brando,

Vivo na periferia de tudo isto e de tudo o que me liga
Ao real, vivo no oficio das paixões, gozo-as como se fosse
A transmutação de outro mundo em ouro com que se veste
A minha alma ou a inexistência dela, da razão de entardecer

Dos dias, os sentidos não só sentem, também entendem
O que afirmo e me excede apesar de apenas ver com o espírito
E ter perdido todos os outros sentidos, sinto-me medonho,
Como se fosse místico devoto a um Demogorgon da Babilónia.


















Jorge Santos 12/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
273
Iêda Maria Castro

Iêda Maria Castro

LIBERDADE

Liberte para ceder 
Viva para crescer
Rascunhos soltos
Antológicos loucos
Visceral carne
Poesia rústica
Ungindo
Decente carne
Do outro
243
leolopes

leolopes

A cidade


A cidade é um emaranhado
Pixo, fuligem, suspiro
Persiana, janela e vidro
Fetiche, fetiche, feitiço
Caminhos, trilhas e trilhos
Hábitos, habitat, habito
Sem enquadramento
Sem amarras
Sem arbítrio
A cidade é excesso
Pulsando em meu íntimo.
115
Filipe Malaia

Filipe Malaia

Noite

À noite sei-me de cor
cada passo, cada traço
cada dia
cada lua que me envia
mais um pedaço de amor

À noite sei-me de cor
sei a pena e o tinteiro
cada vírgula, cada espaço
vogal perdida na história
sei que  nasço

À noite sou o oleiro
e o poema brota esculpido
no barro da minha memória
À noite fico
nascido
mas morro primeiro
624
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Como morre um Rei de palha...






De futilidades e empatias tenho a aorta cheia,
Mas quando o céu morre e o frio se torna cinza,
Cai em mim um véu, que é mais magro que o cio
E do que o altar vazio - o mote de acabar o dia -

Se pudesse retiraria o coração amanhã e pela frente,
Para de repente, voltar a ser gente que nem fui,
Foi-me retirado pelas costas, por ironia e pela
Folha de um punhal estranho, de ferrolho velho,

Virei depois saldar as minhas dívidas de jogo,
Desde as bem maiores às mais mínimas,
Que a fé na sorte faz esquecer, Orixá me perdoe,
Pois nem outro vício tenho, jogo de manhã,

Até à calada da noite, amanhã cedo não haverá magia,
Nem nos reconhecermos, tampouco nos perceberemos,
Somos simples corações humanos, postumamente
Criados por um Senhor morto sem pressa,

Com a clarividência de um Sultão da Pérsia nado-morto,
Deposto pela simpatia de um fraco e gordo, inútil
Até ao sobrolho e sobre ele todo, disse-me que morrerei
Só, que é como morre um rei de palha, em pó...






Jorge Santos 12/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
223
Frederico de Castro

Frederico de Castro

Assimetrias em sintonia



Cada eco deixa um rasto de intravasculares
Silêncios a reverberar intensos, excelsos e singulares
Fluem tão vorazmente perpendiculares entre muitas
Ondas de imarcescíveis ilusões que desaguam no meio
De tantos silêncios dançando absolutamente peculiares

Frederico de Castro
348
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Patchwork...







Neo-Expressionism in Iranian Contemporary Art





Nunca senti tanta e tamanha antipatia
Pelo papel canelado e pelo patchwork
Consistente do plano, conservador
Este que transforma o bílis da vesícula

Em acto sentimental aos piedosos atrevidos,
Inspectores da mente pra quem tudo é quebrado,
Antigo, descrente descontinuado, carente sexual
Ou até mesmo dissidente quanto um sarcófago.

Se na vida pudesse crer-me existente e real,
Duvidaria que no mundo existisse vida assim,
Pois tive agora mesmo,
De rompante a sensação que não há lá fora nada,

Nada existe fora de mim que valha a pena ser vivido,
Por isso vivo por dentro o que posso viver sem mesmo,
Como se fosse eu o único ser vivo desse mundo sem vida,
Sem gente, que nem sei se existe ao certo,

Nem dentro de mim de peito aberto cabe,
Não creio nem é do meu credo, odeio
Acreditar pleno em nada, nem haver no mundo
Uma Paisagem tão árida, tão em ferida funda e frouxa,

Tão temida pelo vento tão gélida e negra,
Quanto esta minha antipatia
Plana, mecânica quanto o papelão canelado,
Inexistente sem Patchwork.






