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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

O avesso do espelho...









Basta querer eu alguma coisa pra que morra por ela mesmo,

Assim o respeito que tenho por todos, pior que por mim próprio,
O estranho é que, na classificação que me dou, baixa e “fascia”,
Não me caibo, nem me basto de afirmar pra ser respeitado,
Sou suspeito da dupla significação no que digo, penso e faço,

Dispenso qualidades alheias, sobrevivo do instinto como se fosse
Eu uma industria de criação própria, pouco original e o mercado
De interesse fútil, decorativo painel de “moiral”, moral opinativo
A duas dimensões, para parecer ser escabrosamente humano,
De compleição estéril, assim o respeito que tenho por outros,

Simplesmente porque o sol se põe a leste e não a oeste dos
Ombros desses, meses sem conta, sem autenticidade e enquanto
Os pulmões virados de latitude ao norte, os rins apontam,
Tal qual a minha atitude perante Deuses que desconhecem
Pelo cheiro a natureza das flores e a dor dos opinados ciprestes

Altivos. A respeito das sensações próximas, pouco há a dizer,
A não ser o que falhou, loucura seria afirmar-me como a metade
De cá do destino, pois se morrerei como tenho desde sempre
Vivido, sem respeito por mim próprio e muito menos pelo
Próximo. A Ode Triunfal é um mito longe do Arco do Triunfo,

Assim como o crucifixo não é símbolo apropriado num ateu,
A propósito de proficiências mágicas e alquimias sulfúreas
Complexas, subterrâneas galerias onde tudo se paga em metal,
Basta querer na ruína e na morte pra que haja submundo,
Não se aplica a sombra ao vazio, nem se explica o vazio,

Ainda assim respeito a urgência e a insurgência senão
Como velcros da ilusão na mudança, odeio as maiorias e as
Fórmulas hierárquicas monogâmicas erigidas num padrão,
Respeito a emoção se for natural e não em função do estilo,
Digo o que penso e o riso é uma possibilidade lúdica ela mesmo,

Antes que morra e a espontaneidade em mim afunde, como
Um prego e a variedade de sentir, a mecânica do espirito
O desassossego místico, necessidade vital e suprema de dor,
A aceitação sem submissão, sentindo como bafo no espelho
Do que estou falando, o que estou dizendo e o avesso …




Jorge Santos 02/2020
http://namastibetpoems.blogspot.com
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

O Amor é uma nação em risco,



Em Viena “bailaré” contigo … e os cisnes,


Sinto no amor uma sensação de risco,
Amarelo mosto, decadência e outros mornos
Sentidos, são mero desconforto, descoloridos
Como qualquer outro ante a incrédula dor.

Em Viena “bailaré” contigo, de novo
Às dez para o meio-dia em ponto e antes
Que venha a noite, a velha noite de viés,
Olhar atrevido desafiando o dia, este

Ainda embrião mas com todos os sonhos,
Simpatias e insultos que dentro, no rosto visto.
O Amor é uma nação e do risco, os estrategas
Dos sítios que o digam no “frente-a-frente”

Ao vivo, num “Reality Show” colorido,
Cor do desgaste e de outros detalhes
Irreais por excesso, por exemplo, nos cristais,
A nitidez da claridade conforta os sentidos

Dos mais cépticos, todos os outros estão
Em perigo, propícios aos estranhos esteiros
De alma, estrábicos desejos de nação, videntes
Postiços quanto palha molhada queimando

Lenta, apagada, morrão. Sinto na chuva
O chorar de uma carpideira melancólica,
O som da chuva é o êxtase, abafo,
O tapete da Pérsia, a minha consciência

De Eslavo sitiado, em “Braile” bailarei a valsa
Da meia noite nos píncaros da Catedral
Mais alta na “Cidade dos Signos-Sentados”.
(Sendo quem não tem direito de o fazer)

Jorge Santos 01/2020
http://namastibetpoems.blogspot.com
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Mônica Leite

Mônica Leite

Mulher

eterna culpada
da sabedoria à ignorância
de tudo entende
se tu erras, compreende
Ela é verdade
Não se esconde, se assume
da família é a coluna e o pé direito
Ela é grande, imponente, impõe respeito
Sobre a culpa? Quem disse?
A maturidade depõe esse fantasma
Ela é substantivo, a mais forte das palavras.

