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Manuel C. Amor

Manuel C. Amor

despertar

Vencido

o azul animicida da noite...


Regresso

ao ponto de partida.

Manuel C. Amor

Horta, Março 2009

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Marcos Massao Futai

Marcos Massao Futai

Natal no Hemisfério Sul

No hemisfério Norte, o Natal é branco e frio;

Cantado em canções como "White Christmas", um encanto.

Com o solstício de inverno, dias curtos, céu cinzento,

Mas no Sul, a realidade é um vibrante contraste, um brilho.

 

No Brasil, o Natal é banhado pelo sol,

Praias repletas, alegria no ar,

Frutas frescas, sabor sem igual,

Praças verdes, animais a brincar.

 

Natal brasileiro, uma festa sem igual,

Tempo de férias, de alegria e diversão,

Crianças nas ruas, em corrida natural,

Viagens, celebrações, o coração em canção.

 

Cantemos nossa história, celebremos este lugar,

No Brasil, a vida é um presente a desfrutar.

Sem terremotos ou vulcões a nos assustar,

A natureza exuberante, em cada canto a encantar.

 

Cultura rica, diversidade a celebrar,

A comida, um deleite, variada sem parar.

Um povo acolhedor, hospitaleiro, a solidarizar,

Natal no Brasil, um tesouro a valorizar.

 

Melhor Natal do mundo, aqui podemos clamar,

Valorizemos nosso dia, agradecendo sem cessar.

Pelo sol, pela natureza, pelo povo a festejar.

Feliz Natal no Hemisfério Sul, um hino a entoar.

 

Marcos Massao Futai
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Gabriela Lages Veloso

Gabriela Lages Veloso

Retrato

A realidade é filtrada pelo olhar, por isso
o ato de observar o mundo é revolucionário.
É ir além da superfície rotineira e
mergulhar em busca de respostas
para perguntas que muitos ignoram.
A arte (r)existe para que nada retroceda.
As fotografias são espelhos de momentos, ecos do tempo.
Ao observá-las (re)vivemos e (re)criamos memórias.
Com a palavra, eu fotografo o mundo.

VELOSO, Gabriela Lages. Poema Retrato. Revista Literatura Errante - Memória, p. 29, 22 jun. 2021.
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camila_duarte

camila_duarte

A menina-satélite

Lábios metálicos, 
Olhos dourados, 
venda de prata.

Sangue verde
nos dedos molhados.

Na torrente 
Das lágrimas de diamante, 
Um punhal de terra e água 
Atravessando o peito;

Uma labareda azul no ventre 
E um farrapo em cada pulso. 

Unhas pixeladas, desfazendo um
Malmequer:

Vagueia pela eternidade, sentada 
Na ponta de uma lua qualquer.
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simoni_souza0

simoni_souza0

Sonhos Roubados

Ergui castelos nos céus, sonhos que eram meus, mas alguém os levou, deixando só adeus.

A esperança desvanecida, como estrelas a se apagar, na escuridão da incerteza, vejo meu futuro naufragar.

Minha alma clama por justiça por um amanhecer, onde meus sonhos roubados  possam renascer.

Mesmo com os sonhos roubados, meu coração persiste, a angústia pode ferir, mas minha alma resiste.

No vazio que restou, plantei novas sementes, E verei brotar novos sonhos resplandecentes.