Jorge Santos 01/2020
http://namastibetpoems.blogspot.com
269
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

A Rua ao meu lado ou O Valor do riso...




A Rua ao meu lado,

Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro,
O valor do que fiz é o das coisas comuns, mau abrigo
Como envergar um abafo desabotoado e tentar
Sufocar o frio profundo, separado custo de franquia

Em outro qualquer artigo ou lote trazido duma amálgama
De ferro de imóveis peças que vergo como veias, revisto-
-Me do que aflige os outros, (mesmo os que têm fé)
Não por mérito, mas para justificar o que poderia

Ter sido eu se tivesse tido o futuro que nunca tive,
Se tivesse dito o que nunca disse, nem me adianta
Valor ao esforço, o que digo, sem a mais-valia é minha,
O caso da cal fresca sobre argamassa grossa, mal

Amassada, tosca, justaposta, assim é o meu riso,
De certa forma humano pelo que escuto, e por uma
Noção natural que é não ter futura vida, nem ser bem-
-Vindo qualquer fingidor atento ao fraco talento

Que eu tenha, asseguro que nunca senti a falta
Do futuro, a minha falha foi coabitar com o destino
Numa promiscuidade miserável, abrigo cancerígeno
Quanto a mim e eu sei, porque sinto o sonho morto,

O valor do riso é ouro e não o das coisas comuns,
Sem futuro nem raiz maior que zero, o peso da lua
É um mistério quanto o giz com que nua foi pintada,
Sinto o futuro desligado, como luz não tem na rua,

Ao meu lado, um bueiro sujo, mal-cheiroso, imundo.





Joel Matos 11/2019
Http://joel-matos.blogspot.com
325
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Morri lívido e nu ...





Tudo é eterno enquanto dura,
O choro de um recém-nascido,
O riso, o pranto, a vontade do atleta,
O enquanto, o ouro puro,

A fruta madura, o verde da floresta,
A consciência do mundo !
Morri por ter vivido completamente nu,
O tempo todo, imundo,

O meu sonho cobriu-se
De terra crua e fezes,
Às vezes é o destino,
O embaraço, ou culpada

A inércia de me creditar
Vivo como fosse doença
Curável, quanto a morte
De um César Augusto

Ou dança de Baryshnikov,
Sobre o Arco do Triunfo,
Em Paris, (sem pressa)
Se fosse tão fácil amar,

Eu não falaria de amor, assim
É, das coisas tais, as quais
Não se pode "andar-à-roda-delas",
Daquelas que murcham

Lentamente, sem darmos
Por nada, caiado de lua cheia e bela
E de lugares apenas despertos
Nos sonhos que temos,

Enquanto nus, morri de ter
Vivido inevitavelmente nu,
Tanto tempo, e mudo surdo,
De quando em vez louco...







Jorge Santos 10/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
253
sebastiao_xirimbimbi

sebastiao_xirimbimbi

Viagem

O teu corpo é um avião e nele quero viajar
Nas suas curvas fazer o check in e embarcar

Com os meus lábios, nos seus lábios sentar
Com a minha língua, no céu da sua boca voar
A magnífica paisagem da sua beleza exterior apreciar

E pela sua beleza interior encantar-me
E deixar-me
apaixonar
Pela jornada de te amar 
E resistir às turbulências pelas quais irei passar
Até ao seu coração chegar
No centro da sua vida aterrar
na sua mente desembarcar
E na sua alma morar
Até o meu coração parar

Apenas deixa-me fazer a marcação
dessa viagem de amor com destino ao seu coração.