Mulher, bendita seja.
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leilton

leilton

Não, não fala.

Este poema:
Não foi inspirado, mas expurgado!
Não possui rima, mas lima!
Nem verso metrificado, mas...

Esse texto,
Não fala do calor,
Não fala de amargura,
Nem de aventura.

Este poema,
Não fala de agonia,
Não fala de melancolia.

Esse poema
Não fala.
-Não, não fala.
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vctosb_

vctosb_

achei que você não voltaria

tua chegada é egoísta. 
de repente, tudo é sobre você.
assombrosa e gélida, os holofotes te encaram e ocultam qualquer rastro de esperança.
o barulho da campainha é o mesmo. 
o pensamento corre sem educação e a vergonha pesa o peito.
você bagunça tudo 
mas faz parecer organizado.
inverte papéis,
sabota identidades
e entrega o palco às emoções.
‘Tristeza Profunda’ é um disfarce
para sua personalidade sorrateira e vazia.
aos poucos,
rouba amigos
prazeres
e sentidos.
tua presença é ciumenta,
convence que pé de arrependimento dá fruto.
mas teu tempo é contado.
quando o ponteiro da decisão bate e a lição é aprendida,
você sabe que é hora de ir.
você sabe que não existe rua escura
que não encontre a Luz.
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Joathã Andrade

Joathã Andrade

MEU AMOR

Soprei uma florzinha e ela se desfez,
foi levada pelo vento.
Olhei ao meu lado estava só.
Caminhei pela colina.
 
Parei e olhei o pôr do sol.
Caminhei novamente e cai em mim.
Corri como nunca.
 
Cheguei em casa ela estava deitada na cama,
com seus lindos cabelos cor de mel caídos em seus ombros.

Olhei-a, ela olhou de volta com um sorriso.
Tomei-a pelos braços e a amei
como se não houvesse amanhã.

MASSAPÊ 22/02/2020
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Victor Araújo

Victor Araújo

BASTARDO



Eu sou o filho bastardo

largado nas sombras da escuridão.
Entre as fronteiras da selva
e os limites da peregrinação.

Pelas migalhas da sorte,
eu me fortaleço.
Pelos vacilos do acaso,
na chacina, amanheço.

Miséria da caridade.
sobrevivente do medo.
Decidido a implodir
a erupção do caos.
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yuri petrilli

yuri petrilli

Soneto do Seminarista

Em memória de Machado de Assis.

Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!
Avisto-a e rego-a em plena terra errante
E a candura de teu néctar distante
Irradia de luz minha alma obscura!

Oh! Esperança alva! Oh! Sonho de brandura!    
Desabrocha em meu peito a cada instante
Vosso nobre propósito exultante
Qual só se alcança através da ternura!

E de sonhar-te a macieza em vida
Não temo, jamais, a vinda da mortalha!
Minha vontade de ti, comovida,

Aufere as sementes do céu e as espalha,
Aos que me hão de acenar despedida.
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!
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sebastiao_xirimbimbi

sebastiao_xirimbimbi

Pra ti mulher

Tu és linda, tu não precisas esconder as tuas estrias; 
Pois elas são poesias no teu corpo escritas.

Tu és linda, tu não precisas ter vergonha dos teus peitos caídos; 
Pois eles representam a beleza do amor transmitido durante a amamentação dos teus filhos. 

Tu és linda, tu não precisas esconder as cicatrizes da cesariana; 
Pois elas representam o poder que tens de dar a vida a uma alma.