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Ariana

Ariana

Lamento incógnito

Hoje eu acordei sem nenhum motivo que fosse bom o bastante para acordar, gostaria de ter ficado no mundo do meu subconsciente, onde nada é real, onde até as minhas dores não doem de verdade, onde os meus sonhos podem se tornar realidade, onde não consigo me ver e me decepcionar com a minha própria imagem.
Estou triste, não sei por que, algo me abalou logo pela manhã, um vazio e uma falta desconhecida me fizeram chorar, um pranto tão profundo que inda não me recuperei. Pergunto-me até agora o que me falta? Dinheiro, beleza, bens materiais? Será que mesmo com tudo isso me sentiria melhor? Não sei, só sei que sinto um oco no peito e não consigo parar de lacrimejar, apesar de doer, quero curtir este momento de sofrimento e este pesar, quero curtir essa angústia e este mal que talvez purifique a minha alma.
Não sei se é possível eu entender os murmúrios do meu interior, o quê ele tanto procura neste vácuo imenso. Esta sensação emocional e psicológica que me atormenta e está demorando a passar, sinto que existe outro eu dentro de mim, um ser inexplicável e incógnito, tento desmascará-lo, mas ele tem muitas artimanhas, desaparece e quando menos o espero ele vem e me deixa assim.
Por enquanto não ha nada a fazer, vou ficar aqui nesta solidão rodeada de gente, neste lamento vertendo em lágrimas e com esta embriaguês estando sóbria. Talvez amanhã tudo isso tenha passado, este padecer tenha ido embora e eu acorde com uma alegria imensa, apenas por estar viva, mas não saberei até olhos se abrirem novamente, ao amanhecer e ver o raiar do dia.
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1
Carlos Geraldino

Carlos Geraldino

astronômico

vem do sol
atravessando cosmos
esverdear o pasto da vaca

ruminado
segue da boca
pra teta
pro copo
pra minha
garganta
torna-se
a própria
Via Láctea

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Leide Fuzeto

Leide Fuzeto

Declaro

Vou tirar você do meu altar
te humanizar, te destronar
nao vou mais me reduzir
à alguém que nao tem você
vou me eleger, me proclamar
a dona desse lugar
eu me elevo à condiçao
de quem tem a mim
e declaro, que fique claro
que isso me basta
e rebaixo tua pessoa
à triste situaçao
de perdedor do meu amor

http://www.amorebolhasdesabao.blogspot.com/
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julimsc

julimsc

Pequeno poema assombrado

Este sentimento que por ti tenho
embalsamou minha alma.
Já não consigo desvencilhar-me de teu espírito,
fantasma que assombra meu cotidiano,
encosto dos meus pensamentos.
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José António de Carvalho

José António de Carvalho

FELICIDADE

Coletânea UM GESTO... APENAS UM GESTO!
(HORIZONTES DA POESIA)



FELICIDADE


Veste-te de brava roseira,
De andorinha leve e franzina,
De espiga colhida e ceifeira,
E de seara pequenina.

Vestes a noite com o dia,
O dourado do sol que vai…
Roubas aos astros a harmonia,
O brilho que da estrela sai.

Irrompes do rio e do mar,
Do lugar mais exuberante,
Como quem vem a velejar
Na pele duma onda gigante.

Que encanto para a minha vida
Que se levanta dos escombros,
E entre a folhagem esquecida
Repousa leve nos meus ombros.

José António de Carvalho, 18-agosto-2021
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Luís Capucha Pereira

Luís Capucha Pereira

Ao teu lado

Ao teu lado
a noite cai escura
(apenas o pincel fino dos estores
emerge contornos de imaginação)
sem vozes que a escutem
sem água sem pão.

De cansaço
as palavras fotográficas enevoam
(desejo interrompido)
e um estremido oco
ocupa o lugar da noite
no desejo tão rouco.

Sem sono sem acordar
ao teu lado
agarrando dentro do suor
um hipótese de sede
(mas o oásis do sonho
era toda a rua a cantar).
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Cristina Miranda

Cristina Miranda

Amar-te?


Amar-te?
é ir mais além
é descobrir os descaminhos
parar e mergulhar no teu sorriso líquido

Amar-te?
é ficar à sombra da serenidade
do teu corpo
e é mais ainda
é um nada pleno

Amar-te?
é encher a boca
com a flor
a palavra que vou colher
na planície da espera repousada

Amar-te?
é sentar-me depois
na berma do teu nome
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Carolina Caetano

Carolina Caetano

Póstumo I

Meu corpo

quando foi embora

Minha alma

era objeto entendível

pois póstumo

A única coisa entre as coisas que são divinas

Entendível.

Porque gente quando morre

é coisa entre as coisas que gente fez

Pois imagem.


O meu corpo quando foi embora

foi à terra de que eu mesma cultivei

Dos rastelos os meus dedos

Quando irão brotar as minhas carnes em meus cultivos

As minhas folhas, os meus pelos.