Por: Sebastião Xirimbimbi
720
shadowoftheworld

shadowoftheworld

Fuga de mim

Caindo em sono profundo
Extasiada pelo silêncio 
Só, por um segundo
Penetrando o medo
Segurei a balança do tempo
E por um breve momento
Não tive de partir

Como tudo tende a ir
Segurei-me inteiramente
Precisava logo seguir

Em meu estado de vigia
As luzes se apagaram
Não conseguiria seguir assim
Segurei as partes que preenchia
Para que não seguisse sozinha

As cartas do tempo caíram, então
As vozes começaram a aparecer
Meus demônios me seguiram
E mais uma vez voltei a me prender

Carreguei toda a existência
Pensei em fugir, enfim 
Em minha impermanência 
Comecei a fugir de mim 
266
Filipe Malaia

Filipe Malaia

Uni Verso

Sobrevivo, nos atos dos inatos meus sentidos
No clamor dos silêncios indizíveis
No perpétuo dos instantes prometidos
Por horas imperfeitas, impossíveis

Sobrevivo, na magia da poesia em turbilhão
Nestas palavras poucas que entrelaço
Neste nó que em mim mesmo chamo abraço
E me toma de assalto o coração

Sobrevivo, na conquista imprevista do meu verso
Esse timoneiro louco e sem razão
-Larga o leme, perde a direção!
-Leva-me de volta ao Universo!
631
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Ladram cães à distância, Mato o Por-Matar ...





Ladram cães à distância,
Mato o "Por-Matar" ...



Ladro de cães à distância e uma vela acesa,
Inúteis mecenas que despertam o ardor
Da cria que me habita e cuido e velo, grito
Pois creio, ser eu lobo, mais lúcido que ouro

E que alguma vez fui e o desejo me acena,
- Oh, como desejo a caça grossa, arguta,
E não capoeira onde jazz ovelho mal morto
E a tesão que dá matar o "Por Matar", o manto

Sinto-o ter da morte aqui e ao lado, esgoto
Do veio da vida, enquanto este é cenário
Lívido da morte, encoberto, invisível corre
Do prado pra moita certa, boca de sena

Cega à navalha, eu superior e ela presa,
E os cães ladrando "à tona", à distância
De uma vala e uma vela se apagando,
Morte certeira, noite encenada, navalha

De barba, mato o "Por Matar", degolado
Como manda o código da Ordem, Barbeiro
O som da morte a quebrar, inesquecível
E tão pouco curável quanto a reles loucura,

Ladro de cães à distância e a gamela e os
Restos no prado do despojo, no restolho ruivo
Suplicado em vermelho sangue, de guerreiro
Meu credo pois o creio meu uivo, o do lobo

E ao uivar ao céu agradeço à Deusa Maga
E a Belenus quando irrompe, consagrando
O dia Basco do Druida Lobo, a meu mando
Age o fogo que consome os montes, o dom...

O dou aos amantes, eu me elevo, assombro
E mito nas palavras que me velam, devotas
E por revelar, envolto em mistério e morte,
E por matar me vou, leve e em voo de bruxo

Mago...








Joel Matos 01/2020
Http://joel-matos.blogspot.com
265
Filipe Malaia

Filipe Malaia

Revelação

Adormeço
caído no colapso
desta paz imensa
vertigem suspensa
que me sustem
e onde permaneço

o instante é respirar
sobressalto breve
leve recordação
a despertar
em cada recomeço

sono suspenso
que sustenta
a revelação
onde pertenço
618
Filipe Malaia

Filipe Malaia

Asas de Vidro

Se um dia anoitecer no teu sorriso
E a tristeza em silêncio erguer a voz
Lembra-te de mim, em ti, de nós
No meio da multidão, livres, a sós
Descidos, sem saber, do paraíso

Ou se um dia cair tão sem aviso
Em tua cândida boca a noite atroz
Não te detenhas mais, corre veloz
Corta as amarras, estilhaça os nós
Que violentam as asas do teu riso

Lembra-te do mar, se for preciso
Sem medo da cruel noite feroz
E nele molda a luz feita de nós
No meio da multidão, livres, a sós
Se um dia anoitecer no teu sorriso
617
Jairo Ramos da Silva