Tu és linda, tu não precisas ter vergonha do teu corpo durante a gravidez nem depois do parto;
Pois o teu corpo é um templo sagrado.

Mulher, tu és linda
e eternamente serás linda.

Por: Sebastião Xirimibimbi
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CORASSIS

CORASSIS

O CORAÇÃO



O coração


E que nele se escrevam dois livros :

Um a alegria de viver.

O outro a vontade do criador.
272
Carol Ortiz

Carol Ortiz

UM CONTO DA VIDA

Amaram-se a noite toda. Então, ao amanhecer, ela partiu.
         "Espere, não saia sem pegar seu dinheiro"- disse-lhe isso a fim de humilhá-la ainda mais. Já não bastava terminar uma história de anos de forma tão rude! - "Pegue seu dinheiro e sinta-se paga por todos esses encontros."
          Ela bateu a porta e saiu, chorando. Não entendia como um ser humano era tão baixo e tão malvado. Estava magoada. Sentia-se um lixo, uma infeliz.
          Então foi para casa e sentou-se num canto qualquer. Ficou ali, parada, quieta, calada, pensando...

          "Realmente é positivo. Acho que devo os parabéns! A senhora vai ser mãe."
          "Como disse?" foi a única frase que conseguiu pronunciar. A angústia e desespero brotavam por seus poros. Como suportar tudo isso? Era sozinha no mundo e a pessoa mais próxima era o pai do filho em sua barriga.
           Então foi para casa e sentou-se num canto qualquer. Ficou ali, parada, quieta, calada, pensando...

          O telefone tocou de madrugada e uma voz rouca de mulher atendeu. Quem poderia ser? Outra amante? Agora o desprezava mais e mais e sentia sua última gota de auto-estima evaporar-se no ar nebuloso em que se encontrava.
          Foram quase dez anos de desespero, ameaça, ilusão e sofrimento. Dez anos construídos sobre uma base de sonhos que escorregaram para o nada!
          Sentou-se num canto qualquer e ficou ali, parada, quieta, calada, pensando...

          "Grávida?! Como? Não, não pode ser! Sinto, mas tenho minha vida para cuidar"
          Outra vez humilhada, massacrada. Sua pobreza a sufocava e a riqueza dele a esmagava profundamente, perfurando o resto de sobriedade guardada. Tentou conter o choro e sufocar o que restava de sentimentos.
          Foi para casa e encostou-se num canto qualquer, ficando ali, parada, quieta, calada, pensando...

          O dinheiro estava acabando. Trabalhava como louca e cuidava da cria que se perdia no meio da garotada do bairro. 
          O menino ia fazer 9 anos. Por mais que tentasse negar, seu filho carregava a forte semelhança física do pai. Naquele ano queria dar-lhe um presente. Um luxo no meio de tanta dificuldade! Contou as economias e conseguiu comprar um jogo de canetas e lápis coloridos.
          Estava entrando na toca em que viviam, quando viu, na TV, o novo personagem da semana: Sr. Maldade e Família! Ele, impecavelmente apresentado, estava com a esposa jovem e impecavelmente arrumada, que segurava nas mãos os dois filhinhos impecavelmente fofinhos e gorduchinhos. A Família Impecável estava em um programa dando entrevistas sobre banalidades de um mundo impecavelmente perfeito.
           Em choque, ela olhou-se no espelho. Seus cabelos eram opacos e despontados, a pele descuidada e enrugada. A magreza salientava-se e a aparência era de muito mais idade do que realmente tinha.
          Olhou para o filho e viu um menino magro, lombriguento, com trapos velhos e rasgados. Um cachorrinho sarnento com medo do mundo.
           Seus olhos se encheram de lágrimas. Então, foi sentar-se, ficando ali, parada, quieta, calada, cansada, pensando...