Mas era maio aqui em Minas

E eu não chovo.

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Wolf

Wolf

Espelho


Vislumbras nos meus olhos
 A indiferença e o desprezo
Que me inquietam.
Neste quarto fechado reflectes,
A imagem de um estado sombrio esquecido.
Diante de ti está alguém igual a mim,
Com o rosto tapado pelas mãos
Escondendo a vergonha despida pelo tempo,
De um ser que ama a noite e odeia o dia.
Neste corpo prostrado no chão do firmamento,
Flui dentro dele um coração convalescente
Do abismo do presente. E sucumbindo à solidão
Do momento, cai jazendo no fogo que lhe corrói
As entranhas do pensamento.
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Lara Ramos de Carvalheira

Lara Ramos de Carvalheira

Respirar

Tira-me da boca a bola sufocante que utilizaste
para me calar
as minhas palavras feriram-te
urravas de dor a cada bater da minha língua nos dentes
pára pára pára gritaste
eu tenho tanto por dizer
e tu não consegues escutar.


deixa-me partir então pois, no silêncio não
vou respirar, então para longe onde tu não me pises
a relva verde, onde me rebolo lembra-me
de te dizer que apesar de todo o, sufoco
nas palavras que não mais te direi.
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sebastiao_xirimbimbi

sebastiao_xirimbimbi

Saudades, coração partido.

Quem me irá mostrar o caminho para o fim dessa saudade;
que surge do nada, aperta o coração, e a mente invade?
Essa saudade que me acorrenta a alma
e afoga o espírito no profundo oceano das minhas lágrimas;
lágrimas de mágoas e saudades.

Saudades da tua firme voz
Saudades das tuas ligações,
todas as manhãs;
Falávamos pouco,
pois julgávamos que teríamos mais uma curta conversa "amanhã"

O amanhã do ontem, tornou-se hoje, 
e hoje eu já não ouço a tua voz!

Saudades de ouvir as tuas perguntas,
sobre a minha miserável vida amorosa,
e sobre a minha incansável labuta.

Saudades de te ver brincar com os teus netos que ainda não fiz;
Saudades de dizer-te que: "nessa vida o importante é ter saúde e ser feliz"; 

Saudades das conversas que tivemos,
das que poderiamos ter tido,
e das que nunca teremos.
 
Saudades dos pequenos momentos eternos
que juntos vivemos;
saudades dos infinitos,
belos momentos,
que não mais viveremos.

Saudades dos fascinantes momentos,
que teriamos vivido,
se não tivesses partido,
para o lado desconhecido;
da vida.

Ainda estou,
e eternamente estarei,
com o meu coração partido,
Por teres partido,
e eu não ter estado contigo,
no momento que foste levado para o teu último abrigo.

Por: Sebastião Xirimbimbi
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Cristina Miranda

Cristina Miranda

Nascer



Não me sei...
Esqueço-me
por não saber
onde nasce o azul.
Talvez nasça ali
na berma de um beijo
que fosse capaz de dar
se já fosse corpo
se de mim me soubesse...
Mas não me sei
de mim me esqueço
enquanto vagueio
pelo campo da nascente
me moldo
me ressurjo
por dentro de um arco-íris
pleno de cor.

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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

SONO DAS ÁGUAS

O sono das águas 
Vestia a minha pele de mel 
E dar-me-ia a mais bela flor
Por isso amor, não tenhas ciúmes
Da água que me lava o corpo
Já condenada a morrer aos meus pés.