Jairo Ramos da Silva

Amélio

A arte da culinária nasce com o casamento entre o amor e o espírito de servir!
1 696
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Sou O-Feito-Do-Primeiro-Vidente




Sou o efeito do primeiro fogo, da primeira fogueira,
Os segundos são os outros, fracos e obedientes,
Aqueles que não são guerreiros, Carvalhos
Quanto nós, justos feiticeiros, Druidas francos,

Sou feito de despudor, quanto de besta,
Amor, Balsa e Salmo, pura e integra pele de tambor,
Tombo quanto um pinheiro do Líbano ardendo em pé,
Ou Xerxes de Tripoli defronte um elefante preto, nazareno

Tal qual Ele, que também o era, negro, ébrio,
Sou a profecia dos Druídas, "Primitivo-Ente"
E primeiro, segundos são para os outros, carneiros
Receosos das hordas dos Hunos, nós somos eternos,

Primevos Babilónios, Iníquos e Demónios,
Guerreiros de ferros em brasa em terra brava
E por desbravar, sou o Monstro Adamastor
E vós os encurvados segundo conta Eneias

Em Luís Vaz, ratos serpentes, fracos serventes,
Eu jamais tombarei, morrerei amparado no circulo do oculto,
Como morre um colosso, vulto nu, sem jazigo nem monarca
Por perto, para reviver outra vez, aos doze dias,

A saga dos antigos profetas e dos brancos Bardos,
Sou feito dos primeiros videntes, nas boreais chamas,
Sou do feitio dos primeiros "lusíadas" e Druídas Francos ...
Sou o feito dos "pristinos" Loucos, Lusitanos e Duendes.





Jorge Santos 10/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
314
Alcides Reis Junior

Alcides Reis Junior

Eu sou estranho

Sou um cara estranho


Sou um cara que usa relógio e vejo as horas no celular
Sou o cara que esquento café e coloco leite frio


Sou o cara Que deito com o cobertor até a cintura e os pés de fora.
Sou o cara que acelero o carro com o pé em cima da embreagem


Sou o cara que fala que não tem tempo e desperdíço os que tenho no final do dia
Sou a cara que tenho redes sociais e não gosto de colocar nada


Eu sou estranho...


Eu sou um cara que escuto elvis enquanto leio a bíblia


Sou o cara que entra no banheiro de chinelo e tomo banho descalço
Sou o cara que quando o tempo muda eu fico triste
Sou o cara que quando sai o sol eu fico bem melhor
Sou um cara que amo e tenho medo de mostrar meus sentimentos
Sou um cara muito foda e que eu não vejo isso.
Sou tantas, sou tantos, sou tolo, sou sábio, sou eu e as vezes pego a pensar, quem sou eu?


Alcides Reis Júnior
189
A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Ao eterno Luiz Vieira


É tarde, já vou indo, preciso ir embora...
Não... é cedo ainda... Fique mais. Fique para sempre.

Aprendi a voar, como fosse um menino-passarinho,
Procurando abrigo no calor do carinho de sua poesia...
Na melodia de sua musicalidade.

Nessa beleza imensa, continue a ser a recompensa,
De ver o mundo comemorando um amor sem fim.
Em alguma nuvem calma, na paz do céu de sua alma,
Não deixe de esparzir sobre nós toda ternura de seus versos.

Em cada estrela matutina em que se deslumbre esse mundo encantador,
Que em um parto de ternura, na essência de uma lágrima pura,
Encontremos a paz do seu amor...
1 601
A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Simplesmente Lenita


A alma se aquece e de improviso
Canta e dança vagando nas ruas...
Ficou assim, ao ver seu sorriso,
E ver estampada a alegria sua.

Talvez por amar, não me permita,
Viver por viver, viver só para mim...
A vida precisa ter um sentido,
Maior que um talvez. Precisa de um sim.

Você, meu sentido e minha razão,
Você uma luz. Norte na escuridão!
Você o motivo que chegou, enfim...
Você meu começo, meu meio e meu fim.

Nos campos dos sonhos, as cores das flores,
Preenchem de vida a imensidão.
Você é a flor que pedi ao destino,
Você é amor, é ternura, é paixão.
396