           Ele estava no escritório aquele dia. Ficou lá até tarde da noite. As luzes estavam apagadas e a sala era iluminada apenas por uma lâmpada fraca.
           Uma mulher bem mais jovem do que sua jovem esposa, vestia-se sensualmente, enquanto ele, ainda nú, bebia um copo de uisque.
           Ela ficou ali, do lado de fora, esperando. Viu quando beijos de despedida rolaram e quando a loura saíu pelos fundos. Ele, só, recostou-se na poltrona de couro olhando para o nada.
          Alguém tocou a campanhia. Ele foi atender. Era ela.
          "Como está feia e abatida! Sorte que a deixei." - foram os pensamentos dele.
           Ela o empurrou e entrou no escritório. Mostrou-lhe a foto do menino e aguardou a reação. 
           Ele olhou espantado: "Que bichinho feio!"- pensou. Mas tinha seu sorriso, não podia negar. Então, o inesperado aconteceu: ele assumiu para si mesmo que tinha mais um filho.
           Ambos em silêncio enquanto ela remexia em sua bolsa. Com um olhar vingativo e com satisfação, atirou todas as balas daquele velho revólver em cima do co-autor do seu sofrimento.
          Ele caiu ali, segurando firmemente a foto do filho que, a partir desse dia, foi morar com sua esposa que agora é viúva.
          Ela, por sua vez, apenas sentou-se num canto qualquer, ficando lá, parada, quieta, calada, pensando... (enquanto danças de luzes vermelhas e sirenes angelicais tocavam a música da insanidade).


ANO: 2000
881
Joathã Andrade

Joathã Andrade

HIPOCRISIA



Quando caminho pelas ruas imundas,
sinto o odor da miséria dentro de cada pessoa.
Mentiras por todos os lados.
Estou correndo disso tudo.
Para onde?
 
Caminho para o parque e vejo velhos hipócritas.
Corro para o bar e vejo novos hipócritas.
 
Viajo para longe e a miséria me persegue,
como uma chuva nuclear.
Sinto que estamos todos apodrecendo.
 
(Joathã Andrade)
250
Patricia Macedo

Patricia Macedo

Eu escrevi

Eu escrevi, escrevi e chorei com pena de mim

 Com dor de não alcançar esse brilho infinito

De ver e sentir as coisas belas e não saber descrevê-las

 com as asas e as lagrimas dum poeta bem-sucedido
404
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

A Morte não é Bem-Vinda ...






A morte não é como a vida,
Mas o sentimento fluído, vívido
Em que nos sonhamos vivos e
Esquecemos o porquê de não

Existirmos de fora da ilusão
De estar vivos, vivendo mortos
Resta-nos sobretudo o talento de
Sonhar o quotidiano e o banal,

-O sonho de ser inquilino de uma
Pequena livraria na rua da indiferença,
O ultraje geral na vida que conheço,
É o ignorar repetidamente ou questionar

A derrota, por ordinária
Que seja na morte o afinal,
Ou esclarecido em vida
O soror da dor perene,

Invicta, imortal, poética,
Bem-vinda e com odor a perfeição.
A morte não é bem-vinda,
Emoção é o que ficou descrito

Como coisa passageira, imortal
A esperança, semi-completa
Verdade que nos conforta e descansa
Da tarefa que é estar vivo.

Matéria é presença e a negação
Da fé por oposição estética
À consciência do pensamento
Como tarefa física, grandeza

Da condição de ser humano,
Dividido entre o que me rodeia
E a vontade de renunciar à mecânica
Das sensações mentidas,

-O sonho de ser inquilino de uma
Pequena livraria de esquina,
Incompetente eu, por nunca ter sido
Senão sonho de quem se sonha vivo…