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LUIZ GONZAGA DE PAULA

LUIZ GONZAGA DE PAULA

CHEGADAS

CHEGADAS Quando eu te vi chegar, Do amor a luz o mar, Fiz tudo para te ver sorrir, Da vida não me despedi. Dois olhos se cruzaram então, O nosso amor num turbilhão. Dois minutos para te abraçar, Beijar seus lábios e te conhecer Porém o tempo não parou ali, Que era mesmo o começo do fim, Pois você não queria acreditar, Viver daquele amor só para mim! Eu sei, não vai ser fácil prosseguir. Mas mesmo os meus versos vão fruir Minha voz entorpecida a lhe chamar Ferido o coração não para de bater. Linda Borboleta perdida em meu jardim, Nas noites de sereno se espaira por ai. Teu corpo alucinante coberto de carmim, Os lábios acetinados têm cheiro de jasmim. Se queres me roubar à última fragrância, E deixar no meu peito um gosto de vingança. Pois saiba já que eu sinto os olhos lacrimarem, E se estou chorando somente você pode me consolar. Porém a solidão é bem mais que um desejo, Que tudo a minha volta me leva aos seus beijos. Pois fiz o meu destino sempre por ti guiado, Viver só faz sentido se for sempre ao seu lado. Eu poderei não mais sorrir, longe de ti, Meus versos são a combustão para a paixão. Minha voz fará tudo mudar quando me ouvir, Ferindo os ouvidos fará sentido ao coração, Linda Borboleta perdida em meu jardim, Nas noites de sereno se espaira por ai. Teu corpo alucinante coberto de carmim, Os lábios acetinados têm cheiro de jasmim. Mas se queres só meu sofrimento e desatino, É grande o engano seu, pois já estou acostumado, Olhar e ver nos seus olhos futuro perjúrio de nós dois, E as lembranças do que fomos ficam para depois.
2 125
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Daniel Correia

Daniel Correia

Amo todos os stressados

Amo todos os stressados
E mais aqueles que estão sempre a reclamar,
E os músculos da voz a escavar
Suas queixas de queixados!

Contenta-me as pessoas que nunca se contentam
E não contentes com isso,
Sempre se não contentam disso!
E sempre se descontentam...

Honestamente, gosto!
Os que não sabem fazer sacrifícios;
Os púdicos, que são para mim um vício,
Os que não se importam com os outros!

Adoro sentar-me à mesa com os escravos do prazer,
Os que não aguentam estar sozinhos
Os muy nobres elitistazinhos,
Fico bêbado de os ver!

Os frios, de cortar os ouvidos;
Os intolerantes como Jesus Cristo!
Sérios, arrogantes, os de alma despidos
Cegam-me de amor imprevisto!

Amo ainda todas as pessoas como eu:
Os molengões mais criativos, tão sem jeito!
Os mais felizes tristes passaréus...!
E aqueles que não possuem estes defeitos,

E não têm mais nada seu!
1 185
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Gabriela Lages Veloso

Gabriela Lages Veloso

A origem

Me foi dada uma difícil missão,
nomear todos os seres da terra.
Capturar-lhes a essência,
identidade e significado,
em uma única palavra.
Escolher um nome é contar uma história.

Mas, o que veio primeiro?
O nome ou o significado?

Nessa minha difícil missão,
vivo sobressaltado.
E se um dia eu esquecer as palavras?

Como algo tão pequeno pode conter o mundo?
A palavra contém o mundo.

VELOSO, Gabriela Lages. Poema A origem. In: Revista Sucuru, 02 jul. 2021.
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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

TELHADOS DE VIDRO

Muitos têm a mania que são perfeitos
Ninguém é perfeito, a perfeição não existe
Nesta era digital, nada é o que parece
Nada que se lê e vê não é fidedigno
Mas há quem julgue saber tudo
E dê opinião sem conhecimento de causa
Julgam saber tudo
Sem saber o caminho de cada um
Não olhando para si mesmos
Por isso, eu nunca julgo ninguém
Guardo aquilo que vejo ou leio
E termino dizendo que somos todos imperfeitos
Cuidado que há telhados de vidro.
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afonso rocha

afonso rocha

FAMINTO DE TI


Meus dedos
são crisântemos
em flor...
que se transformam
para tocar-te
no mais profundo
de Ti

Ardo
em desejo
de tocar
a pele aveludada
de tua alma...
onde teus segredos
são os meus segredos...

Língua...
faminta do teu sabor...
1 749
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Pedro Rodrigues de Menezes

Pedro Rodrigues de Menezes

não enterrarei as minhas mãos

não enterrarei
as minhas mãos 
por não caberem
na terra dos outros.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "não enterrarei as minhas mãos")
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