Jorge Santos 01/2020
http://namastibetpoems.blogspot.com
206
CORASSIS

CORASSIS

Apenas o amor



Fato histórico 
devaneio secular
realidade desaprovada 
não há amor de acalentar.
não amo em partículas, migalhas,
não sobrevivo 
em desamor sangrar.
desisto apenas de muitas guerras,
toda paz para acalmar.
mais historias de amor nascerão
e novamente amar,
idade das luzes amor para bailar
coração incandescente ainda não quer partir,
Mais não sei a hora de descansar.
518
Luciana Souza

Luciana Souza

Beijo


Molhado, temperado
E nada mais vejo
Fecho os olhos
E me entrego totalmente
A esse anseio
Línguas invasivas
Nada fere, só excita
E me rendo ao deleite
Morno para quente
Um suar frio, um agrado
O calor que agora sente
É de um beijo molhado
837
shadowoftheworld

shadowoftheworld

Por um sinal

Presa novamente
Esquecida
Só, dormente
Sem vida

Encarcerada em minha própria solidão
Em garras de um medo constante 
Com vozes e emoção
Provindas de um futuro distante

Me perco
Aguardando sem ficar
Procurando sem saber
Flutuando sem passar
Vigiando sem ver

Sem nada a me esquecer
Sem rua ou lugar
Nada a se perceber
Apenas a se encontrar
804
devoto

devoto

Da paz não surgiu a guerra

 
Da paz não surgiu a guerra
mas do sangue brotou a dor 
comecei agora o meu caminho
muito pouco ainda sei 
não compreendo o que se passa aqui
da paz surgiu o branco
mas com as guerras tudo é luto
onde muitas vidas não duram um minuto 
da paz não surgiu a guerra 
surgiu como oposto do bem 
hoje se luta para vencer
hoje se aposta para para viver
até quando o verde será belo?
até quando o verde será esperança?
até quandp o verde será implacável?


- não me esperem, porque eu não quero ir
não quero ferir inguém.



 
863
Carol Ortiz

Carol Ortiz

TEMPO QUE ME SUFOCA

Estou perdida
entre rostos sombrios
enquanto anjos caem do céu
A dor aumenta,
escadas indicam caminhos opostos
e a cor some
na sombra da névoa do medo
Estou com frio
e quero colo
quero só mais um agrado
Meu corpo treme
e as vozes falam
mas não dizem nada
Me abrace,
me segure,
estou perdida
no abismo que construí
Sinto sua falta
desde criança
Quero colo,
quero uma canção para dormir
quero que leia uma história
quero carinho
Por favor!
Não vá embora,
a cada partida 
é um buraco negro
Só quero abraço
e a certeza de que vai ficar...


ANO: 2000
883
Enide Santos

Enide Santos

Sucumbi recomeço, sucumbi.


Estou diante do recomeço,

Insultando-o,

Ferindo-o,

Ressentida por seu existir.

 

Um reinício aqui.

Um reinício ali.

Já lutei essa guerra,

Já me firmei e cai.

 

Bebi no poço da vitória

Dele, não mais queria sair.

Mas agora, cá estou novamente,

Cheia de farpas nos dentes

E mesmo assim tendo que sorrir.

 

Ah! Eu sei que não é justo.

Oh, Recomeço!

Sabes que tem de mim

Um imenso, um infinito apreço.

Mas também sabes

Que só desejo o teu sucumbir.

 

Enide Santos 02/02/2020
57
Clara Anjos

Clara Anjos

Olhar embriagado

Vi 
      Uma mulher 
                              Bela e 
Formosa
                  Pena que a danada 
     Não foi
          com a minha prosa
Tentei me aproximar
                     Tropecei
que nem senti
                Só ouvi quando berrou
Bebo fedido sai daqui
             Cai       bem do seu lado
Babando afobado
             Eita
          que      arrogância
Eu só queria um trocado.
97
adnamatosmacedo

adnamatosmacedo

DANÇANDO EM PENSAMENTO


Manhã  calma,
Olhos fechados,
Ecoava distante em minha alma,
uma canção,
 
Afagada em minha mente,
um sonho logo a despertar,
Sensação boa, insistente
lençóis a me enrolar,
 
Dançando em meus pensamentos,
Presa àquele momento,
A música roçava pelo corpo,
Movimento suave , lento

Flutuava entre nuvens.
Fugitiva naquele lugar.
Instantes passavam,
Negava a ter que acabar.

Percorria linhas ,
descobertas no ar,
Olhos não abram,
Emplorava o corpo não voltar.
Mantinha o sonho e a nova descoberta,
ali estava o desejo em dançar.
390
Carol Ortiz

Carol Ortiz

SOMENTE UM PASSO

     Já cansada de toda essa luta em vão, a velha jovem senhorita caminhou de olhos vendados, segura de estar no caminho certo. Subiu até o ponto mais alto e esperou que as nuvens negras passassem.
     Como pássaros, elas iam e voltavem, fazendo malabarismos celestiais ao redor daquela figura mirrada, mal compreendida pela ignrância.
     Sentiu seus cabelos baterem contra aquele vento amargo, indo de encontro com as coisas que já tinha visto, com o passado.
     Em voz alta, começou a vomitar todos os seus sonhos, que fediam e se espalhavam na terra molhada pelas suas lágrimas.
     Quanta saudade de um dia em que foi humana! Saudade da personalidade que o tempo levou e deixou perdido na lembrança de alguém, talvez.
     Lembrou-se de pessoas especiais que cruzaram seu caminho. Gente que a fez sorrir, que a deixou ansiosa, feliz e a fez chorar, mostrando a verdadeira face da realidade sombria que persegue cada ponto móvel, insignificante, chamado homem.
     Perdida em suas lembranças, sentiu o vento em seu rosto mais uma vez.
     Um suspiro a fez sentir viva. Percebeu que já estava terminando.
     Então, tirou o pano que tapava seus sonhadores olhos castanhos. Olhou para o outro lado daquele abismo e viu as rochas enormes sugadas pela selvageria da água doce que alimenta e mata.
     Com toda a coragem e, talvez, satisfação, deu um simples e delicado passo em direção do, talvez (novamente), eterno final.
     As nuvens negras choraram, despencando toda a tristeza em forma de gotas, manchando e marcando aquele momento.
     O vento soprou com mais força.
     O sol se escondeu atrás de nuvens, não querendo testemunhar aquele fúnebre episódio.
     As garças, habitantes do local, voaram em bando, à procura de abrigo seguro, fugindo da ânsia de destruição daquela tarde.
     A natureza entristeceu e descarregou suas forças por meio de raios ferozes.
     Enquanto esse espetáculo se mostrava, ela caia levemente, por deixar seus pecados no passado.
     Encontrou-se com seu destino e, já inanimada, era simplesmente carregada por aquele rio. Era mais uma flor que enfeitava aquelas águas silenciosas.
     Dessa forma a cortina se fechou e essa cena terminou na calmaria do equilíbrio das coisas vivas ao redor de um cadáver.
     Então, tudo calou-se para sempre, caíndo no esquecimento de pessoas que estão sempre a procura de novidades.


ANO: 1999
863
natalia nuno

natalia nuno

amaremos a vida...

começaremos novamente amanhã, recordaremos que sentimos frio, chegar-nos-ão ecos de vozes ou um silêncio inda maior, mas optimistas amaremos a vida sem que o teu olhar macule a alegria do meu...chegarão horas de solidão, de recordações, e com voz ainda clara e a mente em harmonia, palavras cálidas diremos um ao outro...não sei se o novo amanhã ensombrará os nossos olhos...não, isso eu não sei...ou se a solidão será definitiva, talvez nosso amanhã nasça já sem horizonte!? mas não fico atada ao medo, beberemos mais esse dia como se fosse o sumo dum fruto , deixaremos que o sol gire nas nossas mãos, havemos de encontrar um motivo que ilumine com veemência o que já não volta...